{"id":68308,"date":"2026-06-29T17:10:37","date_gmt":"2026-06-29T20:10:37","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/06\/29\/quem-e-o-casal-com-primeiro-homem-trans-a-ter-um-filho-na-rede-publica-de-saude-da-pb.ghtml"},"modified":"2026-06-29T17:10:37","modified_gmt":"2026-06-29T20:10:37","slug":"quem-e-o-casal-com-primeiro-homem-trans-a-ter-um-filho-na-rede-publica-de-saude-da-pb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/06\/29\/quem-e-o-casal-com-primeiro-homem-trans-a-ter-um-filho-na-rede-publica-de-saude-da-pb\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 o casal com primeiro homem trans a ter um filho na rede p\u00fablica de sa\u00fade da PB"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/3vOlVzjPd2qF6icZdXnHLHlb1gI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/O\/Y\/cT7XdMTZSEwwVdwxbUfQ\/5d7e33bd-6b07-4da7-8f69-8c1649141406.jpeg\" \/><br \/>     Homem trans d\u00e1 \u00e0 luz primeiro beb\u00ea na rede p\u00fablica estadual da PB\nDaniel Valentim e Gisele Castro constru\u00edram juntos o caminho at\u00e9 a chegada de Iara, filha do casal e primeiro beb\u00ea gerado por um homem trans na rede p\u00fablica estadual de sa\u00fade da Para\u00edba. Daniel \u00e9 estudante de agronomia e Gisele, professora universit\u00e1ria e veterin\u00e1ria. Os dois s\u00e3o pessoas trans e vivem em Esperan\u00e7a, no Agreste paraibano, mas a menina nasceu no Hospital da Mulher, em Jo\u00e3o Pessoa.\nPara que a gravidez fosse poss\u00edvel, Daniel precisou interromper a terapia hormonal e passar por uma s\u00e9rie de etapas at\u00e9 o nascimento da filha. O processo, iniciado anos antes da chegada de Iara, envolveu mudan\u00e7as na rotina do casal e desafios relacionados ao acesso \u00e0 sa\u00fade.\n\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp\nO g1 reuniu informa\u00e7\u00f5es sobre a trajet\u00f3ria de Daniel e Gisele, desde o in\u00edcio do planejamento para ter um filho at\u00e9 os momentos que marcaram a chegada de Iara.\nLEIA TAMB\u00c9M: \n'Fam\u00edlia tem a ver com amor e respeito', diz esposa de homem trans que deu \u00e0 luz pela primeira vez em hospital estadual da Para\u00edba\nO sonho do casal \nGisele e Daniel na hora do parto\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Governo da Para\u00edba\nO casal j\u00e1 havia tentado ter um filho em outra oportunidade, ainda em 2022. Naquele per\u00edodo, por\u00e9m, a interrup\u00e7\u00e3o da terapia hormonal provocou mudan\u00e7as f\u00edsicas em Daniel Valentim que intensificaram a disforia de g\u00eanero e fizeram com que os dois retomassem o tratamento e adiassem o plano de aumentar a fam\u00edlia.\n\u201cEu n\u00e3o aguentava mais por conta da disforia. Minha barba tinha ca\u00eddo, j\u00e1 n\u00e3o tinha quase nenhum pelo no rosto. Ent\u00e3o, meu peito crescia, meu quadril ficou mais largo, minha cintura mais fina, e isso me incomodava muito. Eu me sentia como antes da transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguia me olhar no espelho e reconhecer que meu corpo refletia quem eu sou por dentro. E Gisele, a mesma coisa: os pelos voltaram a crescer nela, o rosto dela ficou menos feminilizado\u201d, disse Daniel. \n\ud83d\udd0eA disforia de g\u00eanero \u00e9 o sofrimento ou desconforto que algumas pessoas podem sentir quando h\u00e1 uma diferen\u00e7a entre o g\u00eanero com o qual se identificam e caracter\u00edsticas do corpo ou o g\u00eanero atribu\u00eddo ao nascer. Esse sentimento pode estar relacionado a aspectos f\u00edsicos, sociais ou \u00e0 forma como a pessoa \u00e9 percebida pelos outros. Nem todas as pessoas trans vivenciam disforia de g\u00eanero, e a experi\u00eancia varia de pessoa para pessoa.\nDepois desse per\u00edodo, tr\u00eas anos mais tarde, o casal conseguiu engravidar. Gisele conta que a confirma\u00e7\u00e3o da gravidez veio de uma forma inesperada e que n\u00e3o imaginava que Daniel conseguiria engravidar t\u00e3o rapidamente.\n\"A gente combinou de fazer o exame de urina juntos. S\u00f3 que a\u00ed teve um dia em que o Daniel, com a ansiedade muito alta, foi \u00e0 farm\u00e1cia e fez. Eu estava trabalhando, ele fez, e a\u00ed deu positivo. A\u00ed ele pegou, comprou uma fralda, embrulhou a fralda como um presente, colou o exame de urina e fez uma surpresa, falou que tinha um presente para mim. Quando eu abri, era uma fralda e o exame positivo. Ent\u00e3o, foi uma emo\u00e7\u00e3o muito grande. Eu n\u00e3o esperava que ele fosse engravidar t\u00e3o cedo\", explicou.\nDaniel iniciou o pr\u00e9-natal em Campina Grande, mas o casal passou a buscar uma unidade que oferecesse um ambiente de maior acolhimento e seguran\u00e7a para o nascimento de Iara. Foi nesse processo que eles conheceram o Hospital da Mulher, em Jo\u00e3o Pessoa, onde a beb\u00ea nasceu em junho de 2026.\nA escolha pela unidade tamb\u00e9m levou em considera\u00e7\u00e3o o atendimento oferecido a pessoas trans. O casal descobriu que o hospital realizava cirurgias de mastectomia em homens trans, o que indicava uma equipe preparada para acolher esse p\u00fablico. A experi\u00eancia positiva relatada por uma amiga tamb\u00e9m ajudou na decis\u00e3o pela maternidade, inaugurada h\u00e1 pouco mais de um ano.\nCom o apoio do Ambulat\u00f3rio de Sa\u00fade Integral para Travestis e Transexuais (Ambulat\u00f3rio TT) Fernanda Benvenutty, em Jo\u00e3o Pessoa, Daniel conseguiu uma vaga e transferiu o pr\u00e9-natal para o Hospital da Mulher no oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o.\n\"Apesar de ter tido um pr\u00e9-natal muito tranquilo em outra unidade, eu sentia que o lugar ideal para o nascimento de Iara era o Hospital da Mulher, n\u00e3o apenas pela estrutura. O carinho dos profissionais, o acolhimento, a seguran\u00e7a com a qual todo o procedimento foi conduzido apenas confirmaram esse sentimento. Foi um parto cercado de amor e respeito, um momento que jamais vamos esquecer\u201d, afirmou o pai de Iara. \nOs desafios\nDaniel e Gisele durante gesta\u00e7\u00e3o\nGisele Castro\/Arquivo pessoal\nDurante a gesta\u00e7\u00e3o, Daniel Valentim recebeu o diagn\u00f3stico de trombose, o que fez com que a gravidez fosse considerada de risco. Al\u00e9m da preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade, ele relata que as mudan\u00e7as f\u00edsicas provocadas pela gesta\u00e7\u00e3o e pela interrup\u00e7\u00e3o da terapia hormonal intensificaram a disforia de g\u00eanero, trazendo impactos emocionais ao longo do per\u00edodo.\n\u201cEu n\u00e3o conseguia me olhar no espelho porque eu via meu quadril mais largo, a barriga crescendo. Mesmo sendo mastectomizado, o meu peito cresceu, inclusive vou ter que refazer essa cirurgia, porque cresceu bastante, e chegou o momento da situa\u00e7\u00e3o em que a barriga estava grande e eu n\u00e3o conseguia mais sair de casa pelos olhares\u201d, disse o estudante de agronomia. \nCom a gravidez e a pausa no uso dos horm\u00f4nios, caracter\u00edsticas f\u00edsicas come\u00e7aram a se modificar, o que gerou desconforto para Daniel. Ele conta que encontrava for\u00e7as ao lembrar que as mudan\u00e7as faziam parte do caminho para a chegada da filha.\n\u201cQuando eu olhava para o meu corpo, que eu via o quadril alargando, o peito crescendo, eu olhava para a barriga e fazia assim: \u2018\u00e9 pela minha filha, isso vai passar, depois eu resolvo isso\u2019. Ent\u00e3o, at\u00e9 me emociono quando eu falo essas coisas\u201d, relatou.\nGisele Castro tamb\u00e9m precisou interromper a terapia hormonal ap\u00f3s mais de 15 anos de tratamento. Segundo ela, as altera\u00e7\u00f5es provocadas pelo uso dos horm\u00f4nios podem ser acompanhadas e revertidas com acompanhamento m\u00e9dico.\n\u201cO sistema reprodutor se modifica ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios, mas essa modifica\u00e7\u00e3o pode ser revertida a partir de um acompanhamento m\u00e9dico; foi o que aconteceu com a gente. Eu tinha mais de 15 anos de hormonioterapia e consegui reverter\", explicou.\nAl\u00e9m das mudan\u00e7as f\u00edsicas, Daniel relata que enfrentou situa\u00e7\u00f5es de estranhamento durante a gesta\u00e7\u00e3o. Segundo ele, os olhares de curiosidade e preconceito em espa\u00e7os p\u00fablicos marcaram o per\u00edodo e evidenciaram os desafios de viver uma gravidez como homem trans.\nDaniel tamb\u00e9m relata que enfrentou situa\u00e7\u00f5es de estranhamento durante a gesta\u00e7\u00e3o. Segundo ele, olhares de curiosidade e preconceito em espa\u00e7os p\u00fablicos marcaram esse per\u00edodo e evidenciaram os desafios vividos por um homem trans gestante.\n\u201cEu me recordo de uma situa\u00e7\u00e3o em que eu fui comprar p\u00e3o e a barriga j\u00e1 estava bem aparente. E a\u00ed a mo\u00e7a da padaria olhou para mim, olhou para a barriga e fez um olhar bem assim estranho. Isso me atravessou de uma forma grande\u201d, disse.\nPara Gisele, compartilhar a hist\u00f3ria da fam\u00edlia tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de mostrar que diferentes configura\u00e7\u00f5es familiares podem oferecer amor, cuidado e seguran\u00e7a para uma crian\u00e7a. Ela afirma que a constru\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia est\u00e1 ligada ao respeito e ao v\u00ednculo entre as pessoas.\n\"Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, voc\u00ea tem um casal que a gente chama de heteronormativo, mas que tem viol\u00eancia, que tem trai\u00e7\u00e3o, que tem v\u00e1rias coisas ruins e que deixa a desejar no sentido do amor, no sentido da fraternidade, no sentido da uni\u00e3o e do respeito. E que a gente quer mostrar que n\u00e3o precisa ser heterossexual e cis, homem cis e mulher cis, para ter uma fam\u00edlia\", finalizou.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Homem trans d\u00e1 \u00e0 luz primeiro beb\u00ea na rede p\u00fablica estadual da PB<br \/>\nDaniel Valentim e Gisele Castro constru\u00edram juntos o caminho at\u00e9 a chegada de Iara, filha do casal e primeiro beb\u00ea gerado por um homem trans na rede p\u00fablica estadual de sa\u00fade da &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[34],"tags":[35],"class_list":["post-68308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-g1","tag-g1"],"author_meta":{"display_name":"g1 &gt; Para\u00edba","author_link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/author\/g1-paraiba\/"},"featured_img":null,"coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/span>"]},"tags":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/span>"]}},"comment_count":"0","relative_dates":{"created":"Publicado 9 horas atr\u00e1s","modified":"Atualizado 9 horas atr\u00e1s"},"absolute_dates":{"created":"Publicado em 29 de junho de 2026","modified":"Atualizado em 29 de junho de 2026"},"absolute_dates_time":{"created":"Publicado em 29 de junho de 2026 17:10","modified":"Atualizado em 29 de junho de 2026 17:10"},"featured_img_caption":"","series_order":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68309,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68308\/revisions\/68309"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}