Pai usa música e esporte como inclusão e aprendizagem para filho com síndrome de down


Proximidade entre os dois - que também chega nas curvas do esporte - desenvolveu não apenas parceria de pai e filho, mas inclusão e aprendizagem. Junior Targino e o filho João Pedro tocando instrumentos musicais juntos Junior Targino/Arquivo Pessoal João Pedro tem hoje 17 anos. Mas desde a barriga da mãe tem a sua vida ninada e contextualizada pela música. É através dela que se comunica, que se expressa, que se diverte, que sente. O pai, Junior Targino, é músico, compositor, educador musical e arranjador. Fez da profissão, rotina e aprendizado para o filho, que tem síndrome de down. A proximidade entre os dois - que também chega nas curvas do esporte - desenvolveu não apenas parceria de pai e filho, mas inclusão e aprendizagem. A musicalização chegou na vida de João Pedro desde a barriga da mãe. Como fazia parte do trabalho de Junior Targino, a iniciação na música começou muito cedo. Mas com o tempo, a família sentiu a necessidade de colocá-lo em uma escola de música. Então, primeiro, João Pedro estudou violino e musicalização no curso de extensão da UFPB, em João Pessoa. “Em casa a gente faz os estudos passados. E todo tempo aqui em casa a música está acontecendo. Ele tem violino, guitarra, ukulele e pandeiro. Gosta de Fred Mercury, Quenn, Beatles, Chico César, o pai Junior Targino, forró de pé de serra, músicas de filmes, Rei Leão, Kumba, Homem-Aranha”, comenta o pai, Junior Targino. A presença do pai na vida do filho é também intuição. Com os instrumentos do pai por perto, João Pedro sempre teve proximidade com a música. Tem dias que já acorda tocando algum instrumento ou cantando. “A música é de fundamental importância na formação de qualquer pessoa, e da pessoa com deficiência é que é importante mesmo. Dessa forma, João Pedro tem se desenvolvido devido à musicalização trabalhar a parte da fala, socialização, desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, leitura, imaginação, memória, concentração, atenção, além de trabalhar os movimentos do corpo, trabalha também com a percepção sensorial motora”, explica Junior Targino, responsável por essa relação íntima e ao mesmo tempo necessária entre os dois e a música. Pai e filho fazem karatê juntos, em João Pessoa Junior Targino/Arquivo Pessoal Da música para o esporte Foi também o esporte o responsável pela união e aproximação entre pai e filho. Aos cinco anos, João Pedro começou a fazer natação e, aos seis, a equoterapia. Sempre com o pai por perto. Hoje, na soma das atividades físicas, ainda está o karatê, que faz na presença de Junior Targino, dividindo o mesmo tatame e seguindo as aulas do professor. São alunos, pai e filho. “Todas essas atividades quem leva sou eu, porque a mãe é professora da UFPB e trabalha muito. No momento eu só faço karatê com ele, mas estou pensando em fazer natação também. Desde que João Pedro nasceu que nós acompanhamos ele em todos esses atendimentos e o que ele vai querendo e pedindo para fazer, nós vamos vendo e tentando preencher os horários em atividades que tragam o bem pra saúde dele”, enfatizou o pai. A presença de Targino na vida de João Pedro é constante e ultrapassa as paredes de casa. Não consegue mais se enxergar fora da vida do filho ou simplesmente não o acompanhando nas atividades. “Até porque eu gosto das atividades que ele faz e ele também adora”, comentou. Junior, antes de tudo, tem consciência de que faz o que é necessário e sua função enquanto pai. Divide com a mãe de João Pedro os méritos de ter um filho dedicado a construir sua evolução dia a dia, com esporte e música. “A importância não é só minha devido ser pai e acompanhar ele nas atividades, mas a mãe tem um papel primordial. Ela teve a ideia e concretizou essa ideia com a criação do Centro Incluir, uma instituição educativa voltada ao atendimento especializado de pessoas com atraso cognitivo. Então, todos esses profissionais que atendem o João Pedro (psicóloga, psicopedagoga, fonoaudióloga, terapia ocupacional, o sensei do karatê, o professor de natação, a professora de música, os professores da equoterapia, a escola, a família, enfim, todas essas pessoas têm uma importância fundamental na construção evolutiva do João Pedro”, detalha Junior. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba
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