Polícia aponta contradições em depoimento de motorista suspeito de atropelar produtor cultural em JP

O motorista suspeito de atropelar o produtor cultural Erick Araújo, de 36 anos, prestou depoimento nesta quarta-feira (22) à Polícia Civil, na Central de Polícia de João Pessoa. Marcos Afrânio Garcez, bombeiro militar aposentado do Distrito Federal, foi ouvido pelo delegado Getúlio Machado, responsável pela investigação do caso.
Segundo o delegado, Marcos confirmou que era o condutor do veículo no momento do atropelamento, mas apresentou versões que, de acordo com a investigação, apresentaram divergências em relação às provas já reunidas.
Durante o depoimento, o suspeito afirmou inicialmente que havia passado a noite na casa de um amigo, no bairro dos Colibris, e que teria seguido diretamente para casa, sem passar por bares ou consumir bebida alcoólica. A versão, no entanto, teria mudado após a Polícia Civil apresentar imagens que mostram o motorista em um estabelecimento frequentado também por Erick antes do acidente.
“Ele caiu em algumas contradições quando afirmou que passou a noite na casa de um amigo, no bairro dos Colibris, e seguiu direto para casa, e não parou em nenhum bar, e que não havia bebida alcoólica. Depois que ele fez essa afirmação, caiu em contradição, porque nós mostramos a ele um vídeo, onde ele frequentou, nessa madrugada, no mesmo horário que ocorreu o acidente, onde a vítima também esteve no local”, afirmou o delegado.
Após ser confrontado com as imagens, Marcos reconheceu que esteve no bar durante a madrugada do atropelamento. Segundo Getúlio Machado, o suspeito negou, porém, ter consumido bebida alcoólica no local.
O delegado informou ainda que as imagens mostram o motorista realizando um pagamento no caixa do estabelecimento, o que, segundo a polícia, reforça a necessidade de aprofundamento da apuração sobre a passagem dele pelo local.
Durante o depoimento, Marcos afirmou que não conhecia Erick Araújo e que nunca havia tido contato anterior com a vítima. Ao relatar o momento do acidente, disse que acreditou ter atingido um animal, e não uma pessoa.
A explicação, entretanto, foi questionada pela Polícia Civil. Segundo o delegado, as condições em que o veículo foi encontrado indicam que o impacto teria sido incompatível com a versão apresentada.
“Ele disse que, na hora do atropelamento, não imaginou que tivesse atingido uma pessoa, mas sim um animal. Isso diverge das condições em que o carro foi encontrado, porque o para-brisa estava quebrado. Que animal seria esse capaz de quebrar o para-brisa? Provavelmente, uma parte do corpo da vítima atingiu o vidro e causou o dano”, afirmou o delegado.
Ainda conforme a polícia o veículo foi levado para uma oficina após o atropelamento. A Polícia Civil determinou que o carro seja encaminhado para a Central de Polícia para passar por perícia. O suspeito afirmou que nenhum reparo havia sido realizado no automóvel.
Marcos também declarou ser o proprietário do veículo, embora a transferência ainda não tenha sido concluída oficialmente.
O delegado informou que a tipificação do crime ainda não foi definida, já que o inquérito está em andamento.
Após prestar depoimento, Marcos Afrânio Garcez foi liberado.
PB Agora
