{"id":36017,"date":"2023-09-26T09:26:36","date_gmt":"2023-09-26T12:26:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infomoney.com.br\/?p=2251962"},"modified":"2023-09-26T09:26:36","modified_gmt":"2023-09-26T12:26:36","slug":"deficit-zero-em-2024-debate-nao-e-mais-se-governo-ira-cumprir-mas-quando-meta-sera-alterada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/09\/26\/deficit-zero-em-2024-debate-nao-e-mais-se-governo-ira-cumprir-mas-quando-meta-sera-alterada\/","title":{"rendered":"D\u00e9ficit zero em 2024: debate n\u00e3o \u00e9 mais se governo ir\u00e1 cumprir, mas quando meta ser\u00e1 alterada"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"203\" src=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?fit=300%2C203&amp;quality=70&amp;strip=all\" class=\"attachment-medium size-medium wp-post-image\" alt=\"\" decoding=\"async\" style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;\" srcset=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?w=900&amp;quality=70&amp;strip=all 900w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?w=300&amp;quality=70&amp;strip=all 300w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?w=768&amp;quality=70&amp;strip=all 768w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?w=150&amp;quality=70&amp;strip=all 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-attachment-id=\"37766\" data-permalink=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/ministerio-da-fazenda-bloomberg\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?fit=900%2C608&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-orig-size=\"900,608\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"ministerio-da-fazenda-bloomberg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?fit=300%2C203&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-large-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ministerio-da-fazenda-bloomberg.jpg?fit=900%2C608&amp;quality=70&amp;strip=all\" title=\"\"><\/p>\n<p>Cerca de tr&ecirc;s semanas ap&oacute;s o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (PT) sancionar com vetos o projeto de lei complementar que instituiu o novo marco fiscal &ndash; principal instrumento do atual governo para ancorar expectativas na seara das contas p&uacute;blicas -, o mundo pol&iacute;tico e o mercado j&aacute; d&atilde;o como certa a necessidade futura de revis&atilde;o da meta de zerar o d&eacute;ficit prim&aacute;rio em 2024.<\/p>\n<p>O objetivo, considerado ousado desde seu an&uacute;ncio pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), consta nas pe&ccedil;as or&ccedil;ament&aacute;rias encaminhadas ao Congresso Nacional e, caso aprovado sem modifica&ccedil;&otilde;es, precisar&aacute; ser perseguido pelo governo federal no exerc&iacute;cio seguinte. O que significaria a necessidade de contingenciamentos a cada constata&ccedil;&atilde;o de descompasso de receitas e despesas com o rumo desenhado para as contas p&uacute;blicas no per&iacute;odo &ndash; uma tarefa sempre complexa na pol&iacute;tica, ainda mais em ano de elei&ccedil;&otilde;es municipais, que costumam mobilizar esfor&ccedil;os diretos de parlamentares.<\/p>\n<p>O tamanho do desafio e os riscos associados a ele ampliam a disposi&ccedil;&atilde;o em Bras&iacute;lia por uma flexibiliza&ccedil;&atilde;o da meta, a despeito dos poss&iacute;veis efeitos colaterais no mercado sobre a credibilidade de uma regra fiscal rec&eacute;m-aprovada. Mas ao menos no governo a avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; que ao menos o timing hoje n&atilde;o &eacute; adequado para a manobra e ela poderia ser empurrada para o fim do ano, de modo a n&atilde;o desestimular o Legislativo a votar o novo pacote fiscal encaminhado pela equipe econ&ocirc;mica do governo.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, uma mudan&ccedil;a da meta fiscal dependeria apenas de ajuste no Projeto de Lei de Diretrizes Or&ccedil;ament&aacute;rias (PLDO) de 2024, pe&ccedil;a sob a relatoria do deputado federal Danilo Forte (Uni&atilde;o Brasil-CE), que j&aacute; verbalizou mais de uma vez o ceticismo quando &agrave; possibilidade de o equil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas ser alcan&ccedil;ado j&aacute; no ano que vem e indicou disposi&ccedil;&atilde;o em rever os n&uacute;meros.<\/p>\n<p>No novo arcabou&ccedil;o fiscal, n&atilde;o h&aacute; nenhuma restri&ccedil;&atilde;o a esse tipo de a&ccedil;&atilde;o. A regra prev&ecirc; apenas que despesas ter&atilde;o um crescimento real de um exerc&iacute;cio para outro entre 0,6% e 2,5%. O fator exato de corre&ccedil;&atilde;o ser&aacute; determinado &agrave; propor&ccedil;&atilde;o de 70% do crescimento das despesas &ndash; percentual que pode cair para 50% em caso de descumprimento da meta de resultado prim&aacute;rio estabelecida em rela&ccedil;&atilde;o ao Produto Interno Bruto (PIB), considerando uma banda de toler&acirc;ncia de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo.<\/p>\n<p>Pela norma, os agentes do governo n&atilde;o sofreriam san&ccedil;&otilde;es no caso de o objetivo n&atilde;o ser atingido, desde que ponha em pr&aacute;tica alguns &ldquo;gatilhos&rdquo; fiscais uma vez constatado o risco de frustra&ccedil;&atilde;o da meta. Apesar de o dispositivo soar mais leniente com uma administra&ccedil;&atilde;o &ldquo;gastadora&rdquo;, a possibilidade de contingenciamento sobre as mais diversas rubricas do Or&ccedil;amento p&uacute;blico (incluindo emendas parlamentares) gera preocupa&ccedil;&otilde;es nos corredores do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>Especialistas em contas p&uacute;blicas e analistas pol&iacute;ticos j&aacute; consideravam ambiciosa a meta estabelecida pela equipe econ&ocirc;mica do governo, mas de uns tempos para c&aacute; intensificaram as sinaliza&ccedil;&otilde;es de que, apesar de terem digerido positivamente a regra que substituiu o teto de gastos ap&oacute;s as preocupa&ccedil;&otilde;es iniciais com o risco de um absoluto descontrole nos pr&oacute;ximos anos, n&atilde;o compram a promessa de equil&iacute;brio fiscal para 2024.<\/p>\n<p>E os motivos v&ecirc;m de uma s&eacute;rie de fatores, que v&atilde;o desde a expans&atilde;o de despesas do novo governo, a percep&ccedil;&atilde;o de menor apetite por corte de gastos, a desconfian&ccedil;a quanto ao potencial da agenda arrecadat&oacute;ria, at&eacute; a avalia&ccedil;&atilde;o de um cen&aacute;rio ainda desafiador no Congresso Nacional, seja para a aprova&ccedil;&atilde;o de medidas impopulares de aumento de receita, seja com o avan&ccedil;o das chamadas &ldquo;pautas-bomba&rdquo; &ndash; com o patroc&iacute;nio inclusive de aliados de primeira hora do Pal&aacute;cio do Planalto.<\/p>\n<p>&ldquo;Em um cen&aacute;rio de base aliada ainda desorganizada no Congresso, as press&otilde;es sobre o Or&ccedil;amento parecem se avolumar, enquanto as mat&eacute;rias de interesse da Fazenda para recompor a arrecada&ccedil;&atilde;o tendem a ser desidratadas. Se o desafio para entregar a meta de d&eacute;ficit zero em 2024 j&aacute; era grande, alguns fatores nos &uacute;ltimos meses t&ecirc;m indicado que, se n&atilde;o houver corre&ccedil;&atilde;o de rumos, pode ser inevit&aacute;vel uma altera&ccedil;&atilde;o da meta de prim&aacute;rio ao final do ano&rdquo;, observam os analistas da XP Pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Para eles, apesar de finalmente ter efetivado a prometida minirreforma ministerial com o ingresso de Andr&eacute; Fufuca (PP-MA) e de Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) &agrave; Esplanada, o governo ainda n&atilde;o colheu os frutos do acerto com o &ldquo;centr&atilde;o&rdquo;, que, nas palavras do pr&oacute;prio presidente da C&acirc;mara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), ainda est&aacute; pendente da distribui&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es na Caixa Econ&ocirc;mica Federal e na Funasa. Ontem (25), Lula disse, contudo, que no momento n&atilde;o pretende mudar o comando do banco p&uacute;blico. O que pode dar in&iacute;cio a uma nova queda de bra&ccedil;o com o bloco informal de parlamentares.<\/p>\n<p>Some-se a isso a percep&ccedil;&atilde;o de menor disposi&ccedil;&atilde;o em aprovar as mat&eacute;rias do novo pacote fiscal de Haddad nos termos defendidos pela equipe econ&ocirc;mica do governo &ndash; caso claro da medida provis&oacute;ria que impede a inclus&atilde;o de descontos do ICMS na base de c&aacute;lculo do IRPJ e da CSLL no caso de subven&ccedil;&otilde;es de custeio.<\/p>\n<p>E um maior apetite dos congressistas para aprovar pautas com impacto negativo para as contas p&uacute;blicas. Neste caso, aparecem o projeto que prorroga a desonera&ccedil;&atilde;o da folha a 17 setores econ&ocirc;micos at&eacute; 2027 e que, durante a tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional, incluiu desconto na contribui&ccedil;&atilde;o previdenci&aacute;ria de todos os munic&iacute;pios; o projeto de lei complementar que aumenta o limite de faturamento para enquadramento no Simples Nacional; o poss&iacute;vel aumento nos repasses do Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios (FPM); e a proposta que equipara a reintegra&ccedil;&atilde;o de servidores de ex-territ&oacute;rios, de autoria do pr&oacute;prio l&iacute;der do governo no Congresso Nacional, o senador Randolfe Rodrigues (sem partido-AP).<\/p>\n<p>Enquanto o governo busca medidas para garantir um adicional de R$ 168 bilh&otilde;es de arrecada&ccedil;&atilde;o em 2024, essas medidas t&ecirc;m potencial de aumentarem as despesas p&uacute;blicas em cerca de R$ 50 bilh&otilde;es, segundo c&aacute;lculos da XP.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m entra na conta posi&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea t&eacute;cnica do Tribunal de Contas da Uni&atilde;o (TCU), que refutou o argumento do governo de risco de &ldquo;shutdown&rdquo; na m&aacute;quina p&uacute;blica em caso de necessidade do cumprimento dos pisos constitucionais de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o com o fim da vig&ecirc;ncia do teto de gastos.<\/p>\n<p>O governo alega que o retorno integral dos pisos das duas &aacute;reas o faria gastar mais R$ 20 bilh&otilde;es neste ano e que n&atilde;o haveria espa&ccedil;o fiscal para acomodar essas novas despesas &ndash; n&atilde;o previstas na pe&ccedil;a or&ccedil;ament&aacute;ria deste ano, o que exigiria realoca&ccedil;&atilde;o de despesas indicadas para outras pastas.<\/p>\n<p>&ldquo;Ainda que n&atilde;o houvesse pauta-bomba, o objetivo de alcan&ccedil;ar o aumento de arrecada&ccedil;&atilde;o estimado pela Fazenda para zerar o d&eacute;ficit j&aacute; parece comprometido pelas iniciativas de parlamentares no sentido de esvaziar as propostas. As medidas que tratam da tributa&ccedil;&atilde;o de fundos exclusivos e offshores &ndash; essas com chances de aprova&ccedil;&atilde;o &ndash; devem sofrer diminui&ccedil;&atilde;o da al&iacute;quota sobre o estoque, de 10% para 6%, reduzindo tamb&eacute;m o pot&ecirc;ncia de arrecada&ccedil;&atilde;o. A MPV 1185, que trata da subven&ccedil;&atilde;o do ICMS, deve ser desconfigurada pelas emendas j&aacute; apresentadas, preservando em boa parte os benef&iacute;cios das empresas no uso do subs&iacute;dio- e tendo como resultado uma frustra&ccedil;&atilde;o na estimativa de aumento de receitas do governo. A proposta do fim da dedutibilidade do JCP pode nem ser votada neste ano, j&aacute; que lideran&ccedil;as no Congresso preferem debater esse ponto junto a uma eventual reforma da renda mais estrutural, que deve ficar para 2024&rdquo;, pontuam os analistas da XP Pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>&ldquo;Diante disso, parece pouco prov&aacute;vel que, ao chegar em dezembro com algumas pautas-bomba aprovadas e medidas de receitas desidratadas, o governo n&atilde;o se veja obrigado a fazer uma revis&atilde;o da meta de prim&aacute;rio. Ao colocar na balan&ccedil;a os avan&ccedil;os e retrocessos nesse semestre &mdash; &lsquo;a bola est&aacute; com o Congresso&rsquo; &mdash;, ser&aacute; inevit&aacute;vel uma recalibragem dos alvos para 2024 porque h&aacute; um limite sobre as alternativas que ainda podem ser apresentadas pela Fazenda para fazer essa recomposi&ccedil;&atilde;o de receitas&rdquo;, sustentam.<\/p>\n<p>Considerando que a altera&ccedil;&atilde;o da meta poder&aacute; ocorrer a qualquer momento durante a tramita&ccedil;&atilde;o do PLDO no Congresso Nacional e que a aprecia&ccedil;&atilde;o do texto dever&aacute; ficar para dezembro, os especialistas acreditam que as aten&ccedil;&otilde;es do mundo pol&iacute;tico e do mercado dever&atilde;o se voltar para a magnitude da mudan&ccedil;a no objetivo.<\/p>\n<p>Neste caso, h&aacute; mais um dilema para o Poder Executivo: quanto mais profundo o ajuste na meta, maior o impacto sobre a credibilidade do ajuste fiscal e da regra que acaba de entrar em vigor, al&eacute;m do efeito negativo sobre a urg&ecirc;ncia e necessidade da pauta de ajuste pelo lado das receitas pedido pela equipe econ&ocirc;mica. Por outro lado, quando menor o ajuste, maior o risco de descumprimento e a possibilidade de contingenciamentos e controle de despesas em um ano eleitoral.<\/p>\n<p>&ldquo;Ent&atilde;o, a discuss&atilde;o ser&aacute; sobre o grau da interven&ccedil;&atilde;o: hoje, a tese &eacute; de que, se de fato ocorrer, deve ser minimalista, de forma que n&atilde;o signifique um abandono do caminho tra&ccedil;ado pela Fazenda na recupera&ccedil;&atilde;o dos resultados prim&aacute;rios. Dado o empenho da equipe econ&ocirc;mica em manter o objetivo diante das adversidades, vemos este como o desfecho mais prov&aacute;vel desse debate. Mas, para que essa conten&ccedil;&atilde;o de danos seja exitosa quando chegar o momento, faz-se necess&aacute;rio desde j&aacute; um maior alinhamento na articula&ccedil;&atilde;o do governo com o Congresso&rdquo;, concluem.<\/p>\n<p>J&aacute; os analistas da consultoria Arko Advice observam uma mudan&ccedil;a na percep&ccedil;&atilde;o do mundo pol&iacute;tico sobre as condi&ccedil;&otilde;es de o governo cumprir a meta fiscal estabelecida para o ano que vem. Para eles, o otimismo observado ao longo do primeiro semestre teria dado espa&ccedil;o ao ceticismo em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>&ldquo;Com isso, cresceu a convic&ccedil;&atilde;o de que a meta, estabelecida pela equipe do ministro Fernando Haddad, n&atilde;o ser&aacute; cumprida. A promessa de zerar o d&eacute;ficit fiscal em 2024 &eacute; tida como improv&aacute;vel diante da inefici&ecirc;ncia em otimizar os gastos e aumentar a arrecada&ccedil;&atilde;o. Portanto, a d&uacute;vida agora n&atilde;o &eacute; se, mas quando a meta ser&aacute; revisada&rdquo;, observam em relat&oacute;rio distribu&iacute;do a clientes.<\/p>\n<p>Eles veem no ministro Fernando Haddad um esfor&ccedil;o genu&iacute;no em perseguir o objetivo estabelecido, mas destacam que a incerteza sobre o andamento do pacote bilion&aacute;rio de arrecada&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional e, em caso de aprova&ccedil;&atilde;o, as d&uacute;vidas sobre a capacidade de as medidas gerarem os efeitos esperados pela equipe econ&ocirc;mica como entraves nessa batalha.<\/p>\n<p>&ldquo;Fora isso, h&aacute; dois vetos ao novo marco fiscal que, na vis&atilde;o de especialistas, fragilizam a lei. Tais vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso, o que n&atilde;o tem data para acontecer. Se os parlamentares mantiverem a l&oacute;gica da austeridade, ao menos um deles deve ser derrubado, aquele que se refere &agrave; proibi&ccedil;&atilde;o de que a LDO exclua despesas prim&aacute;rias da meta de resultado prim&aacute;rio dos or&ccedil;amentos fiscal e da seguridade social. Al&eacute;m disso, quem &eacute; contra mudan&ccedil;as na meta fiscal acredita que a LDO s&oacute; ser&aacute; votada ap&oacute;s a &uacute;ltima ata do Copom, em novembro. Seria mais uma forma de ajustar o Or&ccedil;amento &agrave; realidade imposta&rdquo;, salientam.<\/p>\n<p>Especialistas consultados pelo InfoMoney na edi&ccedil;&atilde;o de setembro do Bar&ocirc;metro do Poder indicaram chances razo&aacute;veis de os dois vetos de Lula ao novo marco fiscal ficarem pelo caminho ap&oacute;s aprecia&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>&ldquo;O Brasil tem 203 milh&otilde;es de habitantes e em torno de doze deles acreditam que o d&eacute;ficit p&uacute;blico no ano que vem ser&aacute; de zero ou muito perto disso. Todos os doze trabalham no Minist&eacute;rio da Fazenda&rdquo;, ironizou o analista pol&iacute;tico Thomas Traumann em relat&oacute;rio distribu&iacute;do a clientes na semana passada.<\/p>\n<p>&ldquo;Mais do que conseguir R$ 160 bilh&otilde;es em receitas extras para anular o d&eacute;ficit no or&ccedil;amento, o maior desafio do ministro Fernando Haddad &eacute; conseguir convencer as pessoas de que isso &eacute; fact&iacute;vel&rdquo;, pontuou.<\/p>\n<p>Para ele, a minirreforma ministerial realizada pelo governo, &ldquo;no melhor dos casos&rdquo;, vai impedir a aprova&ccedil;&atilde;o de &ldquo;pautas-bomba&rdquo;. O especialista acredita que, num momento de desconfian&ccedil;a generalizada quanto ao cumprimento da meta de d&eacute;ficit zero em 2024, o maior risco de Haddad &eacute; errar a m&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;O terror no Minist&eacute;rio da Fazenda &eacute; que admitir o fracasso antes do jogo come&ccedil;ar pode levar a uma situa&ccedil;&atilde;o similar &agrave; de agosto de 2015, quando o governo Dilma Rousseff enviou um projeto de or&ccedil;amento com d&eacute;ficit e o mercado entrou em uma espiral de p&acirc;nico&rdquo;, avalia o especialista.<\/p>\n<p>De fato, hoje no mercado o equil&iacute;brio das contas p&uacute;blicas est&aacute; longe de ser o cen&aacute;rio base. Na &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o do Relat&oacute;rio Focus, divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas dos agentes financeiros consultados para o resultado prim&aacute;rio em 2024 ficou em um d&eacute;ficit de 0,80% do PIB. Na semana passada as proje&ccedil;&otilde;es apontavam para 0,73%.<\/p>\n<p>O ministro Fernando Haddad tem tratado com naturalidade e minimizado a desconfian&ccedil;a do mercado. Em manifesta&ccedil;&otilde;es recentes, ele preferiu enfatizar o efeito do arcabou&ccedil;o fiscal na ancoragem de expectativas e na garantia de um horizonte sustent&aacute;vel para as contas p&uacute;blicas. O chefe da Fazenda tem dito que mais importante do que zerar ou n&atilde;o o d&eacute;ficit em 2024 &eacute; a garantia que o arcabou&ccedil;o daria para um horizonte controlado para a d&iacute;vida p&uacute;blica, j&aacute; que despesas passam a crescer menos do que receitas de forma estrutural.<\/p>\n<p>&ldquo;Isso est&aacute; contratado. O que estamos fazendo est&aacute; fora do marco fiscal, que &eacute; estipular metas ambiciosas para fazer com que isso aconte&ccedil;a mais rapidamente. E obviamente que n&oacute;s levamos ao Congresso, que vai dar a &uacute;ltima palavra sobre isso&rdquo;, disse ap&oacute;s participar de evento em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>&ldquo;Do nosso ponto de vista, estamos tranquilos com rela&ccedil;&atilde;o ao que estamos propondo, mas o Congresso &eacute; que vai se debru&ccedil;ar sobre as medidas provis&oacute;rias e projetos de lei que foram encaminhados. &Eacute; o Congresso que vai dar esse ritmo, porque &eacute; ele que tem a palavra final&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"cta-end\">\n<div class=\"im-cta\" >\n<div class=\"im-shortcode-forms bg-light bg-opacity-25 border rounded-4 p-3 p-sm-4 p-md-3 p-lg-4 px-xxl-5 my-5\" data-configuration='{\"form_name\":false,\"form_hat\":\"Newsletter\",\"form_email\":true,\"form_icon\":\"newsletter\",\"form_phone\":false,\"form_campaign\":\"NIM\",\"form_thankyou\":\"\",\"form_journey\":\"APIEvent-26a5198d-8e09-06ef-5f80-cd9127757ad1\",\"form_button\":\"Quero 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href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/\">InfoMoney<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[6096,34,260,130,47],"tags":[35],"class_list":["post-36017","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-deficit-fiscal","category-g1","category-governo","category-ministerio-da-fazenda","category-politica","tag-g1"],"author_meta":{"display_name":"Marcos Mortari","author_link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/author\/marcos-mortari\/"},"featured_img":null,"coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/deficit-fiscal\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">D\u00e9ficit Fiscal<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/a>","<a 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