Mãe de jovem desenterrado e decapitado relata expulsão de casa e desabafa: “A gente não pode pagar por erro de filho”

A mãe do jovem de 22 anos que foi desenterrado, queimado e decapitado após ser sepultado no cemitério de Cruz das Armas, em João Pessoa, revelou que a família já vinha sendo vítima de ameaças e perseguições. Segundo ela, os problemas começaram depois que um dos filhos foi apontado como “traidor” por integrantes de uma facção criminosa.

Em entrevista ao Paraíba Diário, a mulher contou que a família viveu durante 17 anos no conjunto Gervásio Maia, mas acabou sendo obrigada a deixar a comunidade. Segundo o relato, primeiro os filhos foram expulsos e, posteriormente, ela, os pais e outros familiares também tiveram que abandonar a residência.

“A gente morava no conjunto Gervásio Maia há 17 anos. Teve uma situação lá que ele foi tirado como traidor, então expulsaram ele e meus outros dois filhos de lá”, relatou.

A mãe afirmou que, posteriormente, criminosos foram até a casa onde ela morava e efetuaram disparos contra o imóvel. Segundo ela, a família recebeu apenas uma hora e meia para deixar a residência.

“Em seguida, foram na minha casa, meteram bala na minha casa e expulsaram eu, minha mãe e meu pai. O meu pai é acamado, não anda e não vê. Deram uma hora e meia para a gente sair de casa. Eu saí com minha mãe e meu pai”, contou.

Ainda de acordo com a mulher, os filhos chegaram a retornar ao conjunto dias depois. Na ocasião, houve uma troca de tiros e eles acabaram presos. Depois disso, segundo ela, os filhos passaram a viver em uma comunidade vizinha, já que não poderiam retornar ao Gervásio Maia.

A mãe também afirmou que a destruição da casa não foi um caso isolado. Segundo ela, outras famílias teriam enfrentado situações semelhantes e continuam impedidas de retornar às próprias residências.

“Na minha casa quebraram tudo. Não só eu, como outras famílias passaram pela mesma situação que eu. Dentro do Gervásio Maia existem várias casas que as famílias não podem voltar pra lá de jeito nenhum.”

Diante de tudo o que aconteceu com a família, a mulher fez um desabafo sobre a situação dos parentes de pessoas envolvidas em conflitos criminosos. Para ela, mães e familiares não podem ser responsabilizados por atos que não cometeram.

“Sofro. Sou mãe. A gente que é família, que é mãe, não pode estar pagando por erro de filho, por erro que a gente não fez. Bote isso na cabeça, vocês também têm família”, desabafou.

Redação

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