{"id":24669,"date":"2023-07-08T15:11:12","date_gmt":"2023-07-08T18:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/07\/08\/paraiba-registra-crimes-violentos-contra-mulheres-transexuais-e-travestis-segundo-relatorio.ghtml"},"modified":"2023-07-08T15:11:12","modified_gmt":"2023-07-08T18:11:12","slug":"paraiba-registra-25-crimes-violentos-contra-mulheres-transexuais-e-travestis-em-6-anos-segundo-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/07\/08\/paraiba-registra-25-crimes-violentos-contra-mulheres-transexuais-e-travestis-em-6-anos-segundo-relatorio\/","title":{"rendered":"Para\u00edba registra 25 crimes violentos contra mulheres transexuais e travestis em 6 anos, segundo relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/F9m8MggV6Y4xtFMJ4IWhG29wcXs=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/f\/N\/9tD3qASFqAOX7uf2fLcw\/renata-ferraz2.jpg\" \/><br \/>     No per\u00edodo analisado, as mulheres transexuais e travestis foram mais v\u00edtimas de crimes violentos intencionais que homens transexuais. Adolescente trans Renata Ferraz foi morta por asfixia mec\u00e2nica, em Patos, PB\nReprodu\u00e7\u00e3o\nA Para\u00edba registrou 25 casos de crimes violentos de mulheres trans e travestis entre 2017 e 2022, segundo dados divulgados em relat\u00f3rio da Secretaria da Mulher e Diversidade Humana. De acordo com o documento, as v\u00edtimas foram 14 mulheres transexuais e 11 travestis. Em 2022, uma mulher transexual e uma travesti foram v\u00edtimas de crime violento, sendo uma delas a adolescente Renata Ferraz, de 16 anos. \nO caso Renata Ferraz voltou a ganhar repercuss\u00e3o com a exibi\u00e7\u00e3o no programa Linha Direta, em 1\u00ba de junho, e novamente com a pris\u00e3o do suspeito que estava foragido, Geovane de Lima Galdino Silva, nesta ter\u00e7a-feira (4). Ela foi assassinada por asfixia mec\u00e2nica. A pol\u00edcia acredita que o crime, j\u00e1 premeditado, foi cometido ap\u00f3s a esposa de Geovane descobrir que ele tinha um caso com a v\u00edtima.\nBandeira trans\nReprodu\u00e7\u00e3o | Shutterstock\nViol\u00eancia contra mulheres trans e travestis na Para\u00edba\nDe acordo com o relat\u00f3rio, o ano de 2020 \u00e9 o mais violento registrado: as v\u00edtimas s\u00e3o duas mulheres transexuais e cinco travestis, representando quase metade das v\u00edtimas daquele ano. Ao todo, foram 16 casos de crimes violentos. Em 2021, os crimes reduzem e uma mulher transexual \u00e9 v\u00edtima. \nEm 2017, as v\u00edtimas foram oito mulheres transexuais. No ano seguinte, em 2018, foram duas mulheres trans e um homem trans, o \u00fanico dos seis anos analisados. Em 2019, cinco travestis foram v\u00edtimas. \nCrimes violentos letais e intencionais contra mulheres transexuais, travestis e homens transexuais\nPor outro lado, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais indica que esse n\u00famero pode ser ainda maior. Segundo o relat\u00f3rio divulgado pela institui\u00e7\u00e3o, no mesmo per\u00edodo, ocorreram 31 assassinatos de pessoas transexuais e travestis na Para\u00edba. Em 2022, o relat\u00f3rio da SMDH registra dois crimes, enquanto a Antra aponta quatro mortes.\nOs dados do relat\u00f3rio foram coletados por meio de clipagem dos crimes que aparecem na m\u00eddia envolvendo LGBTfobia, latroc\u00ednios, homic\u00eddios, transfeminic\u00eddio, tentativas de homic\u00eddios e agress\u00f5es f\u00edsicas (leves ou graves). Tamb\u00e9m s\u00e3o analisadas fichas de atendimento do Centro Estadual de Refer\u00eancia dos Direitos de LGBT e Enfrentamento \u00e0 LGBTfobia na Para\u00edba, conhecido por Espa\u00e7o LGBT.\n\"Mesmo com todo esfor\u00e7o dedicado \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de bancos de dados e relat\u00f3rios, os n\u00fameros de assassinatos que temos hoje em nosso Estado ainda s\u00e3o subnotificados, seja pela falta de informa\u00e7\u00f5es, seja pela invisibilidade dada a tantos casos\", informa o relat\u00f3rio.\nCaso Renata Ferraz\nA adolescente trans Renata Ferraz, de 16 anos, foi morta em Patos, na Para\u00edba, em abril de 2022\nReprodu\u00e7\u00e3o\nA adolescente trans Renata Ferraz, de 16 anos, foi uma das v\u00edtimas de crime violento, em mar\u00e7o de 2022, no munic\u00edpio de Patos, Sert\u00e3o da Para\u00edba. Segundo a Pol\u00edcia Civil, ela foi morta por asfixia mec\u00e2nica e o crime j\u00e1 estava premeditado. O delegado Paulo \u00canio, respons\u00e1vel pelo caso, acredita que o crime foi cometido ap\u00f3s a esposa de Geovane de Lima Galdino Silva, suspeito do crime, descobrir que ele tinha um caso com a v\u00edtima.\nO crime ganhou repercuss\u00e3o ap\u00f3s ser exibido no programa Linha Direta, em junho deste ano. Geovane seguia foragido desde o crime, mas ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o, a pol\u00edcia recebeu den\u00fancias sobre a sua localiza\u00e7\u00e3o e conseguiu efetuar a pris\u00e3o, nesta ter\u00e7a-feira (4). Outro envolvido no crime, Fl\u00e1vio da Silva Ferreira, foi condenado a 19 anos pela morte da adolescente. \nCaso Renata Ferraz: Preso suspeito de assassinar adolescente ap\u00f3s exibi\u00e7\u00e3o no Linha Direta\nViol\u00eancia e misoginia\nDe acordo com a pesquisadora Clarisse Mack, o \u00f3dio ao feminino - a misoginia - \u00e9 um ponto em comum entre as viol\u00eancias vividas por mulheres trans, travestis e mulheres cis - aquelas que se identificam com o g\u00eanero que as foi designado ao nascer. \n\u201cQuando a \u2018masculinidade\u2019 que foi imposta d\u00e1 lugar a feminilidade que sempre deveria ter existido, se constr\u00f3i ali um lugar de vulnerabilidade e marginaliza\u00e7\u00e3o\u201d, explica. \nA pesquisadora afirma que o assassinato \u00e9 resultado de v\u00e1rios fatores: a exclus\u00e3o na escola, a falta de oportunidades no mercado de trabalho e a rejei\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia.\n\u201cComo n\u00e3o teremos um cen\u00e1rio de morte, assassinato e viol\u00eancia para mulheres trans e travestis se a escola n\u00e3o acolhe, o mercado de trabalho fecha as portas e a fam\u00edlia rejeita e expulsa? Aparentemente todas as portas est\u00e3o fechadas\u201d, questiona Clarisse Mack.\nDe acordo com ela, as pessoas trans e travestis s\u00e3o, quase sempre, mortas com requintes de crueldade. O professor especialista em Direitos Humanos, Jos\u00e9 Baptista de Mello Neto, completa afirmando que os crimes possuem caracter\u00edsticas marcantes: \u201ca face e a genit\u00e1lia da v\u00edtima s\u00e3o dilaceradas. A face para \"desumanizar\"; a genit\u00e1lia porque \u00e9 o \"objeto do desejo\".\nSegundo o professor, para abandonar o t\u00edtulo de pa\u00eds que mais mata mulheres trans e travestis, o Brasil precisa estabelecer uma cultura de respeito \u00e0s diferen\u00e7as e de respeito ao direito de ser. \nDados de crimes violentos contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+\nA Para\u00edba registrou 68 casos de mortes violentas da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, entre 2017 e 2022. No total, 24 munic\u00edpios paraibanos registraram casos. Jo\u00e3o Pessoa possui o maior n\u00famero de casos, sendo 29 crimes, seguida de Campina Grande e Bayeux, com cinco casos cada, e Patos ficou em terceiro lugar, registrando quatro crimes.\nSete mortes foram registradas em 2022, sendo dois crimes em Jo\u00e3o Pessoa. Outro dado divulgado pelo Observat\u00f3rio de Mortes Violentas LGBTQIA+ do Brasil indica que foram registrados 8 assassinatos no mesmo per\u00edodo, um crime a mais que o contabilizado pelo Governo da Para\u00edba.\nComo procurar ajuda?\nA Para\u00edba possui dois centros de refer\u00eancia para a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, sendo eles os Espa\u00e7os LGBT de Jo\u00e3o Pessoa e Campina Grande. Segundo o Gerente Executivo da Secretaria da Mulher e Diversidade Social (SMDS), Fernando Costa, tamb\u00e9m j\u00e1 foi realizado um diagn\u00f3stico para a instala\u00e7\u00e3o de uma nova unidade no Sert\u00e3o do estado.\nOs equipamentos contam com uma equipe multidisciplinar de advogadas, assistentes sociais, psic\u00f3logas e agentes de direitos humanos. Outro equipamento do estado \u00e9 a Casa da Acolhida LGBT, localizada em Jo\u00e3o Pessoa, que recebe a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Segundo Fernando Costa, tamb\u00e9m existe uma rede estadual de combate a LGBTfobia e de apoio ao p\u00fablico LGBT que procure o estado para ter acesso ao sistema de justi\u00e7a e seguran\u00e7a p\u00fablica. \nA popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode procurar a delegacia especializada no enfrentamento \u00e0 LGBTfobia, intoler\u00e2ncia religiosa e combate ao racismo. A delegacia fica localizada na Avenida Francisca Moura, n\u00famero 36, no Centro de Jo\u00e3o Pessoa. \nDe acordo com Fernando Costa, as mulheres transexuais e travestis em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica tamb\u00e9m podem procurar amparo nas delegacias especializadas da mulher e ter acesso ao programa Patrulha Maria da Penha. As mulheres trans e travestis em risco iminente de morte tamb\u00e9m possuem direito \u00e0 Casa de Abrigamento Sigiloso.\nO Gerente Executivo da SMDS tamb\u00e9m afirma que a secretaria realiza periodicamente campanhas midi\u00e1ticas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o estadual e nas redes oficiais do Estado para conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia das vidas LGBTQIA+. \n*Sob supervis\u00e3o de Krys Carneiro\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        No per\u00edodo analisado, as mulheres transexuais e travestis foram mais v\u00edtimas de crimes violentos intencionais que homens transexuais. 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