{"id":16224,"date":"2023-05-13T08:10:01","date_gmt":"2023-05-13T11:10:01","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/05\/13\/ano-da-barbarie-de-queimadas-foi-o-mais-violento-para-mulheres-da-paraiba-na-ultima-decada.ghtml"},"modified":"2023-05-13T08:10:01","modified_gmt":"2023-05-13T11:10:01","slug":"ano-da-barbarie-de-queimadas-foi-o-mais-violento-para-mulheres-da-paraiba-na-ultima-decada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/05\/13\/ano-da-barbarie-de-queimadas-foi-o-mais-violento-para-mulheres-da-paraiba-na-ultima-decada\/","title":{"rendered":"Ano da &#8216;Barb\u00e1rie de Queimadas&#8217; foi o mais violento para mulheres da Para\u00edba na \u00faltima d\u00e9cada"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/BqwFYOkZEhQc0QTMN1kzOIhd-gg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/i\/W\/VxwqUuTQyYLGB0m26TSA\/barbaire-queimadas1.jpg\" \/><br \/>     Em 2012, ano em que duas mulheres foram assassinadas ap\u00f3s um estupro coletivo em Queimadas, outras 137 mulheres tamb\u00e9m foram assassinadas na Para\u00edba. Estupro coletivo e assassinato de mulheres: Barb\u00e1rie de Queimadas foi tema do Linha Direta desta quinta-feira (11)\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo\nNo ano em que Izabella Paju\u00e7ara e Michelle Domingos foram mortas, em 2012, ap\u00f3s serem v\u00edtimas de um estupro coletivo, em Queimadas, na Para\u00edba, outras 137 mulheres foram assassinadas no estado. O ano que marcou o caso conhecido como Barb\u00e1rie de Queimadas foi o mais violento para as mulheres na \u00faltima d\u00e9cada. O g1 teve acesso, via Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, aos dados de assassinatos de mulheres de 2012 a 2022. \nBarb\u00e1rie de Queimadas: relembre cronologia e investiga\u00e7\u00e3o do crime\nA Barb\u00e1rie de Queimadas aconteceu em fevereiro de 2012. Naquele ano, a Lei do Feminic\u00eddio ainda n\u00e3o havia sido sancionada. O crime s\u00f3 se tornaria hediondo em 2015 - com san\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o presidenta Dilma Rousseff (PT) - quando as mulheres mortas pelo simples fato de serem mulheres passaram a entrar no mapa dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) com nome, rosto e hist\u00f3ria. \nMas at\u00e9 l\u00e1, como tamb\u00e9m explica o N\u00facleo de An\u00e1lise Criminal e Estat\u00edstica da Secretaria de Seguran\u00e7a e Defesa Social do Estado, os feminic\u00eddios estavam inseridos nas estat\u00edsticas de homic\u00eddios dolosos.\nPriscila, Michele e Izabella, v\u00edtimas da Barb\u00e1rie de Queimadas\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo\nNa Barb\u00e1rie de Queimadas, ocorrida em 2012, cinco mulheres foram estupradas durante uma festa de anivers\u00e1rio e duas delas - Izabella Paju\u00e7ara e Michelle Domingos - foram assassinadas porque teriam reconhecido os agressores. Eduardo Santos foi o \u00faltimo dos envolvidos no crime a ser julgado. Ele foi condenado a 108 anos de pris\u00e3o, mas em 2020 fugiu do pres\u00eddio saindo pela porta lateral. Eduardo segue foragido. Outros seis homens tamb\u00e9m foram condenados e tr\u00eas adolescentes foram sentenciados a cumprirem medidas socioeducativas.\nNaquele ano, 137 mulheres foram assassinadas. Ao todo, 133 foram v\u00edtimas de homic\u00eddio doloso, quatro foram v\u00edtimas de latroc\u00ednio e duas de agress\u00e3o seguida de morte. \nNos anos seguintes, os n\u00fameros de latroc\u00ednio e les\u00e3o corporal seguida de morte contra mulheres seguem uma estabilidade. \nNos anos de 2013 e 2014, quando a Lei do Feminic\u00eddio ainda n\u00e3o estava em vigor, 118 e 104 mulheres foram mortas, respectivamente. O n\u00famero sobe em 2015, com 113 assassinatos de mulheres, sendo, desse total, 26 feminic\u00eddios.\nConforme a lei n\u00ba 13.104, que data o dia 9 de mar\u00e7o de 2015, feminic\u00eddio \u00e9 o assassinato de uma mulher cometido devido ao fato de ela ser mulher ou em decorr\u00eancia de viol\u00eancia dom\u00e9stica.\nA partir de 2016, portanto, o n\u00famero total de CVLI contra mulheres come\u00e7ou a cair em rela\u00e7\u00e3o aos anos anteriores, mas assumindo uma instabilidade.\nVeja no gr\u00e1fico abaixo os n\u00fameros de Crimes Violentos contra v\u00edtimas do sexo feminino na Para\u00edba de 2012 a 2022.\nLEIA TAMB\u00c9M: Mentor da 'Barb\u00e1rie de Queimadas' abriu almoxarifado e fugiu pela porta do pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima\nBarb\u00e1rie de Queimadas marca d\u00e9cada \nAs mortes de Briggida Rosely, Fernanda Ellen, Vivianny Crisley, J\u00falia dos Anjos, Patr\u00edcia Roberta, Lorrayne Damares, Anielle Teixeira, P\u00e2mela do Nascimento, entre tantas outras mulheres assassinadas e, muitas vezes, tamb\u00e9m abusadas, mostram que o ano de 2012 n\u00e3o serviu de exemplo.\nO estupro coletivo em Queimadas foi mais um caso na uma s\u00e9rie de viol\u00eancias contra a mulher no decorrer da d\u00e9cada. Algo mudou, \u00e9 verdade. Afinal, a Lei de Feminic\u00eddio foi sancionada e outras conquistas legislativas tamb\u00e9m entraram em pauta. Mas crimes hediondos contra mulheres continuaram a acontecer. \nPixa\u00e7\u00e3o lembra morte de Vivianny, em Jo\u00e3o Pessoa\nKrystine Carneiro\/G1\nA Barb\u00e1rie de Queimadas foi tema do Linha Direta na quinta-feira (11), que colocou luz em um crime cometido h\u00e1 mais de dez anos e que segue em aberto. \nDe alguma forma, denunciar e falar sobre os casos encoraja outras mulheres expor seus agressores. Priscila Fraz\u00e3o Monteiro foi uma das v\u00edtimas sobreviventes de Queimadas e irm\u00e3 de uma das mulheres mortas. No programa Linha Direta ela falou publicamente sobre o crime pela primeira vez. \n\"N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ao mesmo tempo que eu estava velando a minha irm\u00e3 e a minha amiga, eu tinha que ser forte para relatar tudo que aconteceu de uma forma que eles, enquanto Pol\u00edcia Civil, acreditassem em mim e fossem prender todos que tinham feito aquilo com todas n\u00f3s\", desabafa Priscila Fraz\u00e3o.\nPriscila Fraz\u00e3o Monteiro, v\u00edtima e irm\u00e3 de Izabella, falou publicamente sobre o caso pela primeira vez\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo\nApesar da dor do luto e da mem\u00f3ria do estupro coletivo que ainda lateja, Priscila quis destacar a import\u00e2ncia de falar. De colocar luz sobre a viol\u00eancia para tentar diminu\u00ed-la. A luta \u00e9 \u00e1rdua. Mas salvar uma mulher j\u00e1 faz a diferen\u00e7a.\n\"\u00c9 dif\u00edcil, enquanto v\u00edtima, ter que lutar por justi\u00e7a, buscar a justi\u00e7a, ter que reviver toda a cena do acontecido, \u00e9 dif\u00edcil enquanto v\u00edtima relatar v\u00e1rias vezes, mas \u00e9 necess\u00e1rio. \u00c9 necess\u00e1rio que a gente se fortale\u00e7a, relate, e busque por justi\u00e7a. \u00c9 muito importante que as mulheres possam ser fortes e se encorajem a buscar e lutar pela justi\u00e7a. Fale, sem vergonha nenhuma, mas \u00e9 preciso falar\", finaliza.\nBarb\u00e1rie de Queimadas aconteceu em 2012, no interior da Para\u00edba\nReprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Em 2012, ano em que duas mulheres foram assassinadas ap\u00f3s um estupro coletivo em Queimadas, outras 137 mulheres tamb\u00e9m foram assassinadas na Para\u00edba. 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