{"id":68283,"date":"2026-06-29T09:19:34","date_gmt":"2026-06-29T12:19:34","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2026\/06\/29\/familia-tem-a-ver-com-amor-diz-mae-de-bebe-gerado-por-homem-trans.ghtml"},"modified":"2026-06-29T09:19:34","modified_gmt":"2026-06-29T12:19:34","slug":"familia-tem-a-ver-com-amor-diz-mae-de-bebe-gerado-por-homem-trans","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/06\/29\/familia-tem-a-ver-com-amor-diz-mae-de-bebe-gerado-por-homem-trans\/","title":{"rendered":"\u2018Fam\u00edlia tem a ver com amor\u2019, diz m\u00e3e de beb\u00ea gerado por homem trans"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/3vOlVzjPd2qF6icZdXnHLHlb1gI=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/O\/Y\/cT7XdMTZSEwwVdwxbUfQ\/5d7e33bd-6b07-4da7-8f69-8c1649141406.jpeg\" \/><br \/>     Homem trans d\u00e1 \u00e0 luz primeiro beb\u00ea na rede p\u00fablica estadual da PB\nGisele Castro, m\u00e3e de Iara, a primeira beb\u00ea gerada por um homem trans a nascer no sistema p\u00fablico da Para\u00edba, em Jo\u00e3o Pessoa, conversou com o g1 sobre a fam\u00edlia e a gesta\u00e7\u00e3o. Iara \u00e9 filha de Gisele, uma mulher trans, e de Daniel Valentim, um homem trans que gerou a crian\u00e7a. A gravidez foi planejada pelo casal.\n \u201cA gente quer falar para a sociedade que fam\u00edlia tem a ver com amor, respeito e uni\u00e3o. Ent\u00e3o, se voc\u00ea tem a\u00ed esses tr\u00eas ingredientes, voc\u00ea tem uma fam\u00edlia\u201d, afirmou a m\u00e3e.\nO casal que mora em Esperan\u00e7a, no Agreste da Para\u00edba, se conheceu pela internet h\u00e1 quatro anos. Gisele Castro \u00e9 m\u00e9dica veterin\u00e1ria e professora universit\u00e1ria, enquanto Daniel Valentim \u00e9 estudante de Agronomia. O desejo de ter um filho \u00e9 antigo e, em 2023, veio a primeira tentativa. Gisele relata que, para um casal transsexual tentar engravidar, \u00e9 necess\u00e1rio parar com o tratamento hormonal, o que pode gerar disforia. \n\"No meu caso, uma mulher trans toma um horm\u00f4nio feminilizante. E, no caso dele, homem trans, toma um horm\u00f4nio masculinizante. A\u00ed \u00e9 muito ruim, por um certo lado, porque, quando a gente tem, quando a gente quer engravidar, a gente tem que parar com esses horm\u00f4nios. E a\u00ed as caracter\u00edsticas masculinas e femininas, elas voltam nos nossos corpos, o que traz algo chamado de disforia, que \u00e9 um desconforto\". \nMeses depois, Daniel e Gisele voltaram a tentar novamente, e a gravidez veio no final de 2025. Agora, em junho de 2026, a pequena Iara nasceu, trazendo felicidade para toda a fam\u00edlia. \n\"Nossa fam\u00edlia ficou muito feliz. Ent\u00e3o, a gente teve um acolhimento de grande parte da fam\u00edlia. \u00c9, o que nos deixa bastante contentes tamb\u00e9m. A minha sogra, a m\u00e3e de Daniel, foi a primeira pessoa a visitar; A minha m\u00e3e tamb\u00e9m acolheu muito bem\".  \nPara Gisele, contar a hist\u00f3ria da fam\u00edlia ajuda a mostrar que casais LGBTQIAP+ podem oferecer um ambiente saud\u00e1vel para criar um filho, ambientes esses que nem sempre s\u00e3o oferecidos por fam\u00edlias heteronormativas. Segundo ela, o respeito, o amor e o cuidado s\u00e3o mais importantes do que a configura\u00e7\u00e3o familiar.\n\"Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, voc\u00ea tem um casal que a gente chama de heteronormativo, mas que tem viol\u00eancia, que tem trai\u00e7\u00e3o, que tem v\u00e1rias coisas ruins e que deixa a desejar no sentido do amor, no sentido da fraternidade, no sentido da uni\u00e3o e do respeito. E que a gente quer mostrar que n\u00e3o precisa ser heterossexual e cis, homem cis e mulher cis, para ter uma fam\u00edlia.\"\nTerapia hormonal e gesta\u00e7\u00e3o \nGisele e Daniel na hora do parto\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Governo da Para\u00edba\nPara que a gravidez fosse poss\u00edvel, Gisele e Daniel precisaram interromper temporariamente a terapia hormonal, tratamento utilizado por pessoas trans para desenvolver caracter\u00edsticas f\u00edsicas alinhadas \u00e0 identidade de g\u00eanero, uma vez que o tratamento promove altera\u00e7\u00f5es no sistema reprodutor. \n\"Casais trans n\u00e3o s\u00e3o est\u00e9reis. O que acontece com alguns casais trans \u00e9 porque o sistema reprodutor se modifica ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios, mas essa modifica\u00e7\u00e3o pode ser revertida,, a partir de um acompanhamento m\u00e9dico; foi o que aconteceu com a gente. Eu tinha mais de 15 anos de hormonioterapia e consegui reverter\", explicou. \nA interrup\u00e7\u00e3o da terapia hormonal, no entanto, trouxe desafios para o casal. Gisele explica que, sem os horm\u00f4nios, algumas caracter\u00edsticas f\u00edsicas come\u00e7am a mudar, o que pode provocar disforia de g\u00eanero. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizada pelo sofrimento ou desconforto causado pela incompatibilidade entre a identidade de g\u00eanero da pessoa e caracter\u00edsticas f\u00edsicas associadas ao sexo atribu\u00eddo no nascimento.\n\"No meu caso, uma mulher trans torna um horm\u00f4nio feminilizante. E, no caso dele, homem trans, toma um horm\u00f4nio masculinizante. A\u00ed \u00e9 muito ruim, por um certo lado, porque, quando a gente quer engravidar, a gente tem que parar com esses horm\u00f4nios. E a\u00ed as caracter\u00edsticas masculinas e femininas voltam nos nossos corpos, o que traz algo chamado disforia, que \u00e9 um desconforto com as caracter\u00edsticas indesejadas\". \nEscolha do hospital \nMoradores da cidade de Esperan\u00e7a, Daniel e Gisele come\u00e7aram a fazer o pr\u00e9-natal em Campina Grande. A gesta\u00e7\u00e3o foi classificada como de alto risco logo no primeiro m\u00eas, ap\u00f3s Daniel ser diagnosticado com trombose, uma altera\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea comum em gestantes. O casal tamb\u00e9m recebia assist\u00eancia do ambulat\u00f3rio para pessoas transexuais vinculado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.\nApesar do acompanhamento, Daniel Valentim sentia desconforto e medo do preconceito por ser o primeiro homem trans gestante na unidade. A inseguran\u00e7a aumentou ao ser informado de que a obstetra respons\u00e1vel pelo pr\u00e9-natal n\u00e3o realizaria o parto, que ficaria a cargo do m\u00e9dico plantonista do dia.\n\"Apesar de ter tido um pr\u00e9-natal muito tranquilo em outra unidade, eu sentia que o lugar ideal para o nascimento de Iara era o Hospital da Mulher, n\u00e3o apenas pela estrutura. O carinho dos profissionais, o acolhimento, a seguran\u00e7a com a qual todo o procedimento foi conduzido apenas confirmaram esse sentimento. Foi um parto cercado de amor e respeito, um momento que jamais vamos esquecer\u201d, afirmou o pai de Iara. \nA busca por um ambiente mais seguro levou o casal a pesquisar outras op\u00e7\u00f5es. Eles descobriram que o Hospital da Mulher, em Jo\u00e3o Pessoa, realiza cirurgias de mastectomia em homens trans, encaminhados pelo Espa\u00e7o LGBT Clementino Fraga. Isso indicava que os profissionais da unidade j\u00e1 eram treinados para o acolhimento desse p\u00fablico. O depoimento positivo de uma amiga referendou a escolha pela maternidade, inaugurada h\u00e1 pouco mais de um ano.\nCom a ajuda do Ambulat\u00f3rio de Sa\u00fade Integral para Travestis e Transexuais (Ambulat\u00f3rio TT) Fernanda Benvenutty, em Jo\u00e3o Pessoa, o casal conseguiu uma vaga e transferiu o pr\u00e9-natal para o Hospital da Mulher no oitavo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. O m\u00e9dico respons\u00e1vel avaliou os exames feitos em Campina Grande, constatou que a sa\u00fade de Daniel estava em ordem e confirmou que a unidade estava apta a receb\u00ea-lo de forma adequada.\nA decis\u00e3o se mostrou acertada. Segundo Gisele, a expectativa n\u00e3o decepcionou, e a experi\u00eancia no Hospital da Mulher foi acolhedora e livre de preconceitos por parte de toda a equipe.\nPara o casal, a chegada de Iara \u00e9 a prova de uma uni\u00e3o de sucesso. Eles destacam que o nascimento da crian\u00e7a \u00e9 um ato divino e que a fam\u00edlia \u00e9 um espa\u00e7o sagrado, constru\u00eddo com base no afeto e no respeito m\u00fatuo. \nDesafios para a gesta\u00e7\u00e3o \nDaniel e Gisele durante gesta\u00e7\u00e3o\nGisele Castro\/Arquivo pessoal\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Homem trans d\u00e1 \u00e0 luz primeiro beb\u00ea na rede p\u00fablica estadual da PB<br \/>\nGisele Castro, m\u00e3e de Iara, a primeira beb\u00ea gerada por um homem trans a nascer no sistema p\u00fablico da Para\u00edba, em Jo\u00e3o Pessoa, conversou com o g1 sobre a fam\u00edlia e a gesta\u00e7\u00e3o. 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