Comandante da PMPB diz que polícia “enxuga gelo” e defende redução da maioridade penal: “Tem que rever”

O comandante-geral da Polícia Militar da Paraíba (PMPB), coronel José Ronildo Souza da Silva, afirmou, na tarde desta terça-feira (20), que a polícia brasileira continua “enxugando gelo” diante da criminalidade. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, ao responder a um questionamento do Portal PB Agora sobre os principais entraves da segurança pública e o papel da legislação no combate ao crime.

Na avaliação do comandante, leis que considera benevolentes, aliadas às regras de progressão de regime e aos índices de reincidência criminal, dificultam o trabalho das forças de segurança e contribuem para o sentimento de desestímulo entre os profissionais da área.

“Eu acho que os nossos representantes poderiam rever mais essa questão dessa benevolência, da progressão do regime dentro dos presídios, para que desse um maior suporte às forças de segurança, para que não haja tanta reincidência”, declarou.

Para ilustrar a situação, o coronel relatou uma experiência da própria carreira, quando prendeu a mesma pessoa três vezes em um único dia, no Sertão paraibano.

“Eu mesmo já fiz uma prisão lá no Sertão. Num dia, eu prendi a mesma pessoa três vezes”, contou.

O comandante defendeu que a legislação penal seja reavaliada pelos representantes políticos, com atenção às regras de cumprimento de pena e à reincidência criminal. Segundo ele, a revisão dessas normas poderia contribuir para uma atuação mais efetiva do sistema de segurança pública.

“Realmente, eu entendo que nós continuamos enxugando gelo diante da legislação atual do nosso país”, afirmou.

Ao responder também à pergunta do Portal PB Agora sobre a redução da maioridade penal, José Ronildo declarou ser favorável à mudança. Para ele, a legislação brasileira precisa ser revista diante do aliciamento de adolescentes por organizações criminosas.

“Sou totalmente favorável à redução da maioridade penal no nosso país”, disse o comandante.

Na avaliação do coronel, a proteção legal prevista para crianças e adolescentes acaba sendo explorada por integrantes do crime organizado para recrutar menores de idade.

“Eu acredito que a redução da maioridade penal aqui no nosso país tem que ser revista urgentemente”, concluiu.

PB Agora

Redação

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