{"id":8316,"date":"2022-12-29T19:02:23","date_gmt":"2022-12-29T22:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2022\/12\/29\/testemunhas-oculares-relembram-o-que-pode-ter-sido-o-verdadeiro-gol-mil-de-pele-na-paraiba.ghtml"},"modified":"2022-12-29T19:02:23","modified_gmt":"2022-12-29T22:02:23","slug":"testemunhas-oculares-relembram-o-que-pode-ter-sido-o-verdadeiro-gol-mil-de-pele-na-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2022\/12\/29\/testemunhas-oculares-relembram-o-que-pode-ter-sido-o-verdadeiro-gol-mil-de-pele-na-paraiba\/","title":{"rendered":"Testemunhas oculares relembram o que pode ter sido o verdadeiro gol mil de Pel\u00e9, na Para\u00edba"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/2lNKVPnVswjzSOPbrHAlCOsnRMo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/b\/W\/riqWHATY2sllWQNA7r5g\/0a5d251f-b6b0-429d-ac95-6adb0a863886.jpg\" \/><br \/>   Est\u00e1dio lotado, gol de Pel\u00e9, ida do rei para ser goleiro, vaias, recontagem de gols quase 30 anos depois. Um dia intenso que pode ter uma import\u00e2ncia incr\u00edvel para o futebol paraibano. Recontagem da Folha de S. Paulo na d\u00e9cada de 1990 leva o gol 1.000 para a Para\u00edba\nFolha de S. Paulo\/Acervo\/F\u00e1bio Henrique\nEra um est\u00e1dio pequeno, modesto, muito aqu\u00e9m da grandiosidade que Pel\u00e9, o Rei do Futebol, estava acostumado em sua carreira. O dia era 14 de novembro de 1969 e a partida amistosa entre o Botafogo da Para\u00edba e o Santos acontecia no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de Jo\u00e3o Pessoa. Ainda assim, o dia tem ares m\u00edticos. Primeiro porque pode ter sido o local do verdadeiro mil\u00e9simo gol de Pel\u00e9. Depois porque foi ali uma das poucas vezes na vida que o maior jogador de todos os tempos foi vaiado por uma torcida enquanto o via atuar em campo. No dia da morte do Rei do Futebol, testemunhas daquele dia contam o que lembram.\nAfinal, era uma \u00e9poca sem tantas informa\u00e7\u00f5es. Com acervos prec\u00e1rios que, com o tempo, perderam dados preciosos. A sa\u00edda foi recorrer a nomes como o de Eudes Moacir Toscano, radialista e narrador paraibano que durante muitas d\u00e9cadas trabalhou na r\u00e1dio Tabajara. Ele foi a voz daquele jogo.\nHoje com 82 anos, \u00e0 \u00e9poca tinha 29. J\u00e1 tinha certa experi\u00eancia, j\u00e1 havia narrado gols importantes, mas nenhum nem perto daquele que ele estava para testemunhar.\nMuito do que se viveu ali \u00e9 Eudes quem relembra. O Santos venceu por 3 a 0. O ponta-direita Manoel Maria j\u00e1 tinha marcado duas vezes quando sofreu um p\u00eanalti. A primeira celeuma foi a de que Pel\u00e9 n\u00e3o queria bater o p\u00eanalti. Depois de muita insist\u00eancia, foi a contragosto para a cobran\u00e7a. Fez o gol 999 e depois foi virar goleiro, reservar para o m\u00edtico Maracan\u00e3 de outrora o mil\u00e9simo gol.\nEudes Moacir Toscano, narrador do suposto gol mil de Pel\u00e9\nTV Globo\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nAcontece que, na d\u00e9cada de 1990, uma recontagem da Folha de S. Paulo descobriu um gol perdido num Campeonato Sul-Americano de 1959. Um gol contra o Paraguai que transformaria muitos anos depois aquele gol 999 em gol 1.000. \nO trabalho de pesquisa foi do jornalista Valmir Storti, que  se debru\u00e7ou por tr\u00eas meses em uma vasta pesquisa, recontando os gols de Pel\u00e9. E encontrou. \"Na \u00e9poca, o jogo n\u00e3o estava registrado na lista oficial. Seria um gol banal, mas ganhou uma import\u00e2ncia incr\u00edvel anos depois\", declarou ele ao Esporte Espetacular, em 2019.\nEudes vai na esteira do debate e conta o que lembra:\n\u201cA multid\u00e3o vibrou com o gol, que depois se transformaria no verdadeiro mil\u00e9simo gol de Pel\u00e9. Mas, na hora que ele virou goleiro, foi uma vaia geral\u201d, comenta Eudes, saudoso.\nDe toda forma, \u00e0 \u00e9poca ningu\u00e9m sabia aindo do erro de contagem. Na expectativa de momento, era mesmo o gol 999 que era visto pelos presentes. \u201cNa hora, eu gritei que tinha sido o novecent\u00e9simo nonag\u00e9simo nono gol de  Pel\u00e9\u201d, relembra.\nHoje Vila Ol\u00edmpica Parahyba, Est\u00e1dio Ol\u00edmpico ainda hoje existe\nTV Globo\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nAinda assim, foi para ele um momento diferente de todos os demais:\n\u201cFoi uma emo\u00e7\u00e3o impressionante. Um sonho em ter vivido um momento daquele. Entrar para a hist\u00f3ria como o narrador que narrou aquele gol\u201d, orgulha-se Eudes. \nO narrador relembra tamb\u00e9m da quantidade de gente que se acumuluva num est\u00e1dio t\u00e3o pequeno. A arquibancada estava lotada, um n\u00famero de pessoas impressionante de acotovelava nos arredores do alambrado que delimitava o campo de jogo. Mas um local inusitado ficou para sempre em sua mem\u00f3ria:\n\u201cTinha gente at\u00e9 mesmo em cima das \u00e1rvores que \u00e0 \u00e9poca existiam nos arredores do est\u00e1dio. Subiam como dava para assistir da forma como era poss\u00edvel\u201d, relembra.\nCamisa de Pel\u00e9 \u00e0 \u00e9poca do jogo em Jo\u00e3o Pessoa\nAcervo\/F\u00e1bio Henrique\nO gol de Pel\u00e9 foi marcado no lado esquerdo de quem observava o campo de jogo da arquibancada. E o goleiro Lula foi para o lado errado, \u00fanico talvez que n\u00e3o viu a bola entrar majestosa, para arrebatamento do p\u00fablico presente. Eles queriam mais. E se frustaram quando viu Pel\u00e9 virar goleiro.\n\u00c9 mais uma vez Eudes Toscano quem conta o que se passou. Um dirigente do Santos, segundo ele, teria mandado o goleiro reserva desaparecer e o goleiro titular simular uma contus\u00e3o. Sem quem ir para a meta, a sa\u00edda era pegar algu\u00e9m da linha. Escolheram Pel\u00e9, para irrita\u00e7\u00e3o generalizada do p\u00fablico presente.\n\u201cN\u00e3o tinha jeito. As pessoas queriam ver Pel\u00e9\u201d, comenta.\nPel\u00e9 em treino do Santos em 1969, \u00e9poca do gol em Jo\u00e3o Pessoa\nArquivo A Tribuna\nO primeiro de dois jogos\nQuem tamb\u00e9m estava presente naquela partida de 1969 foi o professor e dirigente botafoguense Raimundo N\u00f3brega, que naqueles tempos tinha apenas 15 anos. Ele fala da atmosfera que havia no jogo, mas ressalta que j\u00e1 era fan\u00e1tico pelo Botafogo-PB. \n\u201cEu fui ali para torcer por Nininho, o maior craque que j\u00e1 jogou pelo Belo\u201d, comenta Raimundo, citando o apelido do clube de Jo\u00e3o Pessoa. \nUma semana depois daquele jogo, contudo, Nininho morreu de forma inesperada. \u201cFoi uma semana de muito sentimento, muito intensa para n\u00f3s torcedores do Botafogo-PB. Foi jogo de Pel\u00e9, mas foi tamb\u00e9m o \u00faltimo jogo do maior \u00eddolo da torcida do Botafogo\u201d.\n\u00c9 Raimundo quem lembra tamb\u00e9m que aquele n\u00e3o foi o \u00fanico jogo de Pel\u00e9 na Para\u00edba. Dois anos depois, em 1971, Pel\u00e9 retornaria ao Est\u00e1dio Ol\u00edmpico para mais um amistoso com o Botafogo-PB. E o motivo era inusitado. O Santos comprara o passe do atacante botagfoguense Ferreira e, como parte do pagamento, realizou um amistoso na cidade com a presen\u00e7a do rei. A vit\u00f3ria santista foi de 2 a 0.\nRaimundo N\u00f3brega, historiador do Belo\nTV Globo\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nAdemais, para ele n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: o mil\u00e9simo gol de Pel\u00e9 foi sim em Jo\u00e3o Pessoa, numa partida contra o Botafogo da Para\u00edba. No fim, ele se rende ao rei:\n\u201cEra para ter um museu no Est\u00e1dio Ol\u00edmpico, que hoje \u00e9 a Vila Ol\u00edmpica Parahyba. Um museu para Pel\u00e9 e para outros grandes jogadores cl\u00e1ssicos que passaram por aqui\u201d, enfatiza Raimundo.\nPel\u00e9 fala de gol perdido em 1959\nFolha de S. Paulo\/Acervo\/F\u00e1bio Henrique\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>      Est\u00e1dio lotado, gol de Pel\u00e9, ida do rei para ser goleiro, vaias, recontagem de gols quase 30 anos depois. Um dia intenso que pode ter uma import\u00e2ncia incr\u00edvel para o futebol paraibano. Recontagem da Folha de S. 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