{"id":29481,"date":"2023-08-13T09:35:19","date_gmt":"2023-08-13T12:35:19","guid":{"rendered":"https:\/\/wpa.wscom.com.br\/?p=917401"},"modified":"2023-08-13T09:35:19","modified_gmt":"2023-08-13T12:35:19","slug":"pais-que-lutam-eles-combatem-racismo-e-se-multiplicam-em-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/13\/pais-que-lutam-eles-combatem-racismo-e-se-multiplicam-em-amor\/","title":{"rendered":"Pais que lutam: eles combatem racismo e se multiplicam em amor"},"content":{"rendered":"<p><em>Do Leme ao Pontal, n\u00e3o h\u00e1 nada igual\u2026\u201d<\/em>. Foi \u00e0 beira do mar, no Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, cantada pelos versos de Tim Maia, que a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia recome\u00e7a. Foi l\u00e1, h\u00e1 cerca de 10 anos, que Juliano Almeida expressou para o marido, Roberto Jardim, sobre o maior sonho: ser pai. Um grande amigo de longa data, Ricardo Souza, que \u00e9 solteiro, tamb\u00e9m se sensibilizou com as palavras de Juliano, e resolveu ajudar intensamente na procura e nos tr\u00e2mites da ado\u00e7\u00e3o de um menino.\u00a0O sonho na beira da praia responde hoje como uma realidade. Pedro tem oito anos, \u00e9 negro e chama os tr\u00eas homens de \u201cpai\u201d. Uma hist\u00f3ria de prote\u00e7\u00e3o multiplicada e, como todo amor, n\u00e3o h\u00e1 igual\u2026<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1548602&amp;o=node\" alt=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1548602&amp;o=node\" alt=\"\" title=\"\"><\/p>\n<p>Ali\u00e1s, desde cedo, o menino ouviu em casa que ningu\u00e9m \u00e9 igual. \u201cAlgu\u00e9m comentou na escola que ele era adotado e ele veio perguntar para a gente. Ele lida de uma forma muito tranquila porque a crian\u00e7a entende como natural\u201d, afirma Juliano, de 50 anos, que \u00e9 produtor cultural. Para os adultos, uma transforma\u00e7\u00e3o em andamento.<\/p>\n<p>\u201cSer pai \u00e9 uma oportunidade que a pessoa tem para se tornar um melhor ser humano\u201d, entende o marido Roberto, que trabalha como contador. \u201c\u00c9 uma mistura de sensa\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo que \u00e9 um amor que n\u00e3o tem como medir, \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria que dividimos\u201d, avalia o amigo, Ricardo, de 49, estilista, que est\u00e1 morando na cidade de Cabo Frio, a 200 km da capital fluminense.<\/p>\n<p>Juliano recorda que foi despertado tamb\u00e9m para ser pai ao observar e sofrer diante das injusti\u00e7as como a fome e abandono nas ruas. Ele, o marido e o amigo multiplicam-se tamb\u00e9m entre eles para equilibrar amor e limites no processo de educa\u00e7\u00e3o. Os tr\u00eas buscam, na medida do poss\u00edvel, agendar eventos e at\u00e9 viagens para os quatro estarem juntos. Um compromisso deles na cria\u00e7\u00e3o do menino \u00e9 tratar a diversidade de forma natural e ser contra toda forma de preconceito. \u201cEle ainda n\u00e3o passou por epis\u00f3dio de racismo. A gente traz para ele a naturalidade da pluralidade de cor de pele, de sexo e de religi\u00f5es\u201d.<\/p>\n<h2>\u201cEle me procurou para falar de racismo\u201d<\/h2>\n<p>Nesse caminho, o soci\u00f3logo Helton Souto, presidente do Instituto Dacor (Ong de combate ao racismo), entende que \u00e9 poss\u00edvel tratar de temas como o preconceito racial de uma forma natural com a crian\u00e7a, a fim de que ela se sinta empoderada para perguntar o que quiser. Como pai de Augusto, de 7 anos, um menino negro, como ele, Souto entende que falar de racismo \u00e9 desafiador a qualquer momento, mas necess\u00e1rio. Ele, a m\u00e3e, que \u00e9 branca, e o filho vivem em S\u00e3o Paulo (SP).<\/p>\n<p>\u201cA valoriza\u00e7\u00e3o da identidade e da autoestima \u00e9 bastante Importante. \u00c0s vezes, uma crian\u00e7a negra vai ter que lidar com manifesta\u00e7\u00e3o de racismo de uma forma muito crua\u201d. O pesquisador lida com esse tema em casa. \u201c\u00c9 preciso fortalecer essa identidade e a oportunidade de falar sobre isso. Meu filho viveu uma situa\u00e7\u00e3o racista na escola. Falaram do cabelo dele. Ele chegou em casa sem entender. Ele puxou esse assunto e conversei com ele\u201d. Desde ent\u00e3o, o garoto encontra no pai um ouvido atento para eventuais surpresas e d\u00favidas sobre tudo o que \u00e9 incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia fez com que os pais do menino procurassem a escola para conversar, o que foi uma oportunidade de uma aproxima\u00e7\u00e3o contra o racismo. A forma natural de falar sobre preconceito acaba sendo tratada at\u00e9 quando v\u00e3o jogar videogame e n\u00e3o encontrarem um personagem de pele e cabelo semelhante aos do pai e filho. \u201cEu n\u00e3o vou dar aula sobre identidade racial para meu filho. A viv\u00eancia \u00e9 o melhor caminho\u201d. O pai fica orgulhoso do filho,\u00a0que mesmo t\u00e3o cedo\u00a0questiona por que ainda tem tanta gente em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<h2>Conversa enquanto brinca<\/h2>\n<p>Pai de uma menina de cinco anos de idade, Liah, o professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica Anderson Rosa, de 36, morador de Bras\u00edlia, tem a parceria da esposa, L\u00e9lia Charliane, que \u00e9 professora de hist\u00f3ria.\u00a0 \u201cA gente divide todas as tarefas. N\u00e3o existe essa coisa de tarefa de homem e tarefa de mulher. Com a minha filha, a gente brinca de tudo. A gente sempre est\u00e1 conversando\u201d.<\/p>\n<p>O pai pergunta como \u00e9 que foi o dia dela. E cada dia tem uma novidade. Um dos temas \u00e9 a conversa sobre a diversidade da cor de pele. \u201cA gente procura falar para ela o tempo todo essa quest\u00e3o de ela ser negra. Criamos ela para ser empoderada mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Foi a esposa, diretamente, e a filha, pela presen\u00e7a, que o professor entendeu\u00a0que \u00e9 necess\u00e1rio se defender dos preconceitos. \u201cA gente tem conversado com ela desde pequena. Conseguimos mostrar para ela de uma forma natural\u201d.<\/p>\n<h2>Inspira\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover aligncenter\" title=\"Aquivo Pessoal\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/uRcysPJODi223BKAxAfPJ1Fd4b8=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/hugotelesefilhos2-topaz_0.jpg?itok=0XGfvU2O\" alt=\"12\/08\/2023, O pai Hugo Teles com seus filhos. - Mat\u00e9ria para o dia dos pais. Foto: Aquivo Pessoal\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">12\/08\/2023, Hugo Teles, pai de Camila e Jo\u00e3o, afirma que ado\u00e7\u00e3o e racismo n\u00e3o s\u00e3o tabus dentro de casa.\u00a0<strong>Foto:\u00a0Arquivo Pessoal<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Por falar em experi\u00eancia forte, a hist\u00f3ria de paternidade do advogado Hugo Teles, de 44 anos, \u00e9 inspiradora. Pai de Jo\u00e3o, de 13 anos, e de Camila, de 12, ele se preparou para a paternidade, a grande experi\u00eancia de sua vida. Ele e a esposa, Karina, adotaram os amores da vida quando eram beb\u00eas. Tudo foi t\u00e3o transformador para ele que se tornou volunt\u00e1rio em um grupo de apoio \u00e0 ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a, ele teve um c\u00e2ncer linf\u00e1tico e, depois, descobriu que era est\u00e9ril. \u201cOptamos pelo caminho da ado\u00e7\u00e3o. Nessa caminhada, eu constru\u00ed a minha a minha ideia do que seria um pai antes dos meninos chegarem\u201d. Ele e a esposa come\u00e7aram a frequentar grupos de apoio e discuss\u00e3o de paternidade e maternidade por ado\u00e7\u00e3o. \u201cFoi t\u00e3o inspirador que passamos a ajudar as pessoas que estavam na nossa situa\u00e7\u00e3o anterior\u201d.<\/p>\n<p>Nesses grupos, puderam compreender mais sobre preconceitos, estigmas e desafios. Os pais brancos e os filhos negros conversam sobre racismo mesmo entendendo que, no caso da fam\u00edlia deles, n\u00e3o houve at\u00e9 hoje algo expl\u00edcito. \u201cDepois que eu me tornei pai por ado\u00e7\u00e3o, comecei a perceber de uma forma diferente o racismo estrutural que existe no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Para conversar sobre ado\u00e7\u00e3o e diversidade, o pai encontrou no cinema, e em hist\u00f3rias de her\u00f3is como\u00a0Super-Homem e Homem Aranha, entre outros,\u00a0um caminho. \u201cMuitos super-her\u00f3is s\u00e3o filhos por ado\u00e7\u00e3o, por exemplo\u201d. Al\u00e9m do cinema, o pai \u00e9 parceiro do futebol de\u00a0Jo\u00e3o e aprendeu pratos diferentes porque a filha gosta de cozinhar. O paiz\u00e3o n\u00e3o para nunca. Pula na piscina, anda de bicicleta, leva para escola. E volta para o grupo de ado\u00e7\u00e3o\u00a0para ajudar outros pais a desfrutar da alegria, da aventura mais desafiadora e\u00a0do amor incondicional\u00a0que certa vez\u00a0imaginou n\u00e3o ser poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/pais-que-lutam-eles-combatem-racismo-e-se-multiplicam-em-amor\/\" target=\"_blank\">Pais que lutam: eles combatem racismo e se multiplicam em amor<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/\" target=\"_blank\">WSCOM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do Leme ao Pontal, n\u00e3o h\u00e1 nada igual\u2026\u201d. Foi \u00e0 beira do mar, no Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, cantada pelos versos de Tim Maia, que a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia recome\u00e7a. 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