{"id":24760,"date":"2023-07-09T16:56:07","date_gmt":"2023-07-09T19:56:07","guid":{"rendered":"https:\/\/wpa.wscom.com.br\/?p=910885"},"modified":"2023-07-09T16:56:07","modified_gmt":"2023-07-09T19:56:07","slug":"exposicao-transforma-dor-de-mulheres-em-processo-de-cura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/07\/09\/exposicao-transforma-dor-de-mulheres-em-processo-de-cura\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o transforma dor de mulheres em processo de cura"},"content":{"rendered":"<p>O caso de uma mulher negra, moradora de Boavista, Roraima, que vivia em um relacionamento violento e teve a casa em que vivia incendiada pelo agressor. Uma moradora do Calafate, periferia de Salvador, que enfrentava um relacionamento abusivo longo e sofria agress\u00f5es porque o parceiro n\u00e3o aceitava a atua\u00e7\u00e3o dela em um coletivo de mulheres que combatia v\u00e1rias formas de discrimina\u00e7\u00e3o. Uma jovem travesti de Fortaleza que teve de suportar viol\u00eancia sexual cometida at\u00e9 mesmo por homens que eram seus familiares.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1542658&amp;o=node\" alt=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1542658&amp;o=node\" alt=\"\" title=\"\"><\/p>\n<p>Essas hist\u00f3rias reais parecem fazer parte de arquivos de uma delegacia de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres. Mas est\u00e3o reunidas e expostas em um tipo de lugar em que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum relatos com essa dramaticidade.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Luiza Saad\/Sesc\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/4QFdX34HVYA4D7WAYHEVFuugkZ0=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/fotos_de_divulgacao_exposicao_retratos_relatos_-_credito_luiza_saad_-_sesc_3.jpeg?itok=Tyespk3l\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) -  Retratos Relatos, subvertendo a dor - Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ transforma dor de mulheres em processo de cura. Foto: Luiza Saad\/Sesc\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Retratos Relatos, subvertendo a dor &#8211; Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ &#8211; Foto: Luiza Saad\/Sesc<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A cidade de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, \u00e9 um dos principais destinos tur\u00edsticos do estado. Com cerca de 45 mil habitantes, \u00e9 um dos \u00edcones da arquitetura colonial no pa\u00eds e tem o litoral recortado por belas praias e ilhas. At\u00e9 o dia 3 de setembro, o Polo Sociocultural Sesc Paraty recebe a exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Retratos Relatos \u2013 subvertendo a dor<\/em>, que oferece aos visitantes hist\u00f3rias de viol\u00eancia de g\u00eanero e supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia da exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 da artista visual Panmela Castro. Ela mesma com um hist\u00f3rico de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ao se tornar uma ativista contra a viol\u00eancia de g\u00eanero, passou a receber mensagens de outras mulheres. \u201cMulheres do Brasil todo passaram a me abordar e contar suas hist\u00f3rias de vida. A maioria delas quer fazer algo com essa dor, dor de hist\u00f3rias que muitas vezes n\u00e3o foram contadas para ningu\u00e9m. Elas veem em mim um porto seguro, uma pessoa para quem elas podem se abrir. Ent\u00e3o a gente faz algo com essa dor que \u00e9 transform\u00e1-la em arte\u201d, disse a artista nascida no Rio de Janeiro.<\/p>\n<h2>Sem culpa<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Luiza Saad\/Sesc\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/P49DCNFGcBCiMnmeUXdjnWEeFCY=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/fotos_de_divulgacao_exposicao_retratos_relatos_-_credito_luiza_saad_-_sesc_1.jpeg?itok=442_pwp9\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) -  Retratos Relatos, subvertendo a dor - Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ transforma dor de mulheres em processo de cura. Foto: Luiza Saad\/Sesc\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Retratos Relatos, subvertendo a dor &#8211; Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ &#8211; Foto: Luiza Saad\/Sesc<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Lana Abelha Rainha \u00e9 a moradora de Boavista que teve a casa incendiada pelo agressor. Ela se emociona ao contar para a Ag\u00eancia Brasil o que sentiu ao se ver retratada, ao lado do relato exposto dela. \u201cEra minha hist\u00f3ria ali pregada no local, onde todas as pessoas passavam\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, a exposi\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias hist\u00f3rias de sofrimento e supera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de n\u00e3o se sentir culpada. \u201cQuando voc\u00ea v\u00ea v\u00e1rias mulheres com hist\u00f3rias parecidas, voc\u00ea come\u00e7a a entender muito claramente. Nunca fui culpada pelo que aconteceu, assim como aquelas mulheres tamb\u00e9m n\u00e3o foram\u201d.<\/p>\n<p>Lana acredita que os relatos t\u00eam o poder de evitar que surjam outros casos de v\u00edtimas da viol\u00eancia de g\u00eanero. \u201cSe eu tivesse escutado essas hist\u00f3rias antes do que eu passei, se eu tivesse sido alertada por falas de outras mulheres, talvez eu tivesse enxergado sinais dentro daquela rela\u00e7\u00e3o, que eu n\u00e3o enxerguei\u201d.<\/p>\n<p>Os casos expostos em Paraty n\u00e3o s\u00e3o registros isolados no Brasil. Pelo contr\u00e1rio, representam parte de uma realidade. Um estudo da Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a revelou que, em 2022,\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-03\/no-brasil-uma-mulher-e-vitima-de-violencia-cada-quatro-horas\" rel=\"noopener nofollow\" target=\"_blank\">uma mulher foi v\u00edtima de viol\u00eancia a cada quatro horas no pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n<h2>Outras hist\u00f3rias<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Luiza Saad\/Sesc\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/DdTPCS5AXhuTen1LKghj6rB-cx0=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/fotos_de_divulgacao_exposicao_retratos_relatos_-_credito_luiza_saad_-_sesc_5.jpeg?itok=lDTPrhLl\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) -  Retratos Relatos, subvertendo a dor - Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ transforma dor de mulheres em processo de cura. Foto: Luiza Saad\/Sesc\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Retratos Relatos, subvertendo a dor &#8211; Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ &#8211; Foto: Luiza Saad\/Sesc<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o no pr\u00e9dio colonial oferece tamb\u00e9m hist\u00f3rias de ativismo, como a defesa de comunidades quilombolas, luta por direitos de pessoas trans e trabalhadoras sexuais, a\u00e7\u00f5es antirracistas e relatos de supera\u00e7\u00e3o, alguns por meio de canais de socorro como a Lei Maria da Penha e o Ligue 180, Central de Atendimento \u00e0 Mulher, do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das pinturas e dos depoimentos, a exposi\u00e7\u00e3o conta com a Sala dos Espelhos, onde o visitante pode se expressar livremente por meio da escrita na superf\u00edcie espelhada.<\/p>\n<p>\u201cImpactantes e provocativos, os trabalhos art\u00edsticos de Panmela Castro t\u00eam o poder de sensibilizar diversos p\u00fablicos e ampliar o debate sobre temas primordiais na atualidade. A partir do papel da arte e da cultura, a\u00e7\u00f5es como essa podem contribuir para o desenvolvimento social\u201d, diz a diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc, Janaina Cunha.<\/p>\n<p>A curadora da exposi\u00e7\u00e3o, Maybel Sulamita, explica que a mostra n\u00e3o combate apenas uma, mas v\u00e1rias viol\u00eancias. \u201cCada uma dessas mulheres simboliza temas cruciais relacionados ao enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, como a constru\u00e7\u00e3o do g\u00eanero, o machismo estrutural, a viol\u00eancia f\u00edsica, a psicol\u00f3gica, a moral, a patrimonial e a sexual\u201d, disse.<\/p>\n<h2>Processo de cura<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<div class=\"shadow overflow-hidden rounded-lg d-block zoom-on-hover-sm shadow-hover w-100\"><img decoding=\"async\" class=\"flex-fill img-cover\" title=\"Luiza Saad\/Sesc\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/j21LKXvrqvOUZoPw5W_H3Vy5snc=\/\/d3rf2zoedgusog.cloudfront.net\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/fotos_de_divulgacao_exposicao_retratos_relatos_-_credito_luiza_saad_-_sesc_7.jpeg?itok=gvWZNPYS\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) -  Retratos Relatos, subvertendo a dor - Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ transforma dor de mulheres em processo de cura. Foto: Luiza Saad\/Sesc\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Retratos Relatos, subvertendo a dor &#8211; Exposi\u00e7\u00e3o em Paraty\/RJ\u00a0 &#8211; Foto: Luiza Saad\/Sesc<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Marta Leiro saiu do Calafate, regi\u00e3o da periferia de Salvador, para ser retratada pela Panmela. No relacionamento em que ela vivia, sofria viol\u00eancia porque o agressor n\u00e3o aceitava a participa\u00e7\u00e3o dela em um coletivo de mulheres em defesa do direito de minorias. \u201cA minha gratid\u00e3o \u00e9 por estar viva, de n\u00e3o ter contribu\u00eddo para estat\u00edstica do feminic\u00eddio no Brasil. Pude sair de uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica em um relacionamento violento\u201d, conta.<\/p>\n<p>Ser pintada pela artista foi para ela uma esp\u00e9cie de al\u00edvio. \u201c\u00c9 passar um b\u00e1lsamo nessa dor. N\u00e3o \u00e9 que a gente j\u00e1 supera a dor da viol\u00eancia dom\u00e9stica, principalmente quando essa viol\u00eancia se aproxima muito do feminic\u00eddio. Mas podemos administrar essa dor com esses processos de autocuidado. O momento de ser modelo, de ser pintada, foi como se o pincel passasse um b\u00e1lsamo na minha vida, nessa hist\u00f3ria, que toma um outro rumo agora. Um rumo de agradecer ao Universo, valorizar a vida e continuar na luta pelo fim da viol\u00eancia contra as mulheres\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa supera\u00e7\u00e3o um dos incentivos que motivam a artista visual. \u201cPosso contribuir no enfrentamento da viol\u00eancia usando minha arte como um processo de cura. Esse \u00e9 o processo curativo. Fora o fato de que exibir essa arte em p\u00fablico faz com que essas protagonistas usem suas hist\u00f3rias para inspirar e informar outras mulheres sobre a situa\u00e7\u00e3o de abuso\u201d, diz Panmela.<\/p>\n<p>Lana, que mora a mais de 3 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de Paraty, conta que quando viu a pintura \u201cn\u00e3o existia uma dor ali, e sim um processo de cura\u201d. Ela sabe que al\u00e9m de simplesmente arte, o relato e o retrato dela t\u00eam o poder de dar frutos. \u201cAo dividir aquela hist\u00f3ria ali para que outras mulheres &#8211; e provavelmente homens &#8211; leiam, existe uma possibilidade de ajuda\u201d, disse.<\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Retratos Relatos \u2013 subvertendo a dor<\/em>\u00a0j\u00e1 percorreu o Museu da Rep\u00fablica e o Parque das Ru\u00ednas, ambos no Rio de Janeiro, e a Vila Cultural Cora Coralina, em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>As obras ser\u00e3o incorporadas \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o de Arte Sesc Brasil e circular\u00e3o por diversos estados. \u201cAssim, fortalecemos nossa miss\u00e3o de fomentar a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea, al\u00e9m de estimular a reflex\u00e3o e valorizar a cultura brasileira e sua diversidade\u201d, afirma Janaina Cunha, do Sesc.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o:<\/strong><\/p>\n<p>Exposi\u00e7\u00e3o Retratos Relatos \u2013 subvertendo a dor<\/p>\n<p>Data: At\u00e9 3 de setembro<\/p>\n<p>Local: Sesc Santa Rita &#8211; Rua Dona Geralda, 320. Centro Hist\u00f3rico, Paraty, RJ.<\/p>\n<p>Hor\u00e1rio: Ter\u00e7a a sexta, das 10h \u00e0s 19h. S\u00e1bados, domingos e feriados, das 14h \u00e0s 19h.<\/p>\n<p>Entrada Franca<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/exposicao-transforma-dor-de-mulheres-em-processo-de-cura\/\" target=\"_blank\">Exposi\u00e7\u00e3o transforma dor de mulheres em processo de cura<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow noopener\" href=\"https:\/\/wscom.com.br\/\" target=\"_blank\">WSCOM<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso de uma mulher negra, moradora de Boavista, Roraima, que vivia em um relacionamento violento e teve a casa em que vivia incendiada pelo agressor. 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