Nelson Wilians se afasta de escritório após operação da PF que mira grupo de bets

Advogado Nelson Wilians é alvo de operação da PF O advogado Nelson Wilians se afastou por tempo indeterminado do comando de seu escritório após ser alvo da Operação Arena, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (13). Segundo comunicado divulgado à imprensa nesta sexta-feira (14), a decisão partiu do próprio advogado. Wilians foi um dos 17 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na operação. A PF investiga um grupo empresarial do Nordeste suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas. Segundo a investigação, o advogado é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo e de ocultar bens que teriam sido obtidos de forma ilegal. 🔎 Wilians é dono de um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e soma 1,4 milhão de seguidores em uma rede social. Em setembro do ano passado, ele também havia sido alvo da PF por suposta participação em esquema de fraudes e desvios do INSS. Com o afastamento, a administração da NWADV passa a ser exercida por um Comitê Executivo. O grupo será responsável pela continuidade das operações, pela governança institucional e pelo relacionamento com clientes, colaboradores, parceiros e demais públicos de interesse. "A decisão foi comunicada pelo próprio Dr. Nelson Wilians, que optou por dedicar-se neste momento ao cuidado de sua família. O afastamento também permitirá que ele acompanhe os desdobramentos da apuração em curso e permaneça à disposição das autoridades para os esclarecimentos que se fizerem necessários", informa o comunicado. LEIA MAIS: 'Betcoptero' é ponto de ligação entre Nelson Wilians e dono de bets investigadas; investigação aponta transferências de R$ 9,8 milhões Escritório de Nelson Wilians emitiu notas que somam R$ 37 milhões para empresa fantasma de Curaçao, aponta PF O advogado Nelson Wilians presta depoimento à CPMI do INSS WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO Operação Arena A operação foi autorizada pela Justiça Federal da Paraíba e também determinou a quebra dos sigilos bancário e telemático dos investigados e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão. No total, 17 mandados de busca e apreensão foram expedidos nos estados da Paraíba, de São Paulo, de Sergipe, do Rio de Janeiro e do Paraná. O principal alvo da investigação é a PixBet, empresa da Paraíba. Segundo a PF, foram identificados pagamentos entre a PixBet e a PixStar, sediada em Curaçao. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, por crimes como evasão de divisas e lavagem de dinheiro, além de outros crimes contra o sistema financeiro nacional. A defesa de Nelson Wilians afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços de advocacia. Segundo o advogado Santiago Schunck, que representa Wilians, a atuação do escritório se limita ao exercício regular da advocacia e não se confunde com as atividades empresariais dos clientes. "A atuação do escritório em favor de seus clientes limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais por eles desenvolvidas. O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes", afirmou. "É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa", completou a nota. O g1 tenta contato com a defesa dos outros envolvidos. Jatinho e charuto: O advogado Nelson Wilians tem mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram é tem um dos maiores escritórios de advocacia da América Latina. Reprodução/Redes Sociais Escritório de Wilians emitiu notas que somam R$ 37 milhões O escritório do advogado Nelson Wilians emitiu notas que somam R$ 37,8 milhões para uma empresa fantasma sediada em Curaçao, no Caribe, em esquema de lavagem de dinheiro envolvendo jogos de azar online e evasão de divisas, segundo investigação da Polícia Federal. O valor teria sido pago ao escritório pela PixStar, apontada pelos investigadores como uma empresa fictícia utilizada para dar aparência legal à movimentação de recursos. Segundo a investigação, as notas fiscais não especificavam de forma concreta os serviços que teriam sido prestados. Elas eram emitidas conforme surgia a necessidade de justificar a entrada dos valores no Brasil e “formar caixa”, segundo os investigadores. Ao todo, as 15 notas fiscais identificadas pela PF somam R$ 37.824.000. O escritório de Nelson Wilians aparece, segundo a investigação, como um dos principais beneficiários das movimentações envolvendo a PixStar. Para a PF, as notas serviam para justificar a entrada de somas milionárias no Brasil sob a aparência de pagamentos por serviços advocatícios. A suspeita é de que os valores estivessem relacionados às atividades de jogos de azar e apostas esportivas investigadas pela operação. Segundo a investigação, a PixStar era usada como um “ardil” para sustentar a narrativa de que a atividade de apostas era exercida fora do Brasil antes da autorização legal desse tipo de operação no país. Como funcionava o suposto esquema de lavagem de dinheiro da PixBet Arte/G1 Casa de Nelson Wilians TV Globo Operação na casa do advogado Nelson Wilians TV Globo Ferrari na garagem de Nelson Wilians TV Globo
