{"id":7435,"date":"2022-12-04T07:18:05","date_gmt":"2022-12-04T10:18:05","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2022\/12\/04\/centro-islamico-conheca-rotina-e-frequentadores-da-unica-mesquita-da-paraiba.ghtml"},"modified":"2022-12-04T07:18:05","modified_gmt":"2022-12-04T10:18:05","slug":"centro-islamico-conheca-rotina-e-frequentadores-da-unica-mesquita-da-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2022\/12\/04\/centro-islamico-conheca-rotina-e-frequentadores-da-unica-mesquita-da-paraiba\/","title":{"rendered":"Centro Isl\u00e2mico: conhe\u00e7a rotina e frequentadores da \u00fanica mesquita da Para\u00edba"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/O51744V7SY70u4uq1yThjypJGTQ=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/2\/C\/li0s6QSKeNFcuQINu7yA\/fachada-do-centro-islamico-foto-angela-duarte.jpeg\" \/><br \/>   Inaugurada em 2011, a mesquita funciona no Bairro dos Estados, em Jo\u00e3o Pessoa, e j\u00e1 chegou a receber cerca de 50 praticantes do islamismo. Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa\n\u00c2ngela Duarte\nO Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa, localizado no bairro dos Estados, existe h\u00e1 11 anos. \u00c9 a \u00fanica mesquita da Para\u00edba e j\u00e1 chegou a receber 50 praticantes do islamismo. \u00c9 l\u00e1 onde os mul\u00e7umanos, cuja maioria \u00e9 formada por brasileiros convertidos, se re\u00fanem para orar todas as sextas-feiras. O local \u00e9 mantido atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es. Ao g1, os mul\u00e7umanos e mu\u00e7ulmanas que frequentam o espa\u00e7o falam sobre sua rotina de ora\u00e7\u00f5es e dificuldades enfrentadas nas ruas de Jo\u00e3o Pessoa.\nSheik realiza o serm\u00e3o para os praticantes da f\u00e9 todas as sextas-feiras no Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa\nLua Lacerda (g1)\nAo entrar na pequena mesquita, h\u00e1 uma sala com dois grandes tapetes e algumas inscri\u00e7\u00f5es em \u00e1rabe: l\u00e1 \u00e9 onde, com homens na frente e mulheres atr\u00e1s, os mu\u00e7ulmanos oram. Quem n\u00e3o conhece a religi\u00e3o, pode estranhar eles se posicionarem na diagonal, mas os seguidores do Isl\u00e3 sempre oram em dire\u00e7\u00e3o a Meca, na Ar\u00e1bia Saudita, a cidade mais sagrada do Islamismo.\nMul\u00e7umanos orando em dire\u00e7\u00e3o a Meca\n\u00c2ngela Duarte\nAl\u00e9m do espa\u00e7o para as ora\u00e7\u00f5es, a mesquita possui uma cozinha, um quarto e uma brinquedoteca. Na parte de fora, dois espa\u00e7os para a ablu\u00e7\u00e3o, ou wudu, que \u00e9 o ritual de purifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio antes de toda ora\u00e7\u00e3o.\nFundada em 2011,  o n\u00famero exato de religiosos que frequentam o local \u00e9 dif\u00edcil de calcular devido aos transeuntes. Mas, segundo a organiza\u00e7\u00e3o, a mesquita chegou a ser frequentada por, pelo menos, 50 mul\u00e7umanos. A maioria s\u00e3o imigrantes de pa\u00edses mu\u00e7ulmanos, como Paquist\u00e3o e Egito, e brasileiros convertidos. Ou revertidos, como se declaram, pois acreditam que \u201ctodos nascem mul\u00e7umanos, mas nos desviamos no caminho, por isso chamamos de revers\u00e3o quando algu\u00e9m decide ser mu\u00e7ulmano\u201d, explica Soraya Vilar, uma das frequentadoras da mesquita. \nV\u00cdDEO AQUI ID 11094175\nAtualmente, o Centro Isl\u00e2mico abre somente \u00e0s sextas-feiras para o serm\u00e3o do Sheik, l\u00edder religioso. A ida \u00e0 mesquita \u00e9 obrigat\u00f3ria apenas aos homens, mas mulheres tamb\u00e9m podem ir. Al\u00e9m disso, pessoas que n\u00e3o seguem a religi\u00e3o s\u00e3o bem-vindas para conhecer o local, mas devem usar roupas modestas e as mulheres devem cobrir o cabelo.\nRotina de ora\u00e7\u00f5es \nLocal para ablu\u00e7\u00e3o - lavagem do corpo ou partes dele - no Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa\nLua Lacerda\nAo todo, os mul\u00e7umanos praticam cinco ora\u00e7\u00f5es por dia. Antes do nascer do sol,  ao meio dia, \u00e0 tarde, ao p\u00f4r do sol e \u00e0 noite.  Em cada uma das ora\u00e7\u00f5es \u00e9 repetida a Surata da Abertura, o primeiro cap\u00edtulo do Alcor\u00e3o, em \u00e1rabe, e depois deve ser recitado qualquer outro trecho do livro sagrado. \nAs ora\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre precedidas pelos rituais de lavagem e purifica\u00e7\u00e3o, nos quais os mu\u00e7ulmanos lavam o rosto, as m\u00e3os, os bra\u00e7os e os p\u00e9s. Na mesquita de Jo\u00e3o Pessoa, os mul\u00e7umanos se encontram apenas \u00e0s sextas-feiras. Aos s\u00e1bados, por\u00e9m, realizam uma atividade externa de divulga\u00e7\u00e3o do Islamismo em pontos tur\u00edsticos da cidade, como \u00e9 o caso da orla do Cabo Branco. S\u00e3o distribu\u00eddos livros gratuitamente, com o objetivo de informar sobre o Isl\u00e3 e aproximar as pessoas da religi\u00e3o. \nA sexta-feira \u00e9 um dia importante na religi\u00e3o isl\u00e2mica e substitui os s\u00e1bados nos pa\u00edses que seguem a doutrina: no calend\u00e1rio mu\u00e7ulmano as sextas e s\u00e1bados equivalem ao final de semana e os meses seguem as fases da lua; al\u00e9m disso, os anos s\u00e3o contados a partir da H\u00e9gira, a fuga de Maom\u00e9 para Medina: 2022 \u00e9, no calend\u00e1rio mu\u00e7ulmano, 1444.\nLivros distribu\u00eddos pelo Centro Isl\u00e2mico. \n\u00c2ngela Duarte\nMu\u00e7ulmanos se reuniam em garagem e academia de boxe\nAntes disso, os seguidores da religi\u00e3o se reuniam na garagem da resid\u00eancia do atual Primeiro Vice-Presidente da entidade, Jo\u00e3o de Deus, no bairro de Mana\u00edra. \u201cEm 2010, eu e mais oito irm\u00e3os fundamos o Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa e nos reun\u00edamos na minha resid\u00eancia, e no ano de 2011 adquirimos, com a ajuda de uma fam\u00edlia mu\u00e7ulmana de Dubai, o pr\u00e9dio onde est\u00e1 funcionando at\u00e9 os dias atuais, no Bairro dos Estados\u201d, conta.  \nJo\u00e3o de Deus, fundador da mesquita, \u00e9 ex pastor envag\u00e9lico\nArquivo pessoal\nAtualmente morando em Dubai, nos Emirados \u00c1rabes, Jo\u00e3o de Deus, que \u00e9 ex-pastor evang\u00e9lico, explica que o funcionamento da casa que abriga o Centro, e que antes era uma resid\u00eancia familiar, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a ajuda de outros mu\u00e7ulmanos. \n\u201cPara as despesas de manuten\u00e7\u00e3o recebemos a ajuda de um irm\u00e3o dos Emirados \u00c1rabes, contando ainda com a ajuda da comunidade mu\u00e7ulmana local. No momento, tamb\u00e9m, estamos em contato com a WAMY, a Assembleia Mundial da Juventude Isl\u00e2mica no Brasil, que tem nos ajudado na divulga\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o\u201d, detalha o ex-pastor.\nAl\u00e9m do Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa, funciona na capital uma mussala (sala de ora\u00e7\u00e3o) na Academia Mesquita Brothers, no bairro do Bessa, pertencente ao ex-pugilista e lenda do boxe Muhammad Mesquita. A mussala foi a primeira sala de reuni\u00f5es isl\u00e2micas no estado. \nMaioria s\u00e3o imigrantes ou convertidos\nVanessa Karla \u00e9 doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e faz parte do Grupo de Estudos Culturais do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Antropologia (PPGA\/CNPq).  Ela estuda o Isl\u00e3 no Nordeste h\u00e1 treze anos. De acordo com a pesquisadora, a maioria dos mu\u00e7ulmanos na Para\u00edba s\u00e3o revertidos ou imigrantes, mas os n\u00fameros exatos s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar. No Brasil existem ainda pessoas de fam\u00edlias mu\u00e7ulmanas que descendem de imigrantes e que cresceram dentro da religi\u00e3o.\nVanessa Karla estuda o Isl\u00e3 no Nordeste h\u00e1 treze anos\nArquivo pessoal\n\u201cNo \u00faltimo IBGE n\u00e3o foram computados mu\u00e7ulmanos na Para\u00edba, pelo menos n\u00e3o encontrei estes dados, e a quantidade de seguidores da religi\u00e3o no estado n\u00e3o \u00e9 precisa. Mas o n\u00famero de revertidos \u00e9 maior do que de nascidos mu\u00e7ulmanos, e s\u00e3o, na sua maioria, mulheres. H\u00e1 tamb\u00e9m muitos migrantes por estudos (de alguns pa\u00edses da \u00c1frica), trabalho e casamento\u201d, explica. \nA pesquisadora acompanha o Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa em seus estudos e j\u00e1 chegou a contabilizar cerca de 45 frequentadores da mesquita. Por\u00e9m, \u201choje eles se re\u00fanem em maior n\u00famero em dias especiais ou rituais como na \u00e9poca do Ramad\u00e3, mas \u00e9 dif\u00edcil precisar pelo fluxo\u201d, comenta.\nO fluxo citado pela pesquisadora \u00e9 o fluxo migrat\u00f3rio, causado pela grande quantidade de mu\u00e7ulmanos estrangeiros frequentando temporariamente a mesquita. Al\u00e9m disso, muitos dos que se convertem se mudam para outros pa\u00edses, como \u00e9 o caso de Jo\u00e3o de Deus, fundador do Centro Isl\u00e2mico e que hoje mora em Dubai, nos Emirados \u00c1rabes.\nVanessa tamb\u00e9m destaca que os mu\u00e7ulmanos em Jo\u00e3o Pessoa seguem, em maioria, a vertente sunita, que \u00e9 a maior vertente da religi\u00e3o no mundo. Por\u00e9m, a pesquisadora informa que em Campina Grande existem seguidores da vertente xiita. \u201cA maioria dos mu\u00e7ulmanos na Para\u00edba s\u00e3o sunitas. H\u00e1 alguns xiitas em Campina Grande, mas, nada institucionalizado\u201d, revela.\n\u201cDe modo geral, essas vertentes se diferenciam pela compreens\u00e3o de sucess\u00e3o do profeta Maom\u00e9 ap\u00f3s a sua morte: os xiitas entendiam que o genro de Maom\u00e9 deveria suced\u00ea-lo na lideran\u00e7a dos mu\u00e7ulmanos. Por outro lado, os sunitas defendiam a sucess\u00e3o por meio de um dos adeptos do Isl\u00e3. Essas diferen\u00e7as t\u00eam ra\u00edzes conflituosas profundas ao longo da hist\u00f3ria que permanecem at\u00e9 os dias de hoje\u201d, explica a antrop\u00f3loga.\nMulheres mu\u00e7ulmanas enfrentam dificuldade no mercado de trabalho\nVanessa, Juliana e Soraya no Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa.\nSoraya Vilar\nDe todos os s\u00edmbolos do Isl\u00e3, talvez o hijab seja o mais conhecido. O uso do v\u00e9u, que cobre os cabelos e o busto, \u00e9 obrigat\u00f3rio para as mulheres mu\u00e7ulmanas. Na capital da Para\u00edba, o calor n\u00e3o \u00e9 o principal desafio para manter o uso do v\u00e9u. As maiores dificuldades est\u00e3o, na verdade, no mercado de trabalho. \n\u201cConseguir emprego usando hijab \u00e9 muito dif\u00edcil. \u00c9 como se o v\u00e9u tirasse minhas capacidades intelectuais, anulasse meu curr\u00edculo\u201d, diz Juliana Silveira, esposa de Ammar Sayed, Sheik da mesquita paraibana. Ela e o marido, que \u00e9 eg\u00edpcio, s\u00e3o fundadores de um curso on-line de \u00e1rabe.\nPara contornar a situa\u00e7\u00e3o, elas encontram outros meios. Vanessa Schuh, por exemplo, trabalha com o esposo Antonio Ahmed na \u00e1rea do marketing digital. Todo o trabalho \u00e9 concentrado virtualmente e, frequentemente, seus clientes sequer sabem que eles s\u00e3o mul\u00e7umanos. \nJ\u00e1 Soraya Vilar esperou um tempo antes de iniciar o uso do hijab em seu local de trabalho, pois observava curiosidade e resist\u00eancia em alguns coment\u00e1rios de seus colegas quando falava sobre sua convers\u00e3o. Desempregada com a chegada da pandemia da Covid-19, ela passou a realizar bicos como motorista de transporte por aplicativo e outros trabalhos, sem nunca abrir m\u00e3o do uso do v\u00e9u.\nSoraya Vilar \u00e9 formada em direito e enfrentou preconceito nos primeiros semestres da Universidade\nLua Lacerda\/g1\nAl\u00e9m disso, Soraya, que \u00e9 formada em direito, tamb\u00e9m relembra que sofreu muito preconceito nos primeiros semestres da universidade. \u201cEu fui na dire\u00e7\u00e3o do curso e disse que n\u00e3o aceitava ser tratada daquele jeito num curso de direito, onde a gente estuda para defender o direito das pessoas, como \u00e9 que eu n\u00e3o tinha o meu direito preservado?\u201d, conta.\nO hijab, s\u00edmbolo t\u00e3o importante para as mu\u00e7ulmanas na demonstra\u00e7\u00e3o de sua f\u00e9, tamb\u00e9m enfrenta alguma resist\u00eancia nas ruas de Jo\u00e3o Pessoa. Elas relatam que recebem olhares, mas que evitam reagir \u00e0s ofensas. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode dar para eles a agressividade que eles esperam\u201d, diz Juliana Silveira, que acredita que, por falta de informa\u00e7\u00e3o, a religi\u00e3o \u00e9 submetida a estere\u00f3tipos e associa\u00e7\u00f5es preconceituosas em rela\u00e7\u00e3o ao oriente. \n\u201cAs evang\u00e9licas s\u00e3o as piores\u201d, complementa Juliana sobre as ofensas que j\u00e1 enfrentou nas ruas. Ainda assim, mant\u00e9m: a resposta \u00e9 rir, descontrair, mas n\u00e3o revidar. \nCultura e internet influenciam revertidos\nDe acordo com a doutoranda em antropologia social Vanessa Karla, a revers\u00e3o de brasileiros ao Islamismo teve um crescimento expressivo entre o final da d\u00e9cada de 1990 e os anos 2000. \nAl\u00e9m da ascens\u00e3o da internet, a representa\u00e7\u00e3o do Isl\u00e3 na teledramaturgia, como aconteceu na novela \u2018O Clone\u2019, de 2001, da Rede Globo, chamou a aten\u00e7\u00e3o de muitos brasileiros, como foi o caso de Soraya Vilar, uma das frequentadoras do Centro Isl\u00e2mico de Jo\u00e3o Pessoa.\nGiovanna Antonelli e Murilo Ben\u00edcio na novela 'O Clone' (2001)\nJayme Monjardim\/Globo\nSoraya \u00e9 mu\u00e7ulmana h\u00e1 cerca de 9 anos e come\u00e7ou a pesquisar sobre o Isl\u00e2mismo na internet ap\u00f3s assistir a novela \u2018O Clone\u2019. Curiosa, fez uma publica\u00e7\u00e3o no Twitter procurando por algu\u00e9m que pudesse lhe ensinar mais sobre a religi\u00e3o - postagem essa que, de acordo com ela, atingiu cerca de 7 mil usu\u00e1rios da rede social.\nSoraya se emociona relembrando uma conversa que teve com outro mu\u00e7ulmano sobre isso. \u201cEla disse para mim, voc\u00ea estava perdida, pediu socorro e Allah te respondeu 7 mil vezes\u201d. \nMuitos mu\u00e7ulmanos revertidos conheceram a religi\u00e3o pela internet. De acordo com a doutoranda Vanessa Karla, \u201cas redes sociais tem se tornado um espa\u00e7o crescente de expressividade da religiosidade isl\u00e2mica com doutrinamento, populariza\u00e7\u00e3o do estilo de vida do brasileiro\/a mu\u00e7ulmano e conflitos tamb\u00e9m\u201d.\nO que pensam as mu\u00e7ulmanas na Para\u00edba sobre os protestos no Ir\u00e3?\nMuitas mulheres no mundo mostraram seu apoio aos protestos no Ir\u00e3 cortando o cabelo nas redes sociais\nGETTY IMAGES\/via BBC\nRecentemente, uma s\u00e9rie de protestos contra o uso obrigat\u00f3rio do v\u00e9u vieram \u00e0 tona no Ir\u00e3. Lideradas por jovens mulheres, o estopim das a\u00e7\u00f5es foi a morte de Mahsa Amini, uma jovem estudante de 22 anos que foi presa pelas autoridades locais ap\u00f3s ser flagrada usando \u201cinadequadamente\u201d seu hijab. \nAs a\u00e7\u00f5es, claro, v\u00e3o muito al\u00e9m do v\u00e9u e dizem respeito a um profundo e complexo processo da sociedade iraniana. Por usarem o hijab voluntariamente e por desejo pr\u00f3prio, \u00e9 comum que as mu\u00e7ulmanas brasileiras tenham sua opini\u00e3o questionada quanto ao uso obrigat\u00f3rio do v\u00e9u em alguns pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio.\nEm tom cr\u00edtico \u00e0 situa\u00e7\u00e3o vivida pelas iranianas nesse momento, Soraya diz que o hijab s\u00f3 \u00e9 e deve ser obrigat\u00f3rio para as mulheres mu\u00e7ulmanas por devo\u00e7\u00e3o e que as regras do Isl\u00e3 n\u00e3o devem ser as mesmas leis do Estado. \u201cVoc\u00ea tem que estar onde Deus quer que voc\u00ea esteja\u201d, diz a advogada e mu\u00e7ulmana h\u00e1 9 anos. O problema, para ela, consiste na fus\u00e3o totalit\u00e1ria da religi\u00e3o ao Estado, uma vez que o chamado de Deus pode se manifestar de formas diversas a pluralidade dos indiv\u00edduos. \nO Sheik do centro Isl\u00e2mico, Ammar Sayed, chama aten\u00e7\u00e3o: \u201cse voc\u00ea cr\u00ea em um Deus que \u00e9 um s\u00f3 e n\u00e3o tr\u00eas, ent\u00e3o n\u00f3s acreditamos no mesmo Deus\u201d. \n*Sob supervis\u00e3o de Krys Carneiro\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>      Inaugurada em 2011, a mesquita funciona no Bairro dos Estados, em Jo\u00e3o Pessoa, e j\u00e1 chegou a receber cerca de 50 praticantes do islamismo. 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