{"id":66433,"date":"2026-05-25T05:03:59","date_gmt":"2026-05-25T08:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2026\/05\/25\/a-disparada-do-custo-de-vida-e-dos-imoveis-em-joao-pessoa-com-chegada-de-jovens-que-buscam-desacelerar-e-investir.ghtml"},"modified":"2026-05-25T05:03:59","modified_gmt":"2026-05-25T08:03:59","slug":"a-disparada-do-custo-de-vida-e-dos-imoveis-em-joao-pessoa-com-chegada-de-jovens-que-buscam-desacelerar-e-investir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2026\/05\/25\/a-disparada-do-custo-de-vida-e-dos-imoveis-em-joao-pessoa-com-chegada-de-jovens-que-buscam-desacelerar-e-investir\/","title":{"rendered":"A disparada do custo de vida e dos im\u00f3veis em Jo\u00e3o Pessoa com chegada de jovens que buscam &#8216;desacelerar&#8217; e &#8216;investir&#8217;"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2-g1.glbimg.com\/0uvi3y9yv4ZjmTdhcWNnK8NN-WY=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2026\/E\/6\/TJ9CqwSzS0qxyAjiyhkA\/ce548e60-3e80-11f1-bd52-e755d604ece4.jpg.webp\" \/><br \/>     Disparada do custo de vida e dos im\u00f3veis em Jo\u00e3o Pessoa com chegada de jovens\nCACIO MURILO\/MTUR\nCusto de vida baixo, ruas pouco movimentadas e praias com pouqu\u00edssimos turistas. Era assim que as pessoas encontravam a cidade de Jo\u00e3o Pessoa, capital da Para\u00edba, quatro anos atr\u00e1s, quando a publicit\u00e1ria Rebeca Cirino, de 39 anos, se mudou de volta para l\u00e1.\n\ud83d\uddd2\ufe0fTem alguma sugest\u00e3o de reportagem? Mande para o g1\nEla e o marido escolheram a cidade para fugir de S\u00e3o Paulo em busca de uma rotina em que pudessem \"desacelerar\" e tentar dar melhor qualidade de vida \u00e0 filha. \nA paraibana conta que percebeu o desenvolvimento da capital, se comparada h\u00e1 quinze anos, quando deixou a cidade. Por\u00e9m, percebeu que o custo de vida aumentou, especialmente de dois anos para c\u00e1.\n\"Quando eu morei aqui, em 2010, era outra realidade. Hoje, a gente sente diferen\u00e7a em tudo, principalmente nos pre\u00e7os\", diz Rebeca.\n\"Em 2022, o coco era R$ 2. Agora j\u00e1 voc\u00ea j\u00e1 encontra por R$ 6 e at\u00e9 R$7\".\nGuia do empreendedor: Renda extra vs neg\u00f3cio principal\nSeu marido, o advogado Ezequiel Ribeiro, de 35 anos, tamb\u00e9m cita aumento em despesas b\u00e1sicas, como mercado e restaurantes, o que, segundo ele, afeta diretamente o dia a dia.\nEles tamb\u00e9m sentiram esse impacto ao buscar um novo lugar para morar. O pre\u00e7o m\u00e9dio do metro quadrado praticamente dobrou em poucos anos: de R$ 4,5 mil, em 2019, para R$ 8 mil em 2026, segundo o \u00edndice FipeZap. \n\"Os pre\u00e7os eram bem mais acess\u00edveis quando chegamos. Hoje, subiram muito, tanto para compra quanto para aluguel\", diz Ezequiel.\nA rotina do casal tamb\u00e9m mudou. \"Um trajeto de carro de cinco minutos pode levar meia hora no hor\u00e1rio de pico\", diz Rebeca. \nRebeca e Ezequiel trocaram S\u00e3o Paulo por Jo\u00e3o Pessoa para 'desacelerar'\nARQUIVO PESSOAL via BBC\nPara Ezequiel, o tr\u00e2nsito mais intenso est\u00e1 ligado ao crescimento recente, especialmente em bairros como o Bessa, zona Norte da cidade, onde o casal vive. \n\"\u00c9 um dos bairros que est\u00e1 sendo mais ocupado nesses \u00faltimos anos. E, a depender do hor\u00e1rio em que voc\u00ea sai de casa, voc\u00ea pega um tr\u00e2nsito consider\u00e1vel.\"\nO avan\u00e7o populacional ajuda a explicar as transforma\u00e7\u00f5es. Dados do \u00faltimo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostram que Jo\u00e3o Pessoa foi a quinta capital que mais ganha habitantes no pa\u00eds. \nCom uma taxa de crescimento de 1,19% ao ano, a capital paraibana s\u00f3 ficou atr\u00e1s de Boa Vista (RR), Palmas (TO), Florian\u00f3polis (SC) e Cuiab\u00e1 (MT) no levantamento. \nIsso representou um acr\u00e9scimo de 110 mil novos moradores em 12 anos, o que posiciona a cidade como um dos principais polos de atra\u00e7\u00e3o populacional do pa\u00eds hoje. Atualmente, Jo\u00e3o Pessoa tem 833.932 habitantes, segundo o c\u00e1lculo mais atual IBGE.\nAs mudan\u00e7as na rotina da capital\nAs mudan\u00e7as recentes em Jo\u00e3o Pessoa tamb\u00e9m s\u00e3o percebidas por quem acompanha a cidade h\u00e1 mais tempo. \nMorador h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, o ambientalista Marco T\u00falio Gusm\u00e3o, de 58 anos, afirma que o crescimento urbano trouxe uma nova din\u00e2mica para a vida na cidade.\nSegundo ele, a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria tem sido um dos principais vetores dessas transforma\u00e7\u00f5es. \nA capital paraibana registrou a segunda maior valoriza\u00e7\u00e3o entre todas as capitais do pa\u00eds, com uma alta de 15,15%, \u00edndice superado apenas por Salvador (16,25%) e ficando \u00e0 frente de mercados tradicionais como Vit\u00f3ria e S\u00e3o Paulo. Foi a maior alta anual da hist\u00f3ria de Jo\u00e3o Pessoa desde que a cidade come\u00e7ou a ser monitorada pelo \u00cdndice FipeZAP.\n\"Esse aumento acaba impactando o custo de vida de forma geral, refletindo em servi\u00e7os, lazer e consumo cotidiano\", diz Marco T\u00falio.\nSegundo Marco Tulio, a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 um dos principais fatores para o aumento do custo de vida em Jo\u00e3o Pessoa\nARQUIVO PESSOAL via BBC\nMarco T\u00falio diz que o aumento da popula\u00e7\u00e3o, acompanhado pelo crescimento urbano acelerado, ocorre especialmente em \u00e1reas pr\u00f3ximas ao litoral. Esse movimento, segundo ele, tamb\u00e9m alimenta discuss\u00f5es sobre gentrifica\u00e7\u00e3o. \nO aumento pela procura por im\u00f3veis eleva seu pre\u00e7o, e, com isso, cresce o risco de fazer com que as pessoas que vivem nestas \u00e1reas h\u00e1 mais tempo tenham que se mudar para regi\u00f5es mais afastadas porque n\u00e3o conseguem pagar os novos pre\u00e7os.\nO ambientalista tamb\u00e9m nota um aumento na circula\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es litor\u00e2neas, impulsionado pelo turismo e pela chegada de novos moradores, principalmente ap\u00f3s a pandemia. As praias, por exemplo, passaram a ficar mais cheias.\nEsse movimento ocorre em paralelo ao crescimento da frota de ve\u00edculos. Dados da Secretaria Nacional de Tr\u00e2nsito (Senatran) mostram que o n\u00famero de autom\u00f3veis na capital passou de 474 mil, em 2024, para mais de 501 mil em 2026. \nO aumento reflete o adensamento urbano e impacta diretamente o tempo de deslocamento entre bairros, como mencionado por moradores da capital paraibana ouvidos pela reportagem.\nApesar das mudan\u00e7as, Marco T\u00falio afirma que a cidade ainda mant\u00e9m caracter\u00edsticas que levam pessoas a se mudar para Jo\u00e3o Pessoa, como a busca por maior contato com a natureza e por uma maior qualidade de vida. \nPara ele, o desafio est\u00e1 em fazer com que esse crescimento ocorra de forma planejada e organizada.\n'Est\u00e3o criando uma cidade para o mercado imobili\u00e1rio'\nO crescimento recente de Jo\u00e3o Pessoa tem sido guiado, segundo especialistas, por decis\u00f5es de planejamento urbano que influenciam diretamente a forma como a cidade se expande. \nPara o ge\u00f3grafo Alexandre Sabino do Nascimento, professor da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), n\u00e3o se trata de um avan\u00e7o desordenado, mas segue um modelo que est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria e imobili\u00e1ria. \n\"N\u00e3o podemos dizer que a cidade est\u00e1 sem planejamento. O que temos \u00e9 um planejamento que atende a determinados interesses\", diz Nascimento.\nA expans\u00e3o da cidade ocorre em fun\u00e7\u00e3o do mercado, influenciando como s\u00e3o feitos investimentos p\u00fablicos, sobretudo em infraestrutura vi\u00e1ria. \n\"H\u00e1 uma simbiose entre a abertura de grandes vias e a cria\u00e7\u00e3o de oportunidades para o investimento imobili\u00e1rio\", diz o professor.\nSegundo ele, mudan\u00e7as no Plano Diretor reduziram instrumentos de participa\u00e7\u00e3o popular, como audi\u00eancias p\u00fablicas e conselhos urbanos. Com isso, as decis\u00f5es sobre o uso da \u00e1rea urbana passaram a ter menor participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. \n\"Quem vive aqui est\u00e1 acompanhando o planejamento urbano da cidade?\", questiona o pesquisador ao apontar o distanciamento entre as decis\u00f5es e o cotidiano dos moradores.\nIsso tem produzido impactos diretos no acesso \u00e0 moradia em Jo\u00e3o Pessoa. O pesquisador cita um d\u00e9ficit habitacional de cerca de 50 mil domic\u00edlios na capital, com muitas fam\u00edlias comprometendo mais de 30% da renda com aluguel. \nAl\u00e9m disso, mudan\u00e7as nas regras para zonas de interesse social e ambiental favorece a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas antes protegidas. Para Nascimento, esse modelo de crescimento aprofunda desigualdades: \"Est\u00e3o criando uma cidade para o mercado imobili\u00e1rio\".\nEle destaca que, enquanto isso, existem milhares de lotes vazios em \u00e1reas com infraestrutura urbana, que poderiam ser utilizados para habita\u00e7\u00e3o social. \nDe acordo com o pesquisador, as incorporadoras t\u00eam ampliado a compra de terrenos para forma\u00e7\u00e3o de \"bancos de terra\" para empreendimentos futuros, o que reduz a oferta dispon\u00edvel e contribui para a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. \n\"Isso gera alta concentra\u00e7\u00e3o de terrenos e escassez no mercado, o que encarece a cidade como um todo\", afirma Nascimento.\nA atua\u00e7\u00e3o das incorporadoras tem inclusive mudado o perfil de regi\u00f5es da cidade, diz Nascimento: \"O que temos agora \u00e9 uma reestrutura\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de alguns bairros\".\nA Prefeitura afirma que o crescimento exige adapta\u00e7\u00e3o da infraestrutura e diz que tem investido em mobilidade para acompanhar a expans\u00e3o. \nSegundo a gest\u00e3o, em nota enviada \u00e0 reportagem, obras como o Complexo Vi\u00e1rio Beira Rio e novos corredores de transporte coletivo buscam melhorar a fluidez e preparar a cidade para o aumento da demanda. A administra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m destaca projetos voltados \u00e0 integra\u00e7\u00e3o vi\u00e1ria e ao turismo.\nA BBC News Brasil tamb\u00e9m voltou a procurar a Prefeitura para questionar sobre as alega\u00e7\u00f5es de que a expans\u00e3o da capital estaria organizada em fun\u00e7\u00e3o do interesse imobili\u00e1rio, mas a administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o respondeu a esse questionamento da reportagem.\nOrla concentra maior valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria\nA valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria em Jo\u00e3o Pessoa se concentra, sobretudo, nos bairros da orla, onde a combina\u00e7\u00e3o entre turismo, novos moradores e investimentos tem redesenhado o mercado local. \nO corretor Caio C\u00e9sar de Queiroz Ferreira, que trabalha com im\u00f3veis de luxo h\u00e1 15 anos na capital paraibana, diz que o movimento \u00e9 puxado pela localiza\u00e7\u00e3o e perfil dos novos empreendimentos e tamb\u00e9m pelo tipo de p\u00fablico que a cidade passou a atrair nos \u00faltimos anos.\nJo\u00e3o Pessoa costumava receber muitos aposentados em busca de qualidade de vida, mas passou a atrair tamb\u00e9 profissionais de outras regi\u00f5es, muitos com maior poder de compra e trabalho remoto. \n\"Existe uma presen\u00e7a forte de aposentados, mas o que chama mais aten\u00e7\u00e3o ultimamente \u00e9 a vinda de um p\u00fablico mais jovem e economicamente ativo, que enxerga Jo\u00e3o Pessoa n\u00e3o s\u00f3 como destino de descanso, mas como lugar para viver e investir\", diz Ferreira.\nEsse p\u00fablico, aliado ao aumento dos custos da constru\u00e7\u00e3o civil, contribui para elevar o padr\u00e3o \u2014 e o pre\u00e7o \u2014 dos empreendimentos. \nOs n\u00fameros do mercado ilustram essa tend\u00eancia. Em mar\u00e7o, enquanto a m\u00e9dia do metro quadrado em Jo\u00e3o Pessoa chegou a R$ 8 mil, em Cabo Branco, um dos bairros mais valorizados, o valor atingiu R$ 12,3 mil, uma alta de 10,4% em 12 meses.\n\"Os bairros de alta renda hoje est\u00e3o concentrados principalmente na orla. Cabo Branco e Tamba\u00fa s\u00e3o regi\u00f5es mais consolidadas, com alta procura pelo turismo, enquanto o Altiplano se destaca como polo de alto padr\u00e3o\", afirma Ferreira.\n\"Jardim Oceania, no Bessa, tem ganhado espa\u00e7o com produtos mais novos e infraestrutura urbana, e algumas regi\u00f5es de Mana\u00edra pr\u00f3ximas ao mar tamb\u00e9m concentram im\u00f3veis de padr\u00e3o elevado\". \nPara Rebeca, a mudan\u00e7a ficou evidente na tentativa de comprar um im\u00f3vel. Ao comparar com o per\u00edodo em que j\u00e1 havia morado na capital, ela relata, al\u00e9m do aumento generalizado dos pre\u00e7os, uma dificuldade maior nas negocia\u00e7\u00f5es por conta da maior procura. \nEm uma das propostas, ela conta, o propriet\u00e1rio se recusou a reduzir o valor pedido mesmo diante de uma oferta pr\u00f3xima. Em outro caso, soube que o im\u00f3vel permaneceria fechado \u00e0 espera de valoriza\u00e7\u00e3o.\nEsse tipo de comportamento, segundo Ferreira, est\u00e1 ligado ao aumento da demanda. \"O crescimento populacional acontece mais r\u00e1pido do que a entrega de novos im\u00f3veis no curto prazo\", afirma o corretor. \nValoriza\u00e7\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa se concentra, sobretudo, em bairros da orla\nGETTY IMAGES via BBC\nA chegada de novos moradores tem pressionado tanto o mercado de compra quanto o de loca\u00e7\u00e3o.\nNa pr\u00e1tica, isso se traduz em reajustes expressivos, principalmente nas \u00e1reas mais valorizadas. O corretor aponta que, em alguns bairros da orla, os alugu\u00e9is j\u00e1 acumulam altas entre 20% e 30% nos \u00faltimos anos. \nO resultado \u00e9 um mercado mais competitivo, em que im\u00f3veis passam a ser tratados tamb\u00e9m como ativos financeiros, com impacto direto no custo de vida de quem j\u00e1 mora na cidade. \n\"A cidade est\u00e1 em um momento muito bom, com crescimento urbano e valoriza\u00e7\u00e3o constante, mas pontos como mobilidade urbana, infraestrutura e servi\u00e7os precisam evoluir junto com esse aumento populacional\", acrescenta o corretor.\nEsgoto, polui\u00e7\u00e3o e os limites do crescimento\nO avan\u00e7o urbano de Jo\u00e3o Pessoa tamb\u00e9m exp\u00f5e fragilidades na infraestrutura b\u00e1sica, especialmente no saneamento. \nDados do Instituto Trata Brasil indicam que 72,36% do esgoto da cidade \u00e9 coletado e encaminhado para esta\u00e7\u00f5es de tratamento, enquanto o restante ainda tem destino incerto, podendo ir de fossas s\u00e9pticas a liga\u00e7\u00f5es clandestinas e descarte direto em rios que des\u00e1guam no mar, explicam especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.\nSegundo o pesquisador Jo\u00e1cio Morais J\u00fanior, coordenador do laborat\u00f3rio de pesquisa em Sistemas Ambientais Urbanos da UFPB, o ritmo de expans\u00e3o da cidade n\u00e3o foi acompanhado pela rede de esgotamento. \n\"O crescimento urbano acelerado, especialmente com a verticaliza\u00e7\u00e3o na orla e a expans\u00e3o para outras zonas, gera uma press\u00e3o sem precedentes, pois a infraestrutura de coleta n\u00e3o acompanhou esse avan\u00e7o\", afirma J\u00fanior, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente do Instituto ARBOR.\nNa pr\u00e1tica, isso pode levar ao transbordamento de tubula\u00e7\u00f5es e ao escoamento irregular para galerias pluviais, atingindo rios e praias.\nEsse cen\u00e1rio tem impacto direto no meio ambiente e na pr\u00f3pria economia local. O lan\u00e7amento de esgoto favorece a prolifera\u00e7\u00e3o de algas, reduz o oxig\u00eanio da \u00e1gua e pode comprometer ecossistemas como recifes de coral e manguezais. \n\"H\u00e1 risco real de danos irrevers\u00edveis. Esses sistemas t\u00eam um ponto de n\u00e3o retorno\", diz o pesquisador. A consequ\u00eancia, segundo ele, vai al\u00e9m da degrada\u00e7\u00e3o ambiental e pode afetar atividades como a pesca e o turismo.\nOutro ponto levantado \u00e9 a diverg\u00eancia nos dados oficiais. Enquanto levantamentos nacionais apontam \u00edndices mais baixos de cobertura, relat\u00f3rios da Companhia de \u00c1gua e Esgotos da Para\u00edba (Cagepa) indicam percentuais mais elevados. \nA diferen\u00e7a, explica Morais, est\u00e1 na metodologia: parte dos dados considera apenas \u00e1reas formalmente atendidas, enquanto outros incluem regi\u00f5es perif\u00e9ricas ainda sem cobertura plena. \n\"A solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para o saneamento \u00e9, portanto, uma medida de sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica e econ\u00f4mica para a capital\", afirma o pesquisador.\nDiante desse cen\u00e1rio, especialistas defendem mais transpar\u00eancia e monitoramento cont\u00ednuo. Entre as medidas apontadas est\u00e3o a fiscaliza\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00f5es clandestinas, amplia\u00e7\u00e3o da rede de coleta, instala\u00e7\u00e3o de sensores de qualidade da \u00e1gua e uso de solu\u00e7\u00f5es alternativas de tratamento em \u00e1reas n\u00e3o atendidas. \nTamb\u00e9m \u00e9 citado o papel do planejamento urbano, com revis\u00e3o de par\u00e2metros de ocupa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ambientais sens\u00edveis.\nA reportagem procurou a Cagepa, respons\u00e1vel pela coleta de esgoto na regi\u00e3o, mas n\u00e3o obteve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o deste texto. \n\"Para equilibrar o crescimento acelerado de Jo\u00e3o Pessoa com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e a viabilidade do turismo, as a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico precisam atacar tanto a infraestrutura invis\u00edvel (saneamento) quanto o planejamento vis\u00edvel (uso do solo)\", diz J\u00fanior.\nBaixe o GloboPop para assistir a v\u00eddeos curtos verticais da Globo  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Disparada do custo de vida e dos im\u00f3veis em Jo\u00e3o Pessoa com chegada de jovens<br \/>\nCACIO MURILO\/MTUR<br \/>\nCusto de vida baixo, ruas pouco movimentadas e praias com pouqu\u00edssimos turistas. 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