{"id":4190,"date":"2022-10-01T12:08:38","date_gmt":"2022-10-01T15:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2022\/10\/01\/cozinha-alternativa-faz-versoes-veganas-de-comidas-tipicas-do-sertao-da-pb-trazer-o-veganismo-para-nossa-vivencia.ghtml"},"modified":"2022-10-01T12:08:38","modified_gmt":"2022-10-01T15:08:38","slug":"cozinha-alternativa-faz-versoes-veganas-de-comidas-tipicas-do-sertao-da-pb-trazer-o-veganismo-para-nossa-vivencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2022\/10\/01\/cozinha-alternativa-faz-versoes-veganas-de-comidas-tipicas-do-sertao-da-pb-trazer-o-veganismo-para-nossa-vivencia\/","title":{"rendered":"Cozinha alternativa faz \u2018vers\u00f5es\u2019 veganas de comidas t\u00edpicas do Sert\u00e3o da PB: \u2018trazer o veganismo para nossa viv\u00eancia\u2019"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/xyw1UZrc55SUiKGxhVU2wE59e4M=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2022\/q\/N\/BwI0dKTkGv5GEwNopRgQ\/cuscuz-vegano.jpeg\" \/><br \/>   Ideia \u00e9 desmistificar  a ideia de que o consumo da carne animal \u00e9 necess\u00e1rio na culin\u00e1ria sertaneja.  Farofa de cuscuz vegana por Yuri Alisson, 'Curcum\u00e3 da terra'.\nCurcum\u00e3 da terra\nA demanda por alimentos e produtos veganos cresceu em toda a Para\u00edba nos \u00faltimos anos. Em Cajazeiras, no Sert\u00e3o, a cozinha alternativa \u2018Curcum\u00e3 da Terra\u2019, de Yuri Alisson, faz \u2018vers\u00f5es\u2019 veganas de v\u00e1rias comidas que s\u00e3o tradicionais na regi\u00e3o. O objetivo \u00e9 demonstrar que \u00e9 poss\u00edvel ser vegano no Sert\u00e3o da Para\u00edba e desmistificar a ideia de que o consumo da carne animal \u00e9 necess\u00e1rio na culin\u00e1ria sertaneja. \nComidas que levam pequi, cuscuz, bai\u00e3o, doces (como o de licuri, cumaru e gergelim) s\u00e3o algumas das receitas adaptadas por Curcum\u00e3 da Terra.  \u201cEu falo que minha alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 sertaneja, pois tento trazer o veganismo para dentro da nossa viv\u00eancia, focando assim principalmente em jamais deixar morrer a nossa tradi\u00e7\u00e3o, a nossa cultura e os nossos frutos\u201d, diz Yuri Alisson, estudante de nutri\u00e7\u00e3o.\nBai\u00e3o vegano por Curcum\u00e3 da Terra.\nCurcum\u00e3 da Terra\nA necessidade de trabalhar com a pr\u00f3pria culin\u00e1ria do Sert\u00e3o surgiu em 2018, quando Yuri deu in\u00edcio a jornada de conhecer v\u00e1rios lugares do Brasil. \u201cNisso percorri o nordeste todo e principalmente o Sert\u00e3o. A partir da\u00ed eu percebi que o nosso Sert\u00e3o \u00e9 cheio de coisas incr\u00edveis e que raramente chegam \u00e0s g\u00f4ndolas de supermercado. Ou seja, temos que ir atr\u00e1s de pequenos agricultores\u201d, explica Yuri.\n\u201cA partir disso reconhecemos a import\u00e2ncia de buscar esses alimentos e encontramos diversas coisas na nossa regi\u00e3o. S\u00e3o exemplos deles: o licuri, bacuri, pequi, jatob\u00e1, murici, palma, mandacaru, caju, ju\u00e7ara, caju, cagaita, ara\u00e7\u00e1 e por a\u00ed vai\u201d, diz Yuri. \nPara pensar: quantas pessoas nunca tiveram acesso \u00e0 castanha do Par\u00e1, mas dentro do seu quintal, na ro\u00e7a, tem acesso ao licuri?\nO veganismo e vegetarianismo vem crescendo na regi\u00e3o do Sert\u00e3o da Para\u00edba, afirma Yuri Alisson. \u201cA visibilidade est\u00e1 cada vez maior, as possibilidades est\u00e3o cada vez mais presentes. Por isso temos tido todo esse acesso, que \u00e9 extremamente fundamental para que tenhamos cada vez mais consci\u00eancia alimentar, tanto para o nosso bem estar, como para o contexto social, econ\u00f4mico e sustent\u00e1vel do nosso planeta\u201d, diz o estudante.\nDoce vegano por Curcum\u00e3 da terra.\nCurcum\u00e3 da terra.\nPara ele, \u00e9 totalmente poss\u00edvel ser vegano no Sert\u00e3o da Para\u00edba, \u201cprincipalmente se houvesse um sistema de conscientiza\u00e7\u00e3o alimentar maior, de educa\u00e7\u00e3o alimentar, essa realidade poderia ser mais visivelmente poss\u00edvel para n\u00f3s\u201d, afirma. \nRela\u00e7\u00e3o com veganismo e surgimento da cozinha alternativa\nA rela\u00e7\u00e3o de Yuri com o veganismo vem de longa data. Aos doze anos de idade ele j\u00e1 levantava questionamentos sobre como funciona o processo de industrializa\u00e7\u00e3o e venda da carne, \u201ccom isso eu tomei uma decis\u00e3o, faz 13 anos que n\u00e3o consumo mais carne, e desde ent\u00e3o tudo na minha vida vem mudando\u201d. \nYuri Alisson \u00e9 estudante de nutri\u00e7\u00e3o e respons\u00e1vel pela iniciativa \u2018Curcum\u00e3 da terra\u2019.\nArquivo pessoal\n\u201cDesde o momento que eu comecei a ter o m\u00ednimo de consci\u00eancia alimentar, digo, saber o que estava ingerindo, e o que de fato \u00e9 importante para se manter dentro de uma alimenta\u00e7\u00e3o balanceada, eu comecei a buscar ter mais autonomia alimentar\u201d, diz o estudante de nutri\u00e7\u00e3o. \nFoi esses questionamentos sobre sua rela\u00e7\u00e3o com a comida que foi o aproximando da cozinha e que culminou no seu projeto atual. \u201cAos poucos comecei a cozinhar para pessoas ao meu redor, com esse processo fui divulgando o que eu fazia, criando minhas receitas e fui tendo um retorno bem significativo, o que me fez querer ir al\u00e9m nesse mundo de explora\u00e7\u00e3o de alimentos, ingredientes, cultura e hist\u00f3ria\u201d, explica Yuri.\nNesse processo de aventurar-se na cozinha, Yuri Alisson conheceu a planta c\u00farcuma. \u201cAtrav\u00e9s dela percebi que os ingredientes tem um trilh\u00e3o de propriedades que podem mudar a nossa vida, e por isso o nome C\u00farcuma da Terra surgiu, com o intuito de focar n\u00e3o s\u00f3 na alimenta\u00e7\u00e3o em si, mas na cura, no que vem da terra e no que \u00e9 vegetal\u201d, explica.\nA cozinha alternativa \u201cCurcum\u00e3 da terra\u201d, existe h\u00e1 quase tr\u00eas anos e funciona atrav\u00e9s de encomendas feitas pelas redes sociais.\nAumento do veganismo na Para\u00edba\nN\u00facleo da SVB em Jo\u00e3o Pessoa\nFabiana Gama\nFabiana Gama de Medeiros \u00e9 coordenadora da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) em Jo\u00e3o Pessoa. Ela observa uma mudan\u00e7a favor\u00e1vel no mercado vegano e vegetariano nos \u00faltimos anos em toda a Para\u00edba. \u201cA gente da SVB  tem visto esse aumento em todo o pa\u00eds e Jo\u00e3o Pessoa n\u00e3o fica fora disso. O n\u00famero de adeptos ao veganismo tem aumentado a cada ano\u201d, afirma.\nNo \u00faltimo Veganic, evento realizado em agosto deste ano pela SVB para reunir veganos de todos o estado, Fabiana conta que algumas das pessoas presentes no local eram do interior do estado e relataram que tamb\u00e9m est\u00e1 aumentando a quantidade de adeptos do veganismo no interior da Para\u00edba.\n'Veganic' foi realizado pela SVB em agosto deste ano, em Jo\u00e3o Pessoa.\nFabiana Gama\n\u201cAumento de informa\u00e7\u00e3o, de pessoas falando nas redes sociais, celebridades aderindo\u2026 a gente tem visto que isso tem feito as pessoas pararem pra pesquisar e buscar o movimento. \u00c0s vezes n\u00e3o necessariamente mudando tudo, mas diminuindo, como \u00e9 o caso da segunda sem carne\u201d, relata.\nPara Fabiana, \u201cmuita coisa mudou. Muitos restaurantes come\u00e7aram a vender op\u00e7\u00f5es veganas. \u00c9 um mercado que ainda tem muito o que crescer, mas a gente j\u00e1 v\u00ea muita coisa nova comparado h\u00e1 dez anos atr\u00e1s, quando me tornei vegetariana\u201d, explica Fabiana.\nO que explica o aumento, de acordo com a coordenadora da SVB, \u00e9 a expans\u00e3o da conscientiza\u00e7\u00e3o do problema por parte das pessoas. \u201cCom a pandemia, as pessoas pararam para refletir, at\u00e9 porque o pr\u00f3prio coronav\u00edrus \u00e9 um v\u00edrus de origem animal. A maneira como a gente consome v\u00e1rios desses animais gera esses v\u00edrus, como \u00e9 o caso da gripe su\u00edna, vaca louca, gripe avi\u00e1ria\u201d, explica Fabiana.\nDe onde vem o novo coronav\u00edrus e qual a rela\u00e7\u00e3o dele com os animais?\nNovos estudos na 'Science' refor\u00e7am mercado de Wuhan como origem do primeiro caso de Covid-19\nA gente tamb\u00e9m v\u00ea as pessoas pararem pra pensar em como tratam os animais e sobre o direito deles de simplesmente existirem.\n\u201cOs animais n\u00e3o est\u00e3o a\u00ed para nos servir. Ent\u00e3o a pessoa pensa: eu amo meu cachorro, mas por qu\u00ea eu amo um e como o outro? Por que meu gato tem o direito de viver mas quando vou para outros animais eu tenho outra \u00e9tica?\u201d, questiona Fabiana.\nFabiana explica que os outros animais sentem, t\u00eam senso de comunidade, sofrem quando s\u00e3o separados dos seus filhos, como \u00e9 o caso das vacas que s\u00e3o separadas de seus bezerros. \u201cA pessoa come\u00e7a a perceber e estudar o quanto tudo isso \u00e9 cruel. A fazer a conex\u00e3o: a gente sempre diz que se os abatedouros tivessem paredes de vidro, ningu\u00e9m ia conseguir continuar se alimentando de outros animais\u201d, afirma. \nVeganos, vegetarianos e especismo \nPessoas vegetarianas n\u00e3o se alimentam de carne animal, mas consomem outros alimentos de origem animal, como latic\u00ednios e ovos. J\u00e1 os veganos excluem da dieta qualquer tipo de comida que n\u00e3o seja de origem vegetal.\nRicardo Melo \u00e9 pesquisador na \u00e1rea de jornalismo ambiental e estudos animais e faz parte do grupo de pesquisa de direito animal GEPDA. Ele explica que o consumo de carne animal \u00e9 reflexo de uma sociedade \u201cespecista\u201d. O conceito de especismo, de acordo com o pesquisador, se trata de um pr\u00e9-conceito negativo em rela\u00e7\u00e3o a alguma esp\u00e9cie, valorizando uma em detrimento da outra. \n\u201c\u00c9 um paralelo com o racismo, sexismo e outros. O exemplo mais forte \u00e9 a forma que os humano se relacionam com todas as esp\u00e9cies n\u00e3o-humanas, seja escravizando-a, como \u00e9 o caso de cavalos, jumentos, camelos e outros; seja colocando-a na categoria de alimento, entre outras in\u00fameras formas\u201d, explica Ricardo Melo.\nLivros sobre Especismo que s\u00e3o refer\u00eancia nas pesquisas de Ricardo Melo.\nArquivo pessoal\nPara ele, combater o especismo \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o bastante complexa que deve come\u00e7ar a partir do reconhecimento humano de que provoca sofrimento a outras esp\u00e9cies. \u201cMas algo concreto \u00e9 come\u00e7ar a entender que todos n\u00f3s somos ou fomos especistas em algum momento, pois a cultura \u00e9 estruturada pelo especismo\u201d, afirma\n\u00c9 preciso reconhecer que os outros animais s\u00e3o seres sencientes, que \u201cs\u00e3o aqueles em que \u00e9 poss\u00edvel comprovar, cientificamente, uma anatomia que possibilita a sensa\u00e7\u00e3o, como a dor, o prazer, e os sentimentos, como empatia, amor etc., de forma consciente de tais sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos\u201d, diz o pesquisador em explica\u00e7\u00e3o ao conceito de \u2018senci\u00eancia\u2019. \nSem a compreens\u00e3o da nossa posi\u00e7\u00e3o especista e a posi\u00e7\u00e3o violentada e explorada dos demais seres vivos nenhuma a\u00e7\u00e3o ser\u00e1 capaz de combater o especismo.\nA educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um bom primeiro passo, indica o pesquisador,  \u201cespecialmente a educa\u00e7\u00e3o popular, a educa\u00e7\u00e3o do campo e as formas alternativas de di\u00e1logo entre saberes, que nos possam fornecer bases para entender o conceito de \"vida\" que n\u00e3o est\u00e1 no nosso senso comum\u201d, afirma. \nDia Mundial do Vegetarianismo\nO Dia Mundial do Vegetarianismo \u00e9 comemorado em 1\u00ba de outubro.  Em fevereiro de 2021, a SVB encomendou uma pesquisa a ser feita  pelo  Ipec (Intelig\u00eancia em Pesquisa e Consultoria). Constatou-se que em todas as regi\u00f5es brasileiras e independente da faixa et\u00e1ria, 46% dos brasileiros j\u00e1 deixam de comer carne, por vontade pr\u00f3pria, pelo menos uma vez na semana.\n*Sob supervis\u00e3o de Jhonathan Oliveira \nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>      Ideia \u00e9 desmistificar  a ideia de que o consumo da carne animal \u00e9 necess\u00e1rio na culin\u00e1ria sertaneja.  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