{"id":28780,"date":"2023-08-08T17:22:16","date_gmt":"2023-08-08T20:22:16","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/08\/08\/vitima-de-estupro-fala-sobre-dor-dos-dias-seguintes-ao-crime-fiquei-uma-semana-quieta-imovel.ghtml"},"modified":"2023-08-08T17:22:16","modified_gmt":"2023-08-08T20:22:16","slug":"universitaria-vitima-de-estupro-fala-sobre-dor-dos-dias-seguintes-ao-crime-fiquei-uma-semana-quieta-imovel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/08\/08\/universitaria-vitima-de-estupro-fala-sobre-dor-dos-dias-seguintes-ao-crime-fiquei-uma-semana-quieta-imovel\/","title":{"rendered":"Universit\u00e1ria v\u00edtima de estupro fala sobre dor dos dias seguintes ao crime: &#8216;Fiquei uma semana quieta, im\u00f3vel&#8217;"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/4G2JjBqmzW3k4uCkkBuaxJBxdlo=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/Z\/K\/PDDyzcR7OWB2ADm7auAA\/20013-22b20c928381005d.webp\" \/><br \/>     Caso vai ser investigado pela Pol\u00edcia Civil do Cear\u00e1, local do crime. V\u00edtima mora na Para\u00edba e explica que quer alertar outras mulheres sobre a quest\u00e3o. V\u00edtima disse que n\u00e3o consegue mais sorrir e tamb\u00e9m n\u00e3o anda sozinha ap\u00f3s o crime. \nElza Fiuza\/Ag\u00eancia Brasil\nA estudante de medicina de 24 anos  v\u00edtima de um estupro ap\u00f3s uma festa na cidade de Fortaleza relatou como foram os dias dela ap\u00f3s o crime. A jovem vive em Jo\u00e3o Pessoa e foi dopada com a subst\u00e2ncia conhecida como \u2018boa noite cinderela\u2019 na capital cearense. A jovem conta que ficou sem rea\u00e7\u00e3o, em uma esp\u00e9cie de \u201cestado de loucura\u201d por uma semana, e disse que n\u00e3o consegue mais sorrir, e tamb\u00e9m n\u00e3o anda sozinha. \nA jovem \u00e9 natural de S\u00e3o Paulo, mas vive na Para\u00edba desde 2014 . Ela viajou para Fortaleza para curtir uma festa na cidade e tamb\u00e9m conhecer  pontos tur\u00edsticos da capital cearense.  O crime contra ela aconteceu no dia 16 de julho. \nO caso est\u00e1 sendo investigado pela Pol\u00edcia Civil do Cear\u00e1. A v\u00edtima, cuja identidade vai ser preservada, s\u00f3 foi \u00e0 delegacia em Jo\u00e3o Pessoa, quando retornou \u00e0 cidade dois dias depois. O estupro aconteceu num domingo, ela conseguiu voltar \u00e0 Para\u00edba na ter\u00e7a-feira (18) e na quarta-feira (19) compareceu \u00e0 Central de Pol\u00edcia de Jo\u00e3o Pessoa. Prestou uma s\u00e9rie de depoimentos, realizou exames de corpo de delito, foi encaminhada ao Hospital C\u00e2ndida Vargas. Depois, registrou ocorr\u00eancia de forma online na pol\u00edcia cearense. A Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba, inclusive, confirmou que todo o caso ser\u00e1 encaminhado para o Cear\u00e1, local do crime.\nO que ela pede para falar, contudo, \u00e9 sobre o p\u00f3s-estupro. Algo que, segundo a jovem, ningu\u00e9m fala muito no dia a dia:\n\u201cAs pessoas falam muito do abuso em si, mas o p\u00f3s \u00e9 terr\u00edvel. Fiquei uma semana quieta, im\u00f3vel, numa esp\u00e9cie de estado de loucura. Olhava para o teto e n\u00e3o via sentido em nada\u201d, desabafa.\nA estudante diz que lembra de tudo at\u00e9 certo momento da noite. Chegou com as amigas no local da festa, foi para uma \u00e1rea vip que elas tinham acesso, bebeu um pouco. Depois, porque o local estava muito cheio, elas procuraram e conseguiram uma mesa pr\u00f3xima \u00e0 pista de dan\u00e7a. Nesse momento, j\u00e1 n\u00e3o estava mais bebendo. Tomava \u00e1gua de coco para se hidratar. Deixou o copo na mesa e se voltou \u00e0 bolsa para pegar o celular, a fim de fazer um v\u00eddeo do show que acontecia no palco. Deu um novo gole de \u00e1gua de coco, e disse que a consci\u00eancia come\u00e7ou a fraquejar.\nEla conta que na quarta-feira (19), em meio aos exames realizados no C\u00e2ndida Vargas, foi identificado em seu organismo a subst\u00e2ncia \u201cmaleato de midazolam\u201d, um forte sedativo usado em casos graves de desconforto ou dores extremas e muito utilizado justamente em casos de estupro. \nUniversit\u00e1ria \u00e9 dopada em festa em Fortaleza e \u00e9 estuprada em seguida\nFoi isso o que fez ela perder gradativamente a consci\u00eancia.  Quando come\u00e7ou a passar mal, uma amiga sugeriu que a v\u00edtima fosse para casa, no que ela aceitou. A amiga come\u00e7ou a conduzi-la em dire\u00e7\u00e3o a um t\u00e1xi, quando um homem se ofereceu a ajudar, dizendo que tamb\u00e9m estava indo embora e a levaria at\u00e9 o ve\u00edculo.\nQuando a estudante entrou no t\u00e1xi, no entanto, o homem entrou junto, mesmo sob os protestos dela:\n\u201cApesar do meu estado, provocado pelo rem\u00e9dio, eu lembro que eu dizia \u2018n\u00e3o\u2019 a todo o momento. Eu lembro que disse o meu endere\u00e7o para o taxista, mas ele preferiu ouvir o outro homem que estava no local\u201d, afirma indignada .\nEla explica que repetiu o endere\u00e7o v\u00e1rias vezes, e suspeita inclusive que o  abusador deve ter tentado desqualific\u00e1-la. Algo do tipo \u201cest\u00e1 b\u00eabada, n\u00e3o liga para ela\u201d. Mas que, se as mulheres fossem mais ouvidas, esse tipo de crime n\u00e3o aconteceria t\u00e3o frequentemente. \n\u201cO motorista me ignorou completamente. Eu simplesmente n\u00e3o fui ouvida\u201d, lamenta.\nA estudante explica tamb\u00e9m que ficou muito machucada, com lacera\u00e7\u00f5es nos dedos das m\u00e3os e dos p\u00e9s, num caso t\u00edpico de quem resistiu muito para ir at\u00e9 onde o homem a levava. E que se impressiona com a certeza da sensa\u00e7\u00e3o de impunidade do agressor.\n\u201cEle me levou, ao que parece, para o pr\u00f3prio apartamento dele\u201d, explica.\nEla comenta que lembra de alguns \u201cflashs\u201d tudo meio turvo ao longo da madrugada, e que acordou pela manh\u00e3 completamente despida, ao lado de outros homens que ela nunca tinha visto (n\u00e3o sabe dizer se tamb\u00e9m foi estuprada por eles). E que o homem que a levou at\u00e9 aquele local ainda adotou um discurso meio agressivo, intimidador.\nA jovem, no entanto, s\u00f3 queria ir embora. Recolheu as suas roupas, vestiu-se, procurou o celular. N\u00e3o encontrou (descobriria depois que foi furtado). Lembrou o perfil da amiga no Instagram e mandou uma mensagem pelo celular do dono da casa. Essa \u00e9 a \u00fanica pista que ela tem sobre o poss\u00edvel estuprador. Ainda assim, uma pista importante, ressalta.\n\"N\u00e3o faz sentido\"\nN\u00e3o precisou de muito tempo para a estudante perceber que algo estava errado. Que aquilo o que aconteceu n\u00e3o poderia ser descrito como sexo consensual. Ainda assim, ela n\u00e3o foi imediatamente \u00e0 delegacia, em Fortaleza.\n\u201cEu tinha medo de ser humilhada. Um medo que, soube depois, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 meu\u201d, relata.\nA mulher, ent\u00e3o, ligou para a m\u00e3e, contou o que tinha acontecido, pediu ajuda. A previs\u00e3o inicial era de a viagem durar bem mais, mas a v\u00edtima conseguiu retornar para casa apenas alguns dias depois e logo em seguida procurou a pol\u00edcia. \nAp\u00f3s toda a parte policial, ela foi enviada para o hospital. \u00c9 sobre esse p\u00f3s que ela est\u00e1 mais impactada: \u201cPelos riscos de ser contaminada com HIV, eu preciso tomar medicamentos muito fortes ao longo de todo um m\u00eas. Eu passo tr\u00eas horas por dia passando mal\u201d, descreve.\nA quest\u00e3o biol\u00f3gica, contudo, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema. Ela fala de medo.\n\u201cEu sempre fui uma pessoa muito alegre, sempre ri muito, mas desde ent\u00e3o eu n\u00e3o consigo mais sorrir. Eu n\u00e3o consigo mais andar sozinha. Eu tenho medo de chegar perto de qualquer homem estando sozinha\u201d, confessa.\nEla diz que viveu um per\u00edodo de \u201cestado de inconsci\u00eancia consciente\u201d. Porque, ao tempo que n\u00e3o conseguia responder pelos seus atos, seguia passivamente se locomovendo.\nA estudante relata ainda que identificou muitas marcas roxas e muitos machucados ao longo do corpo. Mas que, o que de fato lhe maltrata, \u00e9 a forma como isso mexeu consigo nas semanas seguintes. Algo que, tal como ela percebe, vai ser para sempre. \n\u201cEstou passando por um per\u00edodo de solid\u00e3o. Eu n\u00e3o tenho mais for\u00e7as f\u00edsicas e mentais. N\u00e3o tenho mais coragem de fazer atividades que antes eram simples, como correr na praia ou passear com meu cachorrinho. A dor que eu estou sentido \u00e9 t\u00e3o horr\u00edvel, que nada mais parece me provocar sofrimento\u201d, descreve. \nA v\u00edtima, no entanto, pondera que est\u00e1 fazendo terapia. Mas que, embora isso seja importante, ela ainda n\u00e3o tem respostas sobre o futuro. \u201cA gente fica sem saber como seguir a vida. Afinal, como \u00e9 que vai ser a partir de agora?\u201d, questiona. Estou tentando me reconectar comigo mesma\u201d, completa.\nPor fim, ela explica o que pretende com tudo isso. \u201cEu quero justi\u00e7a, claro. Mas eu quero tamb\u00e9m alertar e ajudar outras mulheres\u201d, encerra.\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Caso vai ser investigado pela Pol\u00edcia Civil do Cear\u00e1, local do crime. V\u00edtima mora na Para\u00edba e explica que quer alertar outras mulheres sobre a quest\u00e3o. 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