{"id":69191,"date":"2026-07-11T12:47:59","date_gmt":"2026-07-11T15:47:59","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/07\/11\/caso-rebeca-cristina-apos-15-anos-segundo-suspeito-segue-desconhecido-nao-foi-feita-a-justica-completa-diz-amiga-da-estudante.ghtml"},"modified":"2026-07-11T12:47:59","modified_gmt":"2026-07-11T15:47:59","slug":"caso-rebeca-cristina-apos-15-anos-segundo-suspeito-segue-desconhecido-nao-foi-feita-a-justica-completa-diz-amiga-da-estudante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/07\/11\/caso-rebeca-cristina-apos-15-anos-segundo-suspeito-segue-desconhecido-nao-foi-feita-a-justica-completa-diz-amiga-da-estudante\/","title":{"rendered":"Caso Rebeca Cristina: ap\u00f3s 15 anos, segundo suspeito segue desconhecido: &#8216;n\u00e3o foi feita a justi\u00e7a completa&#8217;, diz amiga da estudante"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/kGQHPZvUiUaet-5aF6k-hVlAkJk=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2019\/7\/l\/GzpHfrTsKgUYPBA3cthw\/rebeca-cristina2.jpg\" \/><br \/>     Caso Rebeca Cristina: ap\u00f3s 15 anos, segundo suspeito segue desconhecido\nA morte da adolescente Rebeca Cristina completou 15 anos neste s\u00e1bado (11). A estudante foi encontrada morta em uma \u00e1rea de mata em Jacarap\u00e9, em Jo\u00e3o Pessoa, no dia 11 de julho de 2011. Apesar da condena\u00e7\u00e3o do ex-padrasto da v\u00edtima, o cabo da Pol\u00edcia Militar Edvaldo Soares da Silva, h\u00e1 uma prova gen\u00e9tica que nunca foi atribu\u00edda a ningu\u00e9m. A investiga\u00e7\u00e3o sustenta que ele n\u00e3o agiu sozinho.\nFotos de Rebeca Cristina est\u00e3o estampadas em v\u00e1rios locais da casa dos av\u00f3s, em Jo\u00e3o Pessoa\nDani Fechine\/G1\nPara as pessoas pr\u00f3ximas a Rebeca, essa lacuna traz a sensa\u00e7\u00e3o de que a justi\u00e7a n\u00e3o foi completamente feita. \u00c9 o caso de Mykaelle Arruda, melhor amiga da adolescente.\n\u201cO que adianta ele ser preso, mas o restante n\u00e3o ser? N\u00e3o foi feita a justi\u00e7a completa\u201d, afirmou Mykaelle \u00e0 TV Cabo Branco.\nO g1 revisitou o relat\u00f3rio do inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Civil sobre o caso e conversou com o delegado Glauber Fontes, que presidiu as investiga\u00e7\u00f5es.\n\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp\nAs investiga\u00e7\u00f5es\nRebeca Cristina foi encontrada morta no dia 11 de julho de 2011\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Cabo Branco \nA Pol\u00edcia Civil levou mais de cinco anos para indiciar o principal suspeito. Antes da conclus\u00e3o do inqu\u00e9rito, a pol\u00edcia esgotou pelo menos 10 linhas de investiga\u00e7\u00e3o, segundo o delegado Glauber Fontes, que esteve \u00e0 frente do caso. \nAs investiga\u00e7\u00f5es contaram com o apoio da crimin\u00f3loga Ilana Casoy, conhecida por atuar em casos de grande repercuss\u00e3o, como os assassinatos do casal Richthofen e da menina Isabella Nardoni.\n Apesar da amplitude das investiga\u00e7\u00f5es e do posterior indiciamento do principal suspeito, pelo menos um segundo envolvido, que chegou a ser considerado pela pol\u00edcia, nunca foi identificado.\nDesaparecimento e morte \nRebeca Cristina Alves Sim\u00f5es, de 15 anos, saiu de casa por volta das 6h50, em Mangabeira VIII, Zona Sul de Jo\u00e3o Pessoa, para ir ao Col\u00e9gio da Pol\u00edcia Militar, localizado no mesmo bairro. Ap\u00f3s a estudante n\u00e3o voltar para casa no hor\u00e1rio em que costumava retornar da escola, a m\u00e3e estranhou a demora. Ao procurar a institui\u00e7\u00e3o de ensino, descobriu que a filha sequer havia comparecido \u00e0s aulas naquele dia. Foi ent\u00e3o que as buscas come\u00e7aram. \n\u201cQuando eu senti a falta dela, sa\u00ed ligando, fiquei procurando. Eu tinha ido \u00e0 escola para saber, e o diretor ligou para v\u00e1rias pessoas, para v\u00e1rios alunos, e eles diziam: \u2018n\u00e3o, Rebeca n\u00e3o veio hoje\u2019, \u2018eu n\u00e3o vi Rebeca\u2019, e assim por diante. A\u00ed ele me orientou a ir \u00e0 delegacia\u201d, relembrou Tereza Cristina.  \nNaquele mesmo dia, por volta das 14h20, a adolescente foi encontrada morta em um matagal \u00e0s margens da PB-008, na Mata de Jacarap\u00e9. O corpo foi reconhecido por Edvaldo Soares e pelo tio de Rebeca, Joseilton Melqu\u00edades da Silva, conhecido como J\u00f3. A m\u00e3e de Rebeca lembra o momento em que recebeu a not\u00edcia. \n\u201cQuando eu cheguei em casa, estava um movimento de pessoas na frente, mas eu estava t\u00e3o aperriada da cabe\u00e7a que cheguei e disse: \u2018eu vou ter que ir para a delegacia, vim s\u00f3 pegar os documentos\u2019. A\u00ed minha irm\u00e3 disse: \u2018Rebeca foi encontrada, mas est\u00e1 morta\u2019\u201d. \nRebeca Cristina foi encontrada vestindo apenas roupas \u00edntimas e com uma marca de tiro na cabe\u00e7a. O laudo pericial apontou que a adolescente foi v\u00edtima de abuso sexual ainda com vida e que a morte ocorreu entre 8h10 e 12h10 do dia 11 de julho. \n\u00danico condenado  \nJ\u00fari popular de Edvaldo Soares da Silva, acusado de ser coautor da morte de Rebeca Cristina\nDani Fechine\/G1\nO cabo da Pol\u00edcia Militar Edvaldo Soares, ex-padrasto de Rebeca Cristina, foi o \u00fanico indiciado e condenado pelo crime. O indiciamento veio somente no ano de 2016, mais de cinco anos depois. Em 2019, ele foi condenado por homic\u00eddio duplamente qualificado, por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da ofendida, al\u00e9m de estupro qualificado, com uma pena de 31 anos de pris\u00e3o. \nUm exame de DNA descartou a presen\u00e7a de s\u00eamen ou sangue de Edvaldo Soares no corpo de Rebeca Cristina. No entanto, as investiga\u00e7\u00f5es encontraram pelo menos 22 ind\u00edcios de envolvimento do policial no crime. \nSegundo o relat\u00f3rio do caso, entre os ind\u00edcios, est\u00e1 o fato de que o cabo se ausentou do posto de trabalho por duas vezes na manh\u00e3 do dia 11 de julho. Ele, que trabalhava no Pres\u00eddio do R\u00f3ger, em Jo\u00e3o Pessoa, n\u00e3o participou da forma\u00e7\u00e3o militar das 7h30 e, ap\u00f3s ter retornado \u00e0s 8h10, pediu autoriza\u00e7\u00e3o para sair do pres\u00eddio, alegando um assunto particular. \nEdvaldo retornou entre 10h30 e 11h e, por volta das 11h10, solicitou uma nova sa\u00edda, afirmando que precisava ajudar a esposa porque a enteada n\u00e3o havia voltado do col\u00e9gio. Nesse hor\u00e1rio, segundo o inqu\u00e9rito policial, a m\u00e3e de Rebeca ainda n\u00e3o sabia do desaparecimento da menina. \nOutro ponto identificado pelas investiga\u00e7\u00f5es \u00e9 que o policial militar tinha hist\u00f3rico de crimes sexuais. Na \u00e9poca, uma vizinha da fam\u00edlia disse, em depoimento, que Rebeca Cristina demonstrava inc\u00f4modo com algumas brincadeiras inadequadas do padrasto. \n\"J\u00e1 tem um hist\u00f3rico voltado para essa \u00e1rea de crimes sexuais contra menores, n\u00e3o com resultado morte, mas com conduta semelhante, s\u00f3 n\u00e3o a morte, que s\u00f3 aconteceu no caso de Rebeca\", afirmou o delegado Glauber Fontes. \nApesar disso, Edvaldo nunca chegou a confessar o crime, de acordo com o delegado Glauber Fontes. \n\u201cNunca confessou o delito, mas, pelos elementos de prova, pelos elementos que a gente reuniu, n\u00e3o ficou d\u00favida. Tanto \u00e9 que o Tribunal do J\u00fari o condenou com a penalidade muito alta por esse crime\u201d. \nDurante o j\u00fari, ele alegou que estava sendo acusado como \"bode expiat\u00f3rio\" para \"dar satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade\" e que nenhum investigador queria continuar com o caso. O r\u00e9u falou ainda que tratava Rebeca como filha. \u201cEra rela\u00e7\u00e3o de pai e filha. Eu procurava exercer o papel de provedor do lar\u201d, disse Edvaldo.\nSobre o suposto segundo envolvido, que nunca foi identificado, o delegado relata que em alguns depoimentos, mesmo sem ter confessado formalmente, Edvaldo dava a impress\u00e3o de que essa pessoa foi executada. \n\u201cA impress\u00e3o que a gente tem, isso \u00e9 uma impress\u00e3o nossa de quem lidou, \u00e9 que a outra pessoa foi executada, a outra pessoa morreu, porque nos depoimentos dele, ele dava a entender que a outra pessoa estava como se fosse inalcan\u00e7\u00e1vel, entendeu? Mas isso a gente nunca p\u00f4de ter a certeza\u201d. \nDias que precederam o crime \nRebeca Cristina, com 15 anos, um dia antes da sua morte, em Jo\u00e3o Pessoa\nDani Fechine\/G1\nSegundo o inqu\u00e9rito, na noite anterior ao crime, Rebeca Cristina foi para um culto em uma igreja evang\u00e9lica. Testemunhas que estiveram na igreja naquela noite relataram que a adolescente chorou muito durante a celebra\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o contou o motivo a nenhum dos presentes. \nA estudante ligou para sua melhor amiga, Mykaelle Arruda, convidando-a para ir \u00e0 igreja com ela, pois tinha algo muito importante para revelar. No entanto, a amiga estava com dor de cabe\u00e7a e, por isso, recusou o convite. Aquela foi a \u00faltima vez que as duas se falaram.   \n\u201cEla me ligou querendo que eu fosse muito para a igreja, dizendo: \u2018por favor, vem, vem\u2019. E isso me marcou muito at\u00e9 hoje, porque foi a \u00faltima vez que eu ouvi a voz dela, que eu pude falar com ela\u201d, disse Mykaelle \u00e0 TV Cabo Branco. \nDurante as investiga\u00e7\u00f5es, pessoas da conviv\u00eancia de Rebeca Cristina afirmaram que, nos dias anteriores, a estudante apresentou mudan\u00e7as no comportamento: estava mais quieta. Depoimentos de amigos e vizinhos mostraram ind\u00edcios de que a motiva\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a seria problemas na rela\u00e7\u00e3o com o padrasto.\nDois amigos, os mais pr\u00f3ximos, depuseram que a estudante havia descoberto recentemente mensagens no celular do padrasto que sinalizavam um relacionamento extraconjugal com outro homem. Mesmo desaconselhada pelos amigos, a estudante confrontou o homem, que passou a tentar comprar o sil\u00eancio dela com presentes. \nPor isso, Mykaelle diz que sempre soube que Edvaldo tinha algum envolvimento com a morte de Rebeca e que ficava incomodada com o padrasto demonstrando luto e interesse na resolu\u00e7\u00e3o do caso. N\u00e3o demorou muito para o homem come\u00e7ar a amea\u00e7\u00e1-la. \n\u201cEra insuport\u00e1vel ver aquela cena, porque eu sabia que tinha sido ele. Eu sabia por conta de tudo que a gente j\u00e1 tinha visto, pelo celular, pelas mensagens. Eu tinha uma raiva muito grande, porque ele ficou sempre do meu lado ali para me pressionar a n\u00e3o contar. Ele vinha muito aqui em casa, me amea\u00e7ava, me amea\u00e7ava por telefone, me amea\u00e7ava pessoalmente\u201d. \nOutros investigados\nExames realizados no corpo de Rebeca Cristina apontaram que um material gen\u00e9tico foi encontrado na regi\u00e3o \u00edntima da v\u00edtima. O perfil gen\u00e9tico, no entanto, n\u00e3o corresponde ao do homem condenado pelo crime. Segundo Glauber Fontes, delegado respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o, mais de 50 pessoas chegaram a ser submetidas a exames de DNA durante as apura\u00e7\u00f5es, incluindo o namorado de Rebeca na \u00e9poca do crime, um ex-namorado e funcion\u00e1rios da escola onde a adolescente estudava.\nA Pol\u00edcia Civil investigou pelo menos dez suspeitos. Todos foram posteriormente descartados ap\u00f3s a verifica\u00e7\u00e3o de \u00e1libis e de outros ind\u00edcios que apontaram que eles n\u00e3o tinham envolvimento com o crime. \n\"A gente tra\u00e7ou mais ou menos umas dez linhas, entre dez e doze, e a\u00ed, em cada linha dessa, diversas dilig\u00eancias foram realizadas\". \nO delegado aponta que uma das dificuldades que os investigadores encontraram foi o fato de o condenado pelo crime, Edvaldo Soares, ser policial e entender como as investiga\u00e7\u00f5es funcionavam. \n\"Sendo policial militar, ele conhecia um pouco da din\u00e2mica da investiga\u00e7\u00e3o e procurou dificultar bastante. Por exemplo, um ponto crucial \u00e9 que ele fez quest\u00e3o de estar de plant\u00e3o no dia do crime, e  o livro de registro de sa\u00edda  s\u00f3 constava que ele tinha sa\u00eddo \u00e0s 14h30 da tarde, mas a\u00ed, quando a gente foi ouvir todos os policiais militares do turno anterior, a gente constatou que, mesmo sem o registro do livro, ele tinha sa\u00eddo duas vezes antes sem constar no livro, ent\u00e3o isso foi crucial para que a gente avan\u00e7asse\". \nSonhos interrompidos \nTereza Cristina, m\u00e3e de Rebeca \nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Cabo Branco\nA m\u00e3e, Tereza Cristina, h\u00e1 15 anos, precisa conviver diariamente com a dor da saudade da adolescente. \"N\u00e3o tem um dia na minha vida, nesses 15 anos, em que eu n\u00e3o sinta a falta dela. At\u00e9 em comer um feij\u00e3o preto, eu me lembro da minha filha, que era o que ela mais gostava\u201d, relatou \u00e0 TV Cabo Branco. \nA mulher ainda guarda fotografias, camisetas e objetos pessoais, como um urso de pel\u00facia que pertencia \u00e0 filha, e pensa em como a menina estaria hoje, caso n\u00e3o tivesse tido a vida interrompida de forma t\u00e3o brutal. \n\u201cO sonho dela era ser m\u00e9dica do Samu e veterin\u00e1ria. (...) \u00c0s vezes, quando eu paro para pensar em tudo que eu perdi, minha filha n\u00e3o p\u00f4de realizar e eu, como m\u00e3e, tamb\u00e9m n\u00e3o pude\u2026 Eu n\u00e3o vou poder nunca ver minha filha se formando, levar minha filha ao altar, que ela tinha um sonho de casar, ela pode ter sido m\u00e3e tamb\u00e9m\u201d. \nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Caso Rebeca Cristina: ap\u00f3s 15 anos, segundo suspeito segue desconhecido<br \/>\nA morte da adolescente Rebeca Cristina completou 15 anos neste s\u00e1bado (11). 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