{"id":5456,"date":"2022-10-23T07:47:21","date_gmt":"2022-10-23T10:47:21","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2022\/10\/23\/biologa-descobre-cancer-de-mama-durante-a-gravidez-se-nao-fosse-a-gestacao-talvez-eu-tivesse-descoberto-tarde-demais.ghtml"},"modified":"2022-10-23T07:47:21","modified_gmt":"2022-10-23T10:47:21","slug":"biologa-descobre-cancer-de-mama-durante-a-gravidez-se-nao-fosse-a-gestacao-talvez-eu-tivesse-descoberto-tarde-demais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2022\/10\/23\/biologa-descobre-cancer-de-mama-durante-a-gravidez-se-nao-fosse-a-gestacao-talvez-eu-tivesse-descoberto-tarde-demais\/","title":{"rendered":"Bi\u00f3loga descobre c\u00e2ncer de mama durante a gravidez: \u2018se n\u00e3o fosse a gesta\u00e7\u00e3o, talvez eu tivesse descoberto tarde demais\u2019"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/9XPyYrz9bKYbzTQtYsWNGhI1_BQ=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/q\/S\/6xsZEKQZq9OODuy5uVBA\/vanessa-de-lima-serafim.jpeg\" \/><br \/>   Mesmo sendo diagnosticada durante a gravidez, tratamento n\u00e3o foi afetado e nem a sa\u00fade do beb\u00ea. Mastologista alerta sobre preven\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de mama. Vanessa de Lima viveu a gesta\u00e7\u00e3o e o tratamento de c\u00e2ncer ao mesmo tempo.\nLuciana Morais Vicco\nSem planos concretos de ser m\u00e3e, a paraibana Vanessa de Lima descobriu que estava gr\u00e1vida em 2018, no seu segundo ano de doutorado em farmacoqu\u00edmica pela Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB). Apesar da ansiedade do inesperado, ela procurou um consult\u00f3rio m\u00e9dico preocupada em saber se o beb\u00ea estava bem. Naquele momento, sua inten\u00e7\u00e3o era  ouvir o cora\u00e7\u00e3o do seu filho, mas para sua surpresa, o que descobriu l\u00e1 foi uma les\u00e3o que indicava um tumor maligno na mama direita.\n\u201cFui escutar o cora\u00e7\u00e3o do beb\u00ea e sa\u00ed com um diagn\u00f3stico de BIRADS 6, uma les\u00e3o  bem caracter\u00edstica de tumor maligno\u201d, relembra Vanessa. Na \u00e9poca, ela estava com um 'doutorado sandu\u00edche' pr\u00e9-aprovado na Espanha. Al\u00e9m disso, nem sonhava que podia engravidar, pois suspeitava ter endometriose. \u201cTive apenas uma rela\u00e7\u00e3o desprotegida  e aconteceu. S\u00f3 fiz o ultrassom das mamas por conta da coincid\u00eancia de estar na mesma guia do plano de sa\u00fade. Se n\u00e3o fosse a gesta\u00e7\u00e3o, talvez eu tivesse descoberto o c\u00e2ncer tarde demais\u201d, afirma a bi\u00f3loga. \nVanessa aguardou as 16 semanas de gesta\u00e7\u00e3o para come\u00e7ar o tratamento.\nLuciana Morais Vicco\nDepois dessa not\u00edcia terr\u00edvel, ainda no consult\u00f3rio, ela pode ouvir o cora\u00e7\u00e3o do seu filho batendo forte. \u201cEle estava muito bem, mesmo com apenas seis semanas de vida. Ele j\u00e1 havia realizado um milagre. Salvou minha vida e come\u00e7ou  a me dar for\u00e7as para lutar pela vida dele e pela minha\u201d, diz Vanessa. \nLogo em seguida, ela realizou uma bi\u00f3psia e confirmou o temido: \u201ccarcinoma ductal invasivo na mama direita e, posteriormente com outra bi\u00f3psia, a met\u00e1stase nos linfonodos axilares direito tamb\u00e9m. Meu mundo desabou. Chorei horrores, pensava que iria morrer, que n\u00e3o teria mais jeito\u201d, fala Vanessa, que possui na fam\u00edlia hist\u00f3rico de c\u00e2ncer de mama.\nA interrup\u00e7\u00e3o da gravidez lhe foi sugerida por alguns profissionais da sa\u00fade. Mas seu tratamento n\u00e3o foi afetado pela gravidez, nem a sa\u00fade do beb\u00ea pelo tratamento. Assim, ela esperou chegar em 16 semanas de gesta\u00e7\u00e3o antes de dar in\u00edcio \u00e0s quimioterapias.  Al\u00e9m disso, optou por n\u00e3o fazer a cirurgia imediatamente, pois a anestesia poderia ser prejudicial para o beb\u00ea. Nem a doen\u00e7a,  nem o tratamento afetaram a gesta\u00e7\u00e3o de Vanessa.\nVanessa em sua primeira sess\u00e3o de quimioterapia.\nArquivo pessoal\n\u201cMe sentia muitas vezes culpada pelo fato de estar doente. Mas nunca desisti de n\u00f3s.\u201d\nAos poucos, tudo foi se reequilibrando. Com 18 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, Vanessa come\u00e7ou a quimioterapia.  Ao todo, foram 16 quimioterapias: 12 brancas e quatro vermelhas, que a fez perder os cabelos.  \u201cEu fui em dois oncologistas para ter certeza se o protocolo seria seguro para o desenvolvimento do beb\u00ea. Os dois me garantiram que n\u00e3o teria problema algum. Achei muitos artigos explicando que os quimioter\u00e1picos para aquele protocolo de tratamento n\u00e3o atravessariam a barreira placent\u00e1ria. A placenta protegia o beb\u00ea de tudo\u201d, explica Vanessa de Lima.\nAo fim do tratamento, Vanessa  ainda seguia esperando a chegada de Pedro Emanuel.\nArquivo pessoal\nAo fim do tratamento, em dezembro de 2018, Vanessa  ainda seguia esperando a chegada de Pedro Emanuel.  \u201cComo ele estava gostando muito do conforto do \u00fatero e eu n\u00e3o podia mais perder tempo, em janeiro de 2019 fui para indu\u00e7\u00e3o de parto. Meu sonho e minha vontade  era ter um parto normal humanizado, mas infelizmente por  conta de uma despropor\u00e7\u00e3o cefalop\u00e9lvica fui direcionada para ces\u00e1rea intraparto\u201d. Pedro Emanuel nasceu bem e saud\u00e1vel \u00e0s 00h05h de 07 de janeiro de 2019.\nAo g1, Vanessa de Lima enviou um v\u00eddeo que mostra a sua trajet\u00f3ria sobre gestar e tratar o c\u00e2ncer de mama ao mesmo tempo (veja abaixo). \nBi\u00f3loga descobre c\u00e2ncer de mama durante a gravidez\nEm um primeiro momento, Vanessa se frustrou por achar que n\u00e3o conseguiria amamentar o seu filho. Ela teve que fazer amamenta\u00e7\u00e3o mista. \u201cFui e comprei mamadeiras,mas aos poucos tudo foi se ajustando  e eu fui liberada para amamentar nas primeiras horas de vida dele. Terminou que eu fui audaciosa e aumentei at\u00e9 ele completar  6 meses de vida.  Apesar de ter que introduzir a f\u00f3rmula, nunca quis deixar de amamentar, s\u00f3 parei mesmo porque deveria recome\u00e7ar o tratamento que dura cerca de 5 a 10 anos por se tratar de um c\u00e2ncer com receptores hormonais\u201d, conta. \nVanessa amamentando seu filho Pedro Emanuel.\nArquivo pessoal\nAp\u00f3s o parto, Vanessa retornou aos exames de controle que n\u00e3o podia fazer durante a gesta\u00e7\u00e3o. Confirmou que n\u00e3o tinha mais met\u00e1stases em local algum e que o c\u00e2ncer  continuava  apenas localizado na mama direita e linfonodos da axila. Ent\u00e3o, em mar\u00e7o de 2019, ela fez a mastectomia total com reconstru\u00e7\u00e3o imediata. \u201cO mais dif\u00edcil foi lidar com a perda da for\u00e7a do bra\u00e7o e n\u00e3o  poder ter mantido a aur\u00e9ola da mama\u201d, relata.\n\u201cDepois de tudo isso, ainda fiz 28 sess\u00f5es de radioterapia. Finalizei a parte mais dif\u00edcil de todo esse processo. Mesmo assim, s\u00e3o de 5 a 10 anos de acompanhamento que, aqui e acol\u00e1, tiram um pouco o sossego. Mas \u00e9 isso. Estou viva e sigo vivendo um dia de cada vez\u201d,diz Vanessa.\nHoje, Vanessa est\u00e1 gr\u00e1vida de seu segundo filho. Para ela, isso \u00e9 uma alegria ainda maior por saber que o tratamento a poderia ter deixado inf\u00e9rtil. \u201cHoje estamos com 19 semanas e um menininho vem pra fazer companhia para irm\u00e3o. Gratid\u00e3o a Deus por tudo. At\u00e9 aqui ele tem me sustentado. Tamb\u00e9m uma imensa gratid\u00e3o ao meu esposo e principalmente minha m\u00e3e que nunca soltou minha m\u00e3o. E a todos os profissionais de sa\u00fade que me ajudaram nesse longo processo que foi tratar o c\u00e2ncer de mama durante uma gesta\u00e7\u00e3o\u201d, declara.\nC\u00e2ncer de mama\nA mastologista  Lise Reis Melo, que trabalha no  Hospital Universit\u00e1rio Lauro Wanderley ( HULW\/UFPB),  explica que n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica causa para o c\u00e2ncer de mama. \nLise Reis \u00e9 membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia\nArquivo pessoal\n\u201cDiversos fatores est\u00e3o associados ao desenvolvimento do c\u00e2ncer de mama. Dentre eles, temos os fatores ambientais e comportamentais, como a obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de bebida alco\u00f3lica. Tamb\u00e9m os relacionados \u00e0 hist\u00f3ria reprodutiva e hormonal das mulheres, como a menarca precoce, menopausa tardia e os fatores ligados \u00e0 hist\u00f3ria familiar, por exemplo, muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas heredit\u00e1rias, casos de c\u00e2ncer de mama e\/ou ov\u00e1rio na fam\u00edlia\u201d, afirma a m\u00e9dica especialista\nSegundo a mastologista, \u00e9 importante ressaltar que a maioria dos casos de c\u00e2ncer de mama ocorre de forma espor\u00e1dica, e apenas cerca de 10% a 15% ocorrem por uma altera\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria, ou seja, aquele que pode ser transmitido de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.\nO c\u00e2ncer de mama \u00e9 o tipo mais frequente nas mulheres em todas as regi\u00f5es do Brasil, excluindo-se os casos de c\u00e2ncer de pele n\u00e3o melanoma. De acordo com a especialista, um ponto importante para reduzir os riscos de desenvolver a doen\u00e7a, \u00e9 a modifica\u00e7\u00e3o no estilo de vida. \u201cA pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica regular, manter uma dieta saud\u00e1vel, controlar o peso e a amamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores associados \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do risco para c\u00e2ncer de mama. Por outro lado, \u00e9 importante destacar que a obesidade na p\u00f3s-menopausa, o consumo excessivo de \u00e1lcool e o tabagismo podem elevar esse risco\u201d, alerta Lise Reis.\n*Sob supervis\u00e3o de Jhonathan Oliveira \nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>      Mesmo sendo diagnosticada durante a gravidez, tratamento n\u00e3o foi afetado e nem a sa\u00fade do beb\u00ea. Mastologista alerta sobre preven\u00e7\u00e3o ao c\u00e2ncer de mama. 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