Áudio atribuído a policial afastado após agressão no PP detalha versão sobre confusão

O áudio atribuído ao policial militar afastado após a agressão contra um jovem no Parque do Povo, em Campina Grande, passou a circular em grupos de policiais e ganhou repercussão nas redes sociais nesta segunda-feira (08). Na gravação, o agente afirma que fez o que precisava ser feito e sustenta que o vídeo divulgado mostra apenas parte da ocorrência.

“Tá uma repercussão muito grande, mas gente, com relação à minha função, ao meu trabalho, não tenho nenhum peso. Foi feito o que devia ser feito. Como vocês sabem, nosso trabalho é assim. É um vídeo cortado, que mostra só a parte que eu chego junto dele”, diz um trecho do áudio.

O caso aconteceu durante os festejos do Maior São João do Mundo e ganhou ampla repercussão após vídeos mostrarem o momento em que o policial dá vários socos contra o jovem Johnny Palmeira, de 18 anos. As imagens circularam rapidamente nas redes sociais e levaram a Polícia Militar da Paraíba a afastar o agente das atividades operacionais enquanto o caso é investigado pela Corregedoria.

Na gravação do áudio atribuído ao militar, ele relata que a situação teria começado após uma briga generalizada nas proximidades do palco principal do Parque do Povo.

“Houve uma briga gigante na frente do palco, que abriu aquela roda. Ficou uma turma de um lado, outra do outro, como um baile funk, disputando soco. A gente demorou um tempo para chegar lá e a minha função, como a de Mão Livre e os outros que estavam lá, era identificar alguns agressores que iniciou, neutralizar e botar para fora”, afirmou.

O policial também acusa o jovem agredido de participar da confusão, estar embriagado e ter agredido mulheres durante o tumulto. Segundo ele, testemunhas teriam relatado agressões praticadas pelo rapaz.

“Esse rapaz aí, que a gente neutralizou, ele estava batendo em mulheres, estava brigando lá, empurrando todo mundo, estava embriagado, e ele que começou a briga. Ele era um dos caras que a gente ia pinçar para tirar. Ele estava sem camisa, com chapéu preto de vaqueiro na cabeça e uma camisa preta enrolada na mão. Então, foi bem fácil identificar ele”, relatou.

Em outro trecho, o agente critica a repercussão do caso e faz ataques à imprensa.

“Eu acho que não tem nada a ser justificado, foi feito o trabalho, mas a mídia ela é suja e é podre. Espero contar com o apoio de todos vocês”, disse.

No fim da gravação, ele ainda pede apoio dos colegas. “Espero contar com o apoio de todos vocês. Vocês sabem como é e é de suma importância o apoio, as orações e vamos embora no barco para que essa tempestade passe logo”, concluiu.

Detalhes do caso

Apesar da versão apresentada pelo policial, o jovem Johnny Palmeira afirma que não participou da confusão e que foi agredido sem chance de reação. Em entrevista à TV Paraíba, ele contou que tentou se afastar da briga e que o tumulto já havia acabado quando o policial se aproximou.

“Ele apontou para mim e falou ‘é você’. Ele já chegou batendo. Não deu tempo de eu fazer nada”, relatou o jovem.

Johnny sofreu ferimentos na boca, levou oito pontos e teve um dente quebrado. Após a agressão, ele recebeu atendimento médico no local e depois foi encaminhado ao Hospital Dom Luiz Gonzaga Fernandes.

A família do jovem informou que pretende processar o policial. Segundo a defesa da vítima, o caso deverá ter desdobramentos nas esferas administrativa, criminal e cível.

Em nota, a Polícia Militar da Paraíba informou que abriu procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência e confirmou o afastamento do agente enquanto as investigações seguem em andamento.

PB Agora

Redação

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