{"id":39210,"date":"2023-10-17T18:20:09","date_gmt":"2023-10-17T21:20:09","guid":{"rendered":"https:\/\/wpa.wscom.com.br\/?p=928198"},"modified":"2023-10-17T18:20:09","modified_gmt":"2023-10-17T21:20:09","slug":"revista-nordeste-perda-de-vegetacao-nativa-ameaca-biodiversidade-clima-e-futuro-saiba-a-situacao-dos-9-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/10\/17\/revista-nordeste-perda-de-vegetacao-nativa-ameaca-biodiversidade-clima-e-futuro-saiba-a-situacao-dos-9-estados\/","title":{"rendered":"Revista NORDESTE: perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa amea\u00e7a biodiversidade, clima e futuro; saiba a situa\u00e7\u00e3o dos 9 estados"},"content":{"rendered":"<p>A nova edi\u00e7\u00e3o da Revista NORDESTE aborda o desmatamento na regi\u00e3o.\u00a0 Segundo o MapBiomas, cole\u00e7\u00e3o 8, o desmatamento no Brasil est\u00e1 aumentando, com um aumento de 120% nos \u00faltimos 5 anos em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, dois novos arcos do desmatamento se destacam em p\u00f3los de forte expans\u00e3o agr\u00edcola: no oeste da Amaz\u00f4nia, a fronteira entre Amazonas, Rond\u00f4nia e Acre, conhecida como Amacro e no cerrado nordestino, denominada de Matopiba, fronteira entre Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia, onde a agropecu\u00e1ria aumentou 14 milh\u00f5es de hectares, chegando a 25 milh\u00f5es de hectares em 2022, equivalentes \u00e0 35% do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/abre.ai\/nordeste200\" rel=\"noopener nofollow\" target=\"_blank\">Leia aqui ou abaixo:<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por Luciana Le\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Duas importantes cita\u00e7\u00f5es de estudiosos dos biomas brasileiros resumem na escrita os resultados que os algoritmos de Intelig\u00eancia Artificial constataram por meio do programa Landsat, uma constela\u00e7\u00e3o de nove sat\u00e9lites de observa\u00e7\u00e3o da Terra de origem Norte americana, que permitem a identifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o de diferentes tipos de cobertura vegetal, solo, \u00e1gua e outros recursos naturais em todo o planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base nesses dados, o MapBiomas divulgou recentemente a Cole\u00e7\u00e3o 8, sobre o \u201cMapeamento anual de cobertura vegetal nativa e uso da terra no Brasil de 1985 a 2022\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dizia o antrop\u00f3logo e escritor Darcy Ribeiro: \u201cO desmatamento \u00e9 um crime contra a nossa heran\u00e7a cultural e hist\u00f3rica\u201d. E, em se tratando da Caatinga, \u00fanico bioma exclusivamente brasileiro, o l\u00edder sindical e ambientalista Chico Mendes, reverenciou o territ\u00f3rio com uma simples frase : \u201cA Caatinga \u00e9 o lar de comunidades tradicionais que dependem do bioma para sua sobreviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em se tratando da Regi\u00e3o Nordeste, a nova vers\u00e3o da dimens\u00e3o das florestas nativas nos biomas nordestinos, quais sejam Caatinga, Cerrado Nordestino (regi\u00e3o de Matopiba) e Mata Atl\u00e2ntica nota-se que houve uma diminui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa no bioma Caatinga, em quase 11%, o equivalente a seis milh\u00f5es de hectares, o correspondente a uma vez e meio o tamanho da Su\u00ed\u00e7a, em termos comparativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva \u00e0 Revista Nordeste,\u00a0 Washington Franca Rocha, coordenador da equipe Caatinga do MapBiomas, reconhece que as mudan\u00e7as que ocorrem no bioma foram praticamente distribu\u00eddas em todos os Estados, em torno de 5 a 7%, com exce\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Norte e Sergipe, que apresentaram um pequeno ganho em termos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-131047 size-large aligncenter\" src=\"http:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-568x1024.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 568px) 100vw, 568px\" srcset=\"https:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-568x1024.jpg 568w, https:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-167x300.jpg 167w, https:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-768x1384.jpg 768w, https:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-852x1536.jpg 852w, https:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-1137x2048.jpg 1137w, https:\/\/revistanordeste.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/FACT_MapBiomas_Mapeamento-Anual-Cobertura-scaled.jpg 1421w\" alt=\"\" width=\"568\" height=\"1024\" title=\"\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e uso do solo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Considerando o cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas obtidos pelos relat\u00f3rios do Intergovernmental Panel on Climate Change, que em portugu\u00eas significa Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), para o bioma Caatinga espera-se um aumento de temperatura com implica\u00e7\u00e3o em eleva\u00e7\u00e3o de risco no processo de desertifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNesse caso, a remo\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal, que \u00e9 um dos fatores agravantes da desertifica\u00e7\u00e3o, constitui um elemento de preocupa\u00e7\u00e3o em termos de gest\u00e3o ambiental nos estados e nas cidades no entorno do Bioma\u201d, avalia o especialista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o apontada na nova Cole\u00e7\u00e3o do MapBiomas refere-se ao mosaico de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m os territ\u00f3rios tradicionais ind\u00edgenas. \u201cObservamos um aumento de press\u00e3o sobre essas \u00e1reas, os quais s\u00e3o respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e, consequentemente, seus componentes de biodiversidade\u201d, acrescenta o coordenador para a Caatinga do MapBiomas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Maior concentra\u00e7\u00e3o de desmate \u00e9 na agropecu\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao longo desses 37 anos, segundo Washington Franco, h\u00e1 o entendimento dos processos que vem causando press\u00f5es ambientais dentro do bioma Caatinga. \u201cA percep\u00e7\u00e3o que se tinha estava focada muito na quest\u00e3o da queima de lenha a partir de \u00e1rvores t\u00edpicas da regi\u00e3o, principalmente na regi\u00e3o do Polo Gesseiro, na Chapada do Araripe, nos estados de Pernambuco e Piau\u00ed\u201d, lembra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, apesar de a pr\u00e1tica continuar sendo preocupante, o volume de dados coletados mostra uma nova forma de desmatamento concentrados em \u00e1reas espec\u00edficas destinadas \u00e0 agropecu\u00e1ria, especialmente na agricultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNesses 37 anos, mais de 1.500% de amplia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas foram para a agricultura, n\u00e3o representam \u00e1reas grandes, mas em termos de percentual mostra uma tend\u00eancia e j\u00e1 impacta, causa press\u00e3o em termos de integridade do Bioma. Ent\u00e3o, acho que essa informa\u00e7\u00e3o nova que traz do estudo, \u00e9 importante. N\u00e3o deixa de ter a preocupa\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o da queima de lenha, queima de \u00e1rvores nativas para a produ\u00e7\u00e3o de lenha de carv\u00e3o, mas h\u00e1 outros processos que mostram uma din\u00e2mica muito mais relevante que podem afetar a integridade do bioma\u201d, pontua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em termos de propor\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, os estados de Sergipe e Alagoas na regi\u00e3o Nordeste s\u00e3o os que apresentaram menor valor. Tamb\u00e9m Sergipe e Alagoas t\u00eam maior propor\u00e7\u00e3o de pastagens em seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPodemos verificar que, em termos de mudan\u00e7as de 1985 a 2022, as perdas nesses dois estados foram diferentes. Enquanto que em Sergipe foi substitu\u00edda, ou seja, perde \u00e1rea para agricultura, em Alagoas a perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa se explica pelo aumento de pastagens. Foi a pastagem que cumpriu esse papel da perda de vegeta\u00e7\u00e3o natural\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A \u201cinvas\u00e3o\u201d pelo Brasil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o somente na Caatinga observa-se o avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria. Em todos os biomas brasileiros entre 1985 e 2022 ocorreu tal crescimento. A exce\u00e7\u00e3o fica por conta da Mata Atl\u00e2ntica, o bioma mais desmatado do pa\u00eds, onde os dois ter\u00e7os do territ\u00f3rio ocupados por essas atividades permaneceram est\u00e1veis nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, a \u00e1rea ocupada pelo agro saltou de 3% para 16%; no Pantanal, de 5% para 15%; no Pampa, de 29% para 44%; na Caatinga, de 33% para 40%. No Cerrado, as atividades agropecu\u00e1rias agora ocupam metade do bioma (50%); em 1985, era um pouco mais de um ter\u00e7o (34%).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em todo o Brasil, a \u00e1rea ocupada por atividades agropecu\u00e1rias passou de cerca de um quinto (22%) para um ter\u00e7o (33%) do Brasil. As pastagens avan\u00e7aram sobre 61,4 milh\u00f5es de hectares entre 1985 e 2022; a agricultura, sobre 41,9 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As imagens de sat\u00e9lite mostram rela\u00e7\u00e3o forte da din\u00e2mica de ocupa\u00e7\u00e3o de solo de agricultura e de pecu\u00e1ria. Entre 1985 e 2022, 72,7% dos 37 milh\u00f5es de hectares do crescimento da \u00e1rea de agricultura no Brasil se deram sobre \u00e1reas j\u00e1 antropizadas, especialmente pastagens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Arcos de desmatamento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, dois novos arcos do desmatamento se destacam em p\u00f3los de forte expans\u00e3o agr\u00edcola: no oeste da Amaz\u00f4nia, a fronteira entre Amazonas, Rond\u00f4nia e Acre, conhecida como Amacro, onde o uso agropecu\u00e1rio aumentou 10 vezes nos \u00faltimos 38 anos, chegando a 5,3 milh\u00f5es de hectares, que equivalem a 21% da \u00e1rea do territ\u00f3rio e a regi\u00e3o do Cerrado nordestino, a Matopiba, onde a agropecu\u00e1ria aumentou 14 milh\u00f5es de hectares, chegando a 25 milh\u00f5es de hectares em 2022, equivalentes \u00e0 35% do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O novo conjunto de dados de cobertura e uso da terra do MapBiomas traz dados sobre 29 classes de uso e uso da terra, incluindo as vers\u00f5es beta de \u00e1reas de dend\u00ea e floresta alag\u00e1vel. Um dos dados que mais se destaca \u00e9 o avan\u00e7o da cultura de soja, que se deu em todos os biomas. Entre 1985, essa cultura passou de 4,5 milh\u00f5es de hectares para 39,4 milh\u00f5es de hectares em 2022 \u2013 \u00e1rea compar\u00e1vel a duas vezes o territ\u00f3rio do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A soja avan\u00e7ou 3,1 milh\u00f5es de hectares no Pampa, 18 milh\u00f5es de hectares no Cerrado, 5,8 milh\u00f5es de hectares na Amaz\u00f4nia e 8 milh\u00f5es de hectares na Mata Atl\u00e2ntica. \u201cO Pantanal e o Pampa s\u00e3o exemplos de biomas naturalmente aptos para a pecu\u00e1ria, pois seus campos s\u00e3o como pastagens naturais. Nos dois casos, o avan\u00e7o da soja representa uma degrada\u00e7\u00e3o do bioma\u201d, alerta Marcos Rosa, coordenador t\u00e9cnico do MapBiomas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Matopiba<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Marcos Rosa, a regi\u00e3o do Cerrado nordestino, conhecida como Matopiba, fronteira entre Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia vem sofrendo uma grande press\u00e3o, um processo localizado, onde a agropecu\u00e1ria aumentou 14 milh\u00f5es de hectares, chegando a 25 milh\u00f5es de hectares em 2022, equivalentes \u00e0 35% do territ\u00f3rio e, especialmente, para o cultivo da soja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNessa fronteira, \u00e9 intenso o processo de convers\u00e3o de \u00e1reas naturais, principalmente, para o plantio de gr\u00e3os de soja e a\u00ed tem uma discuss\u00e3o que o Governo Federal est\u00e1 levando o plano de combate ao desmatamento do cerrado, por que existe a necessidade de se planejar melhor essa regi\u00e3o, como identificar \u00e1reas que precisam ser conservadas. Nessa regi\u00e3o tem muito desmatamento que \u00e9 legal, ele \u00e9 autorizado por que a lei permite o desmatamento. Ent\u00e3o, como compensar as propriedades \u00e1reas que teriam direito a desmatar e que n\u00e3o fizeram desmatamento. \u00c9 preciso toda uma discuss\u00e3o para identificar \u00e1reas priorit\u00e1rias, modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o para poder conter essa alta que acontece na regi\u00e3o do Matopiba\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O per\u00edodo do avan\u00e7o das perdas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil e ,em todos seus biomas, coincide com a vig\u00eancia do novo C\u00f3digo Florestal, aprovado pelo Congresso em 2012. A an\u00e1lise das imagens de sat\u00e9lite mostra que no per\u00edodo de 5 anos antes da aprova\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal (2008-2012) houve uma perda de 5,8 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos cinco anos seguintes \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo (2013-2018), a perda aumentou para 8 milh\u00f5es de hectares. Nos \u00faltimos 5 anos (2018-2022), alcan\u00e7ou 12,8 milh\u00f5es de hectares, um aumento de 120% em rela\u00e7\u00e3o a 2008-2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAnalisando a evolu\u00e7\u00e3o anual da perda de cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o nativa agrupadas em per\u00edodos de 5 anos desde 1992, quando foi realizada a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, o per\u00edodo de maior perda foi aquele imediatamente antes da aprova\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal em 2012. Mas desde ent\u00e3o a perda se acelerou ainda mais, com aumento do desmatamento. Estamos nos distanciando, em vez de nos aproximar do objetivo de proteger a vegeta\u00e7\u00e3o nativa brasileira previsto no C\u00f3digo Florestal e do compromisso de zerar o desmatamento at\u00e9 o final desta d\u00e9cada\u201d, explica Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados desde 1985 at\u00e9 2022, por sua vez, mostram uma perda de 96 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u2013 uma \u00e1rea equivalente a 2,5 vezes a Alemanha. A propor\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no territ\u00f3rio caiu de 75% para 64% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De tudo que foi antropizado em cinco s\u00e9culos no pa\u00eds, 33% foram antropizados, ou seja, convertidos para algum uso humano, como cidades ou atividades agropecu\u00e1rias, nos \u00faltimos 38 anos. Esse processo se deu mais fortemente na Amaz\u00f4nia e Cerrado, onde 52 milh\u00f5es de hectares (equivalente \u00e0 \u00e1rea da Fran\u00e7a)\u00a0 e 31,9 milh\u00f5es de hectares foram antropizados nesse intervalo. Proporcionalmente \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o existente em 1985, os biomas que mais perderam vegeta\u00e7\u00e3o nativa at\u00e9 2022 foram o Cerrado (25%) e o Pampa (24%).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>No contraponto, a necessidade da seguran\u00e7a alimentar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Damico, especialista em Intelig\u00eancia Artificial, Big Data, Analytics, Seguran\u00e7a da Informa\u00e7\u00e3o e CEO da AgTech SciCrop, a urg\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o de alimentos para o mundo \u00e9 muito grande e, esse conflito a partir de o avan\u00e7o do desmatamento para a agropecu\u00e1ria, \u00e9 algo que causa preocupa\u00e7\u00e3o pela sua velocidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAcredito que essa acelera\u00e7\u00e3o do desmate em todos os biomas brasileiros relaciona-se a um movimento pol\u00edtico, do empoderamento da direita em recente per\u00edodo, principalmente, nos \u00faltimos quatro anos, com diminui\u00e7\u00e3o de multas, entre outras falhas na execu\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o\u201d, opina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Damico defende que o setor agropecu\u00e1rio no Brasil deva fazer a transi\u00e7\u00e3o para uma agricultura sustent\u00e1vel e de baixo carbono e deixar a monocultura para o passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201dExiste a necessidade da disrup\u00e7\u00e3o. Mas, na atualidade, tal disrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo letal\u201d, diz. \u201cO pr\u00f3prio crescimento legal estimula fazer um desmatamento ilegal\u201d, alerta.Em sua opini\u00e3o, os setores produtivos e as pol\u00edticas p\u00fablicas deveriam fazer mais uso de tecnologias de ponta, monitoramento eficiente e aplica\u00e7\u00e3o r\u00edgida da legisla\u00e7\u00e3o ambiental vigente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o especialista em Big Data, os dados do MapBiomas, coletados a partir do Landsat, evidenciam um crescimento insustent\u00e1vel, mas, necess\u00e1rio para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, diante da falta de alimentos no Brasil e no mundo, inserindo nesse contexto, a guerra Ucr\u00e2nia e R\u00fassia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 enorme. Maior sumidouro de carbono do mundo, com uma matriz energ\u00e9tica em processo veloz de transforma\u00e7\u00e3o, maior reserva de \u00e1gua subterr\u00e2nea, ent\u00e3o, para que todos esses ativos possam, de fato, serem transformados em riquezas para seu povo, para o Nordeste, em especial, \u00e9 preciso tamb\u00e9m que ocorra uma transforma\u00e7\u00e3o cultural\u201d, acrescenta ao expor que biomas como a Caatinga ainda \u00e9 invis\u00edvel, para a maioria, tanto relacionado \u00e0s pessoas que ali moram e vivem, como tamb\u00e9m suas riquezas naturais e biodiversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/revista-nordeste-perda-de-vegetacao-nativa-ameaca-biodiversidade-clima-e-futuro-saiba-a-situacao-dos-9-estados\/\" target=\"_blank\">Revista NORDESTE: perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa amea\u00e7a biodiversidade, clima e futuro; saiba a situa\u00e7\u00e3o dos 9 estados<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/\" target=\"_blank\">WSCOM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova edi\u00e7\u00e3o da Revista NORDESTE aborda o desmatamento na regi\u00e3o.\u00a0 Segundo o MapBiomas, cole\u00e7\u00e3o 8, o desmatamento no Brasil est\u00e1 aumentando, com um aumento de 120% nos \u00faltimos 5 anos em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal. \u00a0 Atualmente, dois novos arcos do desmatamento se destacam em p\u00f3los de forte expans\u00e3o [\u2026]<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/revista-nordeste-perda-de-vegetacao-nativa-ameaca-biodiversidade-clima-e-futuro-saiba-a-situacao-dos-9-estados\/\">Revista NORDESTE: perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa amea\u00e7a biodiversidade, clima e futuro; saiba a situa\u00e7\u00e3o dos 9 estados<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/\">WSCOM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":49,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[34,197,2064],"tags":[35],"class_list":["post-39210","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-g1","category-nordeste","category-revista-nordeste","tag-g1"],"author_meta":{"display_name":"Cristiane Cavalcante","author_link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/author\/cristiane-cavalcante\/"},"featured_img":null,"coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/nordeste\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Nordeste<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/revista-nordeste\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">revista nordeste<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">Nordeste<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">revista nordeste<\/span>"]},"tags":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/revista-nordeste\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/span>"]}},"comment_count":"0","relative_dates":{"created":"Publicado 3 anos atr\u00e1s","modified":"Atualizado 3 anos atr\u00e1s"},"absolute_dates":{"created":"Publicado em 17 de outubro de 2023","modified":"Atualizado em 17 de outubro de 2023"},"absolute_dates_time":{"created":"Publicado em 17 de outubro de 2023 18:20","modified":"Atualizado em 17 de outubro de 2023 18:20"},"featured_img_caption":"","series_order":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/49"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39210"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39211,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39210\/revisions\/39211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}