{"id":9941,"date":"2023-02-12T16:45:19","date_gmt":"2023-02-12T19:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/02\/12\/barbarie-de-queimadas-11-anos-apos-estupro-coletivo-e-feminicidios-caso-vira-documentario-veja-trailer.ghtml"},"modified":"2023-02-12T16:45:19","modified_gmt":"2023-02-12T19:45:19","slug":"barbarie-de-queimadas-11-anos-apos-estupro-coletivo-e-feminicidios-caso-vira-documentario-veja-trailer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/02\/12\/barbarie-de-queimadas-11-anos-apos-estupro-coletivo-e-feminicidios-caso-vira-documentario-veja-trailer\/","title":{"rendered":"Barb\u00e1rie de Queimadas: 11 anos ap\u00f3s estupro coletivo e feminic\u00eddios, caso vira document\u00e1rio; veja trailer"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/bz9g6cDgWmcI4mUE_ZgoP7jSQ4o=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/e\/O\/B5y6kIRJeGqt9WQ5yWjA\/a-decada-em-que-nada-mudou.jpg\" \/><br \/>     'A d\u00e9cada em que nada mudou' conta a hist\u00f3ria do crime que chocou a Para\u00edba e o Brasil sob o ponto de vista dos profissionais que ajudaram na apura\u00e7\u00e3o do caso. Trailer de 'A d\u00e9cada em que nada mudou'\nNeste dia 12 de fevereiro, h\u00e1 11 anos, um estupro coletivo planejado contra cinco mulheres em uma festa de anivers\u00e1rio resultou na morte de duas delas, em Queimadas, no Agreste da Para\u00edba. O crime, que causou indigna\u00e7\u00e3o nacional e ficou conhecido como \u201cBarb\u00e1rie de Queimadas\u201d, \u00e9 tema de um document\u00e1rio, produzido em Campina Grande, e que conta o caso do ponto de vista dos profissionais que trabalharam na apura\u00e7\u00e3o. Assista acima ao trailer de \u201cA d\u00e9cada em que nada mudou\u201d.\nO filme tem dire\u00e7\u00e3o, roteiro, produ\u00e7\u00e3o, fotografia e montagem pela jornalista Carol Di\u00f3genes. Segundo a diretora, o document\u00e1rio tem a inten\u00e7\u00e3o de homenagear a mem\u00f3ria das v\u00edtimas e levantar o debate sobre as atualiza\u00e7\u00f5es do caso ao longo do tempo.\n\u201cA proposta \u00e9 ver o outro lado dos profissionais que trabalharam na apura\u00e7\u00e3o do crime, e como o lado humano dos personagens se relacionou com a fun\u00e7\u00e3o que exerciam. Esta investiga\u00e7\u00e3o busca tamb\u00e9m entender como a intera\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es - imprensa, pol\u00edcia e poder judici\u00e1rio - aconteceu, e compreender como o estreitamento das rela\u00e7\u00f5es entre elas garantiu a agilidade na apura\u00e7\u00e3o e penaliza\u00e7\u00e3o dos suspeitos\u201d, disse Carol.\nNo document\u00e1rio, foram ouvidos jornalistas, policiais, delegados, entre outras pessoas que atuaram diretamente na apura\u00e7\u00e3o do crime, que abalou a cidade de Queimadas. Para ajudar na composi\u00e7\u00e3o, foram utilizadas imagens de reportagens feitas durante a \u00faltima d\u00e9cada, que auxiliaram na reconstitui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do caso. O filme est\u00e1 previsto para ser lan\u00e7ado em maio. \n'A d\u00e9cada em que nada mudou': document\u00e1rio conta a hist\u00f3ria da Barb\u00e1rie de Queimadas\nReprodu\u00e7\u00e3o\/g1\nA Barb\u00e1rie de Queimadas\nO crime aconteceu na madrugada do dia 12 de fevereiro de 2012, em uma casa no Centro de Queimadas. Na casa estavam sete mulheres, nove homens e tr\u00eas adolescentes. Os irm\u00e3os Luciano e Eduardo dos Santos Pereira organizaram a festa, convidando as v\u00edtimas para o evento, o anivers\u00e1rio de um deles. \nO que as cinco mulheres n\u00e3o imaginavam \u00e9 que seriam v\u00edtimas de um estupro coletivo dos homens, que seria um \"presente\" para o aniversariante. Para realizar o crime, Eduardo e Luciano forjaram um assalto e entraram encapuzados na resid\u00eancia durante a festa. \nOs envolvidos nos abusos combinaram que, durante a festa de anivers\u00e1rio, tr\u00eas deles apagariam o sistema de energia e invadiriam a casa com m\u00e1scaras de carnaval se passando por assaltantes para poder render as v\u00edtimas e, depois que elas fossem amarradas e vendadas, todos iriam estupr\u00e1-las.\nCrime conhecido como 'Barb\u00e1rie de Queimadas' completa onze anos com somente um dos condenados preso em regime fechado \nCarol Di\u00f3genes\/Arquivo Pessoal\nOs outros dois homens que estavam na festa foram v\u00edtimas, e as esposas deles est\u00e3o entre as cinco abusadas. As duas mulheres que estavam na resid\u00eancia e n\u00e3o foram alvo do estupro coletivo s\u00e3o justamente as esposas de Eduardo e Luciano.\nEnquanto era estuprada, a professora Izabella Paju\u00e7ara, de 27 anos, se debateu e conseguiu identificar Eduardo como um dos estupradores. Em depoimento, um dos suspeitos revela os pedidos da v\u00edtima que reconheceu o agressor e pediu para n\u00e3o ser estuprada. \"Tanto que eu fiz por voc\u00ea! N\u00e3o fa\u00e7a isso n\u00e3o! Pare, minha m\u00e3e n\u00e3o aguenta isso n\u00e3o\u201d.\nA partir daquele momento, os abusos foram interrompidos, e os homens fugiram de carro levando Izabella Paju\u00e7ara e a recepcionista Michele Domingos, de 29 anos, que tamb\u00e9m estava no quarto no momento e, portanto, teria ouvido a fala da amiga reconhecendo o estuprador.   \nMichele chegou a pular do carro em movimento, mas recebeu quatro tiros, sendo dois na cabe\u00e7a, em frente \u00e0 igreja Matriz, no Centro de Queimadas. Ela ainda foi levada ao hospital da cidade, mas n\u00e3o resistiu aos ferimentos. J\u00e1 Izabella foi encontrada com uma meia dentro da boca na estrada que liga Queimadas a Fagundes, dentro do carro usado na fuga dos criminosos. Ela foi atingida por tr\u00eas disparos.\nQuando o dono da festa foi dar queixa do assalto na delegacia, a pol\u00edcia come\u00e7ou a desconfiar da rea\u00e7\u00e3o dele. \u201cComo \u00e9 que um crime t\u00e3o b\u00e1rbaro que aconteceu na sua resid\u00eancia, durante um anivers\u00e1rio de um irm\u00e3o seu, meia hora depois voc\u00ea est\u00e1 sorrindo?\u201d, questionou o delegado regional Andr\u00e9 Luis Rabelo de Vasconcelos. Um dos suspeitos, de 28 anos, chegou a ir ao vel\u00f3rio de Izabella, onde foi preso.\nIzabella Paju\u00e7ara e Michelle Domingos foram mortas depois de estupro coletivo no caso que ficou conhecido como Barb\u00e1rie de Queimadas, na PB\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Fant\u00e1stico\nCondena\u00e7\u00f5es\nEm 2014, Eduardo dos Santos Pereira foi condenado a 108 anos de pris\u00e3o. Ele foi considerado culpado por dois homic\u00eddios, forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, c\u00e1rcere privado, corrup\u00e7\u00e3o de menores e porte ilegal de arma, al\u00e9m dos cinco estupros. Por estes crimes, ele foi condenado a 106 anos e 4 meses de reclus\u00e3o. Al\u00e9m disso, ele recebeu uma pena de 1 ano e 10 meses de deten\u00e7\u00e3o pelo crime de les\u00e3o corporal de um dos adolescentes envolvidos no crime.\nLuciano dos Santos Pereira, irm\u00e3o de Eduardo, foi condenado a 44 anos de pris\u00e3o. Ele \u00e9 o \u00fanico que segue em regime fechado. Jac\u00f3 Sousa foi sentenciado a 30 anos de reclus\u00e3o, por estuprar duas mulheres e participar no abuso das outras tr\u00eas v\u00edtimas. Ele foi assassinado quando voltou \u00e0 cidade do crime, depois de ter direito \u00e0 liberdade condicional.\nEduardo dos Santos Pereira foi condenado a 108 anos de pris\u00e3o pela barb\u00e1rie de Queimadas\nFrancisco Fran\u00e7a\/Jornal da Para\u00edba\/Arquivo\nDiego Rego Domingues foi liberado para cumprir a pena de 26 anos e seis meses no regime semiaberto, na Penitenci\u00e1ria de Seguran\u00e7a M\u00e9dia de Mangabeira, em Jo\u00e3o Pessoa.\nFernando de Fran\u00e7a Silva J\u00fanior, vulgo 'Papadinha', foi condenado a 30 anos de pris\u00e3o. Luan Barbosa Cassimiro deve cumprir 27 anos de reclus\u00e3o, pela viol\u00eancia sexual praticada contra uma v\u00edtima e participa\u00e7\u00e3o no estupro das quatro demais. J\u00e1 Jos\u00e9 Jardel Sousa Ara\u00fajo foi condenado a 27 anos.\nA Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria n\u00e3o soube informar ao g1 a situa\u00e7\u00e3o penal desses tr\u00eas acusados. O advogado da fam\u00edlia de Izabella afirma que apenas Luciano est\u00e1 preso em regime fechado e deve sair em breve, pois trabalha na pris\u00e3o.\nOs adolescentes j\u00e1 cumpriram medida socioeducativa no Lar do Garoto, no munic\u00edpio de Lagoa Seca, Agreste do estado.\nFuga de Eduardo\nEduardo fugiu da Penitenci\u00e1ria de Seguran\u00e7a M\u00e1xima Doutor Romeu Gon\u00e7alves de Abrantes de Jo\u00e3o Pessoa, conhecida como PB1, no dia 17 de novembro de 2020. No momento da fuga, quatro policiais penais faziam a seguran\u00e7a do setor e foram encaminhados \u00e0 Central de Pol\u00edcia para prestar esclarecimentos. Um deles foi autuado por facilita\u00e7\u00e3o culposa e, em seguida, liberado.\nA Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria informou que h\u00e1 um Procedimento Administrativo Disciplinar j\u00e1 em sua fase conclusiva, todavia, um dos servidores indiciados foi acometido por um AVC.\nSegundo a Pol\u00edcia Civil, o Departamento de Repress\u00e3o ao Crime Organizado (Draco) da Pol\u00edcia Civil est\u00e1 respons\u00e1vel pelas buscas a Eduardo. Conforme informa\u00e7\u00f5es do delegado titular do departamento, Diego Beltr\u00e3o, detalhes sobre a investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser divulgados.\nDe acordo com a Secretaria de Estado Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria (SEAP), as a\u00e7\u00f5es de recaptura do Eduardo, desde o dia da sua fuga, v\u00eam ocorrendo de forma integral entre todos os \u00f3rg\u00e3os que comp\u00f5em a seguran\u00e7a p\u00fablica do Estado da Para\u00edba.\n\u201cAs intelig\u00eancias da Seguran\u00e7a P\u00fablica atuam incessantemente no intuito de obter o paradeiro atual do fugitivo\u201d, afirmou a assessoria de imprensa da SEAP.\nApesar disso, familiares de Michele Domingos e Izabella Paju\u00e7ara Fraz\u00e3o Monteiro, falaram ao g1 que existem muitas informa\u00e7\u00f5es ocultas sobre o paradeiro de Eduardo. Eles pediram para n\u00e3o ter sua identidade revelada, por medo e receio \u00e0 sua seguran\u00e7a.\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        &#8216;A d\u00e9cada em que nada mudou&#8217; conta a hist\u00f3ria do crime que chocou a Para\u00edba e o Brasil sob o ponto de vista dos profissionais que ajudaram na apura\u00e7\u00e3o do caso. 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