{"id":7796,"date":"2022-12-13T10:29:21","date_gmt":"2022-12-13T13:29:21","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2022\/12\/13\/dia-do-forro-mulher-rendeira-tem-origem-associada-a-lampiao-e-versao-em-espanhol.ghtml"},"modified":"2022-12-13T10:29:21","modified_gmt":"2022-12-13T13:29:21","slug":"dia-do-forro-mulher-rendeira-tem-origem-associada-a-lampiao-e-versao-em-espanhol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2022\/12\/13\/dia-do-forro-mulher-rendeira-tem-origem-associada-a-lampiao-e-versao-em-espanhol\/","title":{"rendered":"Dia do Forr\u00f3: \u2018Mulher Rendeira\u2019 tem origem associada a Lampi\u00e3o e vers\u00e3o em espanhol"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/yCerL6C7VH7-LMGEFqTKNIWol3M=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/Q\/E\/rI5hoNRRavYCF7w4IMSg\/capa-de-mulher-rendeira.jpg\" \/><br \/>   Z\u00e9 do Norte gravou 'Mulher Rendeira' em 1953, para filme 'O Canga\u00e7o'. Origem da m\u00fasica \u00e9 comumente associada a Lampi\u00e3o e h\u00e1 relatos de que versos faziam parte da tradi\u00e7\u00e3o sertaneja antes do canga\u00e7o surgir. 'Mulher Rendeira' foi gravada por Z\u00e9 do Norte para o filme 'O Canga\u00e7o', de 1953\nReprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube\nUm dos maiores cl\u00e1ssicos do forr\u00f3 ficou conhecido na voz de um paraibano, chegou a ganhar uma vers\u00e3o em espanhol e at\u00e9 hoje h\u00e1 diverg\u00eancias sobre sua origem, que \u00e9 associada ao canga\u00e7o. \u2018Mulher Rendeira\u2019 foi gravada por Z\u00e9 do Norte, de Cajazeiras, no Sert\u00e3o do estado, para o filme \u2018O Cangaceiro\u2019, de 1953, escrito e dirigido por Lima Barreto. \nA m\u00fasica logo tomou grandes propor\u00e7\u00f5es e foi regravada por v\u00e1rios artistas, inclusive pelo \u2018Rei do Bai\u00e3o\u2019, Luiz Gonzaga, cuja data de nascimento, 13 de dezembro, foi escolhida como Dia Nacional do Forr\u00f3. \n\u2018Mulher Rendeira\u2019 foi interpretada por Dem\u00f4nios da Garoa, Trio Nordestino, Elba Ramalho, dentre outros artistas brasileiros. A m\u00fasica, no entanto, n\u00e3o se limitou ao territ\u00f3rio nacional e ganhou uma vers\u00e3o em espanhol, \u2018Mujer Hilandera\u2019, do grupo peruano Juaneco y su Combo, na d\u00e9cada de 1970. \nDe acordo com o jornalista peruano Czar Guti\u00e9rrez, do El Comercio, a vers\u00e3o em espanhol foi autorizada pelo pr\u00f3prio Z\u00e9 do Norte, durante entrevista com o produtor peruano Alberto Marav\u00ed, na R\u00e1dio Tupi, em S\u00e3o Paulo. A miss\u00e3o de interpretar a can\u00e7\u00e3o em espanhol foi dada ao grupo Juaneco y su Combo. \n\u2018Mujer Hilandera\u2019 \u00e9 uma das faixas do disco \u2018El Gran Cacique\u2019 e um dos principais sucessos do grupo de c\u00fambia peruano. \nOrigem de \u2018Mulher Rendeira\u2019\nPor vezes, a origem de \u2018Mulher Rendeira\u2019 \u00e9 associada ao pr\u00f3prio Lampi\u00e3o. Segundo Wescley Rodrigues Dutra, doutor em letras com foco no canga\u00e7o, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma comprova\u00e7\u00e3o concreta para esta afirma\u00e7\u00e3o. \nLampi\u00e3o \u00e9 um dos personagens mais famosos da hist\u00f3ria brasileira do s\u00e9culo passado\nBENJAMIN ABRAH\u00c3O\/IMS\nO pesquisador diz que a associa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser feita ap\u00f3s um dos cangaceiros de Lampi\u00e3o, Volta Seca, ter gravado um disco na d\u00e9cada de 1960, ap\u00f3s o filme de Lima Barreto, e dito na grava\u00e7\u00e3o que o \u2018Rei do Canga\u00e7o\u2019 costumava cantar a m\u00fasica. \n\u201cO Volta Seca gravou um disco na d\u00e9cada de 1960, onde ele diz que aquela era uma m\u00fasica que Lampi\u00e3o cantava e isso ficou sendo reproduzido. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma documenta\u00e7\u00e3o concreta que comprove que essa letra teria sido elaborada por lampi\u00e3o. Apesar de que ele era um poeta, fazia alguns versos, mas uma comprova\u00e7\u00e3o mesmo \u00e9 um pouco dif\u00edcil\u201d, disse Wescley. \nWescley ressalta que, enquanto muitos atribuem a composi\u00e7\u00e3o de \u2018Mulher Rendeira\u2019 a Lampi\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m relatos que associam a m\u00fasica \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o nordestina anterior ao canga\u00e7o. Entretanto, a forma como \u2018Mulher Rendeira\u2019 \u00e9 cantada e conhecida de 1953 at\u00e9 hoje foi organizada pelo cajazeirense Z\u00e9 do Norte. \n\u201cAlguns afirmam que essa m\u00fasica faz parte da tradi\u00e7\u00e3o sertaneja anterior ao canga\u00e7o. Sintetizando, a m\u00fasica foi organizada da forma que n\u00f3s conhecemos pelo Z\u00e9 do Norte\u201d.\nQuem foi Z\u00e9 do Norte \nAlfredo Ricardo do Nascimento, conhecido como Z\u00e9 do Norte, nasceu em Cajazeiras, na Para\u00edba, em 1908. Filho de pais pobres, sempre quis aprender a ler e ter uma vida melhor, algo que ele conta no livro \u2018As Mem\u00f3rias de Z\u00e9 do Norte\u2019. Em 1925, decidiu ir para Fortaleza em busca de emprego e l\u00e1 trabalhou em restaurantes lavando pratos e fazendo caf\u00e9. \nZ\u00e9 do Norte na capa do disco 'Brasilidades', com Rog\u00e9ria Ribeiro \nReprodu\u00e7\u00e3o\nSua vida come\u00e7ou a mudar quando encontrou um sargento e disse que queria servir ao Ex\u00e9rcito no Rio de Janeiro e estudar. O sargento, que tamb\u00e9m era de Cajazeiras, foi solid\u00e1rio \u00e0 hist\u00f3ria do conterr\u00e2neo e o ajudou. Na capital carioca, al\u00e9m de aprender a ler, Z\u00e9 do Norte, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha essa alcunha, passou a cantar em r\u00e1dios e chegou a apresentar programas em r\u00e1dios como a Tupi. \nSobre o apelido, em seu livro de mem\u00f3rias, ele explica. \u201cEu sempre fui um leitor de Gustavo Barroso. O Jo\u00e3o do Norte. Ent\u00e3o, quando fui fazer o meu primeiro show na R\u00e1dio Tupy, os apresentadores [Paulo Gracindo e Manoel Barcelos] perguntaram qual o meu pseud\u00f4nimo. Ent\u00e3o, depressa, me inspirei no Jo\u00e3o do Norte e disse: Z\u00e9 do Norte. \u2013 Mas, por que Z\u00e9 do Norte? Perguntaram. \u2013 Porque eu sou do Norte e quero defender a m\u00fasica do meu povo\u201d. \nNa \u00e9poca, era comum em outras regi\u00f5es se referirem ao Nordeste como Norte. \nEm 1985, Z\u00e9 do Norte foi homenageado em sua terra natal, Cajazeiras, no Festival de Artes. A jornalista e professora Mariana Moreira entrevistou o m\u00fasico e, apesar de n\u00e3o ter nenhum registro fotogr\u00e1fico, ela n\u00e3o esquece a emo\u00e7\u00e3o que sentiu. \n\u201cEntrevistar Z\u00e9 do Norte foi uma emo\u00e7\u00e3o \u00edmpar. Ele, embora vivendo h\u00e1 v\u00e1rios anos no Rio de Janeiro, mantinha a mesma \u00e1urea e o mesmo sentimento e o mesmo sabor dos nossos sertanejos, na fala, nos gestos e, at\u00e9 mesmo, nos galanteios\u201d. \nSegundo Geru\u00edza Barros, sobrinha neta de Z\u00e9 do Norte, ele morreu em 4 de janeiro de 1992, deixando mais de 100 composi\u00e7\u00f5es que foram regravadas por v\u00e1rios artistas, como Raul Seixas, Nana Caymmi e Caetano Veloso. Os versos de \u2018Sodade, meu bem, sodade\u2019, por exemplo, aparecem na can\u00e7\u00e3o \u2018It\u2019s a Long Way\u2019 de Caetano. \nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba \n  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>      Z\u00e9 do Norte gravou &#8216;Mulher Rendeira&#8217; em 1953, para filme &#8216;O Canga\u00e7o&#8217;. 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