{"id":10717,"date":"2023-03-08T06:45:04","date_gmt":"2023-03-08T09:45:04","guid":{"rendered":"https:\/\/g1.globo.com\/pb\/paraiba\/noticia\/2023\/03\/08\/dia-da-mulher-paraibanas-tem-maior-media-de-horas-do-brasil-dedicadas-ao-cuidado-nao-remunerado.ghtml"},"modified":"2023-03-08T06:45:04","modified_gmt":"2023-03-08T09:45:04","slug":"dia-da-mulher-paraibanas-tem-maior-media-de-horas-do-brasil-dedicadas-ao-cuidado-nao-remunerado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindaopcpb.org.br\/index.php\/2023\/03\/08\/dia-da-mulher-paraibanas-tem-maior-media-de-horas-do-brasil-dedicadas-ao-cuidado-nao-remunerado\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: paraibanas t\u00eam maior m\u00e9dia de horas do Brasil dedicadas ao cuidado n\u00e3o-remunerado"},"content":{"rendered":"   <img src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/fLL1JjeUmgTfnUbXd-7q6zTliu0=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/T\/j\/SUZI6zS36RFpeFAteiRA\/jovem-mulher-que-guarda-a-mao-de-uma-mulher-idosa.jpg\" \/><br \/>     M\u00e9dia semanal de horas dedicadas ao cuidado n\u00e3o-remunerado e\/ou aos afazeres dom\u00e9sticos das paraibanas \u00e9 a maior do Brasil. N\u00famero \u00e9 o dobro do tempo gasto pelos homens nessas mesmas fun\u00e7\u00f5es.  Mulheres paraibanas passam mais tempo cuidando de outras pessoas, segundo IBGE \nReprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik \nAs mulheres paraibanas possuem a maior m\u00e9dia de horas semanais dedicadas ao cuidado n\u00e3o-remunerado, ou seja, cuidando de pessoas pr\u00f3ximas, sem receber pagamento financeiro por isso, segundo dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A m\u00e9dia semanal de horas dedicadas ao cuidado e\/ou afazeres dom\u00e9sticos \u00e9 23,1h, no caso das mulheres paraibanas brancas, e 26h no caso das mulheres pretas ou pardas. \nEsse n\u00famero \u00e9 maior que o dobro da m\u00e9dia dos homens paraibanos. No estado, homens brancos possuem a m\u00e9dia de 11,3 horas semanais dedicadas ao cuidado, enquanto homens negros dedicam 11,9 horas ao servi\u00e7o. \nA m\u00e9dia semanal nacional para mulheres brancas \u00e9 20,7 horas. J\u00e1 para mulheres negras, a m\u00e9dia \u00e9 22 horas. Portanto, as mulheres paraibanas passam mais tempo cuidando dos afazeres dom\u00e9sticos ou de outras pessoas, principalmente as mulheres negras. \nNa an\u00e1lise por grupos de idade, as mulheres paraibanas possuem aproximadamente o dobro dos homens na m\u00e9dia de horas semanais dedicadas ao cuidado n\u00e3o-remunerado, em todas as faixas et\u00e1rias analisadas. No grupo de 14 a 29 anos, a m\u00e9dia para as mulheres \u00e9 de 20,7 horas e para os homens \u00e9 10,5. \nNa faixa et\u00e1ria de 30 a 49 anos, a m\u00e9dia entre as mulheres \u00e9 de 22,8 horas semanais dedicadas ao cuidado n\u00e3o-remunerado, e 12,1 horas entre os homens. No grupo de 50 a 59 anos,  as mulheres t\u00eam m\u00e9dia semanal de 22,4 horas dedicadas ao cuidado, contra 11 dos homens. Para as pessoas maiores de 60 anos, a m\u00e9dia entre as mulheres \u00e9 24,7 e a dos homens \u00e9 11,3. \nCuidado desde cedo \nM\u00e1rcia Andrade ( sentada no centro da foto, usando um vestido preto com listras) cuidou dos filhos, cuidou da av\u00f3 e agora cuida de duas sobrinhas\nK\u00e9cia Andrade\/Arquivo pessoal \nO cuidado com familiares sempre esteve presente na vida de M\u00e1rcia Andrade, que mora em Uira\u00fana, no Sert\u00e3o da Para\u00edba. Na inf\u00e2ncia, j\u00e1 assumia os afazeres dom\u00e9sticos. Depois, criou tr\u00eas filhas, hoje todas adultas, cuidou da av\u00f3, que j\u00e1 \u00e9 falecida, e atualmente ajuda a cuidar de duas sobrinhas, uma de 16 anos e outra de nove.\nA mulher, que hoje tem 54 anos, relata que gosta de cuidar das pessoas, mas confessa que se tivesse tido mais tempo para si, teria avan\u00e7ado nos estudos. M\u00e1rcia estudou at\u00e9 a 6\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental e hoje trabalha vendendo lanches em uma escola da cidade. \n\"Em alguns momentos j\u00e1 quis ter menos obriga\u00e7\u00f5es, mas eu me sinto bem cuidando das pessoas. Se tivesse tido mais tempo, teria investido mais na minha educa\u00e7\u00e3o\". \nAs filhas de M\u00e1rcia Andrade tiveram oportunidades diferentes e todas conseguiram se formar. A mulher acredita que se as mulheres tivessem maior ajuda, inclusive dos homens, poderiam se dedicar mais aos seus planos pessoais. \nPopula\u00e7\u00e3o da Para\u00edba \nDe acordo com dados da Pnad de 2021, a popula\u00e7\u00e3o da Para\u00edba \u00e9 de aproximadamente 4.038.000, sendo 1.980.000 homens e 2.058.000 mulheres.\nCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o idosa, na Para\u00edba, h\u00e1 235 mil homens com mais de 60 anos e 311 mulheres, 32% de diferen\u00e7a. \nMoradores de institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia \nEnquanto as mulheres paraibanas gastam mais horas cuidando das pessoas pr\u00f3ximas, nem sempre elas s\u00e3o cuidadas por familiares ou amigos quando necessitam. Um exemplo disso \u00e9 percept\u00edvel por meio dos n\u00fameros das institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Humano (SEDH), s\u00e3o 777 mulheres e 455 homens vivendo nestas resid\u00eancias no estado, o que corresponde a 70% de diferen\u00e7a. \nReflexo do machismo estrutural \nPara Gl\u00f3ria Rabay, pesquisadora em g\u00eanero e comunica\u00e7\u00e3o e professora da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), as atividades relacionadas ao cuidado s\u00e3o mais atribu\u00eddas \u00e0s mulheres do que aos homens, como um reflexo do machismo estrutural. \n\"As desigualdades estruturais e o machismo estrutural que a gente pode falar nesse termo recaem sobre as mulheres de forma muito significativa quando a gente vai pensar no cuidado. As mulheres s\u00e3o as respons\u00e1veis pelos cuidados com as crian\u00e7as, com os doentes, com os idosos\". \nA pesquisadora destaca que, muitas vezes, quando as mulheres precisam ser cuidadas por pessoas pr\u00f3ximas, essa necessidade n\u00e3o \u00e9 atendida, o que justifica serem maioria nas institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia. Gl\u00f3ria Rabay ressalta que essa realidade tamb\u00e9m acontece em hospitais e entre as mulheres privadas de liberdade, que recebem menos visitas do que homens. \n\"Quando essas mulheres adoecem ou envelhecem, dificilmente elas t\u00eam outras pessoas para cuidar delas. Esses n\u00fameros tamb\u00e9m se repetem nas institui\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as mentais e nos pres\u00eddios. As mulheres encarceradas recebem menos visitas, t\u00eam menos parceiros fora do c\u00e1rcere do que homens encarcerados\". \nV\u00eddeos mais assistidos do g1 Para\u00edba  ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>        M\u00e9dia semanal de horas dedicadas ao cuidado n\u00e3o-remunerado e\/ou aos afazeres dom\u00e9sticos das paraibanas \u00e9 a maior do Brasil. N\u00famero \u00e9 o dobro do tempo gasto pelos homens nessas mesmas fun\u00e7\u00f5es.  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