Líder de facção é condenado por crimes de homicídio em Patos

O Conselho do Tribunal do Júri de Patos condenou, nessa quinta-feira (12/02), o líder da facção criminosa Okaida, Matheus Soares de Almeida e Sousa, a 31 anos e quatro meses de reclusão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado, pelo assassinato de uma criança de cinco anos e pela tentativa de homicídio qualificado praticado contra um adolescente. 

Os crimes aconteceram na noite do dia 29 de outubro de 2024, no bairro Monte Castelo, quando, de acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), Matheus determinou a outros três denunciados que se deslocassem até o setor sul de Patos para realizar um ataque a qualquer pessoa que fosse da facção rival como uma retaliação pelo homicídio do ex-presidiário conhecido como “Nego Andro”, ocorrido dias antes.

As vítimas foram a menina Ayla Evelly Felix dos Santos, de cinco anos, que morreu no local; e um adolescente, que à época tinha 17 anos de idade, e foi socorrido para o hospital do município. 

Os promotores de Justiça Ernani Lucas e Levi Emanuel Monteiro de Sobral, que atuaram no julgamento da Ação Penal 0813184-48.2025.8.15.0251, explicaram que a denúncia contra os envolvidos foi feita em duas partes.

“Primeiro, foram denunciados os executores, Ian da Silva Emiliano – que também é integrante da facção criminosa Okaida-, Ryan Nóbrega Dias e Janailson Carvalho Leite, este último efetuou os disparos de arma de fogo contra a comunidade. Depois, a denúncia foi emendada para acrescentar o mandante dos crimes, Matheus, que foi julgado ontem. A data do julgamento dos três denunciados como executores dos crimes ainda não foi definida”, detalhou o promotor de Justiça Ernani Lucas.

Motivo fútil

De acordo com os promotores de Justiça, os crimes foram praticados por motivo fútil e com recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. “Os três acusados de executarem os crimes a mando de Matheus seguiram até o bairro Monte Castelo e, ao avistar o adolescente na companhia de Aylla, decidiram atirar contra ambos. Os disparos, então, foram efetuados por Janilson, que estava no banco da frente, como carona, e, após atingirem as vítimas, que não tiveram tempo para reagir, os denunciados se evadiram do local”, informaram.

Os representantes do MPPB falaram da gravidade do fato, provocado pela disputa de poder entre facções criminosas e destacaram a importância da condenação do mandante dos crimes, reafirmando o compromisso do MPPB com o enfrentamento do crime organizado e os direitos das vítimas e familiares.

“A cidade de Patos deu a sua resposta. A justiça por Ayla foi feita. O que presenciamos neste processo não foi apenas um crime, foi uma monstruosidade. Uma criança de cinco anos teve a vida arrancada por causa de uma guerra de poder suja, covarde e torpe! Mas a condenação, de mais de 31 anos de prisão para o mandante desse crime, envia um recado claro e definitivo: na Paraíba, as facções não estão acima da lei!!! O Ministério Público provou que não existe ‘mandante intocável’. A mão da Justiça é pesada e alcança tanto quem aperta o gatilho, quanto quem dá a ordem do conforto do seu esconderijo. Essa vitória não traz a pequena Ayla de volta, mas ela devolve a dignidade à família e reafirma que a sociedade de paraibana não aceita, e jamais aceitará, viver refém do medo. O Ministério Público continuará combatendo o crime organizado sem recuar um milímetro. A ordem hoje foi restabelecida”, disse o promotor de Justiça Ernani Lucas.

Ascom MPPB
 

Redação

Redação