{"id":72135,"date":"2026-08-21T13:17:21","date_gmt":"2026-08-21T16:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/08\/21\/chacina-pioz-10-anos-paraibano-acusado-ajudar-crime-aguarda-julgamento.ghtml"},"modified":"2026-08-21T13:17:21","modified_gmt":"2026-08-21T16:17:21","slug":"chacina-de-pioz-paraibano-acusado-de-ajudar-em-morte-de-familia-na-espanha-ainda-aguarda-julgamento-10-anos-apos-o-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/08\/21\/chacina-de-pioz-paraibano-acusado-de-ajudar-em-morte-de-familia-na-espanha-ainda-aguarda-julgamento-10-anos-apos-o-crime\/","title":{"rendered":"Chacina de Pioz: paraibano acusado de ajudar em morte de fam\u00edlia na Espanha ainda aguarda julgamento 10 anos ap\u00f3s o crime"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/5r2ZDdwX2n58CKxDWnFT059sPYw=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/g\/i\/BO29CaROKR61eeg0d2AQ\/marvin-henriques.jpg\" \/><br \/>     Chacina de Pioz completa 10 anos com condenado a perp\u00e9tua e processo em aberto na PB\nDez anos depois da chacina de uma fam\u00edlia da Para\u00edba em Pioz, na Espanha, Marvin Henriques Correia, acusado de ter ajudado e incentivado Patrick Nogueira Gouveia, respons\u00e1vel pelo assassinato dos tios e dos dois primos, em agosto de 2016, ainda aguarda julgamento.  Ele chegou a ser absolvido, mas o processo foi reaberto. \n\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp\nLEIA TAMB\u00c9M: \nChacina de Pioz: assassinato de fam\u00edlia da Para\u00edba na Espanha completa 10 anos\nAos 18 anos, Marvin Henriques foi preso em Jo\u00e3o Pessoa apontado pela Pol\u00edcia Civil como partic\u00edpe do crime. Segundo a investiga\u00e7\u00e3o, ele manteve conversas com Patrick durante a execu\u00e7\u00e3o da chacina e deu orienta\u00e7\u00f5es relacionadas aos assassinatos e \u00e0 oculta\u00e7\u00e3o dos corpos. \nMarvin Henriques Correia falou publicamente sobre a Chacina de Pioz ap\u00f3s sete anos do crime, em s\u00e9rie espanhola\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Atresplayer\nNesta reportagem, o g1 explica em que situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 o processo contra Marvin e re\u00fane as vers\u00f5es da defesa, do delegado que participou da investiga\u00e7\u00e3o e de parentes das v\u00edtimas. \nAs mensagens que colocaram Marvin no centro da investiga\u00e7\u00e3o \nPatrick detalha o crime para o amigo Marvin na conversa, enquanto esperava o tio chegar na casa\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba\nA investiga\u00e7\u00e3o sobre a participa\u00e7\u00e3o de Marvin Henriques Correia na chacina de Pioz come\u00e7ou a partir das conversas que ele manteve com Patrick Nogueira Gouveia durante o crime. Em 17 de agosto de 2016, Patrick matou os tios, Marcos Campos Nogueira e Jana\u00edna Am\u00e9rico, e os dois filhos do casal, uma menina de 3 anos e um menino de 1 ano.\nPatrick confessou os assassinatos \u00e0 pol\u00edcia espanhola. Segundo a Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba, depois de matar Jana\u00edna e as duas crian\u00e7as, ele fez fotos dos corpos e enviou as imagens para o amigo Marvin.\nOs registros das conversas mostram que Marvin acompanhou pelo WhatsApp parte do que estava acontecendo. A troca de mensagens entre os dois ocorreu das 15h55 de 17 de agosto at\u00e9 as 6h57 de 18 de agosto, no hor\u00e1rio da Espanha. O conte\u00fado foi inclu\u00eddo tanto no processo contra Patrick na Espanha quanto no processo que tramita na Justi\u00e7a da Para\u00edba contra Marvin. \nPatrick tamb\u00e9m relatou ao amigo detalhes sobre o esquartejamento dos corpos. Em determinado momento, depois de dizer que havia cortado os corpos e colocado as partes em sacos, afirmou: \u201cA mulher e as duas crian\u00e7as foram para o saco. Est\u00e3o guardados e a casa est\u00e1 limpa, me limpei. Estou s\u00f3 esperando o quarto integrante\u201d.\nSegundo a Pol\u00edcia Civil, Marvin n\u00e3o apenas acompanhou os relatos, mas tamb\u00e9m teria dado orienta\u00e7\u00f5es a Patrick sobre como evitar vest\u00edgios e deixar o local do crime. Em uma das mensagens, ele perguntou se havia algo na casa que pudesse ligar o amigo aos assassinatos e orientou sobre a sa\u00edda do im\u00f3vel.\nMarvin alerta Patrick sobre a sa\u00edda dele do local do crime durante a conversa\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba\nA investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m registrou que Patrick enviou fotos dos corpos para Marvin depois dos assassinatos. Para a Pol\u00edcia Civil, o conte\u00fado das mensagens e a forma como Marvin acompanhou os acontecimentos indicavam que ele tinha conhecimento do que estava ocorrendo e teria auxiliado Patrick.\nO assassino confesso brinca com o amigo sobre a morte do tio, Marcos Campos Nogueira\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba\nAl\u00e9m das conversas, a Pol\u00edcia Civil apontou uma publica\u00e7\u00e3o feita por Marvin no Twitter no dia em que os assassinatos aconteceram. \u201cHoje aconteceu uma doideira que nunca poderei contar a ningu\u00e9m\u201d, escreveu ele.\nPostagem no Twitter foi publicada no dia 17 de agosto, mesmo dia em que teria acontecido o crime\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter\/\nCompletando 10 anos do crime, procurado pelo g1, o advogado de defesa Sheyner Asf\u00f3ra, disse que contesta essa interpreta\u00e7\u00e3o.  \u201cRepito e sustento hoje, a simples troca de mensagens n\u00e3o caracteriza o crime de forma alguma\u201d, afirmou a defesa.\nMarvin \u00e9 preso e passa a responder pelo caso\nMarvin foi preso em Jo\u00e3o Pessoa em 28 de outubro de 2016, durante a primeira fase das investiga\u00e7\u00f5es. Ele foi levado para a Penitenci\u00e1ria de Seguran\u00e7a M\u00e1xima Doutor Romeu Gon\u00e7alves de Abrantes, o PB1. Na \u00e9poca, por quest\u00e3o de seguran\u00e7a, Marvin ficou em uma cela separada dos demais presos. A medida tinha como objetivo preservar a integridade f\u00edsica dele diante da repercuss\u00e3o do caso.\nMarvin Henriques Correia chega ao pres\u00eddio PB1, em Jo\u00e3o Pessoa\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Cabo Branco\nEm 30 de novembro daquele ano, ele deixou a pris\u00e3o e passou a responder ao processo em liberdade provis\u00f3ria, sob medidas cautelares e com monitoramento por tornozeleira eletr\u00f4nica.\nEm 27 de junho de 2019, Marvin foi preso novamente ap\u00f3s a Justi\u00e7a da Para\u00edba determinar a pris\u00e3o preventiva. A decis\u00e3o apontou que ele teria tentado romper a tornozeleira eletr\u00f4nica que usava desde 2016. A defesa negou a acusa\u00e7\u00e3o e disse que o equipamento apresentava desgaste provocado pelo uso.\nProcesso \u00e9 reaberto ap\u00f3s absolvi\u00e7\u00e3o\nA situa\u00e7\u00e3o de Marvin mudou novamente em 2021, quando a Justi\u00e7a da Para\u00edba decidiu pela absolvi\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria no processo de homic\u00eddio. Na decis\u00e3o, foi entendido que ele n\u00e3o havia participado dos assassinatos nem cometido crime previsto no C\u00f3digo Penal. O Minist\u00e9rio P\u00fablico da Para\u00edba recorreu.\nEm fevereiro de 2023, o Tribunal de Justi\u00e7a da Para\u00edba decidiu reabrir o processo. O relator, desembargador Jo\u00e3o Benedito da Silva, apontou a exist\u00eancia de ind\u00edcios de que Marvin teria incentivado Patrick. Com isso, a absolvi\u00e7\u00e3o foi revogada e o processo voltou a tramitar.\nEm 3 de mar\u00e7o de 2026, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a negou um recurso da defesa que tentava levar a discuss\u00e3o ao Supremo Tribunal Federal. O STJ entendeu que o pedido exigiria uma nova an\u00e1lise de fatos e provas, o que n\u00e3o \u00e9 permitido nesse tipo de recurso. Com a decis\u00e3o, o processo continua na Justi\u00e7a da Para\u00edba.\nEm nota, a defesa afirmou que aguarda o retorno do processo \u00e0 primeira inst\u00e2ncia para apresentar os argumentos e disse ter \u201cconfian\u00e7a de que a Justi\u00e7a brasileira ir\u00e1 reconhecer a plena aus\u00eancia de responsabilidade jur\u00eddico-criminal\u201d de Marvin.\nNa \u00e9poca do crime, o pai de Marvin tamb\u00e9m falou sobre a conduta do filho. Para ele, o maior erro do jovem foi ter uma \u201ccuriosidade m\u00f3rbida\u201d e n\u00e3o ter denunciado o que sabia \u00e0 pol\u00edcia.\nMarvin Correia (esquerda) se tornou r\u00e9u ap\u00f3s ter ajudado o amigo Patrick Nogueira (direita) a matar o tio Marcos Campos\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter\nAtualmente, Marvin responde ao processo em liberdade. A acusa\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o na chacina ainda \u00e9 analisada pela Justi\u00e7a da Para\u00edba.\nComo est\u00e1 Marvin dez anos depois do crime\nDez anos ap\u00f3s a chacina de Pioz, Marvin Henriques Correia leva uma vida discreta, segundo o advogado de defesa.\nNas redes sociais,  Marvin mostra viagens por pa\u00edses da Europa, em pontos tur\u00edsticos e diante de paisagens de diferentes lugares.\nPublica\u00e7\u00f5es recentes de Marvin Henriques Correia nas redes sociais\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ Instagram\nAl\u00e9m disso, conforme dados da Receita Federal, Marvin possui uma microempresa com CNPJ ativo desde maio de 2023, registrada no ramo de edi\u00e7\u00e3o de livros. Segundo a defesa, ele tamb\u00e9m trabalha com o pai.\n\u201cFoi um trauma muito grande para ele naquela oportunidade. Ele ficou recluso. Ele segue a vida de maneira discreta, acompanhando o pai em trabalho e tamb\u00e9m se dedicando aos estudos\u201d, disse o advogado de defesa ao g1.\nEm 2023, sete anos ap\u00f3s a chacina, Marvin falou publicamente , pela primeira vez, sobre a repercuss\u00e3o do caso. Ele apareceu em uma s\u00e9rie documental espanhola e afirmou que queria ser conhecido por outros aspectos da vida.\n\u201cFiz um canal no YouTube. Eu quero realmente que as pessoas pesquisem meu nome e descubram que eu tenho muito mais coisa a oferecer do que apenas essa mancha no meu passado, que mostra uma imagem de algu\u00e9m que eu n\u00e3o sou\u201d, disse ao document\u00e1rio.\nDefesa diz que Marvin n\u00e3o tinha obriga\u00e7\u00e3o legal de denunciar o crime\nUma d\u00e9cada ap\u00f3a a chacina, a defesa de Marvin sustenta que ele n\u00e3o tinha obriga\u00e7\u00e3o legal de denunciar o que Patrick estava fazendo. Segundo o advogado Sheyner Asfora, Marvin ficou com medo e n\u00e3o tinha maturidade para compreender como deveria agir diante da situa\u00e7\u00e3o.\n\u201cEle n\u00e3o tinha obriga\u00e7\u00e3o legal de denunciar. Ele ficou com muito medo, essa \u00e9 a grande verdade, a imaturidade dele. ele n\u00e3o sabia o que fazer e assim nada fez, n\u00e3o comunicou nem o pr\u00f3prio pai, n\u00e3o comunicou a autoridade policial, nem amigos, N\u00e3o comunicou a ningu\u00e9m. A gente coloca sendo reprov\u00e1vel a conduta dele do ponto de vista moral, \u00e9tico, crist\u00e3o, mas jamais reprov\u00e1vel do ponto de vista jur\u00eddico criminal\u201d, disse Sheyner.\nSegundo o advogado, Marvin e Patrick eram amigos de col\u00e9gio, mas Marvin n\u00e3o conhecia o comportamento que Patrick apresentaria durante os assassinatos.\n\u201cO tinha como amigo, mas ele jamais conhecia esse lado, esse lado sombrio do Patrick. Ent\u00e3o, ele se mostrou surpreso diante de tudo isso. Era uma amizade de col\u00e9gio. Ele ficou sem entender porque estava naquela situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.\nA defesa tamb\u00e9m nega que Marvin tenha incentivado ou ajudado Patrick nos assassinatos e afirma que a responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal deve atingir quem efetivamente praticou os homic\u00eddios.\n\u201cEle nem instigou, nem induziu, nem auxiliou o verdadeiro autor dos crimes praticados no Pioz. N\u00e3o h\u00e1 impunidade. Se fez justi\u00e7a responsabilizando quem tinha que ser responsabilizado, que foi o Patrick. Ele confessou e ele confessa tamb\u00e9m que agiu de maneira isolada, agiu sozinho\u201d, disse.\nSobre o andamento do processo de homic\u00eddio, o advogado afirmou que espera que, ap\u00f3s a an\u00e1lise dos recursos ainda pendentes, o caso volte para a primeira inst\u00e2ncia.\nSanidade mental \nDurante o processo de homic\u00eddio relacionado \u00e0 chacina, Marvin Henriques Correia foi submetido a um exame psiqui\u00e1trico, ap\u00f3s pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Para\u00edba, para avaliar sua sanidade mental e verificar se ele tinha condi\u00e7\u00f5es de responder criminalmente.  O laudo, realizado em 2018, concluiu que ele n\u00e3o tinha doen\u00e7a mental.\nSegundo o documento, Marvin se apresentou l\u00facido e orientado, com mem\u00f3ria preservada, pensamento considerado coerente, l\u00f3gico e racional e capacidade cr\u00edtica preservada. O laudo tamb\u00e9m apontou que n\u00e3o foram identificadas outras altera\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas durante a avalia\u00e7\u00e3o.\nLaudo produzido no Complexo Psiqui\u00e1trico Juliano Moreira confirmou que Marvin Correia n\u00e3o tem patologia mental\nReprodu\u00e7\u00e3o \nA defesa, por\u00e9m, contestou a forma como o exame foi realizado e apresentou recurso. Segundo o advogado, a apela\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi analisada pelo Poder Judici\u00e1rio e o caso segue pendente.\n\u201cA defesa entendeu que o procedimento n\u00e3o foi correto, e se fez um recurso pr\u00f3prio, o recurso de apela\u00e7\u00e3o, e essa apela\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi apreciada por parte do Poder Judici\u00e1rio\u201d, disse o advogado ao g1.\nDelegado relembra investiga\u00e7\u00e3o e diz que Marvin instigou crimes \nDez anos depois da chacina, o delegado Marcos Paulo, que participou das investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba na \u00e9poca, mant\u00e9m o entendimento de que Marvin teve participa\u00e7\u00e3o no crime. Em entrevista ao g1, ele afirmou que, mesmo estando na Para\u00edba, Marvin acompanhou a execu\u00e7\u00e3o dos assassinatos por mensagens e teria orientado Patrick sobre como agir durante e depois dos crimes.\nSegundo o delegado, a proximidade entre os dois permitia que Marvin tentasse impedir Patrick de continuar com os assassinatos. Para Marcos Paulo, por\u00e9m, as conversas registradas pela investiga\u00e7\u00e3o mostram que ele fez o contr\u00e1rio: teria incentivado o amigo, pesquisado formas de ocultar os corpos e dado orienta\u00e7\u00f5es para evitar que Patrick deixasse rastros.\n\u201cTalvez, pela proximidade que os dois tinham, o Marvin poderia ter dissuadido o amigo de cometer o quarto crime. Mas, pelo contr\u00e1rio, ele ficou instigando, pesquisando como se ocultar um cad\u00e1ver, mantendo, inclusive, um aspecto emocional, de que o pr\u00f3prio Patrick perseverasse, que ele aguentasse firme para que ele terminasse todo o servi\u00e7o. Ent\u00e3o, nisso, a gente n\u00e3o tem a menor d\u00favida que ele foi, sim, determinante para o cometimento do quarto homic\u00eddio e para a oculta\u00e7\u00e3o dos quatro cad\u00e1veres\u201d, afirmou.\nMarcos Paulo tamb\u00e9m relembrou o interrogat\u00f3rio de Marvin ap\u00f3s a pris\u00e3o.  O delegado afirmou que esperava que Marvin permanecesse em sil\u00eancio, mas ele decidiu falar e disse que n\u00e3o tinha inten\u00e7\u00e3o de que os assassinatos acontecessem. Para Marcos Paulo, por\u00e9m, algumas respostas dadas durante o depoimento n\u00e3o eram compat\u00edveis com as informa\u00e7\u00f5es que a pol\u00edcia j\u00e1 havia reunido.\n\u201cO que me marcou foi a frieza dele. N\u00f3s at\u00e9 pens\u00e1vamos que ele, por orienta\u00e7\u00e3o da defesa, ficaria em sil\u00eancio, mas ele fez quest\u00e3o de falar e, de maneira muito fria, disse que em nenhum momento tinha a inten\u00e7\u00e3o de realmente que aquilo tudo acontecesse. Mas a gente j\u00e1 estava de posse de toda a conversa que foi trocada entre os dois\", disse o delegado.\nO delegado ainda disse que, em alguns momentos, Marvin n\u00e3o conseguiu responder \u00e0s perguntas dos investigadores e apresentou contradi\u00e7\u00f5es. Segundo o delegado, o depoimento ajudou a pol\u00edcia a manter o indiciamento e encaminhar o caso \u00e0 Justi\u00e7a.\n\u201cEm algumas perguntas que a gente fez, ele n\u00e3o soube responder, foi at\u00e9 contradit\u00f3rio. Portanto, eu acho que o interrogat\u00f3rio dele foi bastante esclarecedor para o entendimento final da Pol\u00edcia Civil, mantendo o indiciamento e mandando para a Justi\u00e7a\u201d, concluiu.\nPol\u00edcia Federal n\u00e3o viu crime na conduta de Marvin\nO entendimento da Pol\u00edcia Federal sobre a participa\u00e7\u00e3o de Marvin Henriques no caso foi diferente do apresentado posteriormente pela Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba. Em 2016, o delegado Gustavo Barros, respons\u00e1vel pelo inqu\u00e9rito federal que investigou Patrick Nogueira, afirmou que n\u00e3o havia elementos suficientes para apontar crime na conduta de Marvin.\nUma semana depois da pris\u00e3o de Marvin, em novembro de 2016, o g1 teve acesso a trechos do inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Federal, conclu\u00eddo em 24 de outubro daquele ano. No documento, Gustavo Barros afirmou que n\u00e3o era poss\u00edvel determinar se Marvin sabia antecipadamente dos planos de Patrick ou se tinha interesse ou participa\u00e7\u00e3o nos assassinatos.\nTrecho do inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Federal que investigou Patrick Gouveia, suspeito de matar o tio, a esposa do tio e os dois primos na Espanha\nReprodu\u00e7\u00e3o\nNa avalia\u00e7\u00e3o da PF, quando Marvin come\u00e7ou a trocar mensagens com Patrick, tr\u00eas dos quatro homic\u00eddios j\u00e1 tinham acontecido. \nEm entrevista ao g1, Gustavo Barros relembrou a investiga\u00e7\u00e3o e afirmou que a Pol\u00edcia Federal n\u00e3o encontrou elementos para considerar a atua\u00e7\u00e3o de Marvin.\n\u201cA gente foi atr\u00e1s do Marvin, e ele tamb\u00e9m j\u00e1 foi ouvido na Pol\u00edcia, prestou o depoimento, contou a hist\u00f3ria toda. S\u00f3 que, no nosso entendimento, da Pol\u00edcia Federal, a conduta do Marvin n\u00e3o consistia crime, porque ele, quando foi contatado, tr\u00eas dos quatro homic\u00eddios j\u00e1 tinham ocorrido. Fato \u00e9 que, pelas informa\u00e7\u00f5es que a gente colheu no inqu\u00e9rito, inclusive nas pr\u00f3prias mensagens, \u00e9 muito claro que os homic\u00eddios iriam ocorrer com ou sem Marvin. Ou seja, a participa\u00e7\u00e3o dele \u00e9 insignificante, no sentido de que n\u00e3o iria aumentar, nem diminuir a possibilidade, nem a ocorr\u00eancia do crime\u201d, explicou.\nO delegado afirmou ainda que a Pol\u00edcia Federal considerou a conduta de Marvin reprov\u00e1vel do ponto de vista \u00e9tico, mas n\u00e3o encontrou elementos para caracteriz\u00e1-la como participa\u00e7\u00e3o em homic\u00eddio. Por isso, o inqu\u00e9rito federal foi encerrado sem novas medidas contra ele.\n\u201cA conduta do Marvin, apesar de reprov\u00e1vel, do ponto de vista \u00e9tico, no nosso entender, aquilo ali t\u00e1 longe de ser um homic\u00eddio, de ser uma participa\u00e7\u00e3o de um homic\u00eddio, e por essa raz\u00e3o, nenhuma outra provid\u00eancia foi tomada no inqu\u00e9rito, o inqu\u00e9rito foi encerrado\u201d, finalizou.\nIrm\u00e3o de v\u00edtima diz que caso de Marvin \u00e9 \"exemplo de impunidade\"\nWalfran Campos \u00e9 tio de Patrick Nogueira e irm\u00e3o de Marcos Campos Nogueira, uma das v\u00edtimas da chacina de Pioz. Ele acompanhou o processo judicial na Espanha e, durante o julgamento de Patrick, em 2018, defendeu a condena\u00e7\u00e3o do sobrinho \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua.\nDez anos depois do crime, Walfran disse ao g1 que mant\u00e9m questionamentos sobre a conduta de Marvin Henriques Correia.. Ele contou que conheceu o jovem no dia em que Patrick viajou para a Europa, antes dos crimes. \n\u201c Acho um absurdo o que est\u00e1 acontecendo na Justi\u00e7a da Para\u00edba. Ele soube quatro horas antes que Patrick iria matar, ele n\u00e3o impediu, ele n\u00e3o aconselhou o amigo a n\u00e3o fazer, ele n\u00e3o avisou os pais, ele n\u00e3o buscou nenhuma autoridade policial, ele n\u00e3o fez nada\u201d, disse\nWalfran tamb\u00e9m afirmou que as conversas entre Marvin e Patrick mostram, na avalia\u00e7\u00e3o dele, que o paraibano deu orienta\u00e7\u00f5es relacionadas aos assassinatos e \u00e0 oculta\u00e7\u00e3o dos corpos. Para o familiar, o fato de Marvin continuar respondendo ao processo anos depois do crime, sem uma condena\u00e7\u00e3o, representa uma situa\u00e7\u00e3o de impunidade.\n\u201c\u00c9 vergonhoso a Justi\u00e7a paraibana n\u00e3o tomar uma atitude. Marvin \u00e9 a cara da impunidade no Brasil. Marvin deu dicas de como esquartejar o corpo, de como matar meu irm\u00e3o, de como fugir pela manh\u00e3, para se alimentar. Deu dica de tudo, est\u00e1 escrito no WhatsApp toda a conversa\u201d, completou.\nApesar das cr\u00edticas \u00e0 tramita\u00e7\u00e3o do processo, Walfran afirmou que n\u00e3o guarda \u00f3dio de Patrick ou Marvin e disse que espera uma decis\u00e3o da Justi\u00e7a.\n\u201cEu n\u00e3o guardo \u00f3dio nem de Patrick nem de Marvin. Eu s\u00f3 quero justi\u00e7a. N\u00e3o quero o mal pra Marvin. Sou a favor de pagar a justi\u00e7a com justi\u00e7a. Ent\u00e3o, eu vejo isso como perd\u00e3o. Se isso \u00e9 perdoar, eu j\u00e1 perdoei\u201d.\nRelembre o caso \nA chacina de Pioz aconteceu em agosto de 2016, mas os corpos das v\u00edtimas s\u00f3 foram encontrados cerca de um m\u00eas depois, em 18 de setembro, na casa onde a fam\u00edlia morava, na cidade de Pioz, na Espanha.\nMarcos Nogueira, Jana\u00edna Am\u00e9rico e os dois filhos do casal foram encontrados mortos na Espanha\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook\/Janaina Diniz Diniz\nJana\u00edna Am\u00e9rico, Marcos Campos Nogueira e os dois filhos do casal, de 1 e 4 anos, foram encontrados mortos e esquartejados dentro da resid\u00eancia. O im\u00f3vel ficava a cerca de 60 quil\u00f4metros de Madri, em um povoado pr\u00f3ximo a Guadalajara.\nSegundo as autoridades espanholas, os corpos estavam dentro de bolsas pl\u00e1sticas fechadas com fita adesiva. A pol\u00edcia chegou ao local depois que um vizinho percebeu um odor vindo da casa.\nJulgamento de Patrick Nogueira come\u00e7ou nesta quarta-feira, na Espanha; ele \u00e9 r\u00e9u confesso do caso da Chacina de Pioz\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nPatrick Nogueira Gouveia, sobrinho de Marcos, se entregou \u00e0 pol\u00edcia espanhola em 19 de outubro de 2016 e confessou os assassinatos. Em 2018, ele foi condenado pela Justi\u00e7a da Espanha \u00e0 pris\u00e3o permanente revis\u00e1vel pela morte dos quatro familiares.\nAs cinzas de Jana\u00edna, Marcos e dos dois filhos chegaram a Jo\u00e3o Pessoa em 10 de janeiro de 2017, quatro meses ap\u00f3s os corpos terem sido encontrados. As v\u00edtimas foram enterradas na Para\u00edba.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Chacina de Pioz completa 10 anos com condenado a perp\u00e9tua e processo em aberto na PB<br \/>\nDez anos depois da chacina de uma fam\u00edlia da Para\u00edba em Pioz, na Espanha, Marvin Henriques Correia, acusado de ter ajudado e incentivado Patrick Nogueira Gouve&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[34],"tags":[35],"class_list":["post-72135","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-g1","tag-g1"],"author_meta":{"display_name":"g1 &gt; Para\u00edba","author_link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/author\/g1-paraiba\/"},"featured_img":null,"coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/span>"]},"tags":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/span>"]}},"comment_count":"0","relative_dates":{"created":"Publicado 5 horas atr\u00e1s","modified":"Atualizado 5 horas atr\u00e1s"},"absolute_dates":{"created":"Publicado em 21 de agosto de 2026","modified":"Atualizado em 21 de agosto de 2026"},"absolute_dates_time":{"created":"Publicado em 21 de agosto de 2026 13:17","modified":"Atualizado em 21 de agosto de 2026 13:17"},"featured_img_caption":"","series_order":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72135"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72135\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72136,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72135\/revisions\/72136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}