{"id":11139,"date":"2023-03-26T09:11:47","date_gmt":"2023-03-26T12:11:47","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/03\/26\/memorial-lajedo-da-serra-grafites-registram-em-pedras-a-historia-de-dona-ines-na-paraiba.ghtml"},"modified":"2023-03-26T09:11:47","modified_gmt":"2023-03-26T12:11:47","slug":"memorial-lajedo-da-serra-grafites-registram-em-pedras-a-historia-de-dona-ines-na-paraiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/03\/26\/memorial-lajedo-da-serra-grafites-registram-em-pedras-a-historia-de-dona-ines-na-paraiba\/","title":{"rendered":"Memorial Lajedo da Serra: grafites registram em pedras a hist\u00f3ria de Dona In\u00eas, na Para\u00edba"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/7Octncxglvrnlk5wSPpfiRkwRNg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/D\/B\/3gH1ivTsamBVlguCzoOw\/memorial-lajedo-da-serra.jpg\" \/><br \/>     Em comemora\u00e7\u00e3o ao Dia Mundial do Grafite, g1 conta como surgiu um memorial de arte popular a c\u00e9u aberto feito em lajedo do Brejo Paraibano. Memorial Lajedo da Serra, em Dona In\u00eas, PB, tem grafites que conta a hist\u00f3ria de forma\u00e7\u00e3o da cidade e \u00e9 inspirado em um cordel regional\nTarc\u00edsio Play\/Divulga\u00e7\u00e3o\nNa dureza rudimentar da pedra, o grafiteiro Tarc\u00edsio Play oferece leveza. O Memorial Lajedo da Serra fica a c\u00e9u aberto, em Dona In\u00eas, no Brejo paraibano. A obra \u00e9 autoral e foi executada sem guindaste pelas m\u00e3os do artista \u2013 tudo baseado no cordel 'Dona In\u00eas, Filha de uma Paix\u00e3o', do cordelista local Mariano Ferreira da Costa.\nLEIA TAMB\u00c9M:\nGrafite na UFPB homenageia Alph, aluno morto em caso ainda sem condena\u00e7\u00e3o\nPainel em grafite homenageia centen\u00e1rio de Jackson do Pandeiro, em Sousa, no Sert\u00e3o \nFeito com cerca de 150 litros de tinta, o memorial re\u00fane diversos grafites em um lajedo da cidade para contar a hist\u00f3ria lend\u00e1ria da forma\u00e7\u00e3o de Dona In\u00eas: um amor proibido entre uma senhora e um escravo que trabalhava para seu pai.\nAgora, o lajedo n\u00e3o se limita a ser uma \u00e1rea de extra\u00e7\u00e3o de granito. A \u00e1rea que \u00e9 fonte de renda para mais de 400 fam\u00edlias da cidade agora tamb\u00e9m \u00e9 um novo ponto tur\u00edstico e de resgate da hist\u00f3ria daquele povo \u2013 tudo isso proporcionado pelo grafite.\nGrafites do Memorial Lajedo da Serra, em Dona In\u00eas, t\u00eam inspira\u00e7\u00f5es em xilogravuras e usa como refer\u00eancia o cordel 'Dona In\u00eas: Filha de Uma Paix\u00e3o'\nTarc\u00edsio Play\/Divulga\u00e7\u00e3o\nVida no lajedo\nLocalizado em uma \u00e1rea de aproximadamente 50 hectares, o lajedo come\u00e7a a passar por in\u00fameras resist\u00eancias a partir da d\u00e9cada de 60. Casinhas simples eram constru\u00eddas em taipas, outras em alvenaria. Tanques para lavar roupas eram feitos de forma caseira e atra\u00edam lavadeiras para o local.\n\"No come\u00e7o da hist\u00f3ria da cidade, era uma montanha de pedra, que com um tempo as pessoas aprenderam a cortar para a pavimenta\u00e7\u00e3o de ruas. Eles faziam suas barracas para apontar suas ferramentas, cortavam as pedras ao redor das barracas, que iam ficando cada vez mais altas, formando verdadeiras ilhas de pedra\", conta Tarc\u00edsio.\nA cidade come\u00e7ou a se desenvolver por conta da explora\u00e7\u00e3o do lajedo, mas a \u00e1rea tamb\u00e9m come\u00e7ou a sofrer por conta dessa explora\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel.\n\u201cDaqui saia daqui em m\u00e9dia oito, dez caminh\u00f5es por dia. Em m\u00e9dia trezentas pessoas explorando esse lajedo. Imagina!\u201d, pontua o cordelista Mariano.\nDona In\u00eas, Filha de uma Paix\u00e3o\nA hist\u00f3ria da cidade, assim como muitas do interior da Para\u00edba, \u00e9 contada e narrada oralmente \u2013 nunca de forma oficial. E tudo come\u00e7ou no lajedo.\nDona In\u00eas, no Brejo da Para\u00edba\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Rota Cultural Ra\u00edzes do Brejo\n\"Desde a minha inf\u00e2ncia, narra que os vaqueiros das cidades circunvizinhas, em busca de gados desgarrados, avistaram uma cortina de fuma\u00e7a, uma torre de fuma\u00e7a. E se aproximando daquela localidade encontraram um casal: uma senhora branca, bem-vestida, e um homem negro. Ent\u00e3o, ela dizia que era do estado vizinho de Pernambuco e havia fugido com aquele rapaz para ele ser alforriado do engenho do seu pai\", relata Mariano.\nOs vaqueiros, retornando \u00e0 sua fazendo de origem avisam ao patr\u00e3o que haviam encontrado na Serra de Dona In\u00eas \u2013 nome da mulher que o grupo encontrou e que fugiu com seu amado, para conseguir a liberdade dele em um destino desconhecido. \nA partir desse conto, a regi\u00e3o passou a ser conhecida como Serra de Dona In\u00eas. Quando a cidade passou a ser o munic\u00edpio, o top\u00f4metro de Serra foi retirado e o local virou simplesmente Dona In\u00eas.\nCordelista apaixonado pela cidade, Mariano j\u00e1 fez outros cord\u00e9is sobre as belezas de sua terra e seus atrativos tur\u00edsticos. Em 2015, com a publica\u00e7\u00e3o de 'Dona In\u00eas, Filha de uma Paix\u00e3o', obra que conta o mito de origem da cidade, o artista ficou mais conhecido.\nCordel 'Dona In\u00eas: Filha de Uma Paix\u00e3o', de Mariano Ferreira da Costa; obra conta o mito hist\u00f3rico que originou a cidade\nMariano Ferreira da Costa\/Divulga\u00e7\u00e3o\nEngajado com o turismo local, Mariano j\u00e1 conhecia o trabalho de Tarc\u00edsio. Como \u00e9 imposs\u00edvel desvencilhar a hist\u00f3ria da cidade do lajedo, pensou em homenagear as in\u00fameras fam\u00edlias que viviam ali na simplicidade, mas tamb\u00e9m na pureza e beleza das pedras. \nAssim, eles resgatavam tamb\u00e9m a mem\u00f3ria das pessoas que foram retiradas \u00e0 medida que a explora\u00e7\u00e3o do rochedo crescia. \nO prefeito da cidade topou e assim nasceu o Memorial Lajedo da Serra.\n\"O brilho da arte que o pincel e a pistola do Tarc\u00edsio Play leva uma beleza ao local, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m transformar aquele lajedo em uma grande galeria a c\u00e9u aberto. Uma galeria onde a hist\u00f3ria dos nossos antepassados e tamb\u00e9m de familiares de pessoas que trabalham no lajedo possam ser contadas\",  destaca o cordelista.\nMemorial Lajedo da Serra, em Dona in\u00eas, PB, re\u00fane v\u00e1rias pe\u00e7as diferentes de grafite ao longo do lajedo\nTarc\u00edso Play\/Divulga\u00e7\u00e3o\nSeis meses de trabalho\nTarc\u00edsio Play pinta desde pequeno. Ele come\u00e7ou com o pincel e guache, desenhando paisagens. Foi quando viu na televis\u00e3o os murais do artista de rua Eduardo Kobra que comprou um pequeno compressor e uma pistola de pintura. \n\"Sempre tive vontade de um dia mostrar minha arte e fui desenhando at\u00e9 hoje em com\u00e9rcios, escolas, pedreiras... em todo lugar\", afirma.\nQuando Mariano entrou em contato sobre o projeto, ele logo ficou animado e come\u00e7ou a buscar nos cord\u00e9is a inspira\u00e7\u00e3o.\nO Memorial Lajedo da Serra demorou seis meses para ficar pronto e tudo foi feito sem guindaste: o artista escalava as pedras e enquanto uma m\u00e3o segurava na rocha, a outra pintava.\nE n\u00e3o foi uma tarefa f\u00e1cil. Ele relata muitos contratempos, como chuvas, as rochas que s\u00e3o \u00edngremes e os pr\u00f3prios trabalhadores da pedreira, que n\u00e3o aceitavam nem um pouco a ideia de uma pintura no lugar onde se corta pedras.\nMemorial Lajedo da Serra, em Dona In\u00eas, PB, demorou seis meses para ficar pronto e grafites na rocha conta a hist\u00f3ria da cidade\nTarc\u00edsio Play\/Divulga\u00e7\u00e3o\nApesar disso, Tarc\u00edsio conseguiu realizar o seu sonho. O resultado \u00e9 um casamento da arte popular, um cordel e um grafite, para contar a hist\u00f3ria de vaqueiros, lapid\u00e1rios, agricultores, lavadeiras de roupas que levaram vida e mem\u00f3ria para uma ilha de pedra.\n\"O lajedo passa a ser esse pergaminho rochoso, j\u00e1 que a gente n\u00e3o tem a t\u00e9cnica que os eg\u00edpcios tinham para escrever, a gente usa a arte de Tarc\u00edsio Play. O lajedo que no passado foi o esconderijo e o ber\u00e7o de um grande amor, hoje \u00e9 a galeria do nosso artista popular!\", salienta o cordelista Mariano.\nJ\u00e1 para o grafiteiro, o objetivo maior de mostrar e deixar marcas de sua arte no mundo j\u00e1 foi concretizado. Apesar disso, o Memorial Lajedo da Serra segue sendo obra uma constantemente obra viva.\n\"Ainda tem umas pedras l\u00e1 pra fazer mais pain\u00e9is. Ali ainda tem muita hist\u00f3ria\", garante Tarc\u00edsio.\nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        Em comemora\u00e7\u00e3o ao Dia Mundial do Grafite, g1 conta como surgiu um memorial de arte popular a c\u00e9u aberto feito em lajedo do Brejo Paraibano. 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