{"id":29994,"date":"2023-08-16T13:14:00","date_gmt":"2023-08-16T16:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/08\/16\/margarida-maria-alves-tem-nome-aprovado-para-inclusao-no-livro-de-herois-e-heroinas-da-patria.ghtml"},"modified":"2023-08-16T13:14:00","modified_gmt":"2023-08-16T16:14:00","slug":"margarida-maria-alves-tem-nome-aprovado-para-inclusao-no-livro-de-herois-e-heroinas-da-patria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/16\/margarida-maria-alves-tem-nome-aprovado-para-inclusao-no-livro-de-herois-e-heroinas-da-patria\/","title":{"rendered":"Margarida Maria Alves tem nome aprovado para inclus\u00e3o no Livro de Her\u00f3is e Hero\u00ednas da P\u00e1tria"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/o5PT4ZllKzYARMp8_JTQ6ZBGEHo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2021\/g\/2\/k7I4hIRKWOzl3tTS2ERw\/whatsapp-image-2021-08-12-at-11.13.41-1-.jpeg\" \/><br \/>     L\u00edder sindical paraibana \u00e9 um s\u00edmbolo da luta por direitos dos trabalhadores do campo. Homenagem foi aprovada pelo Senado e segue para a san\u00e7\u00e3o do presidente Lula.  Jos\u00e9 de Arimateia com a m\u00e3e, Margarida Maria Alves, na d\u00e9cada de 1980. \nArquivo pessoal\/Jos\u00e9 de Arimateia\nO nome de Margarida Maria Alves, l\u00edder sindical paraibana  s\u00edmbolo da luta por direitos dos trabalhadores do campo, foi aprovado no Senado Federal para ser inclu\u00eddo no Livro dos Her\u00f3is e Hero\u00ednas da P\u00e1tria.  A homenagem, aprovada na ter\u00e7a-feira (15), segue para a san\u00e7\u00e3o do presidente Lula (PT). \nA proposta  de homenagem foi apresentada na C\u00e2mara pela deputada federal Maria do Ros\u00e1rio (PT-RS), e na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Senado, o relator foi o senador Paulo Paim (PT-RS). A aprova\u00e7\u00e3o aconteceu durante a Marcha das Margaridas, evento que celebra a mem\u00f3ria e o legado da l\u00edder sindical, e cobra justi\u00e7a, igualdade e paz no campo e na cidade. O assassinato de Margarida completou 40 anos no s\u00e1bado (12).\nParticipando do encerramento da Marcha das Margaridas, nesta quarta (16),  Lula  homenageou a paraibana. O presidente disse que ela \u00e9 s\u00edmbolo de muitas lutas e \"inspira\u00e7\u00e3o para tantas outras mulheres\". \nInitial plugin text\nParaibana de Alagoa Grande\nMargarida Maria Alves nasceu em 5 de agosto de 1933, em Alagoa Grande, no Brejo da Para\u00edba.\nEla foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Durante 12 anos na presid\u00eancia da entidade, lutou para que os trabalhadores do campo tivessem seus direitos respeitados, como carteira de trabalho assinada, f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio e jornada de trabalho de 8 horas di\u00e1rias.\nLEIA TAMB\u00c9M: Elizabeth Teixeira e Margarida Alves traduzem luta feminina por direitos no campo\nA l\u00edder sindical se transformou em s\u00edmbolo de resist\u00eancia e luta contra a viol\u00eancia no campo, pela reforma agr\u00e1ria e fim da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rurais. \nPara o filho, Jos\u00e9 de Arimateia, a m\u00e3e deixou uma legado imenso. \"Minha m\u00e3e foi \u00fanica no que fez como ser humano limitado, mas por onde eu passo e tenho oportunidade, testemunho desta sua luta. E, al\u00e9m disso, \u00e9 de suma import\u00e2ncia sempre lembrar a luta que esta guerreira trilhou e tombou, atrav\u00e9s do Movimento de Mulheres e dos Movimentos Sociais\", destacou.\nL\u00edder sindical Margarida Maria Alves foi assassinada em 1983 por motivos pol\u00edticos, na Para\u00edba\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nLegado de Margarida Maria Alves\nO livro \u201cMargarida, Margaridas: Mem\u00f3ria de Margarida Maria Alves (1933-1983) atrav\u00e9s das Pr\u00e1ticas Educativas das Margaridas\", da professora doutora Ana Paula Rom\u00e3o de Souza Ferreira, conta, al\u00e9m da trajet\u00f3ria de Margarida, a import\u00e2ncia do seu legado.\nPara ela, a heran\u00e7a deixada pela l\u00edder sindical estende-se em pelo menos tr\u00eas dimens\u00f5es. \nA primeira como mulher camponesa e sindicalista rural, o que n\u00e3o era comum para a \u00e9poca, sobretudo no Nordeste. Margarida Alves foi uma das fundadoras do Movimento Mulheres do Brejo, que articula as lutas das mulheres com as lutas do campo. \nA segunda heran\u00e7a \u00e9 a dimens\u00e3o mais conhecida da paraibana, que \u00e9 a luta pelos direitos trabalhistas dos trabalhadores rurais, como carteira assinada, d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, jornada di\u00e1ria de trabalho de 8 horas e f\u00e9rias, direitos que j\u00e1 haviam sido conquistados pelo setor urbano. Assim como tamb\u00e9m influenciou no incentivo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos trabalhadores do campo, mais uma heran\u00e7a deixada por ela. \nA sindicalista tamb\u00e9m foi fundadora do Centro de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Trabalhador Rural junto a Paulo Freire, e deixou um forte legado na luta coletiva.\n\"Tenho certeza que a sua luta n\u00e3o foi em v\u00e3o, a maior prova disso \u00e9 que do seu sangue surgiram muitas outras mulheres guerreiras que foram inspiradas por ela. Tem muito ainda a fazer, mas valeu a pena toda luta e sacrif\u00edcio da minha querida e estimada m\u00e3e\", declarou o filho de Margarida, Jos\u00e9 de Arimateia.\nMarcha das Margaridas\nH\u00e1 23 anos, mulheres de diversos movimentos sociais marcham at\u00e9 Bras\u00edlia em homenagem \u00e0 mem\u00f3ria da l\u00edder sindical e contra a pobreza, a fome e a viol\u00eancia sexista. \nO movimento come\u00e7ou em 2000, com a participa\u00e7\u00e3o de aproximadamente 20 mil mulheres. Desde ent\u00e3o, a cada quatro anos, elas voltam a se reunir nas ruas de Bras\u00edlia para cobrar pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0s mulheres camponesas. \nA pauta da Marcha das Margaridas de 2023 foi entregue ao governo federal, durante evento com a participa\u00e7\u00e3o de 13 ministras e ministros, no Pal\u00e1cio do Planalto, no dia 21 de junho. No mesmo dia foi entregue a pauta voltada ao Legislativo para o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, deputado Arthur Lira.\nMarcha das Margaridas re\u00fane agricultoras em Bras\u00edlia\nREUTERS\/Ueslei Marcelino\nNesta quarta (16), no encerramento da Marcha das Margaridas, o presidente Lula anunciou uma s\u00e9ria de medidas voltadas para as trabalhadoras rurais, entre  as quais um plano emergencial de reforma agr\u00e1ria. O presidente tamb\u00e9m lan\u00e7ou o Pacto Nacional de Preven\u00e7\u00e3o ao Feminic\u00eddio.\nAssassinato de Margarida Maria Alves\nMargarida Maria Alves foi morta na frente de sua casa em 12 de agosto de 1983 com um tiro de escopeta calibre 12 no rosto, disparado por um pistoleiro. Na hora do crime ela estava acompanhada do esposo e do seu filho pequeno.\n\u201cEstava brincando na rua da nossa casa, quando ouvi o estampido do tiro. Corri para casa, quando me deparei com o seu corpo totalmente ensanguentado\u201d, relembra Jos\u00e9 de Arimateia.\nAs den\u00fancias de abusos e desrespeito aos direitos dos trabalhadores nas usinas da regi\u00e3o, feitas por Margarida, resultaram no seu assassinato, encomendado por fazendeiros.\nQuando Margarida foi assassinada, 72 a\u00e7\u00f5es trabalhistas estavam sendo movidas contra os fazendeiros locais.\nAp\u00f3s 40 anos, ningu\u00e9m foi preso\nAp\u00f3s 40 anos, nenhum acusado pela morte da sindicalista foi condenado. O crime teve repercuss\u00e3o internacional, com den\u00fancia encaminhada \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pelo Gabinete de Assessoria Jur\u00eddica \u00e0s Organiza\u00e7\u00f5es Populares (GAJOP), em conjunto com o Centro pela Justi\u00e7a e pelo Direito Internacional (CEJIL), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) e pela Funda\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos Margarida Maria Alves.\nAp\u00f3s investiga\u00e7\u00f5es, foram mencionados como mandantes o usineiro Aguinaldo Veloso Borges, latifundi\u00e1rio e propriet\u00e1rio da Usina Tanques, e seu genro Jos\u00e9 Buarque de Gusm\u00e3o Neto (Zito Buarque). Eles faziam parte do chamado Grupo da V\u00e1rzea, composto por 60 fazendeiros, tr\u00eas deputados e 50 prefeitos. Foram acusados pelo crime o soldado da PM Bet\u00e2neo Carneiro dos Santos, os irm\u00e3os pistoleiros Amauri Jos\u00e9 do Rego e Amaro Jos\u00e9 do Rego e Biu Gen\u00e9sio, motorista do carro que levou os matadores at\u00e9 a casa de Margarida.\nOs assassinos nunca foram condenados e, dos envolvidos, apenas Zito Buarque foi julgado. Ele ficou preso por tr\u00eas meses, tendo sido absolvido em 2001, em Jo\u00e3o Pessoa.\nJos\u00e9 de Arimateia com a esposa Anistela\nJos\u00e9 de Arimateia\/Arquivo pessoal \nFilho ganha indeniza\u00e7\u00e3o\nO filho da agricultora e l\u00edder sindical Margarida Maria Alves recebeu indeniza\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e danos morais pela morte da m\u00e3e, ap\u00f3s determina\u00e7\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 5\u00aa Regi\u00e3o (TRF5).\nJos\u00e9 de Arimateia Alves recebeu um total de R$ 431.720, sendo R$ 181.720 a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e R$ 250 mil por danos morais. A decis\u00e3o foi un\u00e2nime da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5\u00aa Regi\u00e3o \u2013 TRF5.\nA l\u00edder sindical Margarida Maria Alves teve sua condi\u00e7\u00e3o de anistiada pol\u00edtica do regime militar reconhecido em longo processo administrativo, conclu\u00eddo em 6 de julho de 2016, pela Portaria n\u00ba 1.114\/2016. Esse ato concede ao anistiado e seus dependentes econ\u00f4micos o direito \u00e0 devida repara\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria pelos danos causados em decorr\u00eancia da persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        L\u00edder sindical paraibana \u00e9 um s\u00edmbolo da luta por direitos dos trabalhadores do campo. Homenagem foi aprovada pelo Senado e segue para a san\u00e7\u00e3o do presidente Lula.  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