{"id":31500,"date":"2023-08-26T12:06:06","date_gmt":"2023-08-26T15:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/08\/26\/indigenas-venezuelanos-estao-em-abrigo-superlotado-e-com-problemas-de-estrutura-em-joao-pessoa.ghtml"},"modified":"2023-08-26T12:06:06","modified_gmt":"2023-08-26T15:06:06","slug":"indigenas-venezuelanos-estao-em-abrigo-superlotado-e-com-problemas-de-estrutura-em-joao-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/26\/indigenas-venezuelanos-estao-em-abrigo-superlotado-e-com-problemas-de-estrutura-em-joao-pessoa\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas venezuelanos est\u00e3o em abrigo superlotado e com problemas de estrutura em Jo\u00e3o Pessoa"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/CLd4pu_eA0KsAD22Wq4F3lOYZL8=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/d\/W\/AllHPySJSeL9tbwiqtqA\/situacao-indigena-warao.jpeg\" \/><br \/>     Ind\u00edgenas warao denunciam que local tem infiltra\u00e7\u00f5es, vazamentos e ficou 7 dias sem energia. Respons\u00e1veis por abrigos dos venezuelanos n\u00e3o t\u00eam mais controle do quantitativo de pessoas nos locais. Situa\u00e7\u00e3o do abrigo warao no Centro de Jo\u00e3o Pessoa\nAssocia\u00e7\u00e3o dos Defensores da Cidadania\nOs ind\u00edgenas venezuelanos da etnia warao, que ocupam um abrigo no Centro de Jo\u00e3o Pessoa, denunciam uma s\u00e9rie de problemas no pr\u00e9dio em que vivem. O pr\u00e9dio est\u00e1 com infiltra\u00e7\u00f5es, janelas ca\u00eddas, sanit\u00e1rios e pias quebradas, e ficou sem energia por 7 dias. Al\u00e9m disso, o local est\u00e1 superlotado, abrigando mais pessoas do que capacidade que havia sido estipulada. A situa\u00e7\u00e3o se repete em outros abrigos dos ind\u00edgenas  na capital paraibana . Os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis n\u00e3o t\u00eam mais no\u00e7\u00e3o de quantos venezuelanos est\u00e3o nestes locais.\nNa segunda-feira (21), a  ONG Associa\u00e7\u00e3o dos Defensores da Cidadania (ADC), publicou um v\u00eddeo nas redes sociais, a pedido do Cacique do abrigo do Centro, Ramon G\u00f3mez Quinonez, denunciando a situa\u00e7\u00e3o enfrentada pelos 46 warao que moram no abrigo do Centro. \nSegundo Ramon, a princ\u00edpio era um problema de \u00e1gua no local, que a Cagepa solucionou, mas precisava que a energia fosse desligada. O abrigo ficou sem energia por 7 dias, um lugar com crian\u00e7as e idosos. O servi\u00e7o foi retomado na sexta-feira (25).\nO l\u00edder do abrigo do Centro e intermediador cultural tamb\u00e9m falou de problemas de falta de seguran\u00e7a ao relatar que na semana anterior, um homem invadiu o local ao fugir da pol\u00edcia. Al\u00e9m da falta de infraestrutura. \"Quando entramos estava organizado, mas agora as janelas de dois quartos ca\u00edram\", relatou Ramon.\nAbrigo de ind\u00edgenas venezuelanos no Centro de Jo\u00e3o Pessoa tem problemas em portas e janelas.\nAssocia\u00e7\u00e3o dos Defensores da Cidadania\nTiago Quirino, coordenador da ADC, afirma que a situa\u00e7\u00e3o dos outros abrigos n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o cr\u00edtica quanto no Centro.\n \u201cNo abrigo do Ernani S\u00e1tiro, que fica em uma escola desativada, existem infiltra\u00e7\u00f5es. O banheiro est\u00e1 quebrado e o encanamento est\u00e1 todo remendado, ocasionando vazamento em v\u00e1rios momentos.\u201d, relata.\nO antrop\u00f3logo Jamerson Lucena acompanha a situa\u00e7\u00e3o dos warao desde 2020 e faz parte da ADC. Segundo ele, existem muitos abrigos irregulares e em situa\u00e7\u00e3o bem prec\u00e1ria. \u201cA situa\u00e7\u00e3o da moradia \u00e9 preocupante, principalmente desses grupos warao que ainda est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de extrema vulnerabilidade social, e outras moradias em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria\u201d.\nA crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica na Venezuela provocou o deslocamento de ind\u00edgenas e n\u00e3o ind\u00edgenas venezuelanos pela fronteira em Roraima, entre eles ind\u00edgenas  do povo warao, que ao entrarem no Brasil e encontrarem a superlota\u00e7\u00e3o em Boa Vista, foram para outras regi\u00f5es em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. \nEm Jo\u00e3o Pessoa, atualmente, existem 12 casas para abrigar os warao. Uma medida emergencial para o cuidado com essas pessoas.\nLocais dos abrigos em Jo\u00e3o Pessoa\nCasa 1: Jaguaribe\nCasa 2: Treze de Maio\nCasa 3: Jaguaribe\nCasa 4: Ernani S\u00e1tiro\nCasa 5:  Jaguaribe\nCasa 6: Jaguaribe\nCasa 7 e 8:  Centro\nCasa 9, 10, 11 e 12:  Baixo Roger\nPr\u00e9dio do abrigo do Centro entregue aos Warao em 2022, em Jo\u00e3o pessoa.\nA\u00e7\u00e3o Social Arquidiocesana\nQuem cuida dos abrigos dos warao?\nDesde abril de 2020, a A\u00e7\u00e3o Social Arquidiocesana (ASA) desenvolve um trabalho para abrigar pessoas ind\u00edgenas da etnia warao, com a loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis, e disponibilizando alimentos e produtos de limpeza. \nEm 2022, a ASA renovou um conv\u00eanio com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (SEDH-PB). O estado transfere um valor para que a ASA disponibilize as moradias, al\u00e9m da entrega de alimentos e materiais de limpeza. J\u00e1 a SEDH faz o acompanhamento dos warao e atua na integra\u00e7\u00e3o. \nNo \u00faltimo contrato celebrado em junho de 2023, no valor de  R$ 1,5 milh\u00e3o, a ASA se responsabilizou em atender 400 venezuelanos da etnia warao, com tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, medicamentos e materiais de limpeza.\nEntrega do pr\u00e9dio e materiais de limpeza aos warao no Centro de Jo\u00e3o pessoa.\nA\u00e7\u00e3o Social Arquidiocesana\nO padre Eg\u00eddio de Carvalho, diretor da ASA, disse ao g1 que a institui\u00e7\u00e3o estava ciente da situa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de energia el\u00e9trica no abrigo do Centro. O problema, segundo ele, ocorreu na rua do abrigo e para que a \u00e1gua fosse normalizada, a Cagepa solicitou o desligamento da energia \u00e0 Energisa. \nAp\u00f3s o desligamento, o servi\u00e7o foi realizado, mas com as chuvas da \u00faltima sexta-feira (18), uma \u00e1rvore caiu e danificou novamente. A Energisa solicitou a ASA que providenciasse um eletricista para resolver o problema e na quarta-feira (24), o religamento foi solicitado. \nSobre a quest\u00e3o estrutural do abrigo do Centro, o Padre afirmou que o local foi alugado em abril de 2022, passou por reformas e foi entregue em perfeito estado aos warao. O problema, segundo ele, \u00e9 causado pelos pr\u00f3prios warao, que destroem o espa\u00e7o. \u201cEles quebram tudo. Arrancam janelas, arrancam portas, quebram pia e sanit\u00e1rios\u201d, relata.\nEspa\u00e7o do abrigo do Centro, em Jo\u00e3o Pessoa, entregue aos warao em 2022\nA\u00e7\u00e3o Social Arquidiocesana\nDe acordo com Eg\u00eddio, a \u00faltima casa alugada pela ASA para os povos warao provocou o preju\u00edzo de R$ 25 mil para que o propriet\u00e1rio consertasse o im\u00f3vel ap\u00f3s os venezuelanos desocuparem o espa\u00e7o. Al\u00e9m disso, o padre citou um problema com a conta de \u00e1gua, que chegou a R$ 29 mil por torneiras que eram deixadas abertas.\nPr\u00e9dio entregue aos ind\u00edgenas venezuelanos em 2022 pela ASA, em Jo\u00e3o Pessoa\nA\u00e7\u00e3o Social Arquidiocesana\nAl\u00e9m de acompanhar os warao desde 2020, Jamerson Lucena est\u00e1 em processo de produ\u00e7\u00e3o do doutorado em antropologia sobre os ind\u00edgenas venezuelanos. Segundo Lucena, existe uma narrativa muito distorcida, preconceituosa e xenof\u00f3bica sobre os warao. \"Os warao s\u00e3o ind\u00edgenas e seu modo de vida \u00e9 totalmente diferente do nosso. Warao significa 'povo da \u00e1gua'. Eles viviam em comunidades rurais, em casas de palafitas \u00e0s margens dos rios e c\u00f3rregos. As suas casas, por exemplo, n\u00e3o t\u00eam paredes e s\u00e3o constitu\u00eddas apenas de um v\u00e3o. Todas de madeira e cobertas de palha\", explicou.\nO antrop\u00f3logo destaca que como viviam em regi\u00e3o de selva,  eles n\u00e3o tinham o costume de colocar o que chamamos de lixo em lugares espec\u00edficos.\nOs costumes dom\u00e9sticos eram outros. Os adultos e crian\u00e7as tomavam banho nos rios, a divis\u00e3o da casa era definida pelos seus pertences. Por exemplo, o v\u00e3o principal da casa servia para realizar pr\u00e1ticas artesanais e se alimentar durante o dia, mas ao cair da noite havia uma sobreposi\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e aquele lugar era destinado para estender as redes e dormir.\nCom o deslocamento for\u00e7ado, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, ocorre um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o social. \"\u00c9 preciso destacar que n\u00e3o depende apenas dos Warao para que ocorra um processo de  organiza\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica ao qual estamos acostumados. \u00c9 necess\u00e1rio um empenho das institui\u00e7\u00f5es acolhedoras\", desataca Jamerson.\nJamerson relata que os abrigos que visitou na Para\u00edba e nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia s\u00e3o prec\u00e1rios e inadequados. Espa\u00e7os, muitas vezes, com infiltra\u00e7\u00f5es, sem ventila\u00e7\u00e3o e com telhados quebrados. \n Alguns deles sem armadores de rede e eles reclamam bastante, mas dormem em colch\u00f5es porque se acostumaram. Muitos improvisam, por exemplo, armando redes em grades. Buscam arranjos dom\u00e9sticos para poder se acomodar num espa\u00e7o que n\u00e3o s\u00e3o acostumados. \nSuperlota\u00e7\u00e3o \nDe acordo com nota emitida pela ASA na quinta-feira (24),  o abrigo do Centro comporta 14 fam\u00edlias (63 pessoas) e que atualmente, o local tem 19 fam\u00edlias (89 pessoas), ou seja 33 warao a mais da capacidade, e que a chegada de novas pessoas n\u00e3o foi comunicada. \n\"A gente n\u00e3o tem o controle dessa chegada, porque eles chegam e v\u00e3o para dentro dos abrigos\", disse o padre Eg\u00eddio, ressaltando que a situa\u00e7\u00e3o se repete nos outros locais.\nTodas as ter\u00e7as, a equipe da ASA \u00e9 respons\u00e1vel por repor os materiais e os alimentos nos abrigos, que depois ser\u00e3o distribu\u00eddos pelos caciques para os moradores. A quantidade de mantimentos entregues segue o acordado com a SEDH, mas o n\u00famero de pessoas nos locais \u00e9 maior.\nA gente leva a feira toda ter\u00e7a-feira e quando \u00e9 no domingo, come\u00e7am a ligar pedindo mais comida, porque faltou. \nO que diz a Secretaria de Desenvolvimento Humano\nEduardo Brunello, gerente operacional de promo\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 cidadania da Secretaria de Desenvolvimento Humano, afirmou que os abrigos s\u00e3o uma medida tempor\u00e1ria, mas que algo a longo prazo est\u00e1 sendo estudado em conjunto com os warao. \nQuais s\u00e3o as expectativas que eles t\u00eam de moradia, como eles poderiam se adaptar e o pr\u00f3prio mercado local de trabalho absorver esse contingente de demanda.\nNas casas, uma equipe multidisciplinar, contando com alguns dos warao como intermediadores culturias, atuam no processo de integra\u00e7\u00e3o e escolariza\u00e7\u00e3o, por causa das barreiras lingu\u00edsticas. Tamb\u00e9m existem projetos de inser\u00e7\u00e3o local, empregabilidade e renda, como o projeto de artesanato, que valoriza o saber do povo warao.  \nSobre a quest\u00e3o da superlota\u00e7\u00e3o dos abrigos, Eduardo afirma que a secretaria tente organizar essa chegada de ind\u00edgenas venezuelanos aos locais, mas n\u00e3o pode impedir o desejo deles de se reagruparem.\nBuscamos o controle das chegadas, por meio de acordos de conviv\u00eancia juntos aos ind\u00edgenas nas respectivas unidades de abrigamento, todavia \u00e9 leg\u00edtimo que eles possam ir e vir e busque organizar um processo de reunifica\u00e7\u00e3o familiar. Neste aspecto, \u00e9 importante que toda a rede de atendimento intersetorial e o poder p\u00fablico local  tamb\u00e9m se responsabilize e seja coparticipante na cria\u00e7\u00e3o e fomento de pol\u00edticas p\u00fablicas e estrat\u00e9gias de integra\u00e7\u00e3o local.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Ind\u00edgenas warao denunciam que local tem infiltra\u00e7\u00f5es, vazamentos e ficou 7 dias sem energia. Respons\u00e1veis por abrigos dos venezuelanos n\u00e3o t\u00eam mais controle do quantitativo de pessoas nos locais. 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