Mais de 100 pessoas escapam de clínica em Santa Rita após denúncias de maus-tratos

Mais de 100 pessoas deixaram uma casa de acolhimento em Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, após denunciarem supostos maus-tratos no local. O caso veio à tona nesta sexta-feira (23), depois que parte do grupo passou a noite em um posto de combustíveis às margens da BR-230.

Segundo relatos dos acolhidos a emissoras de televisão, eles teriam sido impedidos de se alimentar, sair do imóvel, utilizar os próprios celulares e manter contato com familiares. Um dos pacientes mostrou um ferimento no olho e afirmou que a lesão teria sido provocada por funcionários da instituição.

De acordo com informações divulgadas pela TV Cabo Branco, a saída do grupo ocorreu após um episódio de agressão física no espaço, envolvendo uma pessoa que teria ido ao local buscar um familiar. A ocorrência foi registrada em boletim policial.

As pessoas teriam sido levadas de Pernambuco para Santa Rita sob a informação de que participariam de um retiro espiritual. O imóvel seria utilizado como uma extensão de uma casa de recuperação localizada em Goiana, no estado pernambucano.

O proprietário do espaço, Dorgivan de Castro, afirmou que foi procurado por um homem identificado como Gláucio Amaral para alugar o imóvel e instalar a unidade. Segundo ele, o grupo começou a chegar na quarta-feira (21) e, no dia seguinte, o local chegou a receber cerca de 160 pessoas.

Dorgivan disse que ficou surpreso com a quantidade de acolhidos e que considerou o espaço inadequado para receber tantas pessoas. Ele relatou que tomou conhecimento dos acontecimentos por meio de quem registrou o boletim de ocorrência e, quando chegou ao imóvel, parte do grupo e a liderança responsável já haviam saído.

Após o episódio, o proprietário afirmou que não pretende manter o aluguel do espaço. Ele também disse que passou a prestar assistência às pessoas que permaneceram no local e que pretende ajudar a localizar os familiares para viabilizar o retorno delas para casa.

Um pastor ligado ao projeto de reabilitação que teria organizado o grupo também passou a prestar assistência aos acolhidos. Ele afirmou não saber que as pessoas seriam submetidas às condições relatadas em Santa Rita.

Na manhã desta sexta-feira (23), cerca de dez pessoas ainda permaneciam no posto de combustíveis às margens da BR-230. A polícia e outros órgãos foram acionados para acompanhar o caso.

Redação

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