{"id":70933,"date":"2026-08-05T15:04:53","date_gmt":"2026-08-05T18:04:53","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/08\/05\/441-anos-de-joao-pessoa-especialistas-apontam-desafios-para-conciliar-crescimento-e-qualidade-de-vida.ghtml"},"modified":"2026-08-05T15:04:53","modified_gmt":"2026-08-05T18:04:53","slug":"441-anos-de-joao-pessoa-especialistas-apontam-desafios-para-conciliar-crescimento-e-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/08\/05\/441-anos-de-joao-pessoa-especialistas-apontam-desafios-para-conciliar-crescimento-e-qualidade-de-vida\/","title":{"rendered":"441 anos de Jo\u00e3o Pessoa: especialistas apontam desafios para conciliar crescimento e qualidade de vida"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/ROHtTsjsbo60yEJ5D7Vbxqxw-WQ=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/b\/w\/8bL8XUSRWp8mABTnBABw\/img3-1-.jpg\" \/><br \/>     Vista da Praia de Cabo Branco, em Jo\u00e3o Pessoa\nDivulga\u00e7\u00e3o\nJo\u00e3o Pessoa deixou de ser vista apenas como uma cidade tranquila para entrar na rota de quem busca morar, investir ou empreender. Nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o aumentou, a constru\u00e7\u00e3o civil ganhou for\u00e7a e o valor dos im\u00f3veis quase dobrou.  Dados do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostram que Jo\u00e3o Pessoa foi a cidade com maior crescimento populacional entre as 20 maiores do Brasil. A popula\u00e7\u00e3o passou de 723.515 habitantes, em 2010, para 833.932 em 2022, um aumento de 15%. \n\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp\nAgora no g1\nNeste anivers\u00e1rio de 441 anos da capital paraibana, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam como esse crescimento tem transformado a cidade e discutem quais desafios precisam ser enfrentados para que o desenvolvimento n\u00e3o comprometa a qualidade de vida dos moradores.\nPlanejamento urbano n\u00e3o acompanha ritmo de crescimento, diz urbanista\nEm 2026, Jo\u00e3o Pessoa registrou alta de 15% no pre\u00e7o dos im\u00f3veis, a segunda maior entre as capitais brasileiras e a maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica da cidade, segundo o \u00cdndice FipeZAP. Nos \u00faltimos anos, o pre\u00e7o m\u00e9dio do metro quadrado passou de R$ 4,5 mil, em 2019, para cerca de R$ 8 mil em 2026.\nApesar desse cen\u00e1rio, a arquiteta e urbanista Joyce Chaves avalia que a cidade ainda n\u00e3o est\u00e1 preparada para crescer nesse ritmo. Segundo ela, a verticaliza\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria avan\u00e7am mais r\u00e1pido do que os investimentos em infraestrutura e a capacidade de planejamento da cidade.\n\"A cidade n\u00e3o est\u00e1 preparada, porque o ritmo da valoriza\u00e7\u00e3o e da verticaliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 avan\u00e7ando mais r\u00e1pido do que o ritmo do investimento em infraestrutura e da capacidade institucional de gerir esse crescimento de forma redistributiva. Isso n\u00e3o \u00e9 uma particularidade de Jo\u00e3o Pessoa, pois \u00e9 um padr\u00e3o recorrente em cidades brasileiras que cresceram de forma acelerada\", explica.\nOrla de Jo\u00e3o Pessoa\nCr\u00e9ditos\/Rede Para\u00edba\nSegundo a especialista, esse descompasso pode ser observado porque parte da expans\u00e3o da cidade ocorreu, principalmente a partir da d\u00e9cada de 1990, sobre corredores naturais de ventila\u00e7\u00e3o e \u00e1reas de recarga h\u00eddrica sem o controle t\u00e9cnico adequado. Como consequ\u00eancia, Jo\u00e3o Pessoa passou a enfrentar problemas estruturais, como ilhas de calor e maior vulnerabilidade a alagamentos.\n\"Quando a cidade cresce em valor e em altura, mas n\u00e3o cresce na mesma propor\u00e7\u00e3o em mobilidade, saneamento e espa\u00e7o p\u00fablico para todos, passa a correr risco de perder qualidade de vida. A literatura descreve esse fen\u00f4meno como resultado de uma \"m\u00e1quina de crescimento\", que tende a promover, simbolicamente, a expans\u00e3o urbana como sin\u00f4nimo de progresso, o que pode mascarar seus custos sociais e ambientais\u201d, explica.\nOu seja, para a urbanista, conciliar o crescimento da constru\u00e7\u00e3o civil com a qualidade de vida depende da aplica\u00e7\u00e3o de instrumentos j\u00e1 previstos na legisla\u00e7\u00e3o urban\u00edstica. Entre eles est\u00e3o:\nEstudos de impacto de vizinhan\u00e7a antes da aprova\u00e7\u00e3o de grandes empreendimentos;\nMecanismos para que parte da valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria seja revertida em infraestrutura;\nHabita\u00e7\u00e3o de interesse social e a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de comunidades j\u00e1 consolidadas.\n\"H\u00e1 ainda um aspecto frequentemente negligenciado: esse \u00e9 justamente o cen\u00e1rio que mais amea\u00e7a o principal ativo que atrai a popula\u00e7\u00e3o e os investimentos para a cidade. A imagem de qualidade de vida, que hoje sustenta boa parte da valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, tende a se deteriorar caso a infraestrutura e as condi\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o acompanhem o crescimento urbano\", finaliza.\nCidade de 15 minutos\nEnquanto Jo\u00e3o Pessoa ganha moradores, outro n\u00famero cresce ainda mais r\u00e1pido: o da frota de ve\u00edculos. Um levantamento da CBN Para\u00edba, divulgado em maio de 2026 com base em dados do Departamento Estadual de Tr\u00e2nsito da Para\u00edba (Detran-PB), mostra que o n\u00famero de ve\u00edculos registrados na capital cresceu 49% em dez anos, mais de tr\u00eas vezes acima do crescimento da popula\u00e7\u00e3o no mesmo per\u00edodo, que foi de 15%, segundo o Censo 2022 do IBGE.\nPara o especialista em mobilidade urbana Andr\u00e9 Agra, esse cen\u00e1rio aumenta a press\u00e3o sobre a infraestrutura vi\u00e1ria e refor\u00e7a a necessidade de repensar o modelo de crescimento da cidade.\n\"A frota de ve\u00edculos cresce muito mais do que a popula\u00e7\u00e3o. Naturalmente, toda a infraestrutura vi\u00e1ria e de mobilidade urbana voltada para o transporte por carro particular fica sobrecarregada e tende ao esgotamento, como j\u00e1 vem dando sinais. Todas as cidades mundiais que ainda est\u00e3o priorizando estrutura vi\u00e1ria para suportar mais transporte individual particular, n\u00e3o est\u00e3o funcionando\", comenta.\nNesse sentido, Agra defende que uma das formas de preparar Jo\u00e3o Pessoa para os pr\u00f3ximos 20 anos \u00e9 reduzir a necessidade de grandes deslocamentos di\u00e1rios. Para isso, ele cita o conceito de cidade de 15 minutos, modelo de planejamento urbano que aproxima o cidad\u00e3o das demandas di\u00e1rias, como trabalho, mercado e lazer.\n\ud83d\udd0e O conceito de cidade de 15 minutos foi desenvolvido pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno e ganhou proje\u00e7\u00e3o internacional a partir de 2020, quando passou a orientar pol\u00edticas urbanas em cidades como Paris, na Fran\u00e7a. A proposta \u00e9 que as necessidades do dia a dia possam ser atendidas a at\u00e9 15 minutos de caminhada, bicicleta ou transporte p\u00fablico da resid\u00eancia.\n\u201cHoje, a tend\u00eancia  mundial \u00e9 que cada bairro seja uma minicidade, um conceito que a gente chama de cidade de 15 minutos. \u00c9 preciso aproximar dist\u00e2ncias. Tem que ter assentamentos subsidiados nessas \u00e1reas que s\u00e3o geradoras de renda e nessas que s\u00e3o mais longe, tamb\u00e9m tem que estimular o neg\u00f3cio para que o trabalhador se desloque o menos poss\u00edvel para poder ter o seu ganha p\u00e3o e ter o seu lazer\u201d, conta.\nSaneamento e preserva\u00e7\u00e3o ambiental\nO crescimento de Jo\u00e3o Pessoa tamb\u00e9m aumenta a demanda por saneamento b\u00e1sico. Dados do Instituto Trata Brasil, divulgados em mar\u00e7o de 2026, mostram que a cobertura de esgoto na capital caiu para 72,36% entre 2020 e 2025. Com a piora do indicador, Jo\u00e3o Pessoa perdeu 14 posi\u00e7\u00f5es no ranking nacional de saneamento.\nPara a engenheira ambiental K\u00e1tia Lemos, a amplia\u00e7\u00e3o da coleta e do tratamento de esgoto \u00e9 uma das medidas mais importantes para reduzir os impactos do crescimento urbano.\n\"A aus\u00eancia de coleta e tratamento de esgoto resulta no lan\u00e7amento de efluentes in natura em rios, riachos, estu\u00e1rios e no solo, provocando contamina\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas aqu\u00e1ticos e redu\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua\", explica.\nSegundo a especialista, esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m favorece o aumento de doen\u00e7as de veicula\u00e7\u00e3o h\u00eddrica e compromete o desenvolvimento dos munic\u00edpios.\nNo entanto, a engenheira ambiental explica que ampliar a rede de coleta e tratamento de esgoto \u00e9 apenas parte do desafio. Segundo ela, o crescimento urbano sem planejamento tamb\u00e9m afeta diretamente o meio ambiente.\n\"O crescimento urbano, quando ocorre sem planejamento adequado, provoca diversos impactos ambientais, como a impermeabiliza\u00e7\u00e3o excessiva do solo, aumento das ilhas de calor, supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ambientalmente sens\u00edveis e aumento da gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos\", disse.\nEla explica que esses fatores favorecem alagamentos, eros\u00e3o, assoreamento de rios e perda da biodiversidade, al\u00e9m de aumentar a press\u00e3o sobre os sistemas de drenagem.\nK\u00e1tia Lemos destaca ainda que preservar \u00e1reas verdes faz parte da solu\u00e7\u00e3o. Segundo ela, esses espa\u00e7os ajudam a regular a temperatura da cidade, favorecem a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva no solo e reduzem o risco de enchentes.\n\"As \u00e1reas verdes desempenham fun\u00e7\u00f5es ambientais essenciais para o equil\u00edbrio urbano. Elas auxiliam na regula\u00e7\u00e3o do microclima, reduzem a temperatura, favorecem a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no solo, diminuem os riscos de enchentes, melhoram a qualidade do ar e contribuem para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Preservar esses espa\u00e7os deve ser uma prioridade em qualquer processo de expans\u00e3o urbana sustent\u00e1vel\", conta.\nA especialista ainda comenta que por ser uma cidade litor\u00e2nea, Jo\u00e3o Pessoa tamb\u00e9m precisa conciliar a expans\u00e3o urbana com a preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas costeiros. A engenheira afirma que a ocupa\u00e7\u00e3o irregular de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, o desmatamento e o descarte inadequado de res\u00edduos aumentam a press\u00e3o sobre manguezais, rios e praias.\n\"Os manguezais exercem papel fundamental na prote\u00e7\u00e3o da linha de costa, na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na reprodu\u00e7\u00e3o de diversas esp\u00e9cies marinhas. Sem planejamento urbano, fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva e cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental, esses ecossistemas tornam-se mais vulner\u00e1veis \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o, comprometendo tanto os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos quanto a economia local, especialmente o turismo e a pesca artesanal\", completa.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Vista da Praia de Cabo Branco, em Jo\u00e3o Pessoa<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nJo\u00e3o Pessoa deixou de ser vista apenas como uma cidade tranquila para entrar na rota de quem busca morar, investir ou empreender. 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