{"id":9786,"date":"2023-02-08T12:08:43","date_gmt":"2023-02-08T15:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/02\/08\/especialista-recomenda-estudos-antes-de-engorda-das-praias-de-joao-pessoa.ghtml"},"modified":"2023-02-08T12:08:43","modified_gmt":"2023-02-08T15:08:43","slug":"especialista-recomenda-estudos-antes-de-engorda-das-praias-de-joao-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/02\/08\/especialista-recomenda-estudos-antes-de-engorda-das-praias-de-joao-pessoa\/","title":{"rendered":"Especialista recomenda estudos antes de engorda das praias de Jo\u00e3o Pessoa"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/WDbHk2dJjJH_hdHGjNg_GxhT-98=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2020\/u\/k\/EWBOSnTTGUJZk3iRaZyQ\/barreira-do-cabo-branco.jpeg\" \/><br \/>   Para professor da UFPB, a Prefeitura sugere obras mirabolantes, mas n\u00e3o resolve os problemas mais elementares da \u00e1rea. Prefeitura de Jo\u00e3o Pessoa estuda alargar as faixas de areia de todas as praias da capital\nSecom-JP\/Divulga\u00e7\u00e3o\nO an\u00fancio da Prefeitura Municipal de Jo\u00e3o Pessoa de que est\u00e1 realizando estudos t\u00e9cnicos para realizar j\u00e1 no ano que vem a engorda de areia de todas as praias urbanas da capital paraibana vem provocando preocupa\u00e7\u00f5es em pesquisadores ligados \u00e0 \u00e1rea ambiental. Na ter\u00e7a-feira (7), o prefeito C\u00edcero Lucena detalhou a obra, dizendo que pretende, por exemplo, criar uma pista vi\u00e1ria ligando o Cabo Branco \u00e0 Ponta de Seixas, por baixo da fal\u00e9sia. Um dos pesquisadores que questiona a necessidade da obra \u00e9 o professor Saulo Vital, do Departamento de Geoci\u00eancia da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), que defende estudos mais aprofundados antes de qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o.\nEle comenta que diferentes praias da cidade exigem estrat\u00e9gias diferentes e que nada deveria ser feito de forma t\u00e3o r\u00e1pida, sem se ouvir especialistas de todas as \u00e1reas do conhecimento. Por exemplo, Saulo destaca que ningu\u00e9m da \u00e1rea ambiental da UFPB foi ouvido at\u00e9 agora.\nPara o professor, n\u00e3o tem sentido promover qualquer alargamento de praia antes de resolver problemas mais b\u00e1sicos existentes nas \u00e1reas em quest\u00e3o. \u201cRealizar a engorda de praia \u00e9 como tentar parar uma hemorragia interna por fora\u201d, compara.\nSaulo Vital explica que uma r\u00e1pida visita de pesquisadores \u00e9 suficiente para encontrar problemas b\u00e1sicos que simplesmente s\u00e3o ignorados. E que, a despeito disso, a Prefeitura pensa logo na medida mais radical.\n\u201cQuerem obras mirabolantes, mas n\u00e3o resolvem os problemas mais elementares\u201d, lamenta.\nEntre os exemplos, ele cita uma ocupa\u00e7\u00e3o mal planejada da orla da capital, com constru\u00e7\u00f5es sendo feitas ao longo das d\u00e9cadas na \u00e1rea costeira e afetando diretamente no processo de eros\u00e3o. \u201cIsso tudo \u00e9 uma consequ\u00eancia de ocupa\u00e7\u00e3o mal planejada\u201d.\nDepois, Saulo comenta do dia em que fez uma pesquisa na regi\u00e3o da Fal\u00e9sia do Cabo Branco e encontrou canaletas de concreto que estavam quebradas. Em vez de escoar a \u00e1gua para longe, jogava-a bem na parte onde a eros\u00e3o era mais severa, agravando ainda mais o processo de desgaste do solo.\nDois problemas diferentes\nEnrocamento da fal\u00e9sia da Barreira do Cabo Branco, na PB, \u00e9 conclu\u00eddo\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Seinfra\nO professor Saulo Vital destaca que as praias de Mana\u00edra e Bessa de um lado e Cabo Branco do outro possuem caracter\u00edsticas diferentes, de forma que a mesma solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabe para as duas realidades.\nDe acordo com ele, os problemas em Mana\u00edra e Bessa s\u00e3o fruto da instala\u00e7\u00e3o do Hotel Tamba\u00fa na d\u00e9cada de 1970 e por causa disso sofre um processo de eros\u00e3o mais lento, o que at\u00e9 torna poss\u00edvel o alargamento da faixa de areia.\n\u201cTudo precisa ser analisado, porque qualquer interven\u00e7\u00e3o numa praia interfere na \u00e1rea pr\u00f3xima. Ent\u00e3o tem que avaliar os impactos. Mas em Mana\u00edra e Bessa n\u00e3o vejo um impacto muito grande. Ali \u00e9 mais para reconstruir o que foi destru\u00eddo\u201d, explica.\nUma situa\u00e7\u00e3o bem diferente, muito mais complexa, aconteceria em Cabo Branco, cujas interfer\u00eancias s\u00e3o provocadas pela Fal\u00e9sia do Cabro Branco, que, como o nome j\u00e1 indica, trata-se de uma fal\u00e9sia viva e que ainda por cima fica pr\u00f3xima a uma \u00e1rea de corais. Qualquer interven\u00e7\u00e3o ali tem consequ\u00eancias muito mais dif\u00edceis de prever.\nAl\u00e9m disso, Saulo explica que uma interven\u00e7\u00e3o do tipo pode agravar outros problemas:\n\u201cA fal\u00e9sia \u00e9 uma forma de relevo que fornece sedimentos e materiais para as praias. Faz parte das din\u00e2micas praiais. No momento que voc\u00ea barra totalmente a eros\u00e3o da fal\u00e9sia, voc\u00ea impede que o sedimento chegue nas praias\u201d, pondera ele, demonstrando a complexidade daquela \u00e1rea.\nComo forma de exemplo, o professor classifica o enrocamento constru\u00eddo no entrono da fal\u00e9sia de \u201ccrime ambiental\u201d que piorou muito a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. E que acabou tendo o efeito colateral de acelerar o avan\u00e7o do mar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pracinha de Iemanj\u00e1, que ficava no p\u00e9 da ladeira do Cabo Branco e que j\u00e1 n\u00e3o existe mais.\nOutras quest\u00f5es s\u00e3o levantadas. Por causa da fal\u00e9sia, a eros\u00e3o no Cabo Branco \u00e9 \u201cmuito mais agressiva\u201d, de forma que reconstruir uma \u00e1rea de praia ali, al\u00e9m de ser muito caro, iria obrigar seguidas recomposi\u00e7\u00f5es ao longo dos anos, tornando o valor total ainda mais alto.\n\u201cExiste um avan\u00e7o e um recuo natural do mar que em alguma medida precisa ser respeitado\u201d, ensina.\nPara completar, ele ainda prev\u00ea poss\u00edveis problemas para quem est\u00e1 ao norte de Jo\u00e3o Pessoa: \u201cA partir do momento que Jo\u00e3o Pessoa enrijecer demais a sua orla e dificultar a eros\u00e3o, Cabedelo pode sofrer com isso\u201d.\nA solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em cima da fal\u00e9sia\nPraia do Cabo Branco em Jo\u00e3o Pessoa\nLuana Silva\/g1 \nCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Fal\u00e9sia do Cabo Branco, Saulo Vital \u00e9 direto ao dizer que o Poder P\u00fablico municipal deixou o local numa situa\u00e7\u00e3o de \u201cdescaso total\u201d. E que para minimizar o problema \u00e9 necess\u00e1rio primeiro pensar em solucionar os problemas existentes na parte de cima.\nSegundo ele, o asfalto colocado l\u00e1 muitos anos atr\u00e1s \u00e9 a fonte do agravamento do problema da eros\u00e3o, porque impediu a drenagem natural que acontecia l\u00e1 e fez com que a \u00e1gua da chuva, por exemplo, escoasse para as margens. Assim, uma \u00e1gua que antigamente era absorvida de forma igual por todo o relevo, agora \u00e9 jogada e acumulada justamente nas extremidades da fal\u00e9sia, acelerando em muito o processo de eros\u00e3o.\nA solu\u00e7\u00e3o sugerida por Saulo Vital, portanto, da forma mais urgente poss\u00edvel, seria retirar esse asfalto, que inclusive j\u00e1 est\u00e1 todo destru\u00eddo, e ali construir um parque ecol\u00f3gico, que ele chama de geoparque.\n\u201c\u00c9 preciso reflorestar a regi\u00e3o, reorganizar o solo, restabelecer os padr\u00f5es m\u00e1ximos de drenagem. Porque ali, hoje, a \u00e1gua bate, escorre, vai para a fal\u00e9sia. N\u00e3o drena de forma igual\u201d, diz o pesquisador.\nUm geoparque que, ainda de acordo com Saulo, traria benef\u00edcios para a sociedade: \u201cN\u00e3o perderia a fun\u00e7\u00e3o tur\u00edstica da \u00e1rea e resolveria bastante o problema. Mas ser\u00e1 que ao inv\u00e9s disso aquele asfalto ruindo \u00e9 bonito para os turistas?\u201d.\nEle defende, por fim, um meio termo entre ajustes pontuais e monitoramento da regi\u00e3o ao inv\u00e9s de obras milion\u00e1rias que n\u00e3o seriam a solu\u00e7\u00e3o.\n\u201cPrecisa-se realizar pequenas interven\u00e7\u00f5es pontuais e respeitar o processo natural. Em paralelo a isso, monitorar a \u00e1rea e fazer a gest\u00e3o correta dela\u201d, finaliza.\nImpactos na vida marinha\nUm dos impactos da obra tamb\u00e9m est\u00e1, por exemplo, na conserva\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas, que usam as praias de Jo\u00e3o Pessoa e Cabedelo para reprodu\u00e7\u00e3o.\n\u201cA gente tem essa preocupa\u00e7\u00e3o porque vai ser um impacto direto na \u00e1rea reprodutiva. Do final de Mana\u00edra at\u00e9 o come\u00e7o de Cabedelo, temos \u00e1rea de monitoramento de ninhos. S\u00f3 nesta temporada de 2023 j\u00e1 foram 19 localizados. Al\u00e9m disso, o alargamento pode ter impacto tamb\u00e9m nos recifes costeiros, que s\u00e3o a \u00e1rea de alimenta\u00e7\u00e3o das tartarugas\u201d, explica Danielle Siqueira, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Guajiru, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que busca promover a conserva\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas no litoral do Estado da Para\u00edba.\nTartarugas s\u00e3o acompanhadas nos ninhos at\u00e9 o nascimento realizado por ces\u00e1rea, na Para\u00edba\nAssocia\u00e7\u00e3o Guajiru \/ Divulga\u00e7\u00e3o\nGeorge Cavalcanti, que \u00e9 bi\u00f3logo e doutor em oceanografia, acredita que n\u00e3o existe processo erosivo que justifique o alargamento da faixa de areia no litoral pessoense.\n\u201cEu n\u00e3o vejo sentido ambiental da realiza\u00e7\u00e3o da engorda da praia em uma regi\u00e3o extensa como essa. Primeiro porque em muitos pontos n\u00e3o h\u00e1 necessidade. Sem falar no risco ambiental, porque a mudan\u00e7a na din\u00e2mica das praias e na din\u00e2mica dos sedimentos pode levar ao soterramento de outras \u00e1reas, como os recifes do Bessa\u201d, diz.\nO impacto, para o bi\u00f3logo, pode ser n\u00e3o s\u00f3 ambiental. \u201cEsses recifes tamb\u00e9m s\u00e3o explorados pelo turismo, ent\u00e3o a gente pode perder, al\u00e9m de um patrim\u00f4nio ambiental, um patrim\u00f4nio tur\u00edstico muito importante\u201d, completa.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>      Para professor da UFPB, a Prefeitura sugere obras mirabolantes, mas n\u00e3o resolve os problemas mais elementares da \u00e1rea. 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