{"id":31337,"date":"2023-08-25T12:01:56","date_gmt":"2023-08-25T15:01:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infomoney.com.br\/?p=2225887"},"modified":"2023-08-25T12:01:56","modified_gmt":"2023-08-25T15:01:56","slug":"ibge-apesar-da-queda-acentuada-da-pobreza-desigualdades-se-mantem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/25\/ibge-apesar-da-queda-acentuada-da-pobreza-desigualdades-se-mantem\/","title":{"rendered":"IBGE: apesar da queda acentuada da pobreza, desigualdades se mant\u00eam"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" class=\"attachment-medium size-medium wp-post-image\" alt=\"Desigualdade, pobreza\" decoding=\"async\" style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;\" srcset=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?w=724&amp;quality=70&amp;strip=all 724w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?w=300&amp;quality=70&amp;strip=all 300w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?w=150&amp;quality=70&amp;strip=all 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-attachment-id=\"1499668\" data-permalink=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/colunistas\/alexandre-schwartsman\/o-teto-e-a-raca-o-que-dizem-os-numeros\/attachment\/parque-real-favela-or-slum-living-next-to-upscale-morumbi-neighborhood-in-sao-paulo-brazil\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?fit=724%2C483&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-orig-size=\"724,483\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Getty Images&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Parque Real, Favela or Slum Living next to Upscale Morumbi Neighborhood in Sao Paulo, Brazil&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Desigualdade, pobreza\" data-image-description=\"&lt;p&gt;Desigualdade, pobreza&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;Vista de comunidade no Brasil (Getty Images)&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-large-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/GettyImages-522672198-1.jpg?fit=724%2C483&amp;quality=70&amp;strip=all\" title=\"\"><\/p>\n<p>Novo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (25), revela significativa queda da pobreza considerando dados dos bi&ecirc;nios 2008-2009 e 2017-2018. No entanto, os resultados tamb&eacute;m apontam para uma manuten&ccedil;&atilde;o das desigualdades estruturais. Nas compara&ccedil;&otilde;es entre a popula&ccedil;&atilde;o urbana e rural e mesmo no recorte racial, verifica-se que as diferen&ccedil;as entre os grupos pouco se alteraram.<\/p>\n<p>O IBGE avaliou indicadores n&atilde;o monet&aacute;rios de pobreza e qualidade de vida, tendo como base os dados de duas diferentes edi&ccedil;&otilde;es da Pesquisa de Or&ccedil;amentos Familiares: a de 2008-2009 e a de 2017-2018. Uma vez que utiliza tr&ecirc;s &iacute;ndices estat&iacute;sticos novos, o estudo est&aacute; em fase de teste e sob avalia&ccedil;&atilde;o. Ele foi classificado como investiga&ccedil;&atilde;o experimental.<\/p>\n<p>O estudo est&aacute; focado nos grupos populacionais que registram priva&ccedil;&otilde;es de qualidade de vida. Para tanto, foram avaliadas seis dimens&otilde;es: moradia, acesso aos servi&ccedil;os de utilidade p&uacute;blica, sa&uacute;de e alimenta&ccedil;&atilde;o,educa&ccedil;&atilde;o, acesso aos servi&ccedil;os financeiros e padr&atilde;o de vida, e transporte e lazer. Em cada uma delas, diversos itens s&atilde;o levantados. Dessa forma, a pobreza e a vulnerabilidade foram investigadas considerando a estrutura do domic&iacute;lio, as condi&ccedil;&otilde;es ambientais do entorno, o acesso &agrave; eletricidade e ao esgotamento sanit&aacute;rio, a frequ&ecirc;ncia escolar, a posse de bens dur&aacute;veis, o uso de servi&ccedil;os financeiros, o tempo gasto no transporte para o trabalho, entre outros itens.<\/p>\n<p>Na primeira etapa do estudo, foi realizado levantamento das pessoas com algum grau de pobreza no Brasil levando em conta as seis dimens&otilde;es avaliadas. Essa popula&ccedil;&atilde;o se reduziu significativamente no per&iacute;odo investigado. Em 2008-2009, 44,2% das pessoas que viviam no pa&iacute;s tinham algum grau de pobreza. Em 2017-2018, esse percentual caiu para 22,3%.<\/p>\n<p>O levantamento tamb&eacute;m mostra diferen&ccedil;as significativas entre &aacute;reas urbanas e rurais. Em 2017-2018, 17,3% pessoas que viviam nas cidades apresentavam algum grau de pobreza. No mesmo per&iacute;odo, esse percentual era de 51,1% entre a popula&ccedil;&atilde;o rural. No entanto, embora seja mais da metade dos moradores, trata-se de um resultado bastante inferior aos 77,8% registrados em 2008-2009. A queda nas &aacute;reas urbanas tamb&eacute;m foi acentuada: em 2008-009, 37,3% tinham algum grau de pobreza.<\/p>\n<p>Na segunda etapa, os pesquisadores buscaram dados que permitissem entender de forma mais ampla essas mudan&ccedil;as. Dessa forma, foram estabelecidas novas formas de avalia&ccedil;&atilde;o. A primeira delas foi por meio do &Iacute;ndice de Pobreza Multidimensional n&atilde;o Monet&aacute;rio (IPM-NM). Ele foca nos casos que envolvem perdas mais severas e busca identificar intensidades de pobreza de cada grupo estudado. Dessa forma, se estabeleceu um ponto de corte: foram consideradas as pessoas com mais de um ter&ccedil;o das priva&ccedil;&otilde;es de qualidade de vida que foram reportadas.<\/p>\n<p>&ldquo;Diferentes aspectos s&atilde;o observados quando estamos falando de priva&ccedil;&otilde;es da qualidade de vida. Por exemplo, observa-se se uma fam&iacute;lia tem um banheiro exclusivo. Se ela n&atilde;o tem, isso &eacute; contabilizado. Observa-se se h&aacute; pouco espa&ccedil;o no domic&iacute;lio, se existe viol&ecirc;ncia na &aacute;rea onde se vive. Uma pessoa pode estar privada na educa&ccedil;&atilde;o e na sa&uacute;de, outra pessoa pode estar privada na educa&ccedil;&atilde;o, na sa&uacute;de e na moradia de forma muito intensa. Para ela ser considerada multidimensionalmente pobre, ela precisa estar privada em diferentes dimens&otilde;es. E &eacute; isso que o &iacute;ndice ir&aacute; representar&rdquo;, explica o pesquisador do IBGE Leonardo Santos de Oliveira.<\/p>\n<p>Segundo ele, a metodologia foi usada com o objetivo de encontrar uma medida mais precisa para fazer a compara&ccedil;&atilde;o entre o Brasil de 2008\/2009 e o de 2017\/2018. &ldquo;Se eu ficar apenas na propor&ccedil;&atilde;o de pessoas que t&ecirc;m algum grau de pobreza, n&atilde;o consigo entender qual a intensidade dessa pobreza&rdquo;, disse. De acordo com o pesquisador, a perda de qualidade de vida &eacute; considerada mais acentuada em situa&ccedil;&atilde;o onde uma pessoa tem muitas priva&ccedil;&otilde;es e acumula mais uma do que nos casos em que h&aacute; poucas priva&ccedil;&otilde;es e passa a existir mais uma.<\/p>\n<p>De 2008-2009 para 2017-2018, o IPM-NM caiu de 6,7 para 2,3, o que significa redu&ccedil;&atilde;o de 65%. De acordo com os pesquisadores, os resultados indicam redu&ccedil;&atilde;o mais intensa da pobreza do que poderia sugerir uma an&aacute;lise superficial dos dados da popula&ccedil;&atilde;o com algum grau de pobreza. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que a queda foi mais forte nas cidades do que no campo. Ela foi de 66% nas &aacute;reas urbanas e de 59,5% nas &aacute;reas rurais.<\/p>\n<p>O estudo revela a manuten&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o de desigualdade. Mesmo tendo apenas 15% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s em 2017-2018, a &aacute;rea rural representou 40,5% do resultado do IPM-NM. Em 2008-2009, sua parcela de contribui&ccedil;&atilde;o era 40,2%, percentual que indica estabilidade do quadro.<\/p>\n<p>No recorte por regi&otilde;es, o Norte e o Nordeste apresentaram os maiores valores de IPM-NM nos dois per&iacute;odos. Ainda assim, a melhoria foi significativa. O IPM-NM na Regi&atilde;o Norte saiu de 13,8 em 2008-2009 para 5,2 em 2017-2018. A queda na regi&atilde;o Nordeste foi de 12,4 para 4,3.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m foi realizada uma an&aacute;lise a partir do subgrupo de cor ou ra&ccedil;a. O IPM-NM da parcela da popula&ccedil;&atilde;o com pessoas de refer&ecirc;ncia da cor branca caiu 62,1%. Entre a parcela da popula&ccedil;&atilde;o com pessoas de refer&ecirc;ncia da cor preta ou parda, o &iacute;ndice saiu 9,6 para 3,2. Trata-se de uma redu&ccedil;&atilde;o percentual de 66,6%. &ldquo;Repare que ela n&atilde;o &eacute; suficiente para eliminar a diferen&ccedil;a que existe na pobreza das fam&iacute;lias em que a pessoa de refer&ecirc;ncia &eacute; branca ou em que a pessoa de refer&ecirc;ncia &eacute; preta ou parda&rdquo;, observa Leonardo.<\/p>\n<p>O estudo mostra ainda que o IPM-NM da popula&ccedil;&atilde;o com pessoas de cor preta ou parda se manteve acima da m&eacute;dia nacional. Al&eacute;m disso, a contribui&ccedil;&atilde;o desse grupo para a composi&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice nacional aumentou: em 2008-2009 tinham participa&ccedil;&atilde;o de 75,7% e em 2017-2018 saltou para 79,1%. De acordo com a pesquisa, &ldquo;tais resultados evidenciam que a desigualdade estrutural n&atilde;o se alterou, apesar da redu&ccedil;&atilde;o do IPM-NM&rdquo;.<\/p>\n<p>No recorte pelo grau de escolaridade, nota-se que o subgrupo cujas pessoas de refer&ecirc;ncia da fam&iacute;lia n&atilde;o t&ecirc;m instru&ccedil;&atilde;o registrou queda no IPM-NM de 56%. Entre a popula&ccedil;&atilde;o cuja pessoa de refer&ecirc;ncia tinha o ensino fundamental incompleto ou completo, a diminui&ccedil;&atilde;o foi de 59%.<\/p>\n<h2><strong>Vulnerabilidade<\/strong><\/h2>\n<p>O estudo tamb&eacute;m traz uma avalia&ccedil;&atilde;o a partir do &iacute;ndice de vulnerabilidade multidimensional n&atilde;o monet&aacute;rio (IVM-NM). Ele trabalha com um ponto de corte mais baixo. S&atilde;o consideradas as pessoas com mais de um sexto das priva&ccedil;&otilde;es de qualidade de vida que foram reportadas. A an&aacute;lise, portanto, engloba um contingente populacional mais amplo que o IPM-NM.<\/p>\n<p>De acordo com os resultados, entre os bi&ecirc;nios 2008-2009 e 2017-2018, o IVM-NM caiu de 14,5 para 7,7. Trata-se de uma redu&ccedil;&atilde;o de 47%. Os pesquisadores notaram novamente diferen&ccedil;as entre as quedas na &aacute;rea urbana (48,1%) e na &aacute;rea rural (39,4%). Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m foi observada uma redu&ccedil;&atilde;o levemente maior da vulnerabilidade da popula&ccedil;&atilde;o com pessoas de refer&ecirc;ncia de cor branca (50%), quando comparada com a diminui&ccedil;&atilde;o registrada entre a popula&ccedil;&atilde;o com pessoas de refer&ecirc;ncia de cor preta ou parda (47,3%).<\/p>\n<p>O estudo apresentou ainda resultados para o &iacute;ndice de pobreza multidimensional com componente relativo (IPM-CR). Nesse caso, os pesquisadores n&atilde;o trabalham com ponto de corte, mas sim com a identifica&ccedil;&atilde;o e a agrega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&ldquo;Basicamente, perguntamos para cada pessoa qual &eacute; o seu grau de perda e quantas pessoas t&egrave;m um grau de perda acima de voc&ecirc;. Isso &eacute; levado em considera&ccedil;&atilde;o. Depois, perguntamos para uma pessoa seguinte. &Eacute; justamente por causa dessa compara&ccedil;&atilde;o pessoal que voc&ecirc; passa a ter um indicador com um componente relativo de pobreza&rdquo;, explica Leonardo.<\/p>\n<p>Pela perspectiva do IPM-CR, tamb&eacute;m houve melhora para o Brasil entre os bi&ecirc;nios 2008-2009 e 2017-2018. O &iacute;ndice registra queda de 20%, saindo de 15 para 12. Por outro lado, oferece uma leitura diferente para a compara&ccedil;&atilde;o entre &aacute;rea urbana e &aacute;rea rural, que tiveram redu&ccedil;&atilde;o similar: 18,5% no primeiro caso e 18,8% no segundo.<\/p>\n<p>Quando os resultados s&atilde;o analisados a partir da cor ou ra&ccedil;a, os dados tamb&eacute;m trazem um novo enquadramento. No grupo com pessoas de refer&ecirc;ncia da cor preta ou parda o &iacute;ndice caiu de 18,7 para 14,4, uma redu&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 23%. Entre o grupo com pessoas de refer&ecirc;ncia, a queda foi de 17,6%, saindo de 10,8 para 8,9.<\/p>\n<p>Os pesquisadores sustentam que os resultados retratam a persist&ecirc;ncia da desigualdade entre essas popula&ccedil;&otilde;es, tendo em vista que as contribui&ccedil;&otilde;es para a composi&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice nacional pouco se modificaram. O grupo com pessoas de refer&ecirc;ncia da cor preta ou parda teve em 2017-2018 uma participa&ccedil;&atilde;o de 68,4% no IPM-CR total. Esse percentual indica leve aumento na compara&ccedil;&atilde;o com 2008-2009, per&iacute;odo em que essa contribui&ccedil;&atilde;o foi de 65,4%.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, o IPM-CR, assim como o IPM-NM e o IVM-NM, aponta para forte redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e da vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, sinaliza que os maiores valores continuam concentrados nos seguimentos menos favorecidos, reiterando a exist&ecirc;ncia de um componente estrutural da desigualdade. Al&eacute;m disso, os pesquisadores observam que, ao analisar os tr&ecirc;s &iacute;ndices, as dimens&otilde;es &ldquo;acesso aos servi&ccedil;os financeiros e padr&atilde;o de vida&rdquo; e &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; tiveram maior impacto, por&eacute;m sem diferen&ccedil;a muito grande das demais, refor&ccedil;ando o car&aacute;ter multidimensional da pobreza e da vulnerabilidade.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"cta-end\">\n<div class=\"im-cta\" >\n<div class=\"im-shortcode-forms bg-light bg-opacity-25 border rounded-4 p-3 p-sm-4 p-md-3 p-lg-4 px-xxl-5 my-5\" data-configuration='{\"form_name\":false,\"form_hat\":\"Newsletter\",\"form_email\":true,\"form_icon\":\"newsletter\",\"form_phone\":false,\"form_campaign\":\"NIM\",\"form_thankyou\":\"\",\"form_journey\":\"APIEvent-26a5198d-8e09-06ef-5f80-cd9127757ad1\",\"form_button\":\"Quero 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