{"id":12817,"date":"2023-04-19T12:53:06","date_gmt":"2023-04-19T15:53:06","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/04\/19\/olhares-indigenas-povos-originarios-da-paraiba-resistem-a-violencia-e-reivindicam-direitos.ghtml"},"modified":"2023-04-19T12:53:06","modified_gmt":"2023-04-19T15:53:06","slug":"olhares-indigenas-povos-originarios-da-paraiba-resistem-a-violencia-e-reivindicam-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/04\/19\/olhares-indigenas-povos-originarios-da-paraiba-resistem-a-violencia-e-reivindicam-direitos\/","title":{"rendered":"Olhares Ind\u00edgenas: povos origin\u00e1rios da Para\u00edba resistem \u00e0 viol\u00eancia e reivindicam direitos"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/4mmyK4balHA6WKH9QBMpUQhLyRE=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/z\/2\/pDAp8DSlqFeGlJZOW3ig\/terrasindigenas.jpg\" \/><br \/>     Depois de s\u00e9culos de expuls\u00f5es e ataques, ind\u00edgenas paraibanos se reorganizam e mant\u00eam tradi\u00e7\u00f5es vivas em terras que s\u00e3o suas por direito. Terras ind\u00edgenas da Para\u00edba s\u00e3o reivindica\u00e7\u00f5es ao estado brasileiro\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nPovos v\u00edtimas de genoc\u00eddio e de um violento processo de silenciamento ao longo da hist\u00f3ria, cuja persegui\u00e7\u00e3o se seguiu nos \u00faltimos s\u00e9culos e que, de alguma forma, persiste at\u00e9 os dias atuais. A despeito disso, contudo, seguem resistindo, buscando os espa\u00e7os que s\u00e3o seus de direito e lutando pela manuten\u00e7\u00e3o de seus v\u00ednculos com a terra. No M\u00eas dos Povos Ind\u00edgenas, o Bom Dia Para\u00edba apresenta a s\u00e9rie de reportagem \"Olhares Ind\u00edgenas\", que respeita o protagonismo desses povos origin\u00e1rios para falar de suas pr\u00f3prias exist\u00eancias e resist\u00eancias no territ\u00f3rio paraibano.\nS\u00e3o pessoas como o cacique Caboquinho, da Aldeia Forte, de Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o, um representante potiguara que analisa a luta que os seus antepassados travaram pelo direito \u00e0 terra:\n\"O pre\u00e7o foi muito sangue derramado. Perdermos essas lideran\u00e7as toda. Perdemos o nosso territ\u00f3rio\", destaca.\nOlhares Ind\u00edgenas: as v\u00e1rias identidades dos povos origin\u00e1rios da Para\u00edba\n\u00c9 uma luta que segue at\u00e9 os dias atuais. Por exemplo, no s\u00e9culo 19 eram 54 mil hectares dos povos potiguara no Litoral Sul da Para\u00edba, reduzidos a apenas 34 mil hectares atualmente. Ainda assim, o cacique Caboquinho diz que est\u00e1 em curso um trabalho de resgate do direito ind\u00edgena, iniciado em 1984, ano da primeira demarca\u00e7\u00e3o de terra ind\u00edgena no estado. \"N\u00f3s somos tr\u00eas terras cont\u00edguas\", explica. \nCacique Caboquinho, da etnia Potiguara\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nA primeira \u00e9 justo a Terra de S\u00e3o Miguel, onde est\u00e1 localizada a Aldeia Forte e que foi demarcada em 1984. Tem ainda a Terra de S\u00e3o Domingos, tamb\u00e9m demarcada, e a Terra de Monte-Mor, que segue em lit\u00edgio, em vias de ser demarcada pelo estado brasileiro.\nSobre o tema, a prop\u00f3sito, o cacique Ednaldo Tabajara, da Aldeia Vit\u00f3ria, localizada no Litoral Sul da Para\u00edba, tamb\u00e9m fala em resgate do direito ind\u00edgena. Especificamente sobre os Tabajara, ele divide a hist\u00f3ria em tr\u00eas per\u00edodos.\n\"A primeira \u00e9 a era etno-hist\u00f3rica, que pega de 1573 at\u00e9 1889. Depois, a gente vive o nosso silenciamento desde 1889 at\u00e9 comecinho de 2006. \u00c9 quando vem o nosso ressurgimento, de 2006 at\u00e9 hoje\", explica.\nEdnaldo Tabajara, cacique\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nTrata-se de uma hist\u00f3ria, acima de tudo, marcada por viol\u00eancias dos invasores contra os povos que viviam naquelas terras. E que est\u00e1 marcado na mem\u00f3ria das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da Para\u00edba.\nA artes\u00e3 Maria Tabajara, por exemplo, que mora em terra ind\u00edgena no munic\u00edpio de Conde, relembra dos tempos em que a persegui\u00e7\u00e3o acontecia de forma corriqueira e violenta. \"A minha fam\u00edlia era ind\u00edgena, mas os brancos queriam tomar conta da mata. Expulsaram os ind\u00edgenas. Quem escapou, escapou. Quem n\u00e3o escapou, morreu. Era queimado, morto de pau, de bala\", destaca.\nOutros ind\u00edgenas confirmam toda essa viol\u00eancia. \"Meu pai foi perseguido\", relata o comerciante Zezinho Tabajara. \"Naquela \u00e9poca, quem dissesse que era \u00edndio era ca\u00e7ado\", prossegue Dora Tabajara.\nPor causa de tudo isso, houve grande dispers\u00e3o dos ind\u00edgenas por diferentes regi\u00f5es, sendo que muitos fugiram para munic\u00edpios vizinhos de Pernambuco. Depois, contudo, foram se reorganizando, retomando para suas casas, suas terras.\n\"N\u00f3s fomos expulsos. Nossa terra foi tomada. Hoje, estamos revendo tudo isso e pedindo ao estado brasileiro repara\u00e7\u00e3o\", enfatiza o cacique Ednaldo Tabajara.\nA terra tem um valor sagrado aos povos ind\u00edgenas\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nTradi\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas\nOs povos origin\u00e1rios que viveram e ainda vivem no territ\u00f3rio que hoje \u00e9 a Para\u00edba convivem e tentam manter vivas as suas tradi\u00e7\u00f5es, muito ligadas \u00e0 terra e \u00e0s riquezas que saem dela. Al\u00e9m disso, dos ensinamentos que foram passados atrav\u00e9s das gera\u00e7\u00f5es.\nNancy Potiguara, por exemplo, \u00e9 parteira. Aprendeu o of\u00edcio num tempo que pouco existia de tecnologia e foi respons\u00e1vel pelo nascimento de muitos dos ind\u00edgenas de sua etnia. Ela relembra de uma \u00e9poca que n\u00e3o havia ve\u00edculo terrestre a disposi\u00e7\u00e3o, nem mesmo bicicleta. Os grandes percursos eram vencidos por cavalos ou por barcos e iam at\u00e9 onde tinham mulheres gr\u00e1vidas precisando de aux\u00edlio.\n\"A gente fazia com a luz do candeeiro. O marido segurava o candeeiro e eu aparava o menino\", explica, destacando que nem a chuva era empecilho. \"Teve vez de eu fazer seis partos num mesmo dia\", completa Nancy.\nNancy Potiguara, parteira que chegou a fazer seis partos num \u00fanico dia\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nMais jovem que Nancy, hoje tem a parteira Cida Potiguara, que al\u00e9m de parteira tradicional tamb\u00e9m \u00e9 formada em enfermagem. Ela defende uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla sem esquecer a pr\u00f3pria cultura ind\u00edgena. \"A ideia \u00e9 unir a minha cultura com o que eu aprendi na universidade, mas sem perder as minhas ra\u00edzes\".\nOutro destaque \u00e9 Ednalva Potiguara, uma fitoterapeuta ind\u00edgena que aprendeu a fazer de suas planta\u00e7\u00f5es uma farm\u00e1cia. Uma tradi\u00e7\u00e3o que vem de seus antepassados, mas que j\u00e1 passa para as gera\u00e7\u00f5es vindouras. \"A gente era curado assim, com rem\u00e9dio de casa. J\u00e1 pegava, fazia o chazinho. A farm\u00e1cia estava atr\u00e1s de casa. Minha m\u00e3e me dava, e agora eu j\u00e1 estou passando para os meus netos. E assim por diante\".\nOutra conquista dos povos Potiguara est\u00e1 no munc\u00edpio de Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o, no territ\u00f3rio da Aldeia Alto do Tamb\u00e1. \u00c9 o local onde foi erguida uma escola municipal ind\u00edgena. \"Aonde a gente tem a autonomia e a obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar a identidade de nosso povo, mas tamb\u00e9m trabalhar os outros conte\u00fados que s\u00e3o importantes a crian\u00e7a saber\", explica a gestora escolar Tamara Rodrigues, que \u00e9 ind\u00edgena Potiguara.\nEscola municipal ind\u00edgena em Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o mant\u00e9m vivas as tradi\u00e7\u00f5es\nTV Cabo Branco\/Reprodu\u00e7\u00e3o\nJ\u00e1 do lado dos povos Tabajara, o cacique Carlinhos Tabajara fala da espiritualidade de seu povo. \"A nossa ca\u00e7a, os nossos bichos, as nossas cabeceiras de \u00e1gua. Isso \u00e9 tudo importante para n\u00f3s, porque \u00e9 tudo de bom que o nosso pai Tup\u00e3 deixou para n\u00f3s\", destaca. \"Se a gente n\u00e3o tivesse a nossa espiritualidade, a gente passaria a ser um povo sem for\u00e7a, sem cultura, sem respeito\". completa.\nJ\u00e1 Ira\u00ea Tabajara, curandeira, \u00e9 outra que destaca a sua rela\u00e7\u00e3o com a terra. \"Quando eu vou \u00e0 mata, eu sinto energia, eu sinto for\u00e7a, eu sinto a presen\u00e7a dos meus antepassados. Eu vejo algo que vai acontecer no meio do meu povo. Todos n\u00f3s, ind\u00edgenas, temos o dom dado pelo nosso pai Tup\u00e3\", resume.\nV\u00eddeos mais assistidos da Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Depois de s\u00e9culos de expuls\u00f5es e ataques, ind\u00edgenas paraibanos se reorganizam e mant\u00eam tradi\u00e7\u00f5es vivas em terras que s\u00e3o suas por direito. 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