{"id":67968,"date":"2026-06-23T19:34:21","date_gmt":"2026-06-23T22:34:21","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/sao-joao\/noticia\/2026\/06\/23\/lageiro-seco-a-historia-da-quadrilha-junina-mais-antiga-do-brasil-marcada-por-tradicao-familiar-e-quase-80-anos-de-cultura.ghtml"},"modified":"2026-06-23T19:34:21","modified_gmt":"2026-06-23T22:34:21","slug":"lageiro-seco-a-historia-da-quadrilha-junina-mais-antiga-do-brasil-marcada-por-tradicao-familiar-e-quase-80-anos-de-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/06\/23\/lageiro-seco-a-historia-da-quadrilha-junina-mais-antiga-do-brasil-marcada-por-tradicao-familiar-e-quase-80-anos-de-cultura\/","title":{"rendered":"Lageiro Seco: a hist\u00f3ria da quadrilha junina mais antiga do Brasil, marcada por tradi\u00e7\u00e3o familiar e quase 80 anos de cultura"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/fdwgJWwgbMUhfmj6bmcp2xp7OUQ=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/Y\/i\/asQWYlRHOYqqgABOsMhQ\/lageiro-seco-2-1-.png\" \/><br \/>     Lageiro Seco se autoreinvincida a quadrilha junina mais antiga do Brasil\nLageiro Seco\/Instagram\nEm meio \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es juninas que movimentam a Para\u00edba todos os anos entre junho e julho, uma hist\u00f3ria iniciada h\u00e1 quase 80 anos continua viva nos festejos de S\u00e3o Jo\u00e3o. Uma quadrilha, fundada em 1947, no bairro do Roger, em Jo\u00e3o Pessoa, a Lageiro Seco, se autoreinvindica como a mais antiga do Brasil ainda em atividade. \n\u2705 Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp\nAtualmente, o grupo re\u00fane cerca de 124 participantes e carrega o legado deixado por seu fundador, Luiz Ferreira da Silva, que morreu em dezembro de 2025, aos 89 anos.\nDe origem familiar, a Lageiro Seco foi fundada por Luiz e o irm\u00e3o e, ao longo dos anos, construiu uma trajet\u00f3ria marcada pela valoriza\u00e7\u00e3o da cultura popular e por pautas de inclus\u00e3o em seus enredos. A quadrilha tamb\u00e9m se destaca pelo espa\u00e7o dado \u00e0 atua\u00e7\u00e3o feminina dentro do grupo. \nEm 2026, a tradi\u00e7\u00e3o de quase 80 anos ganha um novo reconhecimento com a certifica\u00e7\u00e3o como \u201cPonto de Cultura\u201d, iniciativa do Minist\u00e9rio da Cultura voltada ao apoio de entidades sem fins lucrativos.\nO g1 entrevistou o atual coordenador da Lageiro Seco, Luciano Dantas, que contou detalhes sobre a origem da quadrilha, a trajet\u00f3ria constru\u00edda ao longo de quase 80 anos e os motivos que levam o grupo a se reconhecer como a quadrilha junina mais antiga do Brasil em atividade.\nAgora no g1\nComo tudo come\u00e7ou?\nA trajet\u00f3ria da Lageiro come\u00e7ou muito antes de ter esse nome, quando Luiz Ferreira da Silva tinha apenas 12 anos de idade. Naquela \u00e9poca, a iniciativa surgiu ao lado do irm\u00e3o mais velho, Graciano Ferreira da Silva, que j\u00e1 coordenava uma Lapinha, uma esp\u00e9cie de manifesta\u00e7\u00e3o cultural ligada \u00e0s festividades natalinas.\nSegundo Luciano Dantas, a ideia de criar o grupo partiu da necessidade de organizar uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural mais estruturada e que ultrapasse apenas o per\u00edodo natalino, abrangendo outras \u00e9pocas do ano, como o S\u00e3o Jo\u00e3o. \n\u201cNo in\u00edcio era s\u00f3 Seu Graciano. Ele tinha a Lapinha muito antes da quadrilha. Era um grupo formado apenas por mulheres e ele era o \u00fanico homem. Depois chamou o irm\u00e3o, Seu Lu\u00eds, que tinha 12 anos de idade\u201d, explicou.\nDe acordo com os relatos deixados por Luiz Ferreira e compartilhados por Luciano na entrevista ao g1, a forma\u00e7\u00e3o do grupo aconteceu em uma \u00e9poca em que homens e mulheres ainda relutavam em participar juntos das apresenta\u00e7\u00f5es. A quadrilha quebrou com esse paradigma da sociedade. \n\u201cAs mulheres n\u00e3o queriam se juntar com os homens para dan\u00e7ar porque diziam que eles s\u00f3 queriam brincar. As pessoas queriam se organizar de verdade e formar um grupo cultural organizado\u201d, explicou Luciano\nCom a crescente participa\u00e7\u00e3o de integrantes e a necessidade de organizar a estrutura do grupo, a quadrilha passou por um processo de consolida\u00e7\u00e3o. Faltava, por\u00e9m, um nome que representasse a identidade constru\u00edda desde o in\u00edcio. Esse detalhe, que permanece at\u00e9 hoje como uma das marcas da Lageiro Seco, j\u00e1 havia sido pensado pelos criadores nos primeiros passos da trajet\u00f3ria da quadrilha.\n\u201cFoi Seu Lu\u00eds quem deu a ideia de colocar o nome Lageiro Seco. Ele lembrava do lajeiro, que \u00e9 uma pedra grande que existe no interior (do estado), no Sert\u00e3o. N\u00e3o tem um significado espec\u00edfico. Ele apenas lembrou desse nome e quis criar algo parecido\u201d, relatou Luciano.\nCom o passar das d\u00e9cadas, o nome ganhou reconhecimento dentro e fora da Para\u00edba. Para os integrantes atuais do grupo, preservar o nome criado pelo fundador \u00e9 uma forma de manter viva a identidade do grupo.\n\u201cPodemos dizer que esse nome pegou. A Lageiro Seco \u00e9 uma quadrilha muito conhecida na cidade, no estado e tamb\u00e9m em outros lugares do Brasil. J\u00e1 viajamos por v\u00e1rios estados e hoje muita gente conhece a nossa hist\u00f3ria. Significa muito para a gente manter o nome que o nosso fundador criou. \u00c9 um significado gigante e um legado que queremos deixar para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\", destacou.\nSobre a autoreinvindica\u00e7\u00e3o da quadrilha em ser a mais antiga do Brasil, Luciano destacou apenas que \"a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Seu Luiz j\u00e1 explica tudo\", fazendo alus\u00e3o \u00e0 idade do criador e quando ele come\u00e7ou a idealizar a quadrilha. \nPara al\u00e9m dessa afirma\u00e7\u00e3o, a Federa\u00e7\u00e3o das Entidades das Quadrilhas Juninas da Para\u00edba (Fequajune-PB), ratificou a Lageiro Seco como a quadrilha mais antiga do pa\u00eds, refor\u00e7ando a ideia de que a hist\u00f3ria do fundador da entidade \u00e9 anterior at\u00e9 que a pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o da federa\u00e7\u00e3o estadual. \nEm contato com o g1, o presidente da Fequajune-PB, Genilson F\u00e9lix, ressaltou o t\u00edtulo e fez quest\u00e3o de ressaltar a import\u00e2ncia de Seu Luiz. \n\"A Lageiro Seco \u00e9 a quadrilha mais antiga do Brasil em atividade. Foram mais de 70 anos ininterruptos de atividade em prol do movimento junino, desde o tempo em que ainda existiam as palho\u00e7as, as quadrilhas infantis, j\u00e1 visto que at\u00e9 hoje um dos diretores nossos da Fequajune-PB, Sr. Edson Pessoa, diretor financeiro, durante muito tempo participou da junina infantil ainda\", destacou. \nHomenagens ao fundador\nApresenta\u00e7\u00f5es municipais da Lageiro Seco em 2026 j\u00e1 come\u00e7aram\nLageiro Seco\/Instagram\nA hist\u00f3ria da Lageiro Seco tamb\u00e9m est\u00e1 ligada \u00e0 trajet\u00f3ria de Luiz Ferreira da Silva, um dos nomes que ajudaram a construir a identidade da quadrilha ao longo das d\u00e9cadas. Mesmo em idade avan\u00e7ada, Luiz permaneceu participando ativamente da rotina do grupo at\u00e9 os \u00faltimos anos de vida, acompanhando a trajet\u00f3ria da quadrilha desde 1947 at\u00e9 2025, ano em que faleceu.\n\u201cDesde que fa\u00e7o parte da quadrilha, em 1999, seu Lu\u00eds participava de todos os ensaios. Ia para viagens mais pr\u00f3ximas, ajudava os componentes com lanche, passagem. Era uma pessoa maravilhosa\u201d, relembrou Luciano.\nA presen\u00e7a constante fez com que ele se tornasse uma refer\u00eancia para diferentes gera\u00e7\u00f5es de dan\u00e7arinos. Antes da despedida, a quadrilha conseguiu prestar uma homenagem em vida ao criador do grupo. No espet\u00e1culo apresentado em 2024, intitulado \"Jo\u00e3o\", o encerramento trazia a entrada do pr\u00f3prio Luiz em cena.\n\u201cSe voc\u00ea passar um dia em um ensaio da quadrilha e conversar com os componentes, todos v\u00e3o dizer que seu Lu\u00eds era um pai para todos\", comentou.\nLuciano tamb\u00e9m afirmou que em 2026, em mais um ano que a Lageiro Seco disputa as competi\u00e7\u00f5es municipais e estaduais de quadrilhas juninas na Para\u00edba, houve uma homenagem ao criador. Essa homenagem foi executada nas apresenta\u00e7\u00f5es da quadrilha.\nNas apresenta\u00e7\u00f5es estaduais deste ano, inclusive, com as homenagens para Seu Luiz, a quadrilha foi vice colocada, em uma competi\u00e7\u00e3o que reuniu 29 quadrilhas da Para\u00edba que se apresentaram na orla de Jo\u00e3o Pessoa nesta semana. \nNesse cen\u00e1rio, al\u00e9m de preservar uma tradi\u00e7\u00e3o iniciada h\u00e1 78 anos, a Lageiro Seco tamb\u00e9m busca novos passos. Segundo Luciano Dantas, o grupo est\u00e1 pr\u00f3ximo de conquistar a certifica\u00e7\u00e3o de \"Ponto de Cultura\", uma forma de incentivo a entidades dada pelo Minist\u00e9rio da Cultura.\n\u201cHoje estamos pr\u00f3ximos de nos tornar Ponto de Cultura. Falta apenas a oficializa\u00e7\u00e3o, que acreditamos que aconte\u00e7a agora em julho. J\u00e1 conseguimos encaminhar a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e esperamos que esse reconhecimento se concretize\", destacou.\nEnquanto aguarda o reconhecimento, a quadrilha segue cumprindo o papel de manter viva uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais tradicionais da cultura popular paraibana, preservando a hist\u00f3ria iniciada por dois irm\u00e3os e transmitida por gera\u00e7\u00f5es desde 1947.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Lageiro Seco se autoreinvincida a quadrilha junina mais antiga do Brasil<br \/>\nLageiro Seco\/Instagram<br \/>\nEm meio \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es juninas que movimentam a Para\u00edba todos os anos entre junho e julho, uma hist\u00f3ria iniciada h\u00e1 quase 80 anos continua viva nos &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[34],"tags":[35],"class_list":["post-67968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-g1","tag-g1"],"author_meta":{"display_name":"g1 &gt; Para\u00edba","author_link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/author\/g1-paraiba\/"},"featured_img":null,"coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/span>"]},"tags":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/span>"]}},"comment_count":"0","relative_dates":{"created":"Publicado 13 horas atr\u00e1s","modified":"Atualizado 13 horas atr\u00e1s"},"absolute_dates":{"created":"Publicado em 23 de junho de 2026","modified":"Atualizado em 23 de junho de 2026"},"absolute_dates_time":{"created":"Publicado em 23 de junho de 2026 19:34","modified":"Atualizado em 23 de junho de 2026 19:34"},"featured_img_caption":"","series_order":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67968"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67968\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67969,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67968\/revisions\/67969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}