{"id":29477,"date":"2023-08-13T09:42:10","date_gmt":"2023-08-13T12:42:10","guid":{"rendered":"https:\/\/wpa.wscom.com.br\/?p=917407"},"modified":"2023-08-13T09:42:10","modified_gmt":"2023-08-13T12:42:10","slug":"indigenas-apresentam-cultura-e-bandeiras-de-luta-em-feira-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/13\/indigenas-apresentam-cultura-e-bandeiras-de-luta-em-feira-no-rio\/","title":{"rendered":"Ind\u00edgenas apresentam cultura e bandeiras de luta em feira no Rio"},"content":{"rendered":"<p>A barraca de Tereza Arapium \u2013 artes\u00e3 e militante ind\u00edgena \u2013 tem cestos, chap\u00e9us e uma s\u00e9rie de itens decorativos feitos a partir de materiais encontrados na natureza. Mais precisamente nos arredores da Aldeia Andir\u00e1, \u00e0s margens do Rio Arapiuns, na Amaz\u00f4nia paraense. Folhas do tucum\u00e3, um tipo de palmeira, viram a palha que \u00e9 a base do artesanato. As cores e os grafismos s\u00e3o feitos com tintas obtidas em frutas como o jenipapo e o urucum.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1548654&amp;o=node\" alt=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1548654&amp;o=node\" alt=\"\" title=\"\"><\/p>\n<p>O artesanato chama a aten\u00e7\u00e3o pela beleza e pela sustentabilidade, uma vez que n\u00e3o tem nenhum produto qu\u00edmico e a colheita da mat\u00e9ria-prima respeita os ciclos naturais. Por tr\u00e1s de todo esse trabalho, tamb\u00e9m h\u00e1 uma sabedoria ancestral, de mais de 200 anos, que ajuda a divulgar as bandeiras de luta do povo ind\u00edgena.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se trata aqui s\u00f3 de vender o artesanato do meu povo, mas de tornar mais conhecida a cultura das mulheres ind\u00edgenas da floresta que s\u00e3o invisibilizadas. Que vivem em lugares onde as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o chegam. Isso aqui \u00e9 uma fonte de renda, que elas usam para sustentar a fam\u00edlia. A arte \u00e9 uma forma de falar da devasta\u00e7\u00e3o ambiental e da Amaz\u00f4nia. Quando algu\u00e9m desmata a floresta, destr\u00f3i toda essa mat\u00e9ria-prima. E destr\u00f3i a nossa cultura. E um povo sem cultura, \u00e9 um povo sem hist\u00f3ria\u201d, disse Tereza Arapium.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/7cweJunfnvtG2qvNg8w9jQ6KzIo=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/povosindigenas_26.jpg?itok=e7iNyZRn\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/08\/2023 - Dia Internacional dos Povos\u00a0Ind\u00edgenas \u00e9 celebrado com feira de artesanato no Parque Lage. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Rio de Janeiro (RJ), 12\/08\/2023 &#8211; Dia Internacional dos Povos\u00a0Ind\u00edgenas \u00e9 celebrado com feira de artesanato no Parque Lage. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil &#8211;\u00a0<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Outros representantes de povos ind\u00edgenas tamb\u00e9m apresentam elementos da cultura e as principais bandeiras de luta na feira que ocorre neste s\u00e1bado\u00a0(12) e amanh\u00e3 (13) no Parque Lage, no Jardim Bot\u00e2nico, bairro da zona sul do Rio de Janeiro. O evento \u00e9 parte das celebra\u00e7\u00f5es pelo Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas, cuja data oficial foi 9 de agosto. \u00c9 organizado pela Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3 (AIAM), com o apoio institucional da EAV Escola de Artes Visuais e da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que participam mais de 350 ind\u00edgenas de pelo menos 25 etnias de todo o Brasil. S\u00e3o elas: Guarani, Patax\u00f3, Puri, Fulni-\u00f4, Tukano, Kaingang, Guajajara, Ashaninka, Tikuna, Tupinamb\u00e1, Baniwa, Waur\u00e1, Kamayur\u00e1, Kayap\u00f3, Mehinako, Pankararu, Kariri-Xoc\u00f3, Karaj\u00e1, Potiguara, Sater\u00e9 Maw\u00e9, Bororo, Kadiw\u00e9u, Kambeba, Ananb\u00e9, Kichua e Goitac\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do artesanato, h\u00e1 espa\u00e7o para c\u00e2nticos e dan\u00e7as tradicionais, narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, pintura corporal do p\u00fablico, rodas de conversa e debates. Marize Guarani, que \u00e9 a coordenadora do evento, explica que existe um prop\u00f3sito para al\u00e9m do com\u00e9rcio e das apresenta\u00e7\u00f5es culturais. A feira assume tamb\u00e9m uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e ajuda a mobilizar pessoas de outras etnias para as causas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cNosso principal objetivo sempre foi descontruir os estere\u00f3tipos. Somos pluri\u00e9tnicos e multiculturais. Estamos aqui lutando para que as pessoas entendam que merecemos respeito. Temos nossas tecnologias e nossos saberes como qualquer outro povo. Mas continuamos sendo vistos como povos que vivem isolados na aldeia. Quando chamamos as pessoas nessas feiras, \u00e9 para que estejam conosco, valorizem a nossa cultura e lutem junto conosco. Porque lutamos pela floresta, pelos animais, por tudo aquilo que \u00e9 fundamental para a humanidade e o planeta\u201d, diz Marize Guarani, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3 e professora de Hist\u00f3ria.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/So8pbWe7wlgvZk7Z9ej0iNkg8vc=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/povosindigenas_28.jpg?itok=g7YhSetc\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/08\/2023 - Dia Internacional dos Povos\u00a0Ind\u00edgenas \u00e9 celebrado com feira de artesanato no Parque Lage. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\">Rio de Janeiro (RJ), 12\/08\/2023 &#8211; Dia Internacional dos Povos\u00a0Ind\u00edgenas \u00e9 celebrado com feira de artesanato no Parque Lage. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil &#8211;\u00a0<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O cacique Arassari Patax\u00f3, l\u00edder ind\u00edgena da Aldeia Tatu\u00ed Patax\u00f3, no sul da Bahia, refor\u00e7ou a necessidade de di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos. Ele participou dos conflitos na Aldeia Maracan\u00e3 em 2013, quando for\u00e7as do estado fizeram uma reintegra\u00e7\u00e3o de posse violenta do terreno contra ocupantes ind\u00edgenas. Parte do grupo deixou o local e outra permanece at\u00e9 hoje. O governo estadual prometeu restaurar o pr\u00e9dio e criar um Centro de Refer\u00eancia da Cultura dos Povos Ind\u00edgenas, mas o projeto ainda n\u00e3o saiu do papel.<\/p>\n<p>Segundo Arassari, o engajamento da popula\u00e7\u00e3o com as causas ind\u00edgenas vai aumentar \u00e0 medida que haja mais trocas de conhecimento.<\/p>\n<p>\u201cNossas principais riquezas s\u00e3o a nossa tradi\u00e7\u00e3o e a nossa cultura. Se perdermos isso, n\u00f3s n\u00e3o seremos ningu\u00e9m. E a sociedade brasileira, especialmente a carioca, perdeu o conv\u00edvio com os nativos do Brasil\u201d, disse o cacique. \u201cMudamos um pouco a nossa estrat\u00e9gia de luta. Queremos investir mais em pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Al\u00e9m de trazer visibilidade para os povos origin\u00e1rios, apresentar conhecimentos e descolonizar toda uma hist\u00f3ria mal contada e as mentiras impregnadas na sociedade sobre os povos ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<h2>Servi\u00e7o<\/h2>\n<p>Evento: Dia Internacional dos Povos Ind\u00edgenas 2023<\/p>\n<p>Local: Parque Lage. Rua Jardim Bot\u00e2nico, 414. Rio de Janeiro<\/p>\n<p>Data: 12 e 13 de agosto<\/p>\n<p>Hor\u00e1rio: das 9h \u00e0s 17h30<\/p>\n<p>Entrada gratuita<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/indigenas-apresentam-cultura-e-bandeiras-de-luta-em-feira-no-rio\/\" target=\"_blank\">Ind\u00edgenas apresentam cultura e bandeiras de luta em feira no Rio<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/\" target=\"_blank\">WSCOM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A barraca de Tereza Arapium \u2013 artes\u00e3 e militante ind\u00edgena \u2013 tem cestos, chap\u00e9us e uma s\u00e9rie de itens decorativos feitos a partir de materiais encontrados na natureza. Mais precisamente nos arredores da Aldeia Andir\u00e1, \u00e0s margens do Rio Arapiuns, na Amaz\u00f4nia paraense. 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