{"id":25193,"date":"2023-07-12T13:30:38","date_gmt":"2023-07-12T16:30:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.infomoney.com.br\/?p=2184926"},"modified":"2023-07-12T13:30:38","modified_gmt":"2023-07-12T16:30:38","slug":"apesar-de-excecoes-reforma-tributaria-promove-avanco-cavalar-no-sistema-brasileiro-diz-appy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/07\/12\/apesar-de-excecoes-reforma-tributaria-promove-avanco-cavalar-no-sistema-brasileiro-diz-appy\/","title":{"rendered":"Apesar de exce\u00e7\u00f5es, reforma tribut\u00e1ria promove avan\u00e7o \u201ccavalar\u201d no sistema brasileiro, diz Appy"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" class=\"attachment-medium size-medium wp-post-image\" alt=\"\" decoding=\"async\" style=\"float:right; margin:0 0 10px 10px;\" srcset=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?w=799&amp;quality=70&amp;strip=all 799w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?w=300&amp;quality=70&amp;strip=all 300w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?w=768&amp;quality=70&amp;strip=all 768w, https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?w=150&amp;quality=70&amp;strip=all 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" data-attachment-id=\"2184932\" data-permalink=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/apesar-de-excecoes-reforma-tributaria-promove-avanco-cavalar-no-sistema-brasileiro-diz-appy\/attachment\/52603048138_2480dbfb82_c\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=799%2C533&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-orig-size=\"799,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Washington Costa&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Ministerio da Economia&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"Bernard Appy\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;O economista Bernard Appy, secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio da reforma tribut\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Fazenda (Foto: Washington Costa\/MF)&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-large-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=799%2C533&amp;quality=70&amp;strip=all\" title=\"\"><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"youtube-player\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_rA-KnT0Uo4?version=3&#038;rel=1&#038;%23038;showsearch=0&#038;%23038;showinfo=1&#038;%23038;iv_load_policy=1&#038;%23038;fs=1&#038;%23038;hl=pt-BR&#038;%23038;autohide=2&#038;%23038;wmode=transparent\" allowfullscreen=\"true\" style=\"border:0;\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation\"><\/iframe><\/p>\n<p>Mesmo com concess\u00f5es feitas a setores espec\u00edficos da economia, com a cria\u00e7\u00e3o de regimes especiais e al\u00edquota diferenciada para determinados bens e servi\u00e7os, a vers\u00e3o da Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que trata da <strong>reforma tribut\u00e1ria<\/strong> (PEC 45\/2019) aprovada pela C\u00e2mara dos Deputados deve trazer avan\u00e7os significativos para o sistema de cobran\u00e7a dos impostos indiretos no Brasil. \u00c9 o que avalia o economista <strong>Bernard Appy<\/strong>, secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio de reforma tribut\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n<p>Considerado o &#8220;pai&#8221; da proposta original de reforma tribut\u00e1ria sobre o consumo debatida pelo Congresso Nacional nos \u00faltimos quatro anos, Appy diz que o texto constru\u00eddo pelos parlamentares substitui um modelo fragmentado, complexo e repleto de distor\u00e7\u00f5es em vigor por outro mais simples, com ampla base de incid\u00eancia, n\u00e3o cumulativo e que vai reduzir o elevado estoque de contenciosos jur\u00eddicos e administrativos existente no pa\u00eds, al\u00e9m de combater a sonega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O saldo \u00e9 bastante positivo. Obviamente, gostar\u00edamos que houvesse menos exce\u00e7\u00f5es. Foi o necess\u00e1rio para viabilizar politicamente a reforma. Mas, se pensarmos no desenho geral, o avan\u00e7o \u00e9 absolutamente cavalar em rela\u00e7\u00e3o ao que temos hoje. Em vez de um sistema tribut\u00e1rio com a fragmenta\u00e7\u00e3o enorme da base de incid\u00eancia, vamos passar a ter dois IVAs com uma \u00fanica legisla\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Na pr\u00e1tica, \u00e9 um IVA dual, um \u00fanico imposto, com uma parte federal e outra dos estados e munic\u00edpios, com base ampla de incid\u00eancia, tributa\u00e7\u00e3o no destino. Vai acabar com todos os benef\u00edcios fiscais dos tributos indiretos que existem hoje no pa\u00eds. Vai ter um sistema de cobran\u00e7a extremamente simples, totalmente eletr\u00f4nico, e n\u00e3o cheio de casos espec\u00edficos de regimes especiais&#8221;, prosseguiu.<\/p>\n<p>Bernard Appy conversou com exclusividade com o <strong>InfoMoney<\/strong> na manh\u00e3 da \u00faltima ter\u00e7a-feira (12), por videoconfer\u00eancia. <strong>Assista \u00e0 \u00edntegra da entrevista pelo v\u00eddeo acima ou <a href=\"https:\/\/youtu.be\/_rA-KnT0Uo4\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">clicando aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>O texto aprovado unifica cinco impostos em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que ser\u00e1 dividido em dois: a Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), com a substitui\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o para o Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social (PIS), a Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI). E o Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS), no lugar do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e sobre Presta\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7os de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunica\u00e7\u00e3o (ICMS) e do Imposto sobre Servi\u00e7os de Qualquer Natureza (ISS).<\/p>\n<p>O modelo busca estabelecer uma defini\u00e7\u00e3o ampla para o fato gerador do novo tributo, sem diferencia\u00e7\u00e3o entre produtos e servi\u00e7os, e garantir a n\u00e3o cumulatividade plena (ou seja, acabar com o chamado \u201cefeito cascata\u201d), com dedu\u00e7\u00e3o do tributo que incide sobre as opera\u00e7\u00f5es anteriores, mesmo que indiretamente relacionado \u00e0 atividade produtiva, em um sistema de cr\u00e9dito financeiro. Tamb\u00e9m fica estabelecido o regime de cobran\u00e7a \u201cpor fora\u201d, no destino das opera\u00e7\u00f5es com bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Embora reconhe\u00e7a que o substitutivo mantenha algum n\u00edvel de distor\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os relativos por conta de tratamentos favorecidos concedidos, o secret\u00e1rio acredita que o novo modelo pode p\u00f4r fim \u00e0 cobran\u00e7a indesejada de impostos sobre investimentos e exporta\u00e7\u00f5es e \u00e0 pr\u00f3pria guerra fiscal entre os estados.<\/p>\n<p>Nos c\u00e1lculos de Appy, caso a proposta fosse aprovada sem qualquer exce\u00e7\u00e3o, a al\u00edquota do novo imposto seria de pouco menos de 25%. Com as mudan\u00e7as, \u00e9 poss\u00edvel que os tratamentos diferenciados exijam um percentual mais elevado para garantir a manuten\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria atual.<\/p>\n<p>Por outro lado, o secret\u00e1rio diz que a efici\u00eancia do novo modelo (o que ele chama de &#8220;gap de conformidade&#8221;) tamb\u00e9m gerar\u00e1 press\u00e3o no sentido contr\u00e1rio. A resultante disso ainda n\u00e3o foi estimada pela equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&#8220;De fato, nossa estimativa \u00e9 que, se n\u00e3o houvesse nenhuma exce\u00e7\u00e3o, a al\u00edquota seria um pouco menor do que 25%. Sempre lembrando que \u00e9 25% <em>[incidente]<\/em> no pre\u00e7o sem imposto (o que corresponde a 20% do pre\u00e7o com imposto)&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Obviamente, com os tratamentos favorecidos que foram dados, ela ficaria acima dos 25%. E, com a redu\u00e7\u00e3o do \u201cgap\u201d de conformidade, ela tende a ser reduzida. O efeito l\u00edquido ainda n\u00e3o temos certeza absoluta&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;O que \u00e9 certo \u00e9 que a al\u00edquota vai ser fixada de forma a manter a carga tribut\u00e1ria atual&#8221;, assegurou.<\/p>\n<p>Para passar a valer, a PEC ainda precisa ser analisada pelo Senado Federal, onde tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio apoio m\u00ednimo de 3\/5 dos integrantes da casa legislativa (ou seja, 49 dos 81) em dois turnos de vota\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio. Durante toda a tramita\u00e7\u00e3o, o texto ainda pode sofrer altera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Caso ele seja aprovado com mudan\u00e7as de m\u00e9rito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vers\u00e3o recebida dos deputados, \u00e9 necess\u00e1ria nova an\u00e1lise da C\u00e2mara. A PEC vai de uma casa para a outra (o chamado pingue-pongue) at\u00e9 que seja votada sem diferen\u00e7as. Ela somente vai \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional quando superadas essas diverg\u00eancias.<\/p>\n<p>Durante a entrevista, Appy disse esperar que a &#8220;espinha dorsal&#8221; do texto seja mantida, mas com um debate mais intenso sobre a quest\u00e3o federativa pelos senadores \u2012 em especial na organiza\u00e7\u00e3o do Conselho Federativo que administrar\u00e1 o IBS (por\u00e7\u00e3o subnacional do IVA) e na distribui\u00e7\u00e3o dos recursos do Fundo de Desenvolvimento Regional.<\/p>\n<p>Leia os destaques da entrevista:<\/p>\n<p><b>InfoMoney: Muitos classificaram a aprova\u00e7\u00e3o da PEC da reforma tribut\u00e1ria como &#8220;hist\u00f3rica&#8221;, com a migra\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a da origem para o destino, por fora, base ampla, introdu\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade e a possibilidade de simplifica\u00e7\u00e3o do sistema e redu\u00e7\u00e3o do volume de contenciosos na Justi\u00e7a. Por outro lado, h\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o de que o texto poderia ter sido mais progressivo e com menos concess\u00f5es a setores espec\u00edficos. Qual o saldo que o senhor faz da vers\u00e3o aprovada pelos deputados?<\/b><\/p>\n<p>Bernard Appy: O saldo \u00e9 bastante positivo. Obviamente, gostar\u00edamos que houvesse menos exce\u00e7\u00f5es. Foi o necess\u00e1rio para viabilizar politicamente a reforma. Mas, se pensarmos no desenho geral, o avan\u00e7o \u00e9 absolutamente cavalar em rela\u00e7\u00e3o ao que temos hoje. Em vez de um sistema tribut\u00e1rio com a fragmenta\u00e7\u00e3o enorme da base de incid\u00eancia, vamos passar a ter dois IVAs com uma \u00fanica legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, \u00e9 um IVA dual, um \u00fanico imposto, com uma parte federal e outra dos estados e munic\u00edpios, com base ampla de incid\u00eancia, tributa\u00e7\u00e3o no destino. Vai acabar com todos os benef\u00edcios fiscais dos tributos indiretos que existem hoje no pa\u00eds. Vai ter um sistema de cobran\u00e7a extremamente simples, totalmente eletr\u00f4nico, e n\u00e3o cheio de casos espec\u00edficos de regimes especiais. Nesse ponto de vista, foi um avan\u00e7o muito grande.<\/p>\n<p>O efeito, em termos de corrigir as distor\u00e7\u00f5es que temos hoje, tamb\u00e9m foi muito grande. S\u00f3 para pensar: 1) Avan\u00e7a enormemente em termos de redu\u00e7\u00e3o da complexidade; 2) Lit\u00edgio: vamos ter uma \u00fanica regra para todos os tributos, que v\u00e3o ser extremamente simples, com poucas exce\u00e7\u00f5es; 3) Tributa\u00e7\u00e3o de investimentos: deixar\u00e1 de existir; 4) Tributa\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es: deixar\u00e1 de existir; 5) Distor\u00e7\u00f5es alocativas: deixar\u00e3o de existir. <em>[Hoje,]<\/em> \u00e9 muito mais barato fazer um pr\u00e9dio de concreto armado do que com estruturas pr\u00e9-fabricadas. <em>[Isso]<\/em> Vai deixar de existir. <em>[Assim como]<\/em> Incentivo fiscal para que caminh\u00e3o d\u00ea uma volta pelo pa\u00eds simplesmente para economizar tributo.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o foi muito grande. O \u00faltimo problema s\u00e3o distor\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os relativos. Nossa tributa\u00e7\u00e3o distorce enormemente. <em>[A reforma aprovada]<\/em> Manteve alguma distor\u00e7\u00e3o, por conta dos tratamentos favorecidos que entraram, mas, perto do que existe, \u00e9 muito menor. Portanto, o avan\u00e7o foi relevante nessa discuss\u00e3o no Congresso Nacional.<\/p>\n<p><b>IM: Quais s\u00e3o suas expectativas para a nova etapa de tramita\u00e7\u00e3o da proposta no Senado Federal? O que pode mudar no texto? Qual \u00e9 sua impress\u00e3o sobre poss\u00edveis resist\u00eancias dos senadores?<\/b><\/p>\n<p>BA: Ainda \u00e9 cedo para saber o que vai mudar. Acho natural que o Senado discuta as quest\u00f5es federativas. N\u00f3s temos visto muito zunzum, muitas falas sobre a reforma tribut\u00e1ria, mas ainda existe um trabalho de explicar para os senadores o que foi aprovado na C\u00e2mara. Uma parte do que vemos aparecer no debate pol\u00edtico talvez seja at\u00e9 por desconhecimento do que foi aprovado. Depois, vai haver o debate no Senado Federal, que \u00e9 soberano e vai decidir como vai querer tratar a mat\u00e9ria.<\/p>\n<p><b>IM: Considerando o debate federativo, quais s\u00e3o seus pontos de aten\u00e7\u00e3o nesta fase do debate?<\/b><\/p>\n<p>BA: H\u00e1 dois pontos principais que v\u00e3o surgir no debate no Senado. Um deles \u00e9 a quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o do Fundo de Desenvolvimento Regional, que o texto aprovado na C\u00e2mara deixou para lei complementar. O segundo \u00e9 da governan\u00e7a do Conselho Federativo. Quanto \u00e0s outras quest\u00f5es, claro que o Senado pode mudar, mas, do ponto de vista do impacto da reforma sobre as finan\u00e7as dos estados e munic\u00edpios, o modelo de transi\u00e7\u00e3o muito longo, durante 50 anos, n\u00e3o tem nenhuma relev\u00e2ncia para os contribuintes. Isso \u00e9 simplesmente na distribui\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma transi\u00e7\u00e3o muito longa, e ainda com um seguro-receita, uma parcela de 3% da parcela distribu\u00edda pelo destino, que serve para compensar aqueles entes que t\u00eam maior perda em termos proporcionais de participa\u00e7\u00e3o no total da arrecada\u00e7\u00e3o, de forma que, mesmo ao final de 50 anos, ainda haver\u00e1 um limite de perda de participa\u00e7\u00e3o no total da arrecada\u00e7\u00e3o. Isso mitiga muito o efeito da reforma sobre aqueles entes que perdem participa\u00e7\u00e3o no total do bolo da arrecada\u00e7\u00e3o, e certamente esse efeito vai ser mais do que compensado ao longo do per\u00edodo pelo efeito positivo da reforma sobre o crescimento.<\/p>\n<p>O desenho est\u00e1 bem feito na C\u00e2mara. Obviamente o Senado pode discutir tudo, pode discutir par\u00e2metros ou o pr\u00f3prio modelo, mas acho que esse desenho j\u00e1 mitiga muito o efeito sobre aqueles entes que t\u00eam redu\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o no total da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As pessoas ficam falando muito do Conselho Federativo como um \u00f3rg\u00e3o superpoderoso, com muito poder pol\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 verdade. O Conselho Federativo vai ser um \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico: vai editar o regulamento do imposto, vai operacionalizar a arrecada\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o, mas isso \u00e9 um algoritmo. \u00c9 poss\u00edvel at\u00e9 que a gente tenha f\u00f3rmulas na lei complementar, e ele vai ter que simplesmente montar um sistema em que elas v\u00e3o ser incorporadas. Ele n\u00e3o vai ter poder nenhum, simplesmente vai operar um algoritmo, e o resultado da distribui\u00e7\u00e3o da receita para os entes vai ser autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>E ele vai interpretar a legisla\u00e7\u00e3o, que sempre acontece. Com uma legisla\u00e7\u00e3o mais simples, os problemas de diverg\u00eancia de interpreta\u00e7\u00e3o v\u00e3o ser muito pequenos, mas sempre ocorrem. Sempre vai haver algum caso espec\u00edfico em que ser\u00e1 necess\u00e1rio entender como deve ser aplicada a legisla\u00e7\u00e3o do imposto \u2012 essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Conselho, e \u00e9 importante que seja feito de forma nacionalmente uniforme. Imagine se cada estado come\u00e7ar a interpretar de uma forma diferente a legisla\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Mas \u00e9 s\u00f3 isso. Ele n\u00e3o tem poder de dar benef\u00edcio fiscal. Ele n\u00e3o tem nenhum poder que hoje at\u00e9 uma secretaria de Fazenda tem. Uma secretaria de Fazenda hoje tem poder de dar benef\u00edcio fiscal, l\u00f3gico que dentro do escopo definido pela legisla\u00e7\u00e3o estadual, de definir regime especial, forma diferente de cobrar o imposto. O Conselho Federativo n\u00e3o vai poder fazer nada disso. Ent\u00e3o, de fato, o poder dele \u00e9 muito menor do que as pessoas imaginam. E \u00e9 bom que seja assim. \u00c9 bom que ele seja um \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Inclusive, pelo modelo de governan\u00e7a que saiu da C\u00e2mara, qualquer mat\u00e9ria, para ser aprovada, precisa ter a maioria dos estados apoiando, estados que representem mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o e a maioria dos representantes dos munic\u00edpios. No fundo, h\u00e1 tr\u00eas inst\u00e2ncias de veto. O que significa que vai passar aquilo que for tecnicamente necess\u00e1rio para operacionalizar o imposto. E acho bom que seja assim. N\u00e3o queremos reconstruir um Confaz dentro do Conselho Federativo. O Confaz \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que foi criado para n\u00e3o funcionar, o Conselho Federativo \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que vai ser criado para funcionar.<\/p>\n<p><b>IM: Um dos cr\u00edticos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Conselho Federativo para administrar o IBS \u00e9 o economista Felipe Salto, ex-secret\u00e1rio de Fazenda do estado de S\u00e3o Paulo. Ele alega, dentre diversos pontos, que o modelo traz risco de\u00a0<\/b><b><a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/reforma-tributaria-virou-venda-de-gato-por-lebre-escancarada-diz-felipe-salto\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">prolifera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos oriundos de notas fraudadas<\/a>. Qual a capacidade de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Conselho no novo regime?<\/b><\/p>\n<p>BA: Risco de nota fraudada existe hoje j\u00e1, n\u00e3o h\u00e1 nada que mude. O que teremos s\u00e3o fiscaliza\u00e7\u00f5es concorrentes no mesmo imposto. Se tiver uma nota fraudada, ela vai ser fraudada para o tributo estadual e federal, porque o sistema de cobran\u00e7a vai ser o mesmo. Vamos ter a Receita Federal fiscalizando e os estados e munic\u00edpios <em>[tamb\u00e9m]<\/em>.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o que ficou para lei complementar, mas \u00e9 muito prov\u00e1vel que o ente que fiscalize acabe recebendo uma multa resultante de uma eventual autua\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, cria-se um incentivo para que os entes sigam fiscalizando. A \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que eles v\u00e3o ter que fazer isso de forma coordenada com o Conselho Federativo, mas ter\u00e3o autonomia de fazer sua fiscaliza\u00e7\u00e3o. Todos os estados e munic\u00edpios v\u00e3o ter acesso a todas as informa\u00e7\u00f5es das opera\u00e7\u00f5es em que eles sejam origem ou destino, que hoje n\u00e3o t\u00eam. Honestamente, acho que vai ficar um sistema mais forte do que \u00e9 hoje. Realmente n\u00e3o vejo base para essa preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>IM: Como funcionaria a multa aos entes subnacionais e para onde iriam os recursos?<\/b><\/p>\n<p>BA: Isso ainda n\u00e3o est\u00e1 definido, vai ficar para lei complementar. Acho que n\u00e3o faz sentido colocar na Constitui\u00e7\u00e3o. Mas, sempre no desenho da regulamenta\u00e7\u00e3o, acho importante criar bons incentivos. O bom incentivo \u00e9 aquele para que haja fiscaliza\u00e7\u00e3o onde houver fraudes, e n\u00e3o criar incentivos para tentar arrecadar mais via interpreta\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito ruim o que temos no Brasil hoje, de ficarem o Fisco e os contribuintes interpretando a legisla\u00e7\u00e3o, cada um de uma forma, e isso virar base das autua\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 um tributo muito mais simples, a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o vai ser nacionalmente uniforme, espero que seja compat\u00edvel entre a CBS e o IBS \u2012 a pr\u00f3pria PEC diz que a Receita Federal e o Conselho Federativo v\u00e3o ter que fazer um esfor\u00e7o de coordena\u00e7\u00e3o nessa quest\u00e3o.<\/p>\n<p><b>IM: O Senado tem uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as muito diferente da C\u00e2mara dos Deputados. O estado de S\u00e3o Paulo, que conseguiu ter voz fortalecida na governan\u00e7a do Conselho Federativo, n\u00e3o tem o mesmo peso no Senado. O senhor espera mudan\u00e7as? Como a composi\u00e7\u00e3o desta casa legislativa pode influenciar nas regras do Fundo de Desenvolvimento Regional e do fundo de compensa\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios com o ICMS?<\/b><\/p>\n<p>BA: Eu n\u00e3o tenho como antecipar como v\u00e3o ser as discuss\u00f5es, mas lembro que, como \u00e9 uma emenda constitucional, qualquer texto tem que ser aprovado pelas duas casas. Acredito que o Senado vai ter autonomia na sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a PEC, mas acho que seria importante que isso fosse feito com uma interlocu\u00e7\u00e3o junto \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados, para j\u00e1 tentar definir um texto aceit\u00e1vel nas duas casas.<\/p>\n<p>Numa PEC n\u00e3o h\u00e1 como uma casa se sobrepor \u00e0 outra. As duas t\u00eam que estar de acordo com rela\u00e7\u00e3o ao texto que for aprovado, e acho que isso vai acontecer. No que diz respeito \u00e0 espinha dorsal da reforma, acho que n\u00e3o deve haver muitas diverg\u00eancias. Estou falando em IVA de base ampla, tributa\u00e7\u00e3o no destino, a pr\u00f3pria arrecada\u00e7\u00e3o centralizada. Mas nas outras quest\u00f5es, o Senado tem autonomia para definir o que quer, mas, se puder fazer isso j\u00e1 em coordena\u00e7\u00e3o com a C\u00e2mara dos Deputados, melhor, porque aumenta a chance de aprovar nas duas casas.<\/p>\n<p><b>IM: O substitutivo aprovado pelos deputados traz previs\u00e3o de &#8220;cashback&#8221;, com a devolu\u00e7\u00e3o de parte dos tributos pagos por determinados grupos da popula\u00e7\u00e3o. Inicialmente, a ideia do governo era que o mecanismo fosse usado como contraponto a uma reonera\u00e7\u00e3o de produtos da cesta b\u00e1sica, de modo a tornar a pol\u00edtica mais focalizada e eficiente. O &#8220;cashback&#8221; fica enfraquecido com a decis\u00e3o de desonerar a cesta b\u00e1sica?<\/b><\/p>\n<p>BA: O &#8220;cashback&#8221; continua sendo importante. Ele continua sendo um instrumento bastante eficiente, do ponto de vista distributivo. O espa\u00e7o para us\u00e1-lo obviamente \u00e9 reduzido na hora em que se coloca a desonera\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica no texto constitucional. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o haver\u00e1 &#8220;cashback&#8221;. Ele vai existir, muito provavelmente, mas o espa\u00e7o fiscal entendido para poder alocar recursos na desonera\u00e7\u00e3o do consumo das fam\u00edlias de menor renda fica um pouco reduzido. Agora, \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica. Depois que tivermos o desenho pronto, \u00e9 poss\u00edvel decidir qual vai ser o escopo do &#8220;cashback&#8221;.<\/p>\n<p><b>IM: Ainda \u00e9 dif\u00edcil estimar as al\u00edquotas do novo sistema tribut\u00e1rio, mas o que o senhor espera e quais elementos influenciar\u00e3o no percentual final definido, considerando o texto aprovado pela C\u00e2mara dos Deputados?<\/b><\/p>\n<p>BA: Os dois elementos mais importantes s\u00e3o, de um lado, a quantidade de regimes favorecidos previstos na PEC. Na hora em que se optou por colocar na pr\u00f3pria emenda constitucional que s\u00f3 haveria uma al\u00edquota e que n\u00e3o haveria benef\u00edcios fiscais, exceto os casos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o, trouxeram toda a discuss\u00e3o setorial para o texto. Isso tem um custo, que \u00e9 o fato de trazer uma quantidade de exce\u00e7\u00f5es relativamente grande, mas h\u00e1 um benef\u00edcio que diz que, depois de aprovada a emenda constitucional, isso est\u00e1 basicamente definido, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel por lei ficar incluindo benef\u00edcios fiscais ou criando al\u00edquotas al\u00e9m daqueles j\u00e1 previstos.<\/p>\n<p>Por outro lado, quanto menor o que chamamos de <em>&#8220;gap&#8221;<\/em> de conformidade, menor tende a ser a al\u00edquota. <em>&#8220;Gap&#8221;<\/em> de conformidade \u00e9 um indicador da rela\u00e7\u00e3o entre quanto \u00e9 arrecadado e o quanto seria arrecadado teoricamente, se fosse aplicada a legisla\u00e7\u00e3o integralmente. Ele mede sonega\u00e7\u00e3o, elis\u00e3o, o imposto declarado e n\u00e3o pago, e o que se deixa de arrecadar em fun\u00e7\u00e3o de judicializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nossa expectativa \u00e9 que haja uma redu\u00e7\u00e3o relevante no <em>&#8220;gap&#8221;<\/em> de conformidade, em parte por conta da pr\u00f3pria simplifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. Legisla\u00e7\u00e3o mais simples reduz muito o risco da possibilidade de judicializa\u00e7\u00e3o do pagamento do imposto. O pr\u00f3prio sistema de cobran\u00e7a vai ser totalmente eletr\u00f4nico e reduz o risco de sonega\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 at\u00e9 discuss\u00e3o sobre um sistema de cobran\u00e7a no momento do pagamento da opera\u00e7\u00e3o, da liquida\u00e7\u00e3o financeira, estudado junto aos fiscos. Esse modelo reduz enormemente o risco de declarar o imposto e n\u00e3o pagar, porque o imposto \u00e9 recolhido automaticamente.<\/p>\n<p>Por todos esses motivos, nossa expectativa \u00e9 que haja uma redu\u00e7\u00e3o relevante do gap de conformidade, embora obviamente o n\u00edvel dessa redu\u00e7\u00e3o seja algo que n\u00e3o tenhamos total seguran\u00e7a. \u00c9 algo que vamos aprender quando o sistema estiver operando.<\/p>\n<p>Mas o que posso dizer \u00e9 que h\u00e1 esses dois efeitos. De fato, nossa estimativa \u00e9 que, se n\u00e3o houvesse nenhuma exce\u00e7\u00e3o, a al\u00edquota seria um pouco menor do que 25%. Sempre lembrando que \u00e9 25% <em>[incidente]<\/em> no pre\u00e7o sem imposto (o que corresponde a 20% do pre\u00e7o com imposto).<\/p>\n<p>Nossa estimativa \u00e9 que seria um pouco abaixo disso se n\u00e3o houvesse nenhuma exce\u00e7\u00e3o. Obviamente, com os tratamentos favorecidos que foram dados, ela ficaria acima dos 25%. E, com a redu\u00e7\u00e3o do <em>&#8220;gap&#8221;<\/em> de conformidade, ela tende a ser reduzida. O efeito l\u00edquido ainda n\u00e3o temos certeza absoluta.<\/p>\n<p>O que \u00e9 certo \u00e9 que a al\u00edquota vai ser fixada de forma a manter a carga tribut\u00e1ria atual. Isso est\u00e1 no texto da <em>[Proposta de Emenda \u00e0]<\/em> Constitui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o vai subir a carga tribut\u00e1ria sobre o consumo, nem vai cair \u2012 pelo menos em um primeiro momento. Quem sabe, no longo prazo, com a economia indo bem, a gente consiga reduzir a carga sobre o consumo, mas neste momento isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p><b>IM: H\u00e1 d\u00favidas sobre o funcionamento da Zona Franca de Manaus com o novo sistema e os benef\u00edcios previstos.\u00a0H\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o de alguns setores de que o diferencial competitivo da ZFM viria por meio do Imposto Seletivo. Vai ser assim?<\/b><\/p>\n<p>BA: O que a PEC determina \u00e9 que os novos tributos (IBS, CBS e Imposto Seletivo) v\u00e3o ser utilizados de forma a manter, em car\u00e1ter geral, a competitividade da Zona Franca de Manaus hoje. A forma como isso vai ser feito ainda vai ser definida. A ideia \u00e9 fazer de uma forma mais simples do que \u00e9 hoje. Atualmente, o sistema que se usa para a ZFM \u00e9 extremamente complexo. H\u00e1 benef\u00edcios de diversas formas diferentes. <em>[Com a PEC]<\/em>, Abriu-se, sim, a possibilidade de ter o Imposto Seletivo cobrado para produtos que s\u00e3o fabricados na ZFM. \u00c9 uma possibilidade, <em>[mas]<\/em> n\u00e3o necessariamente vai ser essa forma. Desde que o desenho garanta competitividade da produ\u00e7\u00e3o atual, a forma exata ainda pode ser definida.<\/p>\n<p><b>IM: Mesmo ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da PEC, o fato de haver muito a ser definido posteriormente por lei complementar gera preocupa\u00e7\u00e3o? Por exemplo, de a cesta b\u00e1sica definida ser muito extensa ou o Imposto Seletivo (IS) ser muito leniente com atividades claramente <\/b><b>prejudiciais ao meio ambiente e \u00e0 sa\u00fade. H\u00e1 riscos de a regra perder efetividade quando o Congresso ingressar na discuss\u00e3o de mais detalhes com a lei complementar?<\/b><\/p>\n<p>BA: Eu n\u00e3o acredito que isso v\u00e1 acontecer. A emenda constitucional j\u00e1 define claramente o escopo. Ela j\u00e1 limita os tratamentos favorecidos. Honestamente, n\u00e3o vejo muito risco de isso acontecer. <em>[No caso do]<\/em> Imposto Seletivo, por enquanto, estamos considerando a manuten\u00e7\u00e3o da carga atual sobre fumo e bebidas alco\u00f3licas. Isso com certeza vai estar dentro do IS.<\/p>\n<p><em>[No caso da]<\/em> Cesta b\u00e1sica, o que vai estar dentro desta parte com al\u00edquota zero vai ser definido pelo Congresso. Mas n\u00f3s vamos ter que colocar na mesa o impacto que t\u00eam diferentes op\u00e7\u00f5es sobre a al\u00edquota cobrada dos demais produtos. E o Congresso vai definir, em bases informadas, o que deve entrar.<\/p>\n<p>O que \u00e9 importante neste momento \u00e9 ter informa\u00e7\u00e3o. Talvez a gente n\u00e3o saiba a al\u00edquota, mas o impacto sobre a al\u00edquota de diferentes alternativas. Isso \u00e9 mais f\u00e1cil de estimar. Acho que isso vai ajudar o Congresso a tomar uma decis\u00e3o com bases informadas. A decis\u00e3o vai ser pol\u00edtica, mas n\u00e3o creio que isso v\u00e1 gerar grandes problemas para frente.<\/p>\n<p><b>IM: Na reta final da tramita\u00e7\u00e3o da PEC na C\u00e2mara dos Deputados, foi aprovada emenda aglutinativa que autoriza estados a usarem contribui\u00e7\u00f5es sobre produtos prim\u00e1rios e semielaborados produzidos em seus territ\u00f3rios, at\u00e9 2043. Na interpreta\u00e7\u00e3o de alguns analistas, isso poderia abrir espa\u00e7o para a tributa\u00e7\u00e3o de produtos que seriam inclusive exportados. Qual \u00e9 sua interpreta\u00e7\u00e3o sobre o texto? O que pode ser feito em termos de aprimoramento de reda\u00e7\u00e3o para limitar o instrumento?<\/b><\/p>\n<p>BA: Essa reda\u00e7\u00e3o foi inclu\u00edda por uma decis\u00e3o do parlamento \u2012 de fato, na fase final da vota\u00e7\u00e3o. Hoje, alguns estados h\u00e1 fundos estaduais que s\u00e3o financiados por contribui\u00e7\u00f5es &#8220;volunt\u00e1rias&#8221; das empresas em troca do diferimento de ICMS. O que foi colocado <em>[no substitutivo]<\/em> foi a possibilidade de manter esses fundos na forma como s\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o se deve ser feito dessa forma ou de outra forma vai caber ao Congresso Nacional. O que acho importante talvez seja melhorar a reda\u00e7\u00e3o para deixar mais claro o escopo e que \u00e9 para alcan\u00e7ar aquilo que j\u00e1 \u00e9 alcan\u00e7ado hoje, e n\u00e3o para colocar um instrumento que possa ser ampliado a bel-prazer dos estados. De fato, a reda\u00e7\u00e3o talvez precise de algum ajuste. Mas n\u00e3o \u00e9 o governo que decide isso.<\/p>\n<p>Se o Congresso vai querer manter o que j\u00e1 \u00e9 cobrado hoje \u2012 e que tira a competitividade das exporta\u00e7\u00f5es que hoje s\u00e3o tributadas \u2012 ou se quer fazer de outra forma, \u00e9 uma decis\u00e3o do Congresso Nacional vai ter que tomar avaliando o impacto de diferentes alternativas para tratar da quest\u00e3o.<\/p>\n<p><b>IM: Do ponto de vista t\u00e9cnico, sua interpreta\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 escrito \u00e9 que exporta\u00e7\u00f5es poderiam ser atingidas da forma como o texto est\u00e1 definido?<\/b><\/p>\n<p>BA: Elas j\u00e1 s\u00e3o atingidas hoje. As contribui\u00e7\u00f5es para esses fundos j\u00e1 s\u00e3o um custo que incide sobre as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. A decis\u00e3o \u00e9 do Congresso definir se mant\u00e9m ou n\u00e3o. Se decidirem por manter, acho que seria importante deixar mais claro que n\u00e3o vai al\u00e9m daquilo que j\u00e1 existe. Mas \u00e9 importante entender\u00a0 que estamos falando de algo que est\u00e1 sendo criado.<\/p>\n<p><b>IM: H\u00e1 um dispositivo no substitutivo aprovado que diz que a\u00a0Uni\u00e3o dever\u00e1 complementar os recursos previstos nos repasses anuais pelo Fundo de Compensa\u00e7\u00e3o de Benef\u00edcios Fiscais ou Financeiros-fiscais do ICMS em caso de insufici\u00eancia. Na interpreta\u00e7\u00e3o de alguns especialistas, ele torna ilimitados os recursos do fundo de compensa\u00e7\u00e3o. Essa leitura \u00e9 v\u00e1lida?<\/b><\/p>\n<p>BA: \u00c9 preciso entender que, na verdade, o escopo s\u00e3o s\u00f3 benef\u00edcios j\u00e1 concedidos at\u00e9 31 de maio de 2023. N\u00e3o se abriu para novos benef\u00edcios. A forma como vai ser aplicado ainda vai ser definido na lei complementar. E mais: precisam ser benef\u00edcios que tenham sido concedidos por prazo certo, sob condi\u00e7\u00e3o, e que tenham cumprido os requisitos para a sua concess\u00e3o.<\/p>\n<p>A nossa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que o montante que est\u00e1 alocado de recursos no fundo hoje, considerando a trajet\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas do ICMS que consta da PEC como foi aprovada na C\u00e2mara&#8230; O risco de faltar recursos para o fundo \u00e9 muito, muito pequeno. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que sobrem recursos no fundo, que seriam depois distribu\u00eddos para o Fundo de Desenvolvimento Regional.<\/p>\n<p>Obviamente, a Uni\u00e3o n\u00e3o entrou nesse aporte de recursos do fundo de forma irrespons\u00e1vel. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que o valor que est\u00e1 hoje alocado para o fundo muito provavelmente ser\u00e1 suficiente para cobrir o custo. Mas esse \u00e9 um tema que pode eventualmente ser aperfei\u00e7oado no Senado Federal.<\/p>\n<p><b>IM: O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, em entrevista concedida na segunda-feira (10), que o governo pretende encaminhar a segunda fase da reforma tribut\u00e1ria ao Congresso Nacional para tramitar junto com o Or\u00e7amento. O que est\u00e1 previsto al\u00e9m da tributa\u00e7\u00e3o de dividendos? O regime de fundos exclusivos dever\u00e1 ser tratado nesta etapa?<\/b><\/p>\n<p>BA: J\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rias ideias <em>[para a segunda etapa da reforma tribut\u00e1ria]<\/em>. Est\u00e3o sendo discutidas internamente, mas, como ainda n\u00e3o h\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o definida do minist\u00e9rio, eu n\u00e3o tenho como dizer o que vai constar. Ainda n\u00e3o se bateu o martelo.<\/p>\n<p>The post <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/apesar-de-excecoes-reforma-tributaria-promove-avanco-cavalar-no-sistema-brasileiro-diz-appy\/\" target=\"_blank\">Apesar de exce\u00e7\u00f5es, reforma tribut\u00e1ria promove avan\u00e7o &#8220;cavalar&#8221; no sistema brasileiro, diz Appy<\/a> appeared first on <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/\" target=\"_blank\">InfoMoney<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" class=\"attachment-medium size-medium wp-post-image\" alt=\"\" data-attachment-id=\"2184932\" data-permalink=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/apesar-de-excecoes-reforma-tributaria-promove-avanco-cavalar-no-sistema-brasileiro-diz-appy\/attachment\/52603048138_2480dbfb82_c\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=799%2C533&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-orig-size=\"799,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta='{\"aperture\":\"0\",\"credit\":\"Washington Costa\",\"camera\":\"\",\"caption\":\"\",\"created_timestamp\":\"0\",\"copyright\":\"Ministerio da Economia\",\"focal_length\":\"0\",\"iso\":\"0\",\"shutter_speed\":\"0\",\"title\":\"\",\"orientation\":\"0\"}' data-image-title=\"Bernard Appy\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;O economista Bernard Appy, secret\u00e1rio extraordin\u00e1rio da reforma tribut\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Fazenda (Foto: Washington Costa\/MF)&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-large-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/52603048138_2480dbfb82_c.jpg?fit=799%2C533&amp;quality=70&amp;strip=all\">Pai da proposta original discutida no Congresso, secret\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Fazenda acredita que &#8220;espinha dorsal&#8221; do texto ser\u00e1 mantida no Senado<\/p>\n<p>The post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/politica\/apesar-de-excecoes-reforma-tributaria-promove-avanco-cavalar-no-sistema-brasileiro-diz-appy\/\">Apesar de exce\u00e7\u00f5es, reforma tribut\u00e1ria promove avan\u00e7o \u201ccavalar\u201d no sistema brasileiro, diz Appy<\/a> appeared first on <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/\">InfoMoney<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advgb_blocks_editor_width":"","advgb_blocks_columns_visual_guide":"","footnotes":""},"categories":[550,69,671,34,260,556,130,47,191],"tags":[35],"class_list":["post-25193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bernard-appy","category-economia","category-entrevista","category-g1","category-governo","category-impostos","category-ministerio-da-fazenda","category-politica","category-reforma-tributaria","tag-g1"],"author_meta":{"display_name":"Marcos Mortari","author_link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/author\/marcos-mortari\/"},"featured_img":null,"coauthors":[],"tax_additional":{"categories":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/bernard-appy\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Bernard Appy<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/economia\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Economia<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/entrevista\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Entrevista<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/g1\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/governo\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Governo<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/impostos\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Impostos<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/ministerio-da-fazenda\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">Minist\u00e9rio da Fazenda<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/politica\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">POLITICA<\/a>","<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/reforma-tributaria\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">reforma tribut\u00e1ria<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">Bernard Appy<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">Economia<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">Entrevista<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">G1<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">Governo<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">Impostos<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">Minist\u00e9rio da Fazenda<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">POLITICA<\/span>","<span class=\"advgb-post-tax-term\">reforma tribut\u00e1ria<\/span>"]},"tags":{"linked":["<a href=\"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/reforma-tributaria\/\" class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/a>"],"unlinked":["<span class=\"advgb-post-tax-term\">g1<\/span>"]}},"comment_count":"0","relative_dates":{"created":"Publicado 3 anos atr\u00e1s","modified":"Atualizado 3 anos atr\u00e1s"},"absolute_dates":{"created":"Publicado em 12 de julho de 2023","modified":"Atualizado em 12 de julho de 2023"},"absolute_dates_time":{"created":"Publicado em 12 de julho de 2023 13:30","modified":"Atualizado em 12 de julho de 2023 13:30"},"featured_img_caption":"","series_order":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25194,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25193\/revisions\/25194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}