{"id":17740,"date":"2023-05-23T14:35:39","date_gmt":"2023-05-23T17:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/05\/23\/brasileira-testemunha-ataques-racistas-contra-vinicius-junior-em-estadio-um-odio-que-dava-medo.ghtml"},"modified":"2023-05-23T14:35:39","modified_gmt":"2023-05-23T17:35:39","slug":"brasileira-testemunha-ataques-racistas-contra-vinicius-junior-em-estadio-um-odio-que-dava-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/05\/23\/brasileira-testemunha-ataques-racistas-contra-vinicius-junior-em-estadio-um-odio-que-dava-medo\/","title":{"rendered":"Brasileira testemunha ataques racistas contra Vinicius Junior em est\u00e1dio: &#8216;um \u00f3dio que dava medo&#8217;"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/nSZkXXWM4KQWMNlfYAv4FMh6Mns=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/p\/5\/RRYeUASrikAqWkQvZiiA\/sylvia-valencia.jpeg\" \/><br \/>     Sylvia Brito estava ao lado do marido no Est\u00e1dio Mestalla, de Val\u00eancia, quando come\u00e7aram os ataques. Ela mora perto do local e se disse chocada ao perceber que vizinhan\u00e7a \u00e9 racista. Sylvia Brito, historiadora e pesquisadora paraibana em est\u00e1dio de Val\u00eancia, antes do in\u00edcio do jogo\nSylvia Brito\/Arquivo Pessoal\nA ida no domingo (21) ao Est\u00e1dio Mestalla, de Val\u00eancia, para assistir ao jogo entre o time da casa e o Real Madrid pelo Campeonato Espanhol, terminou em tristeza, em decep\u00e7\u00e3o, em uma vontade incontida de chorar diante das cenas de racismo contra o craque brasileiro Vinicius Junior. Esse \u00e9 o relato da historiadora e pesquisadora paraibana Sylvia Brito, que \u00e9 casada com o espanhol Carlos Gonz\u00e1lez e atualmente mora nos arredores da pra\u00e7a esportiva valenciana. \nCompartilhe no WhatsApp\nCompartilhe no Telegram\nEra para ser uma tarde de alegrias e de emo\u00e7\u00f5es. De magia. De reencontro com o futebol. N\u00e3o foi nada disso. Sylvia estava absolutamente empolgada com a possibilidade de ver o brasileiro em campo, de matar a saudade de alguma forma daquilo que lhe remete ao Brasil. Ela ent\u00e3o n\u00e3o teve d\u00favidas. Chamou o marido e os dois foram juntos assistir \u00e0 partida. Era a primeira vez dela num est\u00e1dio espanhol, a primeira vez dele depois de 25 anos de aus\u00eancia. Ambos deixaram o local sem vontade de voltar.\n\u201cFoi uma coisa muito impactante e chocante ver 'pessoas normais', que eu provavelmente cruzo no meio da rua, que s\u00e3o meus vizinhos, que eu convivo de forma indireta, talvez, mas que s\u00e3o extremamente racistas\u201d, lamenta Sylvia. \nO atacante brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, aponta para torcedor do Valencia que proferiu insultos racistas contra ele no Est\u00e1dio de Mestalla\nJos\u00e9 Jordan\/AFP\nA paraibana conta que o Mestalla completou 100 anos no s\u00e1bado. E que, em paralelo a isso, o filho pequeno, Luis, vinha demonstrando um interesse crescente com o futebol. A partida contra o Real Madrid, portanto, serviria para um triplo objetivo: acompanhar toda a festa do jogo que marcava o centen\u00e1rio do est\u00e1dio, ver Vini J\u00fanior ao vivo, se sentir segura para levar o filho numa pr\u00f3xima oportunidade.\nLEIA MAIS:\nReal Madrid aciona a Justi\u00e7a espanhola por crime de \u00f3dio e discrimina\u00e7\u00e3o contra Vinicius Junior\n'N\u00e3o foi a 1\u00aa, nem 2\u00aa e nem 3\u00aa': dez vezes em que Vini Jr foi v\u00edtima de racismo na Espanha\nVini Jr.: sete suspeitos por ataques racistas s\u00e3o presos na Espanha\nPuma e Santander, patrocinadores do Valencia e da LaLiga, manifestam apoio a Vinicius Junior\nCristo Redentor apaga as luzes por 1h nesta segunda em solidariedade a Vini Jr; 'A\u00e7\u00e3o que emociona', diz atacante\nAp\u00f3s minimizar queixa de Vini Jr., LaLiga pede mudan\u00e7a na lei para poder punir racistas\nAssim, ela vestiu a sua camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira e rumou ao lado de Carlos para o est\u00e1dio. \u201cTinha toda essa m\u00edstica de est\u00e1dio centen\u00e1rio. E, depois, era o Real Madrid, a gente estava do lado do est\u00e1dio. T\u00ednhamos que ir\u201d, comenta ela.\nDe in\u00edcio, tudo corria bem. O casal estava empolgado, a festa era bonita, o clima convidativo. \u201cO primeiro tempo foi bem bacana. Foi muito divertido\u201d, relembra.\nSylvia e Carlos se divertem no est\u00e1dio antes do clima \"mudar de forma abrupta\"\nSylvia Brito\/Arquivo Pessoal\nMas, da\u00ed, veio o intervalo do jogo. E, no segundo tempo, o clima mudou de forma abrupta. \u201cEu fiquei muito sentida, muito retra\u00edda. Eu n\u00e3o estava acreditando no que eu estava vendo\u201d.\nO primeiro incidente grave do jogo foi registrado mais ou menos por volta dos 15 minutos do segundo tempo, mas a primeira paralisa\u00e7\u00e3o efetiva foi registrada dez minutos depois. O principal foco de racismo vinha de um setor de arquibancada localizado por tr\u00e1s de um dos gols do est\u00e1dio,  mas Sylvia chama a aten\u00e7\u00e3o para uma outra quest\u00e3o: a falta de indigna\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em geral aos atos racistas.\n\u201cTinha uma fam\u00edlia ao meu lado, que parecia ser bem amistosa. Mas quando a confus\u00e3o come\u00e7ou, todo mundo se exaltou. Come\u00e7aram a xingar Vini\u201d, lamenta. \u201cEu vi idosos, mulheres, crian\u00e7as, pessoas de todas as idades babando, estirando dedo, um \u00f3dio que dava medo. Um racismo despudorado, recreativo.  Pessoas que n\u00e3o tinham o menor pudor de se mostrar racistas\u201d, descreve, ainda assustada.\nVinicius J\u00fanior \u00e9 expulso ap\u00f3s ser v\u00edtima de racismo\nSylvia se diz em choque com o que viu. Quando Vini foi expulso, o est\u00e1dio todo foi abaixo, comemorou. Ela, ao contr\u00e1rio, teve vontade de chorar:\n\u201cEu n\u00e3o tenho mais vontade de voltar. Foi algo indefens\u00e1vel\u201d, dispara Sylvia, que na sa\u00edda do est\u00e1dio ainda ouviu ofensas por causa de sua camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira.\nSylvia Brito conta que levou bin\u00f3culos com o objetivo de ver as express\u00f5es dos jogadores de quem era f\u00e3, mas que no fim o equipamento serviu para ver de perto as express\u00f5es iradas dos racistas\nSylvia Brito\/Arquivo Pessoal\n25 anos depois, a mesma realidade\nCarlos Gonz\u00e1lez, que \u00e9 espanhol e marido de Sylvia, fala com tristeza sobre o que viveu no domingo (21). Ele \u00e9 natural de Vigo, no Norte da Espanha, mas desde muito novo mora em Val\u00eancia. Quando tinha entre 13 e 14 anos, come\u00e7ou a gostar de futebol e, acompanhado do pai, passou a ir aos est\u00e1dios espanh\u00f3is. Tinha uma predile\u00e7\u00e3o especial ao La Coru\u00f1a e ao Val\u00eancia e durante quatro temporadas acompanhou os jogos in loco.\nCom o tempo, no entanto, o interesse foi diminuindo. E o motivo era o mesmo dos dias atuais: os seguidos c\u00e2nticos racistas que eram testemunhados nos est\u00e1dios de futebol do pa\u00eds.\n\u201cEu comecei a ver o que eles faziam. Era um racismo muito desinibido. E alguns desses torcedores eu reconhecia do col\u00e9gio, do bairro onde eu morava\u201d, destaca Carlos, se referindo ao Yomus, ultra nazifascista do Val\u00eancia que era respons\u00e1vel por esses c\u00e2nticos racistas durante os jogos.\nVinicius Junior imita o gesto racista que torcedor do Val\u00eancia fez contra ele\nReuters\nFoi isso o que fez Carlos deixar de frequentar os est\u00e1dios. E assim permaneceu durante 1\/4 de s\u00e9culo. \u201cEu estou muito desconectado do futebol\u201d, comenta. \nEle explica que, com os anos, foi desenvolvendo um \u00f3dio desse p\u00fablico torcedor fascista e nazista, principalmente porque havia pouca rea\u00e7\u00e3o a isso. \u201cEra considerado como algo inevit\u00e1vel\u201d, critica, explicando o processo que fez ele \u201cdesistir\u201d do futebol.\nAnos atr\u00e1s, contudo, a ultra Yomus foi banida dos est\u00e1dios e os c\u00e2nticos racistas come\u00e7aram a diminuir. A\u00ed chegou 2023: o interesse do filho, a empolga\u00e7\u00e3o da esposa, o crescente interesse com a situa\u00e7\u00e3o do Val\u00eancia, que nesta temporada luta contra o rebaixamento. Ele resolveu dar uma nova chance ao futebol, imaginando uma situa\u00e7\u00e3o mais amistosa, se decepcionou novamente.\n\"Eu n\u00e3o fico surpreso com o que aconteceu, mas eu fico triste. Porque 25 anos depois de eu deixar de assistir futebol justamente por causa do racismo, eu testemunhei a mesma coisa\", lamenta.\nPol\u00edcia espanhola prende suspeitos de ataque racista contra Vini Jr.\nAscens\u00e3o da extrema direita\nDe acordo com Carlos Gonz\u00e1lez, o crescimento de uma extrema direita na Espanha ajuda a explicar os casos de racismo que voltaram a ser registrados nos \u00faltimos meses. E em meio a esse movimento est\u00e1 o partido VOX, que defende pautas nacionalistas, anti-imigra\u00e7\u00e3o e xenof\u00f3bicas. E que, inclusive, \u00e9 apoiado pelo presidente da La Liga, Javier Tebas, que nos \u00faltimos dias minimizou os ataques contra Vini J\u00fanior.\nJavier Tebas. presidente da La Liga e apoiador de partido nazista\nDivulga\u00e7\u00e3o\/ La Liga\nCarlos n\u00e3o acredita numa eventual vit\u00f3ria do VOX. Para ele, ser\u00e1 sempre um partido minorit\u00e1rio, mas que no entanto tem o problema de introduzir uma \u201cret\u00f3rica fascista\u201d em parcelas da popula\u00e7\u00e3o. Eles popularizam, segundo Carlos, teorias conspirat\u00f3rias e xen\u00f3fobas. \n\u201cEste racismo est\u00e1 muito ligado ao clima pol\u00edtico. Porque o est\u00e1dio de futebol se torna um lugar em que as pessoas de extrema direita se sentem mais livres para dizer essas coisas\u201d, sugere.\nPor fim, Carlos destaca que os ataques racistas n\u00e3o partiram de todo o est\u00e1dio. Ainda assim, ele explica que \u00e9 sabido por todos em Val\u00eancia que o setor sul por tr\u00e1s do gol \u00e9 onde ficam esses torcedores nazifascistas. E foi justamente de l\u00e1 que partiram os ataques racistas. \n\u201cEstou seguro que todo mundo no est\u00e1dio sabia que Vinicius estava sofrendo coment\u00e1rios racistas. Ent\u00e3o o que me ofende \u00e9 que as pessoas, mesmo sabendo disso, foram criticar Vinicius e n\u00e3o quem estava xingando-o\u201d, finaliza indignado.\nPartido de extrema direita da Espanha, VOX estava com tenda na \u00e1rea externa do Est\u00e1dio de Mestalla\nSylvia Brito\/Divulga\u00e7\u00e3o\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Sylvia Brito estava ao lado do marido no Est\u00e1dio Mestalla, de Val\u00eancia, quando come\u00e7aram os ataques. Ela mora perto do local e se disse chocada ao perceber que vizinhan\u00e7a \u00e9 racista. 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