{"id":73340,"date":"2026-09-07T09:31:21","date_gmt":"2026-09-07T12:31:21","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/09\/07\/chacina-de-pioz-jovem-que-denunciou-troca-de-mensagens-entre-acusados-relembra-o-crime-que-deixou-familia-da-pb-morta-na-espanha.ghtml"},"modified":"2026-09-07T09:31:21","modified_gmt":"2026-09-07T12:31:21","slug":"chacina-de-pioz-jovem-que-denunciou-troca-de-mensagens-entre-acusados-relembra-o-crime-que-deixou-familia-da-pb-morta-na-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/09\/07\/chacina-de-pioz-jovem-que-denunciou-troca-de-mensagens-entre-acusados-relembra-o-crime-que-deixou-familia-da-pb-morta-na-espanha\/","title":{"rendered":"Chacina de Pioz: jovem que denunciou troca de mensagens entre acusados relembra o crime que deixou fam\u00edlia da PB morta na Espanha"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/fRLjcQCTsDzfHHJ7rIid6yaWukk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2018\/3\/T\/L2wp6PTnq6twgsECWtzg\/patrick-nogueira-no-julgamento.jpg\" \/><br \/>     Chacina de Pioz: jovem que denunciou troca de mensagens entre acusados relembra o crime\n\u201cFiquei em estado de choque\u201d. \u00c9 dessa forma que Jordana Machado, ainda descreve o momento em que, aos 17 anos, recebeu pelo celular prints e fotos relacionados ao assassinato de uma fam\u00edlia paraibana inteira na Espanha. Era 2016, e o crime ficou conhecido como Chacina de Pioz. O material, que revelou conversas entre o autor  do crime e um amigo, recebido por uma adolescente, acabaria nas m\u00e3os das autoridades.\n\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp\nAs v\u00edtimas foram Marcos Campos Nogueira, a esposa dele, Jana\u00edna Santos Am\u00e9rico, e os dois filhos do casal, um menino de 1 ano e uma menina de 4 anos de idade, assassinados dentro de casa, na cidade de Pioz, Espanha, por um parente a quem a fam\u00edlia havia dado abrigo. Eles deixaram o Brasil em busca de melhores oportunidades no pa\u00eds europeu. \nO respons\u00e1vel pelas mortes foi Fran\u00e7ois Patrick Nogueira Gouveia, sobrinho de Marcos, condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua pela Justi\u00e7a da Espanha. Na Justi\u00e7a brasileira, o caso segue em aberto contra um amigo do assassino: Marvin Henriques Correia trocou mensagens com ele durante a chacina e, por isso, \u00e9 acusado de coparticipa\u00e7\u00e3o no crime.\nLEIA TAMB\u00c8M: \nTio de assassino de fam\u00edlia da PB morta na Espanha diz que perdoa sobrinho e cobra justi\u00e7a por suposto aux\u00edlio\nChacina de Pioz: assassinato de fam\u00edlia da Para\u00edba na Espanha completa 10 anos com autor do crime em pris\u00e3o perp\u00e9tua\nAssassino de fam\u00edlia da PB na Espanha recebe cartas de amor e pode dar telefonemas na pris\u00e3o\nParaibano acusado de ajudar em morte de fam\u00edlia na Espanha ainda aguarda julgamento 10 anos ap\u00f3s o crime\nO crime da Chacina de Pioz completou dez anos em agosto. A hist\u00f3ria, que ganhou repercuss\u00e3o internacional, tamb\u00e9m marcou a vida de Jordana Machado, que conta ao g1 como teve acesso \u00e0s conversas, a decis\u00e3o de denunciar Marvin Henriques e como o medo de uma poss\u00edvel repres\u00e1lia continuou depois da den\u00fancia. Jordana optou por n\u00e3o divulgar imagens atuais dela para esta reportagem.\nAmizade de escola\nAntes de descobrir as mensagens relacionadas \u00e0 Chacina de Pioz, Jordana Machado, Patrick Nogueira Gouveia e Marvin Henriques Correia faziam parte do mesmo c\u00edrculo de amizade de escola. Os tr\u00eas conviviam com outros estudantes em uma escola particular de Jo\u00e3o Pessoa, e mantinham uma boa rela\u00e7\u00e3o, segundo ela, embora Patrick j\u00e1 estivesse na faculdade enquanto Jordana e Marvin ainda cursavam o ensino m\u00e9dio. \nPatrick chegou ao grupo por meio de amigos em comum. Jordana conta que foi ela quem o apresentou a outros colegas da escola. \n\u201cEle n\u00e3o estudava com a gente. Ele j\u00e1 estava na faculdade enquanto a gente estava no ensino m\u00e9dio. Ele foi apresentado por alguns amigos em comum, e eu apresentei ele ao pessoal da escola. E a\u00ed, ele ficou muito amigo do Marvin\u201d, disse.\nSegundo Jordana, por Patrick ser mais velho que os demais, acabou assumindo uma posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a entre os jovens. Marvin, em especial, tinha uma rela\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o por ele.\n\u201cE, como todo mundo era muito novo, e ele era um pouco mais velho do que a gente, ele parecia bem l\u00edder. Ele era muito idolatrado pelo pr\u00f3prio Marvin. Ele era um cara muito cativante. Eu gostava, o pessoal gostava muito dele\u201d, conta.\nNaquele momento, ela n\u00e3o sabia que Patrick seria apontado como respons\u00e1vel pelas mortes dos tios e primos, no mesmo ano. E que Marvin, seria part\u00edcipe do crime.\nMarvin Correia (esquerda) se tornou r\u00e9u ap\u00f3s ter ajudado o amigo Patrick Nogueira (direita) a matar o tio Marcos Campos\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter\nA descoberta\nFoi quando as not\u00edcias sobre o assassinato come\u00e7aram a circular que aquela amizade ganhou outro significado para Jordana. Patrick havia aparecido como suspeito da chacina.\nJordana lembra ter recebido de um colega do mesmo c\u00edrculo, pelo celular, imagens relacionadas ao caso.\n\u201cEle me mandou os prints, mandou fotos. O Patrick tinha sa\u00eddo nas not\u00edcias como suspeito e eu lembro que eu mandei a not\u00edcia para ele [o colega] e falei \u2018tu viu isso?\u2019 Eu n\u00e3o sabia que ele j\u00e1 sabia\u201d, explicou.\nA jovem afirma que estava se preparando para fazer um simulado na escola quando recebeu as imagens. Entre as fotos, estavam imagens dos corpos das v\u00edtimas. \n\u201cEu lembro claramente desse dia porque eu estava me preparando para fazer um simulado na escola. Eu estava me arrumando e ele me mandou isso, bem na hora que eu tinha acabado de almo\u00e7ar\u201d, relembra.\nA lembran\u00e7a daquele dia permanece para ela. O impacto veio quando ela come\u00e7ou a ver o conte\u00fado e, de acordo com Jordana, a primeira rea\u00e7\u00e3o foi de choque.\n\u201cQuando peguei o celular, que eu vi tudo, fiquei primeiro em estado de choque e fiquei com muito nojo. Eu lembro que vomitei minha comida e fiquei em estado de choque. N\u00e3o tem outra palavra para isso, n\u00e3o tem outra express\u00e3o para isso, foi um estado de choque. Fiquei um bom tempo, uma semana de estado de choque. Eu fui desnorteada fazer essa prova. Passei uma semana inteira sem conseguir ir \u00e0 escola, porque eu comecei a ficar neur\u00f3tica\u201d, afirmou.\nFoi nesse mesmo conjunto de informa\u00e7\u00f5es que Jordana tamb\u00e9m teve contato com uma troca de mensagens entre Patrick Nogueira Gouveia e Marvin Henriques Correia, que conversavam enquanto o crime ainda acontecia. Marvin dava dicas de como se livrar de provas do assassinato.\nAs mensagens\nAs conversas entre Patrick Nogueira Gouveia e Marvin Henriques Correia s\u00e3o um dos principais pontos do caso investigado pela pol\u00edcia. Foi a partir desses di\u00e1logos que come\u00e7ou a investiga\u00e7\u00e3o sobre a participa\u00e7\u00e3o de Marvin na Chacina de Pioz.\nPatrick detalha o crime para o amigo Marvin na conversa, enquanto esperava o tio chegar na casa\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba\nA troca de mensagens aconteceu entre a tarde de 17 de agosto de 2016 e a manh\u00e3 do dia seguinte, no hor\u00e1rio da Espanha. Naquele per\u00edodo, Patrick matou os tios e os dois filhos do casal. Segundo a Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba, depois das mortes, Patrick fotografou os corpos e enviou as imagens para Marvin.\nOs registros mostram que Marvin, h\u00e1 \u00e9poca, com 18 anos, acompanhou pelo WhatsApp parte do que acontecia na casa. Patrick tamb\u00e9m contou ao amigo sobre o esquartejamento dos corpos e relatou que havia colocado as partes em sacos.\nEm uma das mensagens, Patrick escreveu: \u201cA mulher e as duas crian\u00e7as foram para o saco. Est\u00e3o guardados e a casa est\u00e1 limpa, me limpei. Estou s\u00f3 esperando o quarto integrante\u201d.\nSegundo a Pol\u00edcia Civil, Marvin n\u00e3o apenas recebeu os relatos. Durante a conversa, ele tamb\u00e9m teria orientado Patrick sobre como evitar vest\u00edgios e deixar o local do crime. Em uma das mensagens, perguntou se havia algo na casa que pudesse ligar o amigo aos assassinatos e falou sobre a sa\u00edda dele do im\u00f3vel.\nMarvin alerta Patrick sobre a sa\u00edda dele do local do crime durante a conversa\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba\nEm outro momento, Patrick brinca com Marvin sobre a morte do tio, Marcos Campos Nogueira. As conversas tamb\u00e9m registram o assassino confesso dizendo ao amigo que precisava compartilhar o que havia acontecido, apesar do medo de perder a amizade.\n\u201cEu estou feliz que tu est\u00e1 de boa. Eu fiquei com medo de tu dizer \u2018boy, acabou\u2019. Eu tenho medo de te perder, mas eu n\u00e3o podia n\u00e3o compartilhar contigo\u201d.\nMarvin responde rindo e chama Patrick de assassino.\nO assassino confesso brinca com o amigo sobre a morte do tio, Marcos Campos Nogueira\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba\nAl\u00e9m das mensagens, a investiga\u00e7\u00e3o registrou uma publica\u00e7\u00e3o feita por Marvin no Twitter no dia dos assassinatos. \u201cHoje aconteceu uma doideira que nunca poderei contar a ningu\u00e9m\u201d, escreveu.\nPostagem no Twitter foi publicada no dia 17 de agosto, mesmo dia em que teria acontecido o crime\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter\/\nOs registros das conversas foram inclu\u00eddos tanto no processo contra Patrick na Espanha quanto no processo que ainda tramita na Justi\u00e7a da Para\u00edba contra Marvin, que \u00e9 acusado de coparticipa\u00e7\u00e3o na Chacina de Pioz.\nLEIA TAMB\u00c9M:\nChacina de Pioz: paraibano acusado de ajudar em morte de fam\u00edlia na Espanha ainda aguarda julgamento 10 anos ap\u00f3s o crime\nChacina de Pioz: assassino de fam\u00edlia da PB na Espanha recebe cartas de amor e pode dar telefonemas na pris\u00e3o\nPara a Pol\u00edcia Civil, o conte\u00fado das mensagens indicava que Marvin tinha conhecimento do que estava acontecendo e teria auxiliado Patrick durante o crime.\nA den\u00fancia\nA primeira rea\u00e7\u00e3o de Jordana n\u00e3o foi procurar a pol\u00edcia. Ainda adolescente, ela conta que pensou em como se proteger de poss\u00edveis retalia\u00e7\u00f5es depois de ter acesso \u00e0s mensagens.\n\u201cDe in\u00edcio, eu n\u00e3o pensei em denunciar, eu s\u00f3 pensei em como me proteger disso. A qualquer momento, ele pode simplesmente descobrir que eu sei e eu entro nesse neg\u00f3cio de paraquedas. Eu n\u00e3o dormia, eu n\u00e3o conseguia ir \u00e0 escola, eu n\u00e3o conseguia fazer nada. Eu s\u00f3 pensava nisso, s\u00f3 pensava nisso o tempo todo\u201d, explicou.\nA decis\u00e3o de levar as provas \u00e0s autoridades veio em um fim de semana. Jordana procurou uma forma de entregar o material por meio de uma pessoa que tinha contato com a Pol\u00edcia Federal.\n\u201cAt\u00e9 que no fim dessa semana eu decidi levar as provas. Quando eu mandei a den\u00fancia, na madrugada, o Patrick j\u00e1 estava no avi\u00e3o\u201d, disse.\nNa \u00e9poca, Jordana conta que a m\u00e3e da ent\u00e3o namorada tinha um amigo na Pol\u00edcia Federal. Foi por esse contato que o pendrive com as provas chegou \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o.\n\u201cEu namorava na \u00e9poca e a minha sogra tinha um amigo da Pol\u00edcia Federal e eu entreguei um pendrive para ela e ela entregou para ele. Infelizmente eu vi tudo. Depois disso eu nunca mais tive contato com nada\u201d, explicou.\nNa noite de 18 de outubro de 2016, uma ter\u00e7a-feira, Patrick Nogueira Gouveia embarcou em um avi\u00e3o com destino \u00e0 Espanha e se entregou \u00e0s autoridades espanholas.\n'Passei muito tempo com medo da repres\u00e1lia' \nDepois da den\u00fancia, Jordana conta que passou a ser vista de outra forma pelos colegas de turma. Segundo ela, parte dos estudantes homens passou a proteger Marvin, enquanto ela passou a ser alvo de amea\u00e7as. \n\u201cNa \u00e9poca, do momento que eu descobri, at\u00e9 o momento que eu tomei a coragem de denunciar, foi tudo muito traum\u00e1tico, porque, de in\u00edcio, todos os colegas homens ficaram se protegendo, e eu fiquei como vil\u00e3, porque, para eles, o Marvin parecia um m\u00e1rtir, e ele estava sendo super injusti\u00e7ado. Foi um cen\u00e1rio muito traum\u00e1tico, porque, al\u00e9m de eu ter sofrido amea\u00e7as, desde o momento da den\u00fancia, eu j\u00e1 estava me sentindo muito vulner\u00e1vel. Eu ouvi um colega meu me falar: \u2018estou escutando por a\u00ed que fulano est\u00e1 falando que quer pegar voc\u00ea na rua, toma cuidado\u2019. Desde a\u00ed eu j\u00e1 estava com muito medo\u201d, contou Jordana.\nO medo continuou mesmo depois de os fatos ganharem repercuss\u00e3o. Jordana afirma que precisou de terapia para voltar a sair de casa sem imaginar que poderia sofrer uma suposta repres\u00e1lia.\n\u201cEu precisei de muita terapia para sair [de casa], porque eu fiquei muito paran\u00f3ica por um bom tempo. Eu tinha muito medo. [...] Eu passei muito tempo na terapia para n\u00e3o ficar t\u00e3o neur\u00f3tica na rua, porque eu passei muito tempo com medo da repres\u00e1lia em si\u201d, lembrou.\nEla cita uma situa\u00e7\u00e3o que viveu depois de se mudar para o interior da Para\u00edba para estudar. Segundo Jordana, em um momento de medo, interpretou o movimento de um carro como uma poss\u00edvel tentativa de vingan\u00e7a.\n\u201cEu j\u00e1 tive um exemplo bem pr\u00e1tico de uma coisa que aconteceu: eu fui morar no interior [da Para\u00edba], porque eu fui estudar l\u00e1. Num dia que eu estava muito neur\u00f3tica, coloquei na minha cabe\u00e7a que um carro \u2018arrancou\u2019 porque eu o vi. Coloquei na minha cabe\u00e7a que algum deles estava querendo se vingar de mim, porque tinha raiva do que aconteceu. Pouqu\u00edssimas pessoas sabiam do meu real envolvimento, porque quando estourou tudo, eu era menor\u201d, contou.\nEm agosto de 2023, a hist\u00f3ria da Chacina de Pioz voltou a ser contada em um document\u00e1rio sobre o crime, que re\u00fane relatos e informa\u00e7\u00f5es sobre o assassinato da fam\u00edlia paraibana na Espanha. Jordana Machado participou da produ\u00e7\u00e3o para contar parte da hist\u00f3ria que viveu.\nPara ela, voltar a falar sobre o caso tamb\u00e9m tinha rela\u00e7\u00e3o com o medo de que, com o passar dos anos, a hist\u00f3ria deixasse de ser lembrada e o papel que teve na den\u00fancia fosse apagado.\n\u201cEu tinha muito medo de um dia esse assunto abafar o suficiente para eu virar um arquivo queimado. Eu tive esse n\u00edvel de paranoia. Por isso que eu quis gravar o document\u00e1rio. Eu queria que fosse alguma forma de deixar isso exposto, pelo menos para me proteger at\u00e9 certo ponto\u201d, explicou.\nJordana conta que, mesmo depois de anos, continua recebendo mensagens de pessoas da Espanha sobre o caso. Hoje, no entanto, diz que n\u00e3o dedica mais a mesma energia ao assunto.\n\u201cMuitas pessoas da Espanha entram em contato comigo, mas hoje em dia eu \u00e0s vezes eu curto uma mensagem, mas eu n\u00e3o gasto mais energia com isso. O que eu tinha para fazer, eu j\u00e1 fiz\u201d, finalizou.\nMarvin passa a responder pelo caso\nMarvin Henriques Correia falou publicamente sobre a Chacina de Pioz ap\u00f3s sete anos do crime, em s\u00e9rie espanhola\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Atresplayer\nEnquanto Patrick foi julgado e condenado na Espanha, Marvin Henriques Correia passou a responder pelo caso na Justi\u00e7a brasileira. Ele foi preso em Jo\u00e3o Pessoa em 28 de outubro de 2016, durante a primeira fase das investiga\u00e7\u00f5es, e levado para o PB1. Por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, ficou separado dos demais presos.\nMarvin Henriques Correia chega ao pres\u00eddio PB1, em Jo\u00e3o Pessoa\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Cabo Branco\nEm 30 de novembro daquele ano, Marvin deixou a pris\u00e3o e passou a responder em liberdade provis\u00f3ria, com medidas cautelares e monitoramento por tornozeleira eletr\u00f4nica. Em 2019, voltou a ser preso preventivamente ap\u00f3s a Justi\u00e7a apontar que ele teria tentado romper o equipamento. A defesa negou a acusa\u00e7\u00e3o e afirmou que a tornozeleira apresentava desgaste pelo uso. \nUm ano antes, em 2018, Marvin foi submetido a um exame psiqui\u00e1trico a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Para\u00edba, que concluiu que ele n\u00e3o tinha doen\u00e7a mental. Ao g1, a  defesa afirmou que contestou a forma como a avalia\u00e7\u00e3o foi realizada e apresentou recurso, que ainda n\u00e3o foi analisado pelo Poder Judici\u00e1rio e segue pendente. \nTrecho do inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Federal que investigou Patrick Gouveia, suspeito de matar o tio, a esposa do tio e os dois primos na Espanha\nReprodu\u00e7\u00e3o\nEm 2021, Marvin foi absolvido sumariamente no processo de homic\u00eddio, mas o Minist\u00e9rio P\u00fablico da Para\u00edba recorreu. Em 2023, o Tribunal de Justi\u00e7a da Para\u00edba reabriu o processo e revogou a absolvi\u00e7\u00e3o, apontando ind\u00edcios de que Marvin teria incentivado Patrick.\nJ\u00e1 em mar\u00e7o de 2026, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a negou um recurso da defesa que buscava levar a discuss\u00e3o ao Supremo Tribunal Federal. Com isso, o processo continua na Justi\u00e7a da Para\u00edba. \nAtualmente, Marvin responde em liberdade e a acusa\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o na Chacina de Pioz ainda \u00e9 analisada pela Justi\u00e7a.\nPatrick \u00e9 condenado \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua na Espanha\nJulgamento de Patrick Nogueira come\u00e7ou nesta quarta-feira, na Espanha; ele \u00e9 r\u00e9u confesso do caso da Chacina de Pioz\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nFran\u00e7ois Patrick Nogueira Gouveia foi preso na Espanha e confessou os assassinatos de Marcos Campos Nogueira, Jana\u00edna Santos Am\u00e9rico e dos dois filhos do casal. Pela chacina, ele foi condenado a tr\u00eas pris\u00f5es perp\u00e9tuas.\nPatrick tamb\u00e9m recebeu uma quarta pena, de 25 anos de pris\u00e3o, pelo assassinato de Jana\u00edna, esposa do tio.\nA pris\u00e3o perp\u00e9tua \u00e9 a puni\u00e7\u00e3o mais grave prevista pela legisla\u00e7\u00e3o espanhola e pode ser revisada ap\u00f3s 25 anos. A pr\u00f3xima revis\u00e3o da pena de Patrick est\u00e1 prevista para 2041.\nCela do Pres\u00eddio de Estremera, na Espanha\nDivulga\u00e7\u00e3o\nO que dizem as defesas\nO g1 procurou a defesa de Patrick Nogueira Gouveia para saber sobre o atual cumprimento da pris\u00e3o perp\u00e9tua na Espanha. At\u00e9 a \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o desta reportagem, a advogada informou que n\u00e3o comentaria o assunto. \nO advogado de Marvin Henriques Correia, Sheyner Asfora, foi ouvido pela reportagem. Ao g1, ele afirmou que a defesa pretende pedir o reconhecimento da incompet\u00eancia da Justi\u00e7a Estadual da Para\u00edba para julgar o processo reaberto. Segundo ele, o caso deveria tramitar na Justi\u00e7a Federal, em raz\u00e3o dos acordos internacionais de coopera\u00e7\u00e3o para investiga\u00e7\u00e3o entre Brasil e Espanha. \nSobre a rela\u00e7\u00e3o de Marvin com Patrick e o conte\u00fado das mensagens trocadas entre os dois, Asfora afirmou que a conduta pode ser considerada moralmente reprov\u00e1vel, mas n\u00e3o configura crime. \n\"Foi reprov\u00e1vel do ponto de vista moral, do ponto de vista \u00e9tico, do ponto de vista crist\u00e3o, mas moralmente reprov\u00e1vel, n\u00e3o reprov\u00e1vel do ponto de vista jur\u00eddico-penal. Essa esfera n\u00e3o tem qualquer responsabilidade. Esse \u00e9 um ponto importante e que a defesa sustenta em v\u00e1rias oportunidades\", ressaltou Sheyner.\nO advogado tamb\u00e9m disse que as mensagens n\u00e3o influenciaram Patrick a matar as v\u00edtimas e que a iniciativa da conversa partiu do pr\u00f3prio Patrick. \n\"Todos t\u00eam a plena consci\u00eancia que as mensagens s\u00f3 surgiram, s\u00f3 foram iniciadas ap\u00f3s a morte, o homic\u00eddio das tr\u00eas v\u00edtimas. E houve um intervalo para a espera do tio. E foi por conta pr\u00f3pria que assim ele fez. O Patrick inicia essa conversa e iniciou com o Marvin. Poderia ter iniciado com qualquer pessoa, qualquer outra pessoa que estivesse aqui no Brasil, em qualquer lugar do mundo. E eu disse naquela oportunidade, e aqui repito, a troca de mensagens n\u00e3o caracterizou o crime\", disse.\nRelembre o caso\nA chacina de Pioz aconteceu em agosto de 2016, mas os corpos das v\u00edtimas s\u00f3 foram encontrados cerca de um m\u00eas depois, em 18 de setembro, na casa onde a fam\u00edlia morava, na cidade de Pioz, na Espanha.\nMarcos Nogueira, Jana\u00edna Am\u00e9rico e os dois filhos do casal foram encontrados mortos na Espanha\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook\/Janaina Diniz Diniz\nJana\u00edna Am\u00e9rico, Marcos Campos Nogueira e os dois filhos do casal, de 1 e 4 anos, foram encontrados mortos e esquartejados dentro da resid\u00eancia. O im\u00f3vel ficava a cerca de 60 quil\u00f4metros de Madri, em um povoado pr\u00f3ximo a Guadalajara.\nSegundo as autoridades espanholas, os corpos estavam dentro de bolsas pl\u00e1sticas fechadas com fita adesiva. A pol\u00edcia chegou ao local depois que um vizinho percebeu um odor vindo da casa.\nPatrick Nogueira Gouveia, sobrinho de Marcos, se entregou \u00e0 pol\u00edcia espanhola em 19 de outubro de 2016 e confessou os assassinatos. Em 2018, ele foi condenado pela Justi\u00e7a da Espanha \u00e0 pris\u00e3o permanente revis\u00e1vel pela morte dos quatro familiares.\nAs cinzas de Jana\u00edna, Marcos e dos dois filhos chegaram a Jo\u00e3o Pessoa em 10 de janeiro de 2017, quatro meses ap\u00f3s os corpos terem sido encontrados. 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