{"id":31222,"date":"2023-08-24T17:26:20","date_gmt":"2023-08-24T20:26:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infomoney.com.br\/?p=2225177"},"modified":"2023-08-24T17:26:20","modified_gmt":"2023-08-24T20:26:20","slug":"marco-temporal-de-terras-indigenas-e-aprovado-na-cra-e-segue-para-a-ccj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/24\/marco-temporal-de-terras-indigenas-e-aprovado-na-cra-e-segue-para-a-ccj\/","title":{"rendered":"Marco temporal de terras ind\u00edgenas \u00e9 aprovado na CRA e segue para a CCJ"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" class=\"attachment-medium size-medium wp-post-image\" alt=\"\" decoding=\"async\" style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;\" srcset=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?w=799&amp;quality=70&amp;strip=all 799w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?w=300&amp;quality=70&amp;strip=all 300w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?w=768&amp;quality=70&amp;strip=all 768w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?w=150&amp;quality=70&amp;strip=all 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-attachment-id=\"1909325\" data-permalink=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/uniao-brasil-oficializa-candidatura-de-soraya-thronicke-a-presidencia\/attachment\/soraya_thronicke\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?fit=799%2C533&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-orig-size=\"799,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Jefferson Rudy\\\/Ag\\u00eancia Senado&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Senado Federal do Brasil&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Soraya Thronicke\" data-image-description=\"&lt;p&gt;A senadora Soraya Thronicke (Uni\u00e3o Brasil-MS) (Foto: Jefferson Rudy\/Ag\u00eancia Senado)&lt;\/p&gt;\n\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;A senadora Soraya Thronicke (Uni\u00e3o Brasil-MS) (Foto: Jefferson Rudy\/Ag\u00eancia Senado)&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-large-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/Soraya_Thronicke.jpg?fit=799%2C533&amp;quality=70&amp;strip=all\" title=\"\"><\/p>\n<p>Ap&oacute;s audi&ecirc;ncia p&uacute;blica interativa nesta quarta-feira (23), a Comiss&atilde;o de Agricultura e Reforma Agr&aacute;ria (CRA) aprovou o projeto de lei&nbsp;que estabelece um marco temporal para a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas. Foram 13 votos a favor e 3 contr&aacute;rios ao&nbsp;PL 2.903\/2023. A reuni&atilde;o foi comandada pelo presidente da CRA, senador Alan Rick (Uni&atilde;o-AC).<\/p>\n<p>A proposta, que ficou mais conhecida como PL 490\/2007, foi aprovada pela C&acirc;mara dos Deputados no final de maio, ap&oacute;s tramitar por mais de 15 anos. Na CRA, o projeto recebeu voto favor&aacute;vel da relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), e agora segue para an&aacute;lise da Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o, Justi&ccedil;a e Cidadania (CCJ). Em seguida, caber&aacute; ao Plen&aacute;rio votar a decis&atilde;o final.<\/p>\n<p>Soraya rejeitou as dez emendas apresentadas por senadores.&nbsp;A relatora disse estar &ldquo;convicta de que a data da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o federal, de 5 de outubro de 1988, representa par&acirc;metro apropriado de marco temporal para verifica&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia da ocupa&ccedil;&atilde;o da terra pela comunidade ind&iacute;gena&rdquo;.<\/p>\n<p>De acordo com o texto aprovado, para que uma &aacute;rea seja considerada &ldquo;terra ind&iacute;gena tradicionalmente ocupada&rdquo;, ser&aacute; preciso comprovar que, na data de promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, ela vinha sendo habitada pela comunidade ind&iacute;gena em car&aacute;ter permanente e utilizada para atividades produtivas. Tamb&eacute;m ser&aacute; preciso demonstrar que essas terras eram necess&aacute;rias para a reprodu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e cultural dos ind&iacute;genas e para a preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos ambientais necess&aacute;rios ao seu bem-estar.<\/p>\n<p>No caso de o local pretendido para demarca&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estar habitado por comunidade ind&iacute;gena em 5 de outubro de 1988, fica descaracterizada a ocupa&ccedil;&atilde;o permanente exigida em lei, exceto se houver &ldquo;renitente esbulho&rdquo; na mesma data, isto &eacute;, conflito pela posse da terra. Assim, terras n&atilde;o ocupadas por ind&iacute;genas e que n&atilde;o eram objeto de disputa na data do marco temporal n&atilde;o poder&atilde;o ser demarcadas.<\/p>\n<p>Por outro lado, o projeto altera a Lei 4.132, de 1962, para incluir, entre situa&ccedil;&otilde;es que permitem desapropria&ccedil;&atilde;o de terras particulares por interesse social, a destina&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas &agrave;s comunidades ind&iacute;genas que n&atilde;o se encontravam em &aacute;rea de ocupa&ccedil;&atilde;o tradicional na data do marco temporal, desde que necess&aacute;rias &agrave; sua reprodu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e cultural.<\/p>\n<p>O projeto tamb&eacute;m pro&iacute;be a amplia&ccedil;&atilde;o das terras ind&iacute;genas j&aacute; demarcadas e declara nulas as demarca&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o atendam aos seus preceitos.<\/p>\n<p>Na audi&ecirc;ncia p&uacute;blica que precedeu a vota&ccedil;&atilde;o da proposta na CRA, lideran&ccedil;as ind&iacute;genas condenaram a PEC, afirmando que os riscos que ela cont&eacute;m v&atilde;o al&eacute;m da demarca&ccedil;&atilde;o de terras. Representantes do governo tamb&eacute;m se posicionaram contra a aprova&ccedil;&atilde;o, sustentando que o texto avan&ccedil;ou sem consulta aos povos ind&iacute;genas e&nbsp;pode causar mais inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica, pois desconsidera anos de trabalho do Executivo mitigando conflitos de propriedade de terras.<\/p>\n<p>Na C&acirc;mara, deputados contr&aacute;rios ao marco temporal afirmaram que a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto seria uma amea&ccedil;a aos direitos dos povos ind&iacute;genas e traria preju&iacute;zos &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Ind&iacute;genas chegaram a chamar a decis&atilde;o de genoc&iacute;dio.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) tamb&eacute;m analisa o assunto, para definir se a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o pode servir como marco temporal para essa finalidade &mdash; entendimento aplicado pelo tribunal quando da demarca&ccedil;&atilde;o da reserva ind&iacute;gena Raposa Serra do Sol, em Roraima.<\/p>\n<h2><strong>Regras para demarca&ccedil;&atilde;o e indeniza&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/h2>\n<p>De acordo com o projeto, os ocupantes n&atilde;o ind&iacute;genas ter&atilde;o direito &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o pelas benfeitorias de boa-f&eacute;, assim entendidas aquelas erguidas na &aacute;rea at&eacute; a conclus&atilde;o do procedimento demarcat&oacute;rio.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m caber&aacute; indeniza&ccedil;&atilde;o pela terra que for considerada necess&aacute;ria &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o sociocultural da comunidade ind&iacute;gena nos casos em que, por erro do Estado, os ocupantes detiverem t&iacute;tulo de propriedade ou de posse.<\/p>\n<p>O texto estabelece regras gerais para os processos de demarca&ccedil;&atilde;o, como o acesso p&uacute;blico a todas as informa&ccedil;&otilde;es, ressalvados os dados pessoais protegidos pela Lei Geral de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados Pessoais (Lei 13.709, de 2018); a garantia de que todos os interessados ser&atilde;o ouvidos, inclusive estados e munic&iacute;pios onde estiverem localizadas as &aacute;reas em demarca&ccedil;&atilde;o; o direito &agrave; tradu&ccedil;&atilde;o de todos os atos para as l&iacute;nguas dos ind&iacute;genas interessados; e a possibilidade de ser alegada a suspei&ccedil;&atilde;o dos antrop&oacute;logos, peritos e especialistas que atuarem no procedimento.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m fica garantido o direito dos funcion&aacute;rios a servi&ccedil;o da Uni&atilde;o ingressarem na propriedade particular a ser demarcada a fim de levantar dados e informa&ccedil;&otilde;es, devendo, no entanto, ser feita a comunica&ccedil;&atilde;o ao propriet&aacute;rio com pelo menos 15 dias &uacute;teis de anteced&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Os processos de demarca&ccedil;&atilde;o em andamento na data de publica&ccedil;&atilde;o da lei oriunda do projeto dever&atilde;o se adequar a ela.<\/p>\n<h2><strong>Rodovias e torres de energia<\/strong><\/h2>\n<p>O PL 2.903\/2023 garante &agrave;s comunidades ind&iacute;genas o direito de usar as terras demarcadas como acharem melhor, mas autoriza a Uni&atilde;o a tamb&eacute;m utiliz&aacute;-las caso julgue necess&aacute;rio para a defesa nacional e para a realiza&ccedil;&atilde;o de projetos de interesse p&uacute;blico, sem que seja necess&aacute;rio consultar a comunidade ocupante ou os &oacute;rg&atilde;os indigenistas.<\/p>\n<p>Fica autorizada, por exemplo, a instala&ccedil;&atilde;o de bases militares, a constru&ccedil;&atilde;o de rodovias, a instala&ccedil;&atilde;o de redes de comunica&ccedil;&atilde;o, a atua&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal e a constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios necess&aacute;rios &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, como escolas e postos de sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Nos casos em que as terras ind&iacute;genas coincidirem com unidades de conserva&ccedil;&atilde;o, essas &aacute;reas ser&atilde;o administradas pelo &oacute;rg&atilde;o federal gestor, com a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade ind&iacute;gena e com a consultoria do &oacute;rg&atilde;o indigenista competente.<\/p>\n<h2>Isen&ccedil;&atilde;o de impostos e transg&ecirc;nicos<\/h2>\n<p>O projeto prev&ecirc; a explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica das terras ind&iacute;genas, inclusive em coopera&ccedil;&atilde;o ou com contrata&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ind&iacute;genas. A &aacute;rea n&atilde;o poder&aacute;, entretanto, ser arrendada, vendida ou alienada de qualquer forma.<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o de contratos com n&atilde;o ind&iacute;genas depender&aacute; da aprova&ccedil;&atilde;o da comunidade, da manuten&ccedil;&atilde;o da posse da terra e da garantia de que as atividades realizadas gerem benef&iacute;cio para toda a comunidade.<\/p>\n<p>N&atilde;o incidir&atilde;o quaisquer impostos sobre as terras ind&iacute;genas, sobre o usufruto de suas riquezas ou sobre a renda ind&iacute;gena.<\/p>\n<p>O PL 2.903\/2023 altera a Lei 11.460, de 2006, para permitir o cultivo de organismos transg&ecirc;nicos em terras ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>De acordo com o texto, tamb&eacute;m poder&aacute; haver explora&ccedil;&atilde;o do turismo, desde que organizado pela comunidade ind&iacute;gena, ainda que em parceria com terceiros. A pesca, a ca&ccedil;a e a coleta de frutos ser&aacute; autorizada para n&atilde;o ind&iacute;genas exclusivamente se estiver relacionada ao turismo.<\/p>\n<p>A entrada de n&atilde;o ind&iacute;genas nas &aacute;reas demarcadas depender&aacute; da autoriza&ccedil;&atilde;o da comunidade ou dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos competentes, conforme o objetivo. No caso de rodovias que atravessem a &aacute;rea, o tr&acirc;nsito ser&aacute; livre.<\/p>\n<p>O texto do projeto especifica que o ingresso, a perman&ecirc;ncia e o tr&acirc;nsito de pessoas n&atilde;o-ind&iacute;genas na &aacute;rea, ou o uso das estradas e dos equipamentos p&uacute;blicos ali localizados, n&atilde;o poder&atilde;o ser objeto de qualquer tipo de cobran&ccedil;a por parte das comunidades ind&iacute;genas.<\/p>\n<h2><strong>Reservas ind&iacute;genas<\/strong><\/h2>\n<p>Al&eacute;m das &aacute;reas tradicionalmente ocupadas, o PL 2.903\/2023 tamb&eacute;m prev&ecirc; outras duas modalidades de terras ind&iacute;genas: as &aacute;reas reservadas e as adquiridas.<\/p>\n<p>As &aacute;reas reservadas s&atilde;o aquelas destinadas pela Uni&atilde;o &agrave; posse e ocupa&ccedil;&atilde;o por comunidades ind&iacute;genas, como terras devolutas, &aacute;reas p&uacute;blicas e terras particulares desapropriadas por interesse social. Ser&atilde;o enquadradas assim as reservas e parques constitu&iacute;dos com base na Lei 6.001, de 1973 (Estatuto do &Iacute;ndio).<\/p>\n<p>As &aacute;reas reservadas continuar&atilde;o sendo propriedade da Uni&atilde;o, mas ser&atilde;o geridas pelos ind&iacute;genas nelas instalados, sob supervis&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional dos Povos Ind&iacute;genas (Funai).<\/p>\n<p>O texto prev&ecirc; que essas terras poder&atilde;o vir a ser retomadas e destinadas &agrave; reforma agr&aacute;ria caso se verifique que, em raz&atilde;o da altera&ccedil;&atilde;o dos tra&ccedil;os culturais da comunidade ocupante, elas n&atilde;o forem mais necess&aacute;rias para garantir sua subsist&ecirc;ncia a preserva&ccedil;&atilde;o de sua cultura.<\/p>\n<p>J&aacute; as terras adquiridas s&atilde;o aquelas que vierem a ser compradas ou recebidas em doa&ccedil;&atilde;o, ou por qualquer outra forma prevista na legisla&ccedil;&atilde;o civil, e ser&atilde;o consideradas propriedade particular. As terras de dom&iacute;nio ind&iacute;gena constitu&iacute;das com base na Lei 6.001 ser&atilde;o enquadradas como adquiridas.<\/p>\n<h2><strong>Povos isolados<\/strong><\/h2>\n<p>O PL 2.903\/2023 pro&iacute;be todo contato com povos isolados por parte de entidades particulares, salvo se estiverem a servi&ccedil;o do Estado. Agentes p&uacute;blicos, com apoio da Funai, poder&atilde;o contat&aacute;-los para prestar aux&iacute;lio m&eacute;dico ou intermediar a&ccedil;&atilde;o estatal de utilidade.<\/p>\n<h2><strong>Integridade do territ&oacute;rio nacional<\/strong><\/h2>\n<p>No relat&oacute;rio, a senadora Soraya Thronicke recomenda a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto na forma como veio da C&acirc;mara. A relatora se manifesta favor&aacute;vel &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do marco temporal de 5 de outubro de 1988 para a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>Para Soraya, n&atilde;o &eacute; razo&aacute;vel nem leg&iacute;timo incluir no conceito de &ldquo;terras tradicionalmente ocupadas&rdquo;, previsto no artigo 231 da Constitui&ccedil;&atilde;o, &ldquo;uma ocupa&ccedil;&atilde;o que regresse a um marco temporal imemorial, ou seja, ocupa&ccedil;&atilde;o a tempo at&aacute;vico, a per&iacute;odos remotos, que, no limite, poderia gerar disputa sobre todo o territ&oacute;rio nacional&rdquo;.<\/p>\n<p>A relatora tamb&eacute;m argumenta que a ado&ccedil;&atilde;o do marco temporal, bem como os demais dispositivos do projeto, atendem tanto ao que determina a Constitui&ccedil;&atilde;o quanto ao entendimento do STF estabelecido em 2013 no julgamento da Peti&ccedil;&atilde;o 3.388\/RR, em que foi declarada constitucional a demarca&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da Terra Ind&iacute;gena Raposa Terra do Sol, em Roraima.<\/p>\n<h2><strong>Decis&atilde;o pol&ecirc;mica<\/strong><\/h2>\n<p>A proposta &eacute; pol&ecirc;mica por restringir a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas &agrave;quelas tradicionalmente ocupadas por esses povos em 5 de outubro de 1988, data da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os opositores ao texto temem que a prote&ccedil;&atilde;o aos povos ind&iacute;genas e ao meio ambiente fique prejudicada, enquanto os defensores apontam que a mat&eacute;ria pode trazer seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e incentivar a produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria fora das &aacute;reas demarcadas.<\/p>\n<p>Durante a vota&ccedil;&atilde;o na CRA, tamb&eacute;m apoiaram a aprova&ccedil;&atilde;o os senadores Jayme Campos (Uni&atilde;o-MT), Tereza Cristina (PP-MS), Zequinha Marinho (Podemos-PA), Jorge Seif (PL-SC) e outros.<\/p>\n<p>A senadora Tereza Cristina disse que o marco temporal &eacute; um avan&ccedil;o e vai aumentar a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica no pa&iacute;s. Jorge Seif avaliou que o texto aprovado est&aacute; de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Defenderam a rejei&ccedil;&atilde;o da proposta os senadores Humberto Costa (PT-PE), Fabiano Contarato (PT-ES) e Jaques Wagner (PT-BA).<\/p>\n<p>Contarato avaliou como inconstitucional o texto aprovado. Humberto Costa informou que a bancada do PT &eacute; contra a aprova&ccedil;&atilde;o do projeto por acreditar que vai aumentar a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e ser&aacute; prejudicial aos povos ind&iacute;genas. Ele afirmou que o projeto &ldquo;&eacute;, em todos os aspectos, nefasto para o nosso pa&iacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p>Segundo o texto aprovado, de iniciativa do ex-deputado Homero Pereira (1955&ndash;2013), para serem consideradas terras tradicionalmente ocupadas, ser&aacute; preciso comprovar objetivamente que, na data de promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, essas &aacute;reas eram ao mesmo tempo habitadas em car&aacute;ter permanente pelas etnias, usadas para atividades produtivas, necess&aacute;rias &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos ambientais e &agrave; reproduc&#807;a&#771;o fi&#769;sica e cultural.<\/p>\n<h2><strong>Debates<\/strong><\/h2>\n<p>O marco temporal tem sido tema de audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas e de discursos no Senado. Em um debate na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos (CDH) no final do m&ecirc;s de junho, os debatedores classificaram o projeto como inconstitucional. Segundo os especialistas que participaram da audi&ecirc;ncia, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 n&atilde;o determina um &ldquo;marco temporal&rdquo; para que um territ&oacute;rio possa ser demarcado como ind&iacute;gena, o que faz com que o projeto possa ser entendido como inconstitucional.<\/p>\n<p>No Plen&aacute;rio, alguns senadores tamb&eacute;m j&aacute; se manifestaram. Ao citar o julgamento do marco temporal no STF, o senador Marcos Rog&eacute;rio (PL-RO) demonstrou preocupa&ccedil;&atilde;o com o direito de propriedade. J&aacute; o senador Jaime Bagattoli (PL-RR) pediu urg&ecirc;ncia na vota&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria.<\/p>\n<p>&ldquo;Esse marco temporal precisa ser votado. N&oacute;s sabemos que n&oacute;s temos que respeitar os nossos ind&iacute;genas, mas tamb&eacute;m precisamos entender que n&oacute;s n&atilde;o podemos causar um problema, causar uma guerra no campo sobre as propriedades que est&atilde;o l&aacute; h&aacute; mais de cem anos, com t&iacute;tulos e que foram escrituradas. Esses produtores t&ecirc;m direito tamb&eacute;m a suas propriedades&rdquo;, afirmou o senador, em discurso no final do m&ecirc;s passado.<\/p>\n<p>Outro parlamentar a favor do marco temporal &eacute; o senador Magno Malta (PL-ES), que j&aacute; declarou no Plen&aacute;rio que vota a favor do projeto de lei.<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"cta-end\">\n<div class=\"im-cta\" >\n<div class=\"im-shortcode-forms bg-light bg-opacity-25 border rounded-4 p-3 p-sm-4 p-md-3 p-lg-4 px-xxl-5 my-5\" data-configuration='{\"form_name\":false,\"form_hat\":\"Newsletter\",\"form_email\":true,\"form_icon\":\"newsletter\",\"form_phone\":false,\"form_campaign\":\"NIM\",\"form_thankyou\":\"\",\"form_journey\":\"APIEvent-26a5198d-8e09-06ef-5f80-cd9127757ad1\",\"form_button\":\"Quero 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