Suspeita de golpe imobiliário acende alerta em condomínios de alto padrão de João Pessoa

Golpes envolvendo imóveis de alto padrão estão chamando a atenção de corretores e proprietários em João Pessoa. Um dos casos mais recentes envolve um terreno em um condomínio na Zona Sul e foi descoberto antes que qualquer pagamento fosse realizado.
Segundo uma corretora que acompanhou a negociação, um homem demonstrou interesse e se apresentou como comprador. O proprietário, que é operador do direito, decidiu preparar o contrato enquanto aguardava a emissão das certidões no Cartório de Registro de Imóveis.
Durante esse período, o suposto comprador pediu autorização para entrar no condomínio e visitar o terreno. A situação, porém, levantou suspeitas quando outros corretores chegaram ao local acompanhando clientes e perceberam que o homem já estaria oferecendo o imóvel a terceiros.
Até então, não havia pagamento nem aquisição formalizada. Mesmo assim, fotos feitas pela corretora durante a negociação teriam sido utilizadas em anúncios publicados em plataformas digitais, com preço abaixo do valor de mercado.
De acordo com a corretora, o esquema consiste em obter documentos e imagens de um imóvel verdadeiro, apresentá-lo como se já tivesse sido adquirido e oferecê-lo rapidamente a outro comprador por um valor atrativo.
“Quem vai cair no golpe é esse outro cliente que vai querer comprar porque está muito barato e vai dar uma entrada de R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 300 mil”, afirmou.
A burocracia da negociação acabou impedindo que o caso avançasse, já que a emissão das certidões e a formalização do contrato deram tempo para que a movimentação fosse identificada antes de qualquer transferência.
A corretora informou que registrou um Boletim de Ocorrência a pedido do proprietário e afirmou que outros profissionais também procuraram a Delegacia Especializada de Defraudações de João Pessoa para relatar situações semelhantes.
Segundo ela, casos parecidos teriam ocorrido inclusive no Condomínio das Américas, no mesmo bairro, com suspeitas de prejuízos que poderiam chegar a R$ 1,5 milhão.
A profissional também alertou para o risco de corretores serem utilizados pelos fraudadores sem perceberem a fraude, principalmente em negociações iniciadas por anúncios em plataformas digitais.
“É muito fácil alguém pesquisar no OLX, na plataforma do Viva Real, ver que tem um terreno abaixo do mercado, entrar em contato com o número de telefone que está lá, dizer que tem um cliente e até o corretor também ser vítima”, afirmou ao jornalista Candido Nobrega.
PB Agora
